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sábado, 17 de julho de 2021

O brilho no olhar - JOSÉ ALENTADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Os teus olhos sempre a sorrir
num brilho que me encandeia
esse olhar que me incendeia
que não te deixam mentir

como abelha fora de colmeia
em adoração à sua rainha
Transformo pólen em geleia
e faço da tua alma minha

muitas são as nossas odisseias
Em delírios por nós sonhados
e assim estamos ligados

Num eterno e puro prazer
por cordas intemporais
Sentindo, vivendo, e pouco mais

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Não me percas - JOSÉ ALENTADO

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Não vás sem mim
aonde fores...
Tenho medo que te percas
E tenho também
medo de te perder...
Por isso leva-me contigo
No bolso do teu casaco
Bem junto ao coração
Vai por onde quiseres
Mas não me percas amor...

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Abril amordaçado - JOSÉ ALENTADO

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Perdi a conta ao tempo
em que Abril gritou liberdade!
Hoje vejo envergonhado abril de cara tapada
ou por detrás de uma janela,
e não vejo cravos nem armas,
ou gritos de liberdade.
Ouvi um cantar de medo à janela
como já não me lembrava.
Quero o meu abril de volta
e se não forem cravos, que sejam rosas,
quero ver flores de todas as cores,
e alegria nas ruas desta minha cidade amedrontada,
em que dois de mão dada não são bem-vindos...
Quero matar esta loucura e sair em liberdade,
quero gente nas ruas mesmo que não seja abril.
Quero sair e abraçar em canto de esperança,
porque em silêncio abril foi calado e silenciado
depois de tantos anos passados,
sem um tiro ou um grito, a não ser de dor pela morte
que nos leva em silêncio.

EM - PANDEMIA DE PALAVRAS - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Essa pena que te escreve - JOSÉ ALENTADO

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Essa pena que te escreve,
que já te escreveu em mil
sonhos, continua a escrever
em ti amor...

E se não for poesia nem prosa
o que escrevo, não faz mal,
porque tu és amor, e
a pena nunca te completou...

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS V - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 30 de junho de 2020

Abraço de criança - JOSÉ ALENTADO

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Como poderia não te amar?...
Quando naquele débil andar
Já corrias para meus braços
Naquele andar de pés descalços

Hoje...chegas calmamente
E eu à espera dos teus braços
Que se abram para a gente
No silêncio dos teus passos

Não tenhas ciúmes princesa
Nesta grandeza de amor
É muita a minha certeza

Quero Lembrar o teu abraço
E desse beijo de princesa
No perfume do teu passo

EM - A MINHA LARANJA ROMÃ - JOSÉ ALENTADO - IN-FINITA

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Olhos vendados - JOSÉ ALENTADO

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De olhos vendados, sem rosa dos ventos,
Perdido nas casas, sem bússola na mão;
Amigos nenhuns, conhecidos aos centos;
Admitindo o diálogo, desprezando a razão.

Lufadas de amor de tempos em tempos
Amigos muitos, mas de ocasião;
Rosas sem vida, Rosa sem ventos;
Escondido na vida da multidão.

De olhos vendados de tempos em tempos,
Sequioso de amor, farto da vida,
Passando ao papel, alguns pensamentos

Tentando jogar uma nova partida,
Jogando de novo os meus sentimentos,
Ganho a jogada... mas perco a corrida.

EM - A MINHA LARANJA ROMÃ - JOSÉ ALENTADO - IN-FINITA

sábado, 20 de junho de 2020

Noite de chuva - JOSÉ ALENTADO

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Noite de chuva é poesia,
Para escrever calmamente,
Mas não o será certamente,
Para quem morra de agonia
Não é mais que findar um dia,
Do qual resta a recordação.
Que foi festa bem passada,
E ficam com a consolação,
Que fizessem muito (ou nada).

Mas volto, repito e afirmo
Que noite de chuva não é poesia
Quando se morre de fome, e frio,
Apenas será teimosia,
De escrever para consolação
De todos os que morrem sem pão
Sem consciência desta tirania,
Onde se escreve calmamente
Sentado num bom cadeirão.

EM - A MINHA LARANJA ROMÃ - JOSÉ ALENTADO - IN-FINITA

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Máquina - JOSÉ ALENTADO

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Máquina complicadíssima, num sistema incompleto,
Tentando uma expressão no meu dialecto,
Falo da sociedade que nos prende sem compaixão,
Mas quando nos refugiamos, sentimos a frustração.

Substituindo velhas peças desgastadas,
Ficam radiosos, com novas peças niqueladas,
Mas quando esta revisão é concluída,
Já as primeiras estão sem vida.

Apodrecendo aos poucos vou morrendo,
Dando todo o amor que me vai por dentro,
Mas nem aos poucos me vão compreendendo.

Talvez um dia encontre um rebento,
Pisando estas ervas daninhas vou correndo,
Porém só consigo aumentar o sofrimento.

EM - A MINHA LARANJA ROMÃ - JOSÉ ALENTADO - IN-FINITA

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Eu era a fonte límpida da vida - JOSÉ ALENTADO

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Eu era a fonte límpida da vida,
A minha alma transparente de pureza,
Dava-me o princípio e o fim d’uma certeza
Eu era a carta fechada que foi lida.

Agora sou um rio incerto e turbulento,
Sou mesmo um mar imenso de negrume;
Sou uma fogueira com lenha, mas sem lume,
A vida tornou-se um vendaval, mas sem vento.

Eu sou aquela escada que pisou quando subia;
Quiseram que eu fosse assim, sem eu querer,
A razão era eu, e não a queria.

A vida podia ser mais do que viver,
Que dominasse, a paz, o amor e a alegria,
E que saísse deste ciclo a vontade de morrer.

EM - A MINHA LARANJA ROMÃ - JOSÉ ALENTADO - IN-FINITA

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Realidade - JOSÉ ALENTADO

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Em cada dia que passa, mais só me vou sentindo,
E quando no silêncio da noite me perco,
Um dia novo vem surgindo,
Onde só pode viver o mais esperto.

No raiar do Sol, uma esperança nova,
No cantar dos galos, a monotonia do lamento,
Ao rugir dos carros, o grito da dura prova,
No ladrar dos cães, clemência p’ra tanto sofrimento.

Tanta vaidade e maldade, para que fim?
Nada devia valer o dito de “olho por olho dente por dente”
Mas é esta a realidade que chega a mim.

Pouco se ama, se não se sente,
Recanto pobre, que outrora foi jardim,
É esta a realidade que tenho em mente.

EM - A MINHA LARANJA ROMÃ - JOSÉ ALENTADO - IN-FINITA

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Pescadores de esperanças - JOSÉ ALENTADO


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Hoje pela manhã havia uma criança pescando;
Num gesto suave e amplo,
Lançou o seu anzol para longe na água,
E ficou à espera...
De cana na mão, com a linha esticada,
Na esperança de sentir um pequeno movimento,
Um leve mordiscar, um pequeno toque na linha;
Pacientemente aguardou, e ali ficou à espera...

Hoje pela manhã também havia
Um homem pescando sonhos;
Lançou para bem longe a sua linha
Em forma de esperança,
E deixou-se afundar nas águas calmas do sossego,
Ali não havia peixes curiosos ou famintos;
Ali somente havia o suave cristalino
Do sentir imerso do silêncio e da paz;
Ali só os sonhos podiam nadar;
Naquele lugar ainda morava a absolvição
Do pecado de amor

Hoje o pescador e a criança juntos
Respiraram o perfume do silêncio
Da manhã calma,
E ali ficaram na partilha daquele lago
Onde se pesca com a linha inquebrável
Da esperança

EM - TOCA A ESCREVER - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 2 de junho de 2020

As palavras da mentira - JOSÉ ALENTADO


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As palavras que nos mentem
São as mesmas que nos amam
São poemas nas nossas bocas
Ou armas impiedosas
Em corações destroçados

As palavras que nos amam
Também nos podem ferir
São quentes enquanto paixão
Tão frias na hora de partir
Surdas mudas na traição

Os poemas nas nossas bocas
São violetas em Dezembro
Orquídeas por germinar
São aventuras dos poetas
Ou simples actos de amar

As palavras que nos gritam
São de revoltas escondidas
Afiadas em sofrimento
Rasgam-nos as roupas vestidas
Despem-nos em vil movimento

Ficam em silêncios escondidas
Com medos por descrever
Gastam-se em aventuras perdidas
Ficam caladas a ver...

EM - TOCA A ESCREVER - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Cumplicidades - JOSÉ ALENTADO

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Chega pé ante pé, apenas para um abraço,
um aconchego, aquele momento de partilha e conforto,
que nos acompanha para uma vida...
– Bom dia!... hoje não sonhei que caía!,
hoje nem sequer sonhei!... –
Abraço-o, naquele abraço sem palavras,
apenas o gesto de dar tudo,
sem reservas, nem condições,
transferir uma primavera inteira
como se fôssemos um colibri pairando
– Zé! Porque há meninos maus?
... não há meninos maus... há meninos, tristes,
porque estão sozinhos, sem um abraço destes,
e o quentinho desta caminha
que tem esta tua almofadinha dos sonhos bons,
onde podes sonhar sem medos, e ser quem tu quiseres...
e assim ficou, silencioso, adormecido no meu abraço,
e eu, querendo eternizar esta primavera

EM - A MINHA LARANJA ROMÃ - JOSÉ ALENTADO - IN-FINITA

domingo, 24 de maio de 2020

No dia que eu puder - JOSÉ ALENTADO

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No dia que eu puder mudar o sonho,
irei a correr dizer-te que
Já podes adormecer...
Os fantasmas dos teus medos
serão afogados nas lágrimas
do teu sofrimento, agora,
poderás fechar os olhos e sonhar... e
Se me vires a sorrir no teu sonho
é porque a porta se abriu
e finalmente poderemos os dois sonhar (...)

EM - A MINHA LARANJA ROMÃ - JOSÉ ALENTADO - IN-FINITA

terça-feira, 19 de maio de 2020

Apetece-me... - JOSÉ ALENTADO

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Apetece-me vestir o tempo em tons
De esperança,
E sonhos de criança
Encher todas as fontes
Com beijos dos apaixonados
E fazer correr nos rios
A paixão de amores sonhados
Distribuir perfumes pelos ventos calmos
E amor pelas tempestades,
Depois, sentar-me e esperar que o
Temporal chegue...

E se houver inundações...
Que sejam Sempre de amor
E nos campos alagados de esperança
Irão nascer flores em tons de roxos e lilases
E pendurado ao fundo no Horizonte
Haverá sempre arco-iris de cores por inventar
E galáxias sem fim
Onde o tempo não existe
E tudo acaba e começa ao mesmo tempo
E onde a nossa compreensão desaparece para sempre
Perdida na beleza do infinito...

EM - A MINHA LARANJA ROMÃ - JOSÉ ALENTADO - IN-FINITA

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Sem abrigo - JOSÉ ALENTADO

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Fugia em corrida desenfreada,
Sem saber o destino certo,
Corriam-me mais as pernas que eu,
O meu coração batendo numa
Cavalgada intrépida, ao som do
Bater dos calcanhares nos fundilhos...

De repente parei, o vento nos olhos
Fizera-me chorar, talvez... olhei o mais
Longe que podia, naquela estrada,
Empoeirada de fragrâncias, naquele rasto de
Ti ainda fresco, e de cheiro intenso a
Rosmaninho, giestas e alecrim, que me
Invadiam os sentidos e me traziam aquela
Água aos olhos.

Ao fundo dois caminhos,
Em sentidos opostos, um em tapete
De malmequeres e um outro em tufos de
Gerânios, os dois com pequenas poças
De água barrenta perfumada, ambos
Me diziam ser por ali o caminho e eu
Embriagado de tanta emoção, cai de
Joelhos sem saber mais por onde ir...

EM - A MINHA LARANJA ROMÃ - JOSÉ ALENTADO - IN-FINITA

sábado, 9 de maio de 2020

Intensidade - JOSÉ ALENTADO

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Tremia-me a voz de emoção
Apenas conseguia articular sons indistintos,
Sussurros, murmúrios de paixão, a pele
Queimava-me num fogo que tu alimentavas
Com os teus lábios, carnudos, molhados e
Sedentos de um encontro tantas vezes adiado.

Viajei sem nunca partir, em pensamento
Parti, para ti, para longe, ali tão já que é
Agora, que foi ontem e será sempre um
Instante, e uma eternidade dentro de mim.

Agora és silêncio e desassossego permanente,
Sempre numa paixão que faz lembrar um
Dia de tempestade, que passou e deixou
Os canteiros do jardim dos meus sonhos
Num lamaçal de flores caídas (...)

Um dia diremos Adeus, nesse dia,
Se a tristeza te atormentar, troca-a
Por um sorriso, e lembra-te o quanto me
Fizeste feliz...

EM - A MINHA LARANJA ROMÃ - JOSÉ ALENTADO - IN-FINITA

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Reflexões - JOSÉ ALENTADO

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Que caminho percorremos?!
Sabemos tão pouco de nós
Que caminhos nós queremos
Quando gritamos já sem voz

Somos seres imperfeitos
Com tanto tempo aprendendo
Podíamos estar mais satisfeitos
Sem viver a vida correndo

Os valores vão-se perdendo
Procuro encontrar alegria
Só encontro melancolia

E nos caminhos percorridos
Vou encontrando a simpatia
Dos que vivem escondidos

EM - A MINHA LARANJA ROMÃ - JOSÉ ALENTADO - IN-FINITA

domingo, 26 de abril de 2020

Tanto que tenho - JOSÉ ALENTADO

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Na calçada fria dos corações perdidos,
Esquecidos de amor...
Quero partilhar a minha dádiva,
Não sou nascente que se esbanje,
Sou suficiente
Sou um pouco de tudo
E esse pouco é tanto que
Me afoga o ver-te sem nada...

Quero que sintas comigo,
O florir da partilha em ti
De coração perdido,
Fica com um pouco de mim
E não me digas obrigado, pois
Nada me deves, sacia a tua sede
De amar neste regato de água fresca
Que corre em mim

São corações sedentos de amor
Que me tornam farto
Do pouco que tenho

EM - A MINHA LARANJA ROMÃ - JOSÉ ALENTADO - IN-FINITA

terça-feira, 21 de abril de 2020

Barquinho de papel - JOSÉ ALENTADO

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Deu-me um abraço a saudade,
Na lembrança do menino brincando,
Quando chovia no verão e os regatos
Corriam pelas ruas e valetas, havia
Um cheirinho a pó molhado e o meu
Barquinho de papel navegando na
Corrente acabadinha de chegar,
Sem destino, correndo sem se afundar,
A meu lado rua abaixo, veloz,
Em competição com pequenas palhas
Secas que bailavam na regueira
Procurando um caminho desimpedido,
Navegável.

Que saudade eu tenho daquelas
Viagens de sonhos inacabados, sem
Destinos longínquos em mente,
Apenas e só um barquinho navegando
No rosto feliz de um menino
Brincando com água num dia de chuva,
Molhado de inocência

Hoje naveguei na minha nau catrineta,
Sem destino, inocente, voltei a
Sentir os pés molhados, por momentos,
Estive de mãos dadas com aquele regato de esperança,
Abracei-o e enroscado voltei a adormecer
No conforto sereno do seu abraço

EM - A MINHA LARANJA ROMÃ - JOSÉ ALENTADO - IN-FINITA