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sexta-feira, 26 de agosto de 2022

O nascer poético - TÂNIA LUIZA RIBEIRO DE CERQUEIRA

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Nasceu de parto (quase) normal
Foi gerada longamente
Meses a meses.
Construir seus versos,
Com estrofes dissonantes
Era o primeiro embrião.
Gerou desconforto
Não estava preparada
E podia adiar,
Mas você veio aos poucos
Enchia minha cabeça
Com palavras desconexas.
Fui separando-as
Tecendo os fios métricos,
Rimas fáceis,
Sonoridades dançantes,
Fonemas livres.
Assim te vi nascer
Essa junção-menina
Formas firmes
Regalos de uma vida
Cheias de desencontros
E ao nascer, eu disse:
Venha, poesia!
Estou pronta para parir-te!

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 6 de julho de 2021

Por um fio - TÂNIA LUÍZA RIBEIRO DE CERQUEIRA

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Ando tão sensível
Que quando percebo
Estou desaguando
Cato os pedaços das emoções
Vou juntando as peças
Como num quebra cabeça pueril
Coloco cada pedaço
No seu lugar
Rasurados,
Umedecidos
Dessas lágrimas
Que insistem em brotar
E desaguam sob
minha face cansada.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 5 de julho de 2021

Corpo a esmo - TÂNIA LUÍZA RIBEIRO DE CERQUEIRA

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Se a dor do outro
Não te comove
E não te serve
De parâmetros
Você não é humano
Nem desumano
És apenas simulacro
De gente a esmo
Um corpo sem alma
Espectro invisível
Punhado de carne
Andante
Coração que não pulsa
Só acinesia
Nas vibrações errantes.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA