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sexta-feira, 20 de agosto de 2021

O sussurro do vento - ALEXANDRA JACOB

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Agosto de ventos e mar revolto
Na taça, vinho de barrica de Carvalho
As vozes na vitrola arrepiam - som ancestral
Espero logo esquecer as desilusões

Vendaval anuncia, a chuva não cairá
Peço ao vento para me levar para longe
Como leva as hastes do dente-de-leão
Escrevo em folhas soltas

Queimo-as, entrego ao vento, balanço e movimento me encantam
Mágoas alçam voos longínquos
Redemoinho deixa tudo bagunçado
Poeira de mim se faz poesia

Sou de ar, nada me segura
Guardo segredos de uma mente inquieta
Escrevo histórias, percebo o assobio
Vem da fresta da janela e me faz observar

Minha fome não cabe em mim
Desloco-me em zig zag
Tristes ilusões, dispersão
Chego à ferida, alívio

Por tempos não fui ninguém, nem rosto tinha
Assim como o dente-de-leão germino em novos campos
As surpresas boas da vida chegam
Em tardes de céu alaranjado no sussurro do vento.

MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Passarinho - ALEXANDRA JACOB

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Fui passarinho - sonhei
Ferida Resisti - Coube assobios

Balões voaram comigo
Vi peixes colorir as águas

Conheci outros passarinhos
Uns sem ninho - outros duplos

Girassol foi alimento
Sonhei ser passarinho - Gorjeei e encantei

Quando acordei era menina - voei

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Observar/Absorver - ALEXANDRA JACOB

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A rua me convida a observar
Da janela avisto pessoas
Alguns são pontos - tamanha lonjura
Sem saber suas histórias - crio personagens

Seus silêncios gritam - desimportantes gestos
O abraço, o olhar até chegar o beijo - sublime
Não há platéia - há milhões que apenas olham
Absorvo o amor alheio - fugaz

Sinto a história - Inexistente e presente
O início muda sensações - novos mundos
Reconstruir e construir vidas fictícias - reais
Nelas o continuar das horas

Cada palavra aproxima
Sensação de pertencer
Mesmo em meio a pessoas outras
Viajo nas histórias que surgem às pressas

Entre canções e poesias - páginas de vidas
Amanhecem desejos
Tempo de espera
Final - Eu e você

Concluo que o amor é sublime
Nas histórias doídas - são remédios
Nas estações - adormecem e florescem
Nas histórias sem fim - há sempre final feliz!

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA