sexta-feira, 23 de julho de 2021

Florescer - JANE MACHADO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Flor e Ser
Florear
Flor e ar

Florescência
Flor em essência divina
Sagrada

Floresçamos
Sejamos flor
Juntos e Juntas

Em qualquer estação
seja em pleno verão
outono, inverno
e não apenas na primavera

Floresceremos
desabrochando a flor que somos?

Sinta...
Como está seu FLOR&Ser?

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Barquinho - CHRIS HERRMANN

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lá vai o barquinho
marejando levezas

levando a menina
do rio da infância

e eu aqui
de asas perdidas

no caos do porto
sem choro nem vela

EM - CHRIS HERRMANN - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Ventos do além - JÚLIO SILVA

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Ventos vindos do além
escutem a minha voz inquietante
que tem algo a dizer e nada a esconder.

Essa minha voz que não se quer calar
que se impõe e se interroga no dia a dia,
pelos diversos males de um mundo
que se vai desabando paulatinamente.

Ventos vindos do além,
porque trazem constantemente ventos
que nos amordaçam
ventos sinistros que nos confundem
e nos fazem julgar o inocente?

Ventos do além, será que trazes
arrepios de um passado recente
e de um presente sem firmeza
de um futuro provavelmente ardente?

Ventos vindos do além
quem sois vós?

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Solidão - AGOSTINHO DA SILVA

Tudo na vida é comum
tudo no mundo concorre
mas sozinho é que se nasce
e só o próprio é que morre

EM - CITAÇÕES E PENSAMENTOS - AGOSTINHO DA SILVA - CASA DAS LETRAS

Prognóstico - Jacqueline Torres

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Salvar o silêncio da mesa
reta e escura
refletindo ausências
na superfície empoada
Salvar a mudez dos móveis
A exclamação das janelas
a viuvez da porta
o piso órfão.
Fico daqui vendo a noite
se fingir de morta
e a porta torta ranger os dentes
espiando a sala, descuidada
Salvo a mim mesma
do verme ruído
que parasita o instante
saído das gavetas
As coisas nem se arrepiam mais
com a língua do vento
pelos cômodos
As coisas se encolhem
e envelhecem sem serem vistas
E eu acompanho
minha decrepitude
no espelho da mesa.
Um fio alvo do meu cabelo
sela o silêncio.

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Somos mistério - JÚLIO SILVA

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Somos MISTÉRIO, MISTÉRIO somos nós
que estamos vivos e não sabemos quem somos.

MISTÉRIO da vida, MISTÉRIO da morte
duas interrogações que se misturam
e se encontram no próprio MISTÉRIO do porquê.

Somos MISTÉRIO, MISTÉRIO somos
Será que o mistério do amor é maior que o da morte?
Tudo é MISTÉRIO, pois mesmo a sua ausência
se traduz na dúvida
Somos MISTÉRIO, MISTÉRIO somos,
MISTÉRIO que não se explica e não aparece,
Mentes MISTÉRIO, mentes em dúvida
espírito MISTÉRIO, MISTÉRIO que vem do espírito

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Uma estrela - BIAMARIA

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Caiu uma estrela do céu
Apanhei-a na minha mão
Coloquei-a no meu peito
E agora aquece o meu coração

Tem luz própria para brilhar
Como se fosse um pirilampo
É linda como o alecrim
Aquela flor que nasce no campo

Aprende agora a falar
É doce como a sereia
É um diamante pequenino
Tão pequenino como um grão de areia

Como é uma estrela
Pode viver onde quiser
Tem nome de menina, chama-se Carolina
Ainda pequenina, mas com jeito de mulher

Atenta ao que se passa
Descobre a cada momento
Que há outras estrelas como ela
A brilhar no firmamento

EM - A VIDA É UM POEMA - BIAMARIA - IN-FINITA

Marias da Paz - JACKMICHEL

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Quem nasceu para Maria,
Maria sempre será.
Bandeira branca de alegria
Que a paz hasteará!

Maria de Nazaré foi a “santa”
Divina mãe do Salvador.
Da Galileia a mais branda,
Glória do Senhor!
Maria Quitéria foi a “soldado”
Com rifle na mão.
De Feira de Santana ao descampado,
Disparando a união!
Maria Stuart foi a “decapitada”
Descendo ao cadafalso.
Da Escócia a flor prendada,
Chorando o pranto salso!
Maria Malibran foi a “cantora”,
Lirismo disposto em tons.
Do canto fez-se mentora,
Música incorporando sons!
Maria Leopoldina foi a “imperatriz”
Bondosa, mas servil.
Da Áustria governou um triz
A independência do Brasil!
Maria Bonita foi a “cangaceira”
Formosa com uma carabina.
Da Grota do Angico à bagaceira,
Flor cheirosa e pequenina!
Maria Mandel foi a “carcereira”
Do chicote à pistola.
Na Alemanha a primeira,
Seguindo a hitlerista escola!
Maria Antonieta foi a “arquiduquesa”
Distribuia brioches aos populares.
De Versailles à realeza,
Valsou em mil lugares!
Maria Curie foi a “descobridora”
Experimentos sem oscilação.
De Varsóvia à fama animadora,
Ganhou o Nobel pela razão!
Maria Madalena foi a “pecadora”
Nas tavernas fez seu lar.
De Jerusalém até Roma a redentora
Luz no escuro crepuscular!

Quem nasceu para Maria,
Maria sempre será.
Bandeira branca de alegria
Que a paz hasteará!

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Uma noite deserta - JOSÉ ROTHADI

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No ardor delirante anelo
Beijar teu corpo em frenesi
Quais dois corpos em volúpia
Como amantes impuros insanos

Em teus olhos afins um oceano
No desvelo dos sentires ocultos
Confundindo nossas existências
Como um anjo de sedução sutil

Sentir em mim tu’alma desabrochar
Na turbulência que ninguém prevê
Naveguei tua doce nudez em fúria

Quase a meia luz dos desejos
Pelo trago do néctar do teu corpo
Na intimidade madrugada afora

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 20 de julho de 2021

Cantiga de florada - ZITO JR.

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Quando é tempo de boa invernada
No Sertão, agonia não se vê
O arado rasga a terra prum roçado
A as abelhas sobrevoam o muçambê
No chiqueiro, uma porca pra parir
Bem deitada, na lama, a se aquecer.

No cercado, ao lado, um barrão
Fuça o cocho, já bem farto de comer
Um cavalo selado descansa à sombra
Esperando o seu dono aparecer
Pra buscar uma boiada já comprada
Pra engordar e depois poder vender.

No terreiro tem guiné, também galinha
E um galo que anuncia o amanhecer
Os olhos distantes de uma raposa
Que o cardápio teve que rever
Pois o cão da casa estava atento
E formiga conhece o que roer.

Passarada traz o ouro da manhã
E pra toca já volta o sariguê
Sua catinga se espalha por um instante
E o cachorro cava o chão pra esconder
Um osso oriundo de um pirão
Bela forma de lhe agradecer.

De manhã, toda uma “bezerrama”
Congestiona a porteira do curral
Na ordenha, o vaqueiro já se empenha
Seu primeiro trabalho matinal
Depois disso, solta o gado em vasta manga
Pega uma foice e se dirige ao capinzal.

Forrageira ligada no armazém
Seu ruído bem de longe se escuta
O capim elefante é triturado
A carroça companheira de labuta
Todo cocho do curral abastecido
E é apenas o começo dessa “luta”!

Um carreiro empunhando o ferrão
Traz seus bois em lenta caminhada
Vem c’um carro de palma caprichado
Foi busca-lo ainda madrugada
Pra cortá-la todinha até meio-dia
Tem a ajuda de toda a meninada.

No quartinho dos fundos o movimento:
Grande tacho aquecendo a coalhada
Um fabrico de queijo se inicia
Pra alegria de toda a criançada
Pois bem sabe que no seu final
“Arrelique” será a “farinhada”.

Dessa forma, lembrei dos belos dias
Que se foram em grande disparada
Nem fazenda, nem gente, existe mais
Salvo uma ou outra foto restaurada
Minha infância foi o mote escolhido
Pr’essa simples cantiga de florada.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Evanescente - IZILDA BICHARA

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Minhas gatas morreram todas de velhas
meu pai também morreu de velho
e minha mãe está velha e cheia de dores
meus irmãos, amigos, eu mesma
estamos todos cada vez mais velhos
envelheceram meus amores
morreram de velhos
ou de desamor

Flores nascem todos os dias
algumas duram apenas poucas horas
há as que renascem a cada ano
até que param de brotar
gosto de flores e de gente
gosto de muita gente
mesmo de quem não conheço
de quem conheço gosto mais

Minhas filhas estampam
as cores e o viço que rareiam em mim
buscam fazer do mundo
um lugar que tenha eco para outras vozes
e eu me renovo nelas
meus netos correm pela casa alegres
e me fazem murchar mais devagar
provam que a vida
pode escorrer de um jeito bonito

Em meio a flores e amores
mais e mais me sinto evanescente
bolha de sabão
prestes a estourar
um balão vermelho
a escapar no vento
presa por um fio
num eterno instante
sigo adiante, adiante

É esse o meu espanto
é esse o meu encanto

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Sinais Acrónimo - JOSÉ ROTHADI

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Deslizo na tua ausência...
No momento de nostalgia
Lascivamente me captura
N´alma desassossegada

Delineada de saudades...
Teimosamente em silêncio
A dissipar-me no âmago
Tangível ao meu passado

Em emoções aos ventos...
No encontro com meu “eu”
Abstraio os pensamentos

Permanecem os momentos...
No toque frivolamente
Na silhueta da razão!!!

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Na poética calçada do repente - ZITO JR.

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Lá, no bar de Evaldo Severino
Logo cedo começa a agitação
Vem Lirinha e toda a produção
Para mais um trabalho genuíno
Percorrendo esse solo nordestino
Ele mira no artista a sua lente
Grande ideia pulou da sua mente
Ganhou vida e saiu estrada afora
Em Sumé, fez parada, sem demora
Na poética calçada do repente.

Dei chegada pela primeira vez
Já sabendo do que iria encontrar
Levei Gerson Sandré pra declamar
E homenagem ao Cabeça, assim se fez
Também meu Samuel, por sua vez,
“De fotógrafo” foi junto com a gente
E mesmo quem estava indiferente
Sua câmera, discreta, registrou
Dr. Ricardo esse encontro orquestrou
Na poética calçada do repente.

A presença de Jorge Filó
Deu cores vivas a este momento
Escritor e poeta de talento
É filho de Mané, é outro em pó
Veia solta do Pajeú ao Moxotó
Tem o gene do verso efervescente
Com peleja vista, aqui, sai contente
Esse dia em sua vida marcará
Uma amostra de cultura levará
Da poética calçada do repente.

É um ponto de grandes violeiros
Apologistas e admiradores
Um cardápio variado pros senhores
Com aboio e presença de vaqueiros
Tem Assis Papagaio e companheiros
A cerveja gelada e a aguardente
Uma carne na grelha, a brasa quente
E um verso tirado, ali, na hora
A vontade de ir já foi embora
Na poética calçada do repente.

João Badalo também apreciava
O desafio de Evaldo e Erivaldo
Repentistas que deram o seu recado
Para quem, ali, documentava
Uma batalha em versos se travava
E até o bêbado escutava-os atentamente
Dito o mote, sai o verso e sorridente
Alguém bota uma gorjeta na bacia
Vou embora, mas sei que volto um dia
À poética calçada do repente.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Magnetismo - ISA PATRÍCIO

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Sinceramente, julgo supérfluo repetir,
Contrária alucinação concebesse paixão
Não leixaria afoiteza mais matéria discutir.
Se eu me atrevesse... Certamente débil confissão
Vo-lo sacrificava num adiantamento ocasional,
Depressa se derrama púlpitos banhados no ser carnal.
Que eu da minha parte para vos descobrir
Numa figura fugidia agitara aleivosia fria.
Vossa alma, permita-me tamanha depravação
Pode igualar-se sobre o comprido leito!
Cheirando a rosas, em banho de leite... Ai, sensação!
Lábios cor de cereja que ao corpo apetecia!
Numa abundância afora pecado, salgada fruta voluptuosa,
Tainha presumida de embaraço, artilharia ou brecha dolorosa.
Secreto vício é suportar crime inquisidor no magnetismo visceral.

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Este deserto - JOSÉ ANTÓNIO PINTO

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Bebemos a aragem branda de suão
carentes da frescura dos afetos,
transformados autómatos
com disfarce de humanos
erráticos, num percurso
que não desenhamos
e de cuja veracidade tememos
porque pejado de miragens
de beijos e abraços.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Grita liberdade - IRENE MATIAS

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OH! Alma sofrida não te enganes
Apesar de estares assim enclausurada,
Sorri para a vida no presente e no futuro
Salta com segurança esse terrível muro.

Vive o presente e o que de ora avante
Com um amor digno pela humanidade,
Que como tu sofre neste enorme desterro
De seus entes queridos, as vis saudades.

Assopra o teu sopro leve, quente, abençoado,
Encara este esforço, que ora te suplicam...
Não te enterres sozinho nesta triste vida...

Canta em louvor ao Senhor, pedindo-lhe a liberdade...
Com Fé, com fervor, plenos de desespero e ansiedade
Aquele, que por nós morreu na cruz Pregado!

EM - AMANHECEU... RENASCEU! - IRENE MATIAS - IN-FINITA

domingo, 18 de julho de 2021

Cafuné - ZEZÉ MATOS

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É dengo de bem querer.
Quem prova não esquece.
Deslizar das mãos, calor.
Fria noite, aquece.
Ameniza toda dor
A vida enriquece.

Dinheiro não vai comprar.
Nem condição social
Faz sorrir o coração.
No instante crucial.
Fresca brisa de amor
No momento especial.

Está no doce gesto
No chamego maternal
No afago dos avós
No carinho fraternal
No enlace do viver
No abraço paternal.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Mulheres enluaradas - ISA CORGOSINHO

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No dia que o Sol se escondeu de seu próprio fogo e calor
a Lua se fez presente irradiando de suas crateras refulgente
luz de cristal

As mulheres puderam passear pelo mundo
recobrindo os continentes com suas vestes de peles
os cinco cantos do mundo acalentados
por imensa ciranda de mãos mantras

Mulheres bailaram em conluio
com estrelas e Lua

Nesse dia (anoi) tecido
as mulheres fiaram algodão e nuvens
teceram quasares, constelações

Bordaram relevos rochosos, vales
cantaram os sons inaudíveis dos pássaros

Pintaram formas e volumes
esculpiram, moldaram espécies de flora, fauna extintas

Troncos grossos brotaram
alastraram-se
bichos ínfimos, gigantes
espalharam-se pelo planeta

Lavaram oceanos
filtrados pelos mantos de águas-vivas
olhos vazantes das Iemanjás nuas

A atmosfera planetária recebeu os bafos sincronizados
pulmões de oxigênio arfavam dos peitos provedores de leite e mel

Entre as pernas das mulheres
os fornos produziram pães
sorrisos de bebês
borboletas

Era o dia das mulheres enluaradas
seus versos encarnados curaram os homens
da sede de fogo
da fome de guerra
da loucura da ambição
do destino sangrento de super-homens

Quando a aurora nasceu
mulheres e Lua recolheram-se
em ninhos aconchegantes de corujas e cotovias

Era chegada a hora
infância primeva
o mundo renascia
nas barras douradas do dia!

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

A nossa estrada - JOSÉ ANTÓNIO PINTO

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Não importa onde estivemos,
importa castigarmos a vida que nos ludibriou
com falsos festins de felicidade, à nascença,
e destruirmos todos os vazios
que ainda respiram num calendário
enfartado com fantasias da realidade.
Importa preservarmos a nossa estrada,
cada vez mais nossa,
sem rotundas nem sentidos proibidos,
mas percurso obrigatório...

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

O vento - CHRIS HERRMANN

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o vento que me leva
às vezes é brisa
às vezes é leve
às vezes me corta
em metades
e me carrega nos olhos
um mar inteiro
de saudades

EM - CHRIS HERRMANN - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA