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quinta-feira, 19 de maio de 2022

Cânticos - ROMERO SÁ

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“Senhora dona da casa, abre a porta e ascende a luz...”
Era um coro de louvor, lá nas ruas do sertão.
Um apelo de precisão do fundo do coração
Uma vela e uma lamparina, e uma esmola em nome de Jesus.

Um menino no braço, e outro na barriga a quem conduz.
E a procissão seguiu em frente como ronco de trovão
De madrugada adentro ao rumo da fumaça do fogão
Da nordestina que cozinhava para o exu sem luz

Era assim todos os anos, eles vinham simplesmente,
Traziam um apelo, um pedido de socorro, e a fé era a virtude,
Um desejo de alcançarem algo que fosse para sempre e permanente.

E de tanto cantar assim, casa por casa e rua por rua, amiúde.
Trazia na voz cansada e no corpo esquálido esse repente
Era uma forma clássica de pedir, por isso abrir a porta assim que pude.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Cânticos da seca - ROMERO SÁ

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A quem vão tantos cânticos,
Nas ruas das amarguras,
Oh, sonolenta voz da sepultura?
Ouço a voz que ecoou no Nordeste
Pobre sonolenta voz, rachaduras...
No barro do açude, nos pés de nossa gente, Senhor,
Do nosso povo lavrador.

“Meu divino São José,
pela cruz que traz nas mãos,
nem de fome e nem de sede
não mate seus filhos não”

Era um coro só na procissão
Subindo e descendo ladeira
De minha terrinha boa

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA