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sábado, 30 de janeiro de 2021

Quando vens para ficar - ANA LANDEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Quando vens para ficar, a minha cor avermelha-se
de complacência. A minha alma grita longamente
com receio da turbulência.
Agora que o dia se acalmou e as cortinas se abriram,
ouço cantigas de amor na minha melodia.
Receio os vendavais das quimeras, das doces ilustrações
da agonia vivida no desespero de mais uma vida vivida.
O grito voou e alcançou a leveza da sintonia que antes
era apenas monotonia.
O choro voltou a espreitar como se fosse interjeição.
O riso alcançou o rosto da perfeição.

EM - PEDAÇOS DE MIM - ANA LANDEIRO - IN-FINITA

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Mesmo quando sinto dor - ANA LANDEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Não fosses tu meu pai e mãe
Que desamparo seria o meu
Quando dei tudo
Perdida na procura do sentido do existir
Consegui perceber que para ti ninguém é mais importante
do que eu

Como me sinto em paz
Inabalável e saudável
No teu colo que me protege
Do mal que paira no mundo

EM - PEDAÇOS DE MIM - ANA LANDEIRO - IN-FINITA

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Não me venhas pedir perdão - ANA LANDEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Não me venhas pedir perdão
Já conheço essa canção
Pobres dos afortunados
Que não ousam ser reais
Preferem manter-se virtuais
A verdade é sabedoria
Da terna busca da essência
Que sempre persegue
Na luta da inocência
Pena que haja quem se esconda
Com pressa do compromisso
Na vida que se transmuta
Onde não existe permuta
Palavras vãs se dizem
Para enganarem as mentes
Dos que estão descontentes
Acordar é possível
Não tem nada de incrível

EM - PEDAÇOS DE MIM - ANA LANDEIRO - IN-FINITA

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Continua presa - ANA LANDEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Continua presa àquelas mãos que a torturam faz tanto tempo.
Foi por engano que se entregou descalça a quem nunca
mostrou o verdadeiro rosto e assim ficou presa na ilusão
que a máscara lhe proporcionou. Já esgotou as forças
como tantas outras companheiras vítimas da solidão.
Não foi essa vida que ambicionou mas foi arrastada
pela insanidade de quem se aproveitou da sua delicadeza.
Sente-se louca por ter que se debater com o que não sabe
explicar, tenta manter a sanidade que lhe resta apesar
do carrasco não a largar.
Mantém-se alerta, com um pé atrás olha para o lado
em busca de salvação que só aquelas mãos nojentas
lhe podem conceder.
Pensa nas vítimas do holocausto, na tortura, na crueldade
que ao longo dos anos tem manchado de sangue a história
da vida humana.
Não sabe se vai resistir, pois tantos sucumbiram às mãos
de seres perversos com o consentimento dos que os rodeavam.

EM - PEDAÇOS DE MIM - ANA LANDEIRO - IN-FINITA

 

domingo, 10 de janeiro de 2021

Cansei-me de ouvir as tuas preces - ANA LANDEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Cansei-me de ouvir as tuas preces
Imploras demais com ousadia
As tuas lentes estão gastas
Com tanta cobardia

Deixa-me viver no tempero
Que há muito abracei
Não me leves ao limite
De tudo o que te dei

Os pássaros aguardam o tempo
Na ânsia de acasalarem
As árvores mostram os troncos
Para melhor se amarem

EM - PEDAÇOS DE MIM - ANA LANDEIRO - IN-FINITA

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Procurava em vão - ANA LANDEIRO

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Procurava em vão a libertação da minha alma
que se mantinha fechada.
Essas mãos que me aprisionavam eram rudes e cruéis.
O seu desejo era aniquilar-me, destruir-me, enlouquecer-me,
para melhor tomar conta do resto que ainda sobrava de mim.
Chorei.
Gritei em vão.
Não havia compaixão.
Fiquei muito tempo aprisionada,
tempo demais para quem busca o alento.
A vida era sofrimento.
Tantas outras que continuavam prisioneiras.
E, eu tomava consciência disso a cada dia que passava.
Teria que haver solução.
Mas, tardava em envolver-me de forma a que eu pudesse
acordar abraçada à esperança da libertação.

EM - PEDAÇOS DE MIM - ANA LANDEIRO - IN-FINITA

 

domingo, 27 de dezembro de 2020

Sonhos - ANA LANDEIRO

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Não prescindo dos meus sonhos
São meus
Fazem de mim aquilo que na verdade sou
Alimentaram a mulher em que me tornei
São a certeza da minha liberdade
São fruto da minha individualidade
São momentos vividos com paixão
Alento da compreensão
Vivências tornadas reais
Encantamentos de criança rebelde
Projeção dos meus desejos
Ocultos ou não
Já me roubaram sonhos
Mas não deixei de sonhar
Já roubei sonhos
Mas não foi por mal
Roubar sonhos
É natural

EM - PEDAÇOS DE MIM - ANA LANDEIRO - IN-FINITA

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

A tempestade - ANA LANDEIRO

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A tempestade era branda
Não podia adivinhar
O meu mundo é devaneio
Onde é difícil me encontrar

As portas bateram suavemente
Sem qualquer descrição
Os corpos se uniram num instante
Sem a mínima compreensão

As janelas abriram-se descaradamente
As cortinas esvoaçaram sem recear
Os corpos expuseram-se à intempérie
Como serpentes a rastejar

EM - PEDAÇOS DE MIM - ANA LANDEIRO - IN-FINITA

 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Ousadia - ANA LANDEIRO

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Gosto de ter ousadia
A vida é magia
Fugir da tirania
Usufruir o dia

Gosto de sentir a serenidade
Existe muita maldade
Cantar a esperança perdida
Na noite adormecida

Gosto de saltar muros
Passar etapas
Ultrapassar os apuros
Apagar as beatas

Gosto de sentir o pulsar
Caminhar docemente
Sem me abandonar
Abraçar completamente

Gosto de liberdade
Cansei de cativeiro
Aprecio a sanidade
A vista do cruzeiro

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sábado, 12 de dezembro de 2020

Entrego-me - ANA LANDEIRO

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Aqui parei na impermanência do devir
No aconchego que está por vir
Na essência da melancolia
No seio da nostalgia
Quero-me bem
Busco o além
As minhas asas conseguem voar
Quando se trata de amar
Entrego-me
Entrego-me sem pudor
Quero sublimar a dor
Entrego-me
Entrego-me a mim docemente
Com calma aparente
A pensar no presente
Entrego-me

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Desilusão - ANA LANDEIRO

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Não te queria desiludir
Nos caminhos árduos da vida
Quantas vezes disse basta
Sentia-me gasta

Voava assim iludida
No teu possível caminho
Onde tudo estava perdido
Por desconheceres o sentido

A tua vida rodopiava
As tuas perceções não eram nada
Desorientado como sempre
Querias-me por ti apaixonada

Estes versos são para mim
Que não aguento mais pressão
Preciso duma vida calma
E fugir da exaustão

EM - PEDAÇOS DE MIM - ANA LANDEIRO - IN-FINITA

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

A tua espera é sentida - ANA LANDEIRO

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A tua espera é sentida
Na alma que te inunda
No doce bocejo
Do teu ensejo
A tua espera é desmedida
Grito imenso de paixão
Na tua fantasia
No reino da ilusão
O teu dia é vingado
A tua noite protegida
A calma sempre aparece
Quando a ternura é sentida
O teu olhar
É um falar
Da boca adormecida
A noite sorria
Terna e humedecida
Grande e sonolenta
Ao olhar a suicida
A noite não desesperou
Sempre presente
No aconchego do luar
Despiu-se para a amar
A noite estava modesta
Com o brilho das estrelas
Abria a janela
Para tomar conta dela

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sábado, 28 de novembro de 2020

Lugar vazio - ANA LANDEIRO

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Deixei o meu lugar vazio
Ausentei-me para deambular
Em busca da eternidade
Com que teimo em sonhar

O meu ser vacila ao luar
Aspirando o odor terno das flores
A minha alma não sabe esperar
Na vastidão de tantas cores

A noite serve para repousar
Das amargas vicissitudes da vida
O inferno está para chegar
Para aqueles que não têm comida

Não parto impunemente
Para que o mundo se ausente
O fogo arde constantemente
Com a chama sempre ardente

Não quero mais ficar
Neste sítio moribundo
Tenho medo de me deitar
Ir parar aos confins do mundo

EM - PEDAÇOS DE MIM - ANA LANDEIRO - IN-FINITA

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Há chamas ardentes - ANA LANDEIRO

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Há chamas ardentes
Que deixam os corações quentes

Há almas ardentes
Que queimam no momento
Dando asas ao julgamento

Há chamas ardentes
Duras como punhais
Enaltecem o clamor
Que se querem jamais

Há chamas ardentes
Como beijos profundos
Vindas de sonhos intensos
Repletas de orvalhos densos

Há chamas ardentes
Plenas de felicidade
Expõem os corpos nus
Com tamanha intensidade

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quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Imaginação - ANA LANDEIRO

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Não fosse a imaginação
A doçura perdia-se
Nas ondas da transmutação
Que triste seria a ilusão

Os corpos anseiam o tato
Os suspiros já não se aguentam
A liberdade de amar transformou-se
Longe dos que se afugentam

A tirania anda à espreita
Para amaldiçoar a evolução
Dos seres que se querem livres
Da loucura da traição

Exaltam-se as torturas
Que jamais voltarão
O mundo não para
Procura a compaixão

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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Socalcos - ANA LANDEIRO

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Deitada nos socalcos da terra endurecida que outrora
foram corações ardentes.
O meu corpo adormecia e a minha alma se expandia.
O céu era rasgado por cortinas de fumo esbranquiçado,
quiçá fumo de outros horizontes que se perderam
indignamente na sua indelével inconstância.
Os turistas passeavam por entre veredas repletas
de rosmaninho.
O cheiro atordoava-os no seu esplendor messiânico.
Restava-lhes um dia voltarem para cumprirem o desejo
de saborearem o imprevisível.
A brisa marítima deslumbrava-os na doçura
da sua leviandade, conduzindo-os à embriaguez própria
de quem procura a verdade.

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domingo, 8 de novembro de 2020

Pedras da calçada - ANA LANDEIRO

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Percorro as pedras da calçada
Na ânsia da gratidão
Ainda são o que eram
Apesar da exaustão

Gostam de ser pisadas
Com amor e com paixão
Escutam as gargalhadas
Que passam de mão em mão

Algumas são preciosas
Sabem histórias de encantar
As marcas são orgulhosas
E teimam em pernoitar

Enfrentam o passar das luas
Com sorrisos ultrajantes
Não temem as capicuas
De uns dias picantes

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terça-feira, 3 de novembro de 2020

Fugiria eu de mim - ANA LANDEIRO

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Fugiria eu de mim
Se os sonhos não fossem assim
Encantos prematuros
Doces recordações
Num mundo de emoções

Quisera eu ser eu
Longe estaria daqui
Abraçada ao vento
Embevecida de alento

A alegria me acompanha
Ao acordar da alvorada
O riso me esconde
Quando me sinto amada

A lua é o meu suporte
A tristeza a minha morte

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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Se eu soubesse - ANA LANDEIRO

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Aí! Se eu soubesse cantar
cantava canções de embalar
cheirava com sofreguidão
as pérolas do mar

Aí! Se eu soubesse plantar
plantava histórias por escrever
dava-lhes o brilho das estrelas
para que sempre pudessem clamar

Aí! Se eu soubesse calar
calava os corpos desencantados
soprava vento para os cabelos
de todos que querem chorar

Aí! Se eu soubesse ignorar
ignorava as bocas maldosas
sufocava a ignorância
daqueles que não sabem confortar

EM - PEDAÇOS DE MIM - ANA LANDEIRO - IN-FINITA

sábado, 24 de outubro de 2020

Quem sou eu - ANA LANDEIRO

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Quem sou eu que não me revejo nas minhas mãos.
Preciso sentir o meu cabelo, apalpar os meus lábios,
encontrar os meus olhos.
Ando perdida.
Não sei se viva.
Estou nua e sem rosto.
Decerto que perdi as minhas vestes.
Restam-me as formas vividas.
Os pensamentos ausentaram-se. Não sei se sonho.
Tudo parece um devaneio.
É trágica esta sensação de me ter perdido.
Parte do meu corpo vive sem a minha permissão.
Procuro o meu rosto, não sei viver sem ele.
Talvez mais logo me encontre

EM - PEDAÇOS DE MIM - ANA LANDEIRO - IN-FINITA