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terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

É fácil - VÂNIA GUSMÃO

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É fácil dizer fique em casa
Quando da rua não vem seu sustento
Quando a pança está cheia, e
Não falta em sua mesa alimento

Quando não se conhece a cor fúnebre da fome
Ou ronco desesperado das lombrigas no bucho vazio
Não sabe como é lúgubre a dor da barriga seca
Cheia de verme, vento e conselho sombrio

É fácil dizer fique em casa
Quando a dor da indigência
Não te atinge nem consome

Que importa? A escolha é do outro
Se vai morrer sufocado pelo vírus
Ou carcomido pela fome.

EM - PANDEMIA DE PALAVRAS - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sábado, 5 de dezembro de 2020

Pássaro de fogo - VÂNIA GUSMÃO

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Poderosa fênix é o amor
Sempre renascendo das próprias cinzas
Vem de lugar nenhum
Pousar no galho mais alto da esperança

Faz ninho no pulsar do coração
E como pássaro de fogo
Consome-se em brasas
Gerando labaredas de plenitude

Fundindo luz e cor
Espalhando faíscas de incandescente prisma
Criando o jardim surreal
No caleidoscópio da vida.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS V - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Sacro e profano - VÂNIA GUSMÃO

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Suas mãos rezam em meu corpo
Toda oração profana
Seus lábios comungam os meus
Promessas obscenas
Me entrego toda nesse altar
De sacrifício e gozo
Suas mãos...
Ah, essas mãos que passeiam
Por meus seios palpitantes
E descem por entre as pernas molhadas
Trêmulas de desejo
Pesa sobre mim o lençol do teu corpo suado,
Em brasa pelo fogo que te consome as entranhas
Arma-te de punhal e desfere-me golpes lentos,
Leves, rápidos e fortes
Bebes do amor cavalgando no cálice da vida
Que divides comigo
Para viajarmos rumo ao infinito.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÂNEA - IN-FINITA