O navio morto
que sobe a corrente
de que velho porto
era o adolescente?
Cingiam-lhe a boca
água e nevoeiro?
Tinha muita, pouca
falta de dinheiro?
Bom barco, subido
aos da mor igualha,
tens o ombro ferido
até à fornalha
E puxado a cabos
- este rei de oceanos! -
por ginasticados
loiros namorados
a diesel e canos
Foi-lhe a estrela má.
- E se recomeça?
- Vamos daqui já
enterrá-lo depressa.
EM - UMA GRANDE RAZÃO - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
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sexta-feira, 18 de março de 2016
terça-feira, 28 de julho de 2015
Dorme meu filho* - MÁRIO CESARINY
Dorme meu filho
dezenas de mãos femininas trabalham
a atmosfera
onde os namorados pensam
cartazes simples
um por exemplo
minúsculo crustáceo denominado cíclope
por baixo da pele ou entre os músculos
Dorme meu filho
o amor
será
uma arma esquecida
um pano qualquer como um lenço
sobre o gelo das ruas
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
dezenas de mãos femininas trabalham
a atmosfera
onde os namorados pensam
cartazes simples
um por exemplo
minúsculo crustáceo denominado cíclope
por baixo da pele ou entre os músculos
Dorme meu filho
o amor
será
uma arma esquecida
um pano qualquer como um lenço
sobre o gelo das ruas
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Urgente - MÁRIO CESARINY
As bombas matam porque sofrem duma espécie de doença incurável
que as faz ganhar saúde quando as largam no ar
uma vez expostas à lei da gravidade
e por ela arrastadas para o mundo humano
as bombas precisam de explodir tal como uma criança precisa de urinar
até fazerem um lugar onde fiquem
que se não mova que seja
como um direito a isso
ao pé do deus adulto que lhes deu comida
EM - UMA GRANDE RAZÃO - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
que as faz ganhar saúde quando as largam no ar
uma vez expostas à lei da gravidade
e por ela arrastadas para o mundo humano
as bombas precisam de explodir tal como uma criança precisa de urinar
até fazerem um lugar onde fiquem
que se não mova que seja
como um direito a isso
ao pé do deus adulto que lhes deu comida
EM - UMA GRANDE RAZÃO - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
sábado, 24 de dezembro de 2011
XIX - MÁRIO CESARINY
Muito acima das nuvens seja o centro
das nossas misteriosas poéticas
o irresistível anseio de viajar
um só momento trabalhado à mão
nos ermos mais altos
mais desaparecidos
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
XVI - MÁRIO CESARINY
A vida
às portas da vida
e o azul masculino de um rio
Amor Ardente
de forma distinta
domingo, 4 de dezembro de 2011
V - MÁRIO CESARINY
Katyn?
Grande Descoberta!
O homem encontra
com tão pouco esforço
o pus o sangue
a peste a guerra
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
Grande Descoberta!
O homem encontra
com tão pouco esforço
o pus o sangue
a peste a guerra
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
IV - MÁRIO CESARINY
Um corte nos dedos e agora
que estamos no inverno
vale a pena esperar mais depressa
a maravilha minúscula
o império
que foi comprado para bêbedos
a dez centavos o hectar
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
III - MÁRIO CESARINY
Poucos conhecem uma carta
uma carta e um bilhete ilustrado com a tradução
duma estrofe
S. Marcos o sol a Santa Catarina
como se fosse no inverno à lareira
«no escuro dessas noites mal iluminadas enevoadas
desertas em que as casas com luz interior ou sem ela
têm muito relevo são pesadas e misteriosas»
Poucos poucos conhecem
os últimos dias do enigma
de uma porta chapeada de alto a baixo
à beira de um caminho ladeado de sebes de espinheiro
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
II - MÁRIO CESARINY
A 10 000 metros de profundidade
o rosto deambulador
do soldado
que não quis morrer
grita o seu radioso segredo:
Abre as portas do teu coração
é tão fácil perder
o homem das águias
que nunca mudam
Ele
em verdade
está só
e nunca
foi ouvido
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
lembra-te - MÁRIO CESARINY
Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que desta procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que desta procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
radiograma - MÁRIO CESARINY
Alegre triste meigo feroz bêbedo
lúcido
no meio do mar
Claro obscuro novo velhíssimo obsceno
puro
no meio do mar
Nado-morto às quatro morto a nado às cinco
encontrado perdido
no meio do mar
no meio do mar
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
lúcido
no meio do mar
Claro obscuro novo velhíssimo obsceno
puro
no meio do mar
Nado-morto às quatro morto a nado às cinco
encontrado perdido
no meio do mar
no meio do mar
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
terça-feira, 11 de outubro de 2011
poema - MÁRIO CESARINY
Tu estás em mim como eu estive no berço
como a árvore sob a sua crosta
como o navio no fundo do mar
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
como a árvore sob a sua crosta
como o navio no fundo do mar
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
domingo, 25 de setembro de 2011
estação - MÁRIO CESARINY
Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o foto com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurando entre os mais que passavam.
Se algum de nós hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
vou perdendo a noção desta subtileza.
aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o foto com que virei preocupa-me, pois chove miudinho
Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurando entre os mais que passavam.
Se algum de nós hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Homenagem a Cesário Verde - MÁRIO CESARINY
Aos pés do burro que olhava para o mar
depois do bolo-rei comeram-se sardinhas
com as sardinhas um pouco de goiabada
e depois do pudim, para um último cigarro
um feijão branco em sangue e rolas cozidas
Pouco depois cada qual procurou
com cada um o poente que convinha.
Chegou a noite e foram todos para casa ler Cesário Verde
que ainda há passeios ainda há poetas cá no país!
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
depois do bolo-rei comeram-se sardinhas
com as sardinhas um pouco de goiabada
e depois do pudim, para um último cigarro
um feijão branco em sangue e rolas cozidas
Pouco depois cada qual procurou
com cada um o poente que convinha.
Chegou a noite e foram todos para casa ler Cesário Verde
que ainda há passeios ainda há poetas cá no país!
EM - PENA CAPITAL - MÁRIO CESARINY - ASSÍRIO & ALVIM
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Poema - MÁRIO CESARINY
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
in... Uma grande razão - MÁRIO CESARINY - Assírio & Alvim
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sábado, 27 de março de 2010
Outra coisa - MÁRIO CESARINY
Apresentar-te aos deuses e deixar-te
entre sombra de pedra e golpe de asa
exaltar-te perder-te desconfiar-te
seguir-te de helicóptero até casa
dizer-te que te amo amo amo
que por ti passo raias e fronteiras
que não me chamo mário que me chamo
uma coisa que tens nas algibeiras
lançar a bomba onde vens no retrato
de dez anos de anjinho nacional
e nove de colégio terceiro ano
pôr-te na posição sexual
tirar-te todo o bem e todo o mal
esquecer-me de ti como do gato
in... Pena capital - MÁRIO CESARINY - Assírio & Alvim
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