Este blogue pretende ser uma montra de poemas e poetas de língua portuguesa.
NESTE MOMENTO O TOCA A ESCREVER É PATROCINADO POR ALGUMAS EDITORAS E AUTORES QUE OFERECEM LIVROS DE POESIA.

domingo, 30 de junho de 2019

Farpas - ANA P DE MADUREIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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farpas
no enterro do tempo

flechas
no abrir do espaço

e uma pomba no sopro
do olhar

sangue
e a voz atada

mordaça na poça seca
crosta
fractura exposta

e a neve
escrevendo canções

EM - NOS DEDOS AS PALAVRAS - ANA P DE MADUREIRA - IN-FINITA

Fui - MANUEL MACHADO

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Fui...
Procurem-me
por ruas ou
estradas
de Atlântida.
Em escondido
beco descansando
nos fortes
braços de Minerva ou
carinhosos de
Vénus.
Reencontrem-me!...

EM - DAR VOZ A... - MANUEL MACHADO - IN-FINITA

Bordado à mão - RITA QUEIROZ

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Bordo nas manhãs meus girassóis
Plenos em sua quietude de vontades
Camufladas sob os vestígios da alvorada
     [só a silhueta petrificada do beija-flor se espraia]

Capto o som das portas inquietas
Ardentes em sua inexata passagem
De sombras que desenham a madrugada
     [prazeres infindos mergulhados no confessionário]

Saboreio as marés de março
Mágicas nas noites sem segredos
Intensas e calmas na renúncia saciada
     [sementes brotadas no itinerário]

Sorvo o vinho em chamas
Transcendente pertencimento do nada
Murmúrios de ventania serpenteada
     [lírios, estrelas, cantos no silenciar dos sinos]

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Prelúdio suave do teu regaço - ISABEL BASTOS NUNES

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Fecho os olhos e encosto a cabeça no teu regaço
Enquanto a tarde desce, e a suave e débil luz do dia
Se vai diluindo, num lânguido pôr-do-sol,
Parecendo que a vida também se extinguia.

E pouco a pouco, os mistérios da noite reviviam.

Ainda há pouco o Sol brilhava, os pássaros cantavam,
As árvores bailavam e tudo era melodia.
Agora, apenas os violinos das cigarras
Se erguem sons de cadência vaga
Enchendo o ar de branda magia como se um concerto
se tratasse
Nas arcadas de um teatro ao luar,
Apenas iluminado pela luz dos pirilampos
Que dançando no ar, pareciam estrelas a brilhar.

E a vida parecia acabar num simples soluçar.

E os mistérios da noite nasciam
Gemendo naquele noturno cheio de beleza.
E eu, suavemente adormecia
Embalada no teu regaço, por essa sinfonia imensa
Que se perdia ao longe
Num ecoar daquela estranha melodia.

EM - ENTRE OS POEMAS... AS PALAVRAS - ISABEL BASTOS NUNES - IN-FINITA

sábado, 29 de junho de 2019

Ausente - ANITA SANTANA

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Um amor chega
Não faz barulho
Muito rápido aumenta,
Silenciosamente escapa.
Muito tempo é preciso
Para entendê-lo
Dá mil voltas
Chega
Permanece algum tempo
E se vai...

EM - VERSOS & CLIQUES: INSTANTES - ANITA SANTANA - EDITORA ZARTE

Canção perdida - ALICE VIEIRA

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repousei nos teus olhos
o abandono sereno do meu corpo
e falei de flores
para que o silêncio
se afogasse no lago dos teus braços

havia um deus tresmalhado
em cada frémito de amor
e as constelações desnudavam-se
desamparadamente
no meu seio

(foi de calma ou de espanto
que calei a dor dos meus segredos
no teu sorriso?)

EM - DE ESTARMOS VIVOS - ALICE VASSALO PEREIRA (ALICE VIEIRA) - IN-FINITA

Composição quase perfeita do escritor - REJANE DE SOUZA

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A fortaleza dos versos de Cora Coralina
A musicalidade de Cecília Meireles
A humanidade da escritura de Thiago de Melo

A ironia necessária de Machado de Assis
O distanciamento crítico de um Cabral
A consciência do mundo de Drummond

A leveza da poética de Quintana
A subjetividade de Clarice
O ceticismo de Bandeira

O labirinto verbal de Rosa
A melancolia de Florbela
A agudeza de Augusto
E a heteronímia de Pessoa.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Mediterrâneo - GONÇALO MIRANDA

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- Não entrarás
Desvia o olhar elitista.
- Não entrarás
Não haverá conquista.
- Não entrarás
O mar será muralha.
- Não entrarás
Vivam na nossa batalha.
- Não entrarás
Não há espaço pra vós
- Não entrarás
Minha vontade, minha voz.
- Não entrarás
Neste mundo só meu
Viverás onde fogo ardeu
Condeno-te às explosões
Combates e separações
Viverás como nunca vivi
E choraremos por ti
Retiro-te o ser
E a escolha de envelhecer
Condeno as vossas crianças
A testemunharem as matanças
A uma vida nómada
Ao calor e ao frio.
Dito isto,
Europa levantou-se e saiu.

EM - BRINCADEIRAS A SÉRIO - GONÇALO MIRANDA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Maria - JOÃO BARNABE

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Andam aí energias infiéis
Que a escolheram devido à genética ideal
E um pai com atraso renal

Maria de nome
Engana testes químicos
Controla expressões génicas
E poem uma mãe estudante
A dormir e apanhada em flagrante
Maria de nome infiel
Maria de alma cruel
Por brincadeira ou desespero
Sentida até no maior convento
A purga que a enche de vontades
De entrar na vida bem crente

Um Dia Maria virá
E ninguém se pode livrar
Da sua ira degradante
De ir com a mãe errante
Atrás de um pai passível de não existir
E fará um dia a terra tremer
Como não se julga saber.

EM - A VERDADE DE UMA MENTE DORMENTE - JOÃO BARNABE - IN-FINITA

Alma dividida - ALEXANDRE GERARDO

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Na alma rasgada encontro o teu ser
Na tua alma encontrei a razão de viver
Por tempo antigos, religiosamente
Caridosamente
Vivi na tua mente
Por livros, móveis, paredes e cores
Encontrei o ser absoluto
Que tu adoras, amas e veneras
Ao que tu rezas e choras pedes e coras
Que te deixa no fim com tudo ou sem nada
Neste mundo triste e sem fim
Deus no céu, inferno na terra
Vivei por mim na arte e na sorte
Neste mundo de morte
Vivei por mim nas paredes e na alma de Machado de Castro
Nesta arte bela e incolor
Mostrai, por favor,
O que é amor!

EM - AS DORES DE UM POETA - ALEXANDRE GERARDO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

A luz - PENHA BRETZ

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Ouviu-se um choro banhando a noite
uma estrela brilhou
A harmonia da casa fez se aquietar
veio o sono e adormeceu
Já não havia mais brilho
nem música
nem flor
nem cheiro e nem brisa
Só silêncio

Já não mais ecoavam os gritos
as ofensas
as tristezas retorcidas
a raiva ressequida e a explosão de sentidos

Já não queria mais sentir a dor tão doída
a amargura tão sofrida do sentir
que já não sentia
Foi ficando triste, preso e trancado
num cantinho do ser inanimado

Assim, se foi o desejo
da doçura do mel do encontro
do olhar escondido e do sagrado
Construiu-se o muro
afastando as borboletas e os colibris
ressecando a terra
feito um profundo sertão

E o corpo que vestia e adornava a tua alma
que te protegia, te desgastava
te machucava e feria
continuava o trancando no cantinho secreto
do ser inanimado

De repente, bem lá no fundo,
surgiu um fiozinho de luz
que lhe levou a caminhar pela trilha escura do ser

Passo a passo os olhos buscaram reconhecer
um novo caminho
começaram a ver uma luz maior e, nasceu então
um novo espaço
onde o corpo que lhe veste
encontra o seu destino.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

I - MARIA TERESA DIAS FURTADO

O Poeta rasga as mãos nas palavras
Para que o sangue flua até outras chagas.
Sangue, vida; sangue, morte...
Nada disso importa ao poeta
Que quer que a respiração
Sempre idêntica e nova do amor
Seja a corrente e a passagem
O silencioso rumor dos dias
E das noites.
Que vida é essa
A que ele quer chegar?
Porque não lhe basta
Estar bem e ter muitos amigos?
Este jovem poeta
Lança-se para a totalidade
Não divide carne e espírito
Não deixa nada ao acaso
E até as pedras são pegadas do seu caminho.
Esse caminho não está em nenhum mapa,
É ele que o rasga com o sangue das suas
Palavras, generosamente.

EM - ONDE O POETA MORA - MARIA TERESA DIAS FURTADO - POÉTICA EDIÇÕES

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Adeus - ADOLFO LEITÃO CARVALHO

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E agora?
As mãos já não me treme mais, filho.
O meu lar nesta vida
repousa em quietude eterna.
Foi uma boa casa.
Gostei de lá viver.
Agora é hora de dizer:
Até um dia.
Adeus

EM - ENQUANTO AS MÃOS AINDA TREMEM - ADOLFO LEITÃO CARVALHO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Fonte velha - CRISTINA MOITA

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Ainda guardo aquela fonte
Junto à árvore dos passarinhos,
Nela ainda tenho o afronte
Por não lhe darem caminhos

Venham toureiros, forcados,
Venham estátuas de prazer,
Não tirem é os legados
Que a história tem do seu ser.

Venham grafitis nas margens
Colorindo o nosso rio,
Não estraguem é as imagens
Com as obras do desvario.

EM - ESTRELAS DE AFETO - CRISTINA MOITA - IN-FINITA

Ares urbanos - PAULA VALÉRIA ANDRADE

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Um lugar de céu esparso,
E ninguém respira bem.
Ares comprimidos,
Ou diluídos no Tiete.
Como saber o destino deste rio?
Como na madrugada, perceber o curso
(Ou rota) das coisas que são vivas,
E seguem seu rumo?
Gás carbônico nos inunda narinas,
Sem que tenhamos escolhas.
Vivemos na bolha,
Dessa coisa qualquer.
Respirar, é preciso.
Viver é impreciso.
Espelho quebrado de um Narciso,
Caído e rejeitado.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Praia de piedade - JOSÉ LUIZ MELO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELO AUTOR

O mar se abria em vagas que dobravam
alvos lençóis de espuma nas areias,
e, nas plumas do mar se emaranhavam,
rilhando com seus dentes de sereias.

E lá, na beira mar, onde ficavam
meus pais e meus irmãos; as marés-cheias
com os seus lábios brancos apagavam
a teia que a pegada pisoteia.

No mar, os ventos-leste, rumorosos,
bolinavam as ondas, buliçosos,
deixando crespas suas cabeleiras.

Enquanto, no arrecife, repicava
o som bronze do sino que tocava,
- Aplaudindo a maré de lua-cheia.

EM - SEGUNDO LIVRO DOS SONETOS - JOSÉ LUIZ MELO - NOVOESTILO

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Flor - HORÁCIO ALMEIDA

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Chama incandescente
Atiça paixão premente
Árduo amor crescente
Na escolha prudente
Ânsia, magia, sedução
Doce e emotivo olhar
Levita sentido e emoção
Ardente desejo de amar
Sedução e corpo vibrar
Um bálsamo de desejo
Febril vontade de amar
Na partilha de um beijo
Se por tanto amar errei
Sem causar dano ou dor
Certamente não pequei
No secreto acto de amor
Bela rosa perfumada
Doce frágil flor amada
Doce oferta com sabor
Secretamente guardada
Num febril acto de amor.

EM - TEMPO E SAUDADE - HORÁCIO ALMEIDA - IN-FINITA

Pressentimento - JOSÉ LUIZ MELO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELO AUTOR

Tonto de azul, lhe vi, tonta de azul,
muito mais que o azul do firmamento,
cujo azul me parece fingimento,
se comparando com o seu halo azul.

Tonto de sol, lhe vi, então, taful,
vindo feliz como um pressentimento,
que chega misturado a voz do vento
mas, não sabe se do Norte ou Sul.

Assim, no azul lhe vejo, à luz da noite,
mas não demora, após à meia-noite,
depois da madrugada vir trançar.

seus loiros cachos na manhã dourada,
vejo você, agora, ensolarada,
e a auréola do sol lhe coroar.

EM - SEGUNDO LIVRO DOS SONETOS - JOSÉ LUIZ MELO - NOVOESTILO

Aberdeen - CAROLINA MANGANA MONTEIRO

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A luz do dia por entre as folhas
Ilumina-me o rosto cansado.
O alcatrão negro reluz ainda molhado.
Os meus passos são abafados
Pela relva fresca de primavera
Enquanto as gaivotas dançam a sua caçada.
O vento gela-me os ossos e sopra-me os cabelos,
Tudo o que tem vida treme,
Revelando a imóvel pedra fria
Dos edifícios de granito velho.
Fui e vim, e nada mudou.
O sol fraco aquece-me a cara, e eu sou.

EM - HÁ QUEM NÃO ESCREVA POESIA - CAROLINA MANGANA MONTEIRO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Constelação - PATRÍCIA PORTO

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uma mulher se desprendeu de meus braços
era outra a outra
era eu mesma a outra nela acenando
partindo de mim em volume de terra
a planta terráquea e faminta
retorcida em todo corpo
dos dedos dos pés até o alto
envolvida torta nos meus cabelos
atravessada carnívora na carne doce
me esmagando até o sufocamento
se nutrindo de minhas partes mais moles
sólidas doídas e sem camuflagem
de enormes garras entranhando vísceras
misturada ao que eu era
já não sou mais argila húmus e lodo
há o nada e emborco vazia
na outra que agora sai viva no aparte
com tronco prótese osso enigma
já não é mais outra
eu a procuro
sou legião
nuvem massa pernas e peitos
tenho várias cabeças
todas nelas hidras
outra que era eu
quando eu outra era a mesma
onde está?
reflexo e pedra
da mesma língua
levadas juntas na correnteza
fluxam nossas sementes envenenadas
fluxos de nossas regras libertadas

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

A estrada da vida - MANUELA DINIZ

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A vida é como uma estrada
onde fazemos uma corrida
que, para ser vivida,
precisa de companhia,
precisa de parceria
para amparar nas rampas escorregadias,
nos cruzamentos
sem sinalização,
nos buracos do caminho,
nas curvas apertadas,
no que aparece em contra mão!

Sim...
podemos fazer nosso caminho
nesta estrada que é a vida,
mas precisamos de apoio
e de muita parceria.

Por vezes, aparecem pedras
que temos que desviar...
outras vezes, essas pedras
são bem pesadas
difíceis de manobrar...

Sozinho não vive ninguém,
todos precisam de alguém,
porque ninguém pode ser feliz sozinho!

Todos precisam de amor!

Todos precisam de amigos,
para percorrer esta corrida,
nesta estrada que é a vida.

EM - ESSÊNCIA DE MIM - MANUELA DINIZ - IN-FINITA

terça-feira, 25 de junho de 2019

Lamentável... lamento - MANUEL MACHADO

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Nasceram em eras de vacas magras,
Sopravam ventos de mudança
Por lugares, do tempo, na vida
Tudo lhes fizeram para que nada faltasse!

Nunca experienciaram abundância em liberdade
Entre savanas molhadas por tempestades tropicais,
Faunas sempre descritas em saudosas recordações,
Odores e sabores de inesquecíveis floras envolventes.

As lutas tribais, guerras e poderios
Forçaram ao abandono da cidade natal
Romando a solos desconhecidos dos antepassados,
Frios, distantes e carregados de incertezas.

Cedo a vida foi duramente traiçoeira
A doença fez secar a seiva do embondeiro paterno,
Ficaram sob a protecção da matriarca
Desafiada a lidar com duas gerações.

Uma década bastou à diferença
Educacional, sentimental e seus valores.
Perdidos no esquecimento do tempo,
Desaparecidos por nevoeiros da vida!

Eternizados nas consciências tal Adamastor.
Penas reconhecidas só em pássaros e galináceos.
Lamentável a ignorância às prioridades
Ausência de amor ao próximo, apenas lamento!

Lamúrias, lamentações e lamentos
Escutados por vielas silenciosas da cidade
Chorados em travesseiros nocturnos
Arremessados e afogados em marés agitadas!

EM - DAR VOZ A... - MANUEL MACHADO - IN-FINITA

Anaiando - PATRÍCIA CACAU

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Anaiando a vida

Ana indo,
Ana vindo,
Ana vida
Ana cores
Ana ama

Fitinhas de mim
Fora de padrão

Ana canta, encanta
Cantando e entoando a vida nas cordas do violão,

Voa passarinho construindo ninho no coração,

Ana voa,
Ana brinca,
Ana chora,
Ana nina,
Agora não,

Rodopia a bailarina no Demi pliê no salão.

Ana pinta
Empina a pipa,
o vento dar a direção.

Amores vem,
Amores vão,

Ana dorme,
Ana sonha,

Flores lhe enchem a mão,
São os abraços de Ana correndo na multidão!

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Sou - ISABEL BASTOS NUNES

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Sou sombra quando o Sol aquece
Sou a brasa quando o Inverno vem
Sou o sonho no teu leito de sono
Sou água quando sede se tem
Sou a calma quando troveja
Sou estrela em noite escura
Sou a mão que te afaga o rosto
Sou quem se apaga na multidão
Sou refúgio para quem nada tem
E tantas e tantas vezes... eu não sou ninguém!

EM - ENTRE OS POEMAS... AS PALAVRAS - ISABEL BASTOS NUNES - IN-FINITA

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Tsunami - ANA P DE MADUREIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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tsunami
o que me recua as águas
na sede de ti

e cresço
num quase rebento
até que me tomes
na brancura da espuma
que me borbulha no ventre

és-me lava
meu vinho

EM - NOS DEDOS AS PALAVRAS - ANA P DE MADUREIRA - IN-FINITA

Novas realidades - VIEIRINHA VIEIRA


LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA


Olhos andam despertos!
Paisagens que flutuam,
Caminhos de passos abertos,
Movimentos de seres, actuam.

Dores que cicatrizam.
Amores, sentidos sorri!
Palavras longas esterilizam,
Gestos por onde caí…

Sonos com angústia e leveza?
Sonhos que carrego, que tive.
Certezas com força e dureza,
Olhos que ensinam o que vivi!


EM - III CONCURSO LITERÁRIO - ANTOLOGIA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Tarde demais - PATRÍCIA ANICETO

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há mais que um mar a nos separar
entre nós existe o tempo e suas intempéries
já é tarde
demasiadamente tarde para amar
para viver aquilo que negamos
quando ainda era cedo
quando ainda construíamos sonhos sobre nossos
                                                            medos
e não faltava coragem para continuar
quando ainda éramos nós
apenas nós sem que nos preocupássemos
apenas com nosso eu

eu poderia esperá-lo por toda eternidade
se acaso tivesse a certeza
de que não mudaria o tempo
e a conjugação dos nossos verbos
se acaso eu tivesse uma quase certeza
de que não seríamos apenas
uma fuligem na poeira dos anos
um rastro incerto perdido no horizonte
a nos encher de esperança

mas já é tarde
tarde demais para regressar
não espere encontrar meu vulto à beira do cais
seria o mesmo que encontrar-me à beira do
                                                              precipício
antevendo o fim onde haveria de ecoar meus ais

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Hoje quando amanhece - ALICE VIEIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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dantes
tudo era necessário

                          sol
                          boca
                          flor


                          na terra se encontravam
                          e se multiplicavam

e era urgente saber
o rumo que os esperava

hoje
já nada surpreende

                                e quando amanhece
                                já ninguém pergunta
                                porquê

EM - DE ESTARMOS VIVOS - ALICE VASSALO PEREIRA (ALICE VIEIRA) - IN-FINITA

domingo, 23 de junho de 2019

Rotina - ALEXANDRE CARVALHO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA EDITORA
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Julgo saber porque morremos.
Afinal a rotina mata
e rotineiramente
teimamos em acordar
a vida é feita de rotinas
para que cada uma
acabe e renasça
ou floresça outra vida
outra alegria
outra felicidade
na rotina do virar da aurora
há sempre um amanhã diferente
hoje cumpri a rotina da vida
acordei na alvorada aniversariante.

EM - ESTIRADOR COM ESCRITOS - ALEXANDRE CARVALHO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

O beijo do vento - SÃO SILVEIRINHA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA
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Singelo bafejo,
aproximas-te de mim, inebriante...

Vais-me despenteando ao de leve
para me beijares o pescoço.

Cheiras a terra molhada!
A mesma que tocaste na tua longa jornada...

Vens namorar-me
numa dança extasiante!

EM - OUTRAS LIBERDADES - SÃO SILVEIRINHA - EDIÇÃO DE AUTOR

Noite de mim - PALMIRA HEINE

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Quando fui noite
Me vesti de estrelas
Quando fui vento
Vesti tempestades
Quando fui tempo
Me vesti de sonhos
Quando fui dores
Me vi só saudade

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Mergulho em ti - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

Mergulho em ti,
como jamais fui capaz de estar.

A profundidade de onde me encontro
ultrapassa a razão.
Não me reconheço em outros tempos,
nada está ou é, além desse momento
em que me deparo preenchida de tudo
e totalmente vazia de lembranças.

Mergulho em ti,
como jamais fui capaz de desejar.

O instante que se faz em nós
fusão e complemento
sedenta, liberta e preenchida
afasta ventos gelados.
Aqui o sol arde e faz morada
ofuscada por teu olhar.
Embriago-me no doce sabor de beijo
e permaneço no desejo incontido do eterno.

Mergulho em ti,
como jamais fui capaz de ficar.

Silêncio na contemplação
do sentimento que transborda
e engole palavras que se repetem
na ânsia de permanecer.
Debato-me na calma e na certeza
de contar a nossa história.
Distancio-me dos reflexos de outrora.

Mergulho em ti,
como jamais fui capaz de sonhar.

Entrego-me aos teus braços,
aquecida pelo calor do teu corpo
que me abriga e envolve todo o meu sentir.
Pulsante e extasiada, caminho
pelo lado de dentro ao encontro de nós.
Finco raízes no porto de chegada
e contemplo a imensidão do querer
que avassala e conforta.

Mergulho em ti,
como jamais fui capaz de amar.

E em sussurros deixo ecoar no vento... amanheceu!

EM - ALMA IN VERSOS - COLECTÂNEA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

sábado, 22 de junho de 2019

Criações - JOÃO BARNABE

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Entre a união de fogos antagónicos
E a paixão da água ardente
Nasceu no meio de um grito pequeno
Onde a pacificidade outrora foi miragem
Entre paredes nas terras sentadas

Chega de leve com receio do povo
Entrega-se com doçura e dança formosura
Capaz de entender até o outro problema
Estende a fronteira e quebra o dilema
Como seu fado foi feito na forma de simpatia

As armas renegadas às entregas na dissipação
E a repetição de palavras
Porque por vezes não há palavras para descrever
Certas coisas como a bondade humana
Que de tão rara se faz
Que por ser rara é fruto do além
E sem saber porque é assim
A serra de Sintra a fez enfim.

EM - A VERDADE DE UMA MENTE DORMENTE - JOÃO BARNABE - IN-FINITA

Canteiros de saudades - CRISTINA MOITA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Terra que nevas das árvores
Ficas bela mesmo assim,
Tens canteiros de saudades
Arrancados do teu jardim.

Teus canteiros de amores eleitos
Desfolhados pelos meus olhos,
Foram de amores tão perfeitos
Que ainda os choro aos molhos.

Minhas mãos tão pequeninas
Com vontade d`os arrancar,
Hoje já estão crescidinhas,
Entenderam o verbo amar;

Tudo o que nasce um dia morre
Temos que colher com o amar,
Porque a água não pára, corre
Neste rio que vai dar ao mar.

EM - ESTRELAS DE AFETO - CRISTINA MOITA - IN-FINITA

Lótus e lutas - ORLEIDE FERREIRA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Sobre redes e muros
Barreiras de aço
Obscuras armadilhas
Memória vil
Encrustrada em garras
De falsas crenças
E farsas

Submissão imposta à ferro
Com veneno
Entorpecente
Se fez opressão propagada
Densa, última dose
Basta

A fria
Lama
Patriarcal
Arcaica
Cai

Emergem-se raízes firmes
De trama crescente
E invisível
Paralelas, entrelaçadas
Flores vivas, folhas fortes
Vigor de vênus
Viçosas pétalas
Mulheres libertas

Terra sagrada
Que tinge a pele
De poeira vermelha
Ancestral, guerreira

Tambor que ecoa
Nos pés descalsos
Escudo camuflado
Proteção
Corpo fechado

Mantra intraterreno
Lótus no canto entoado
Lutas, mulheres em rito
Em uníssono hino
Vitória
Machismo sob o chão
Abismo

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Quando fecho meus olhos - SHIRLEY PINHEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA AUTORA

Quando fecho meus olhos
te tenho aqui
quando abro meus olhos
te vejo ali
É neste abrir e fechar de olhos
que entro em perdição
Perco minha alma e razão
e quem comanda é o coração!

EM - MERCÚRIA - SHIRLEY PINHEIRO - CATALINA EDIÇÕES

sexta-feira, 21 de junho de 2019

A dança - HORÁCIO ALMEIDA

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Quero envolver-te em meus braços
Livra-te da tristeza com emoções
No som da melodia vive sensações
A música a espaços e compassos.
Movimentos sinuosos vamos dançar
Sacia a sede latente liberta teu corpo
Sincronia gera excitação no enlaçar
Sentir o teu abraço é meu conforto
Nossos corpos unidos entrelaçados
Com odores perfumados dormentes
Suados, cansados, mas consolados
Sensações e estímulos envolventes
Candura afeição na dança são magia
Levita o corpo e a alma por fantasia
Volúpia intensa pureza sensualidade
Mistura de musica e dança sinergia
Êxtase consagrado com serenidade
Saudável e calmante a dança frequente
Estimulante bênção do corpo e da mente.

EM - TEMPO E SAUDADE - HORÁCIO ALMEIDA - IN-FINITA

Quietude - LUIS VILHENA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Quietude
Sorriso de uma flor.
Luz do silêncio
Cheio de amor.

Silêncio ensurdecedor da tarde
Não sabes o que é amor.
Fugaz o tempo,
Cravo-de-amor.

Frémito
Silêncio de amor.
Canta o pássaro
Com todo o clamor.

EM - PALAVRAS VIVAS - LUIS VILHENA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Noite - NOEMI ALFIERI

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Entre os muros frios deste quarto
encontro-me
com uma quebra no peito,
cem agulhas nos ossos.

Emoções de gelo, inverno vivo,
Noite esclarecedora.

Uma agitação silenciosa
anseia em mim
Catapulta para frente os ponteiros paralisados
do relógio que levará ao amanhã.

Sensações imóveis, fechadas
em caixas de estanho
para que estejam protegidas
de facas afiadas,
de brilhantes lâminas de prata à espera,
lá fora, da sua presa.

Afogar no caos, infligir-me torturas,
rasgar-me a alma
Dissolver-me.
Recompor na escuridão
Algo limpo.

Fantasmas à volta
Não me deixo apanhar.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Banho-me na cor das madrugadas - MANUELA DINIZ

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Sinto estes momentos
como um banho de cor,
esta cor que antecede
o Sol nascer!
Esta cor que é difícil
de escrever
e que me faz reviver!

São momentos deslumbrantes
que passam em alguns instantes,
mas que ficam gravados em mim.

Enchem-me a alma,
o coração,
voltam os sonhos
e a ilusão,
e o dia nasce numa canção!

Volto a confiar!
Sinto-me mais forte
como se nada me pudesse afectar!
E se pensei alguma vez
em desistir,
volto a querer lutar!

Sim! Este banho de cor
lava-me a dor
e retorna ao meu olhar
a esperança,
a esperança no Mundo,
no futuro e no Amor!

Sempre que estou triste
volto à madrugada
e banho-me na sua cor!

EM - ESSÊNCIA DE MIM - MANUELA DINIZ - IN-FINITA

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Segredos da tua alma - ISABEL BASTOS NUNES

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Deixa-me desvendar os segredos da tua alma,
Não os guardes só para ti
Deixa-me saber do teu sentimento e da tua emoção
Deixa-me fazer-te sorrir
E mostra-me por onde viajam os teus olhos,
E conta-me a paixão.

Diz-me por onde andam os teus passos
E deixa-me ver se o teu corpo ainda vibra
Ao som do compasso da música dos nossos sonhos.
Aponta-me o caminho por onde eu devo andar
De forma a poder conquistar de novo o teu coração.

Eu sei,
Sei que é possível reconstruir o que ficou inacabado,
E porque o passado é passado,
Não queiras ser esquiva presa
De um destino malfadado.

Não escondas
Os segredos da tua alma
Porque a vida te procura.

Deixa que o Universo te traga o poder de conquistar
O mundo que construíste,
Abre-te ao poder da lua
Deixa o luar entrar
E nunca, nunca te esqueças,
Que podes sempre voltar.

EM - ENTRE OS POEMAS... AS PALAVRAS - ISABEL BASTOS NUNES - IN-FINITA

Não tenho - ANA P DE MADUREIRA

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não tenho
o inverno nas mãos
mas alago-me
no bailado das chamas
seduzindo as sombras
a bambolear-se
na terra descalça
esculpindo o círculo
com cheiro a fumo amadeirado
por onde as cinzas
desenham os versos
bálsamo nos meus cabelos

e brilham-me os olhos
mais e mais
tanto
quanto efervescer é proibido

e na ponta rubra da língua
paira gulosa a demência

EM - NOS DEDOS AS PALAVRAS - ANA P DE MADUREIRA - IN-FINITA

Linhas - NINA MARIA

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Linhas poéticas
Tecem meu corpo
Para lembrar-me o que sou:
Mulher.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Acordares em consciência - MANUEL MACHADO

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Delicio-me com os meus acordares
Calmos, indolores, em consciência plena.
Segundos, minutos desejados, horas intermináveis
Tudo efémero à minha actual condição.

Apenas aos meus olhos cor de esmeralda
Dou permissão ao constante rodopiar,
Ora lentos, lembrando valsas dançadas,
Ora enérgicos, em desejados corridinhos.

Transbordo felicidade ao ver-te meu amor
Sorrio, provocando uma alegria tão fugaz
Desaparecida ao meu indesejável pestanejar
Lendo em teus olhos esperanças sonhadas!

Nesta ânsia agitada à absorção do vislumbrado
Quase esqueço meu corpo agora frágil,
Recordando amálgama de cansaços passados,
Frenesim à vida outrora vivenciada.

Pressinto uma sonolência não desejada
Condutora a trilhos sinuosos e gentes esquecidas.
Sinto o entrelaçar dos teus dedos nos meus.
Embarco noutra viagem, ansiando novos acordares.

EM - DAR VOZ A... - MANUEL MACHADO - IN-FINITA

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Diana - GONÇALO MIRANDA

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Musa diz-me qual é tua arte?
A paixão de Apolo
E companheira de Marte
Sinto-me sob o teu feitiço
Droga que me faz voar
Presença que me inspira.
Deixa-me entrar
Onde ninguém entrou
Haverá sempre um adamastor
Que nunca ninguém derrotou
E haverás sempre tu.
Deusa mortal
Que irei imortalizar
Em minha escrita
Meu cantar.
Esse silencioso
Poema atroz
Que fica tão belo
Na tua voz.

Esta cantiga não acaba
E encanta-me
Dou graças porque não espero o fim
Dar-te-ei tudo, mas deixa-me viver assim

EM - BRINCADEIRAS A SÉRIO - GONÇALO MIRANDA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Gretadura - ANITA SANTANA

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Mesmo na estreiteza
De uma brecha que se anuncia
É possível enxergar o longe
Perfazer os caminhos.
Do lado de cá espaço subtraído
Enlarguecido pela pequena
Janela que se abre.
É preciso olhos de querer.


EM - VERSOS & CLIQUES: INSTANTES - ANITA SANTANA - EDITORA ZARTE