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domingo, 4 de abril de 2021

Alea jacta est (“A sorte está lançada“) - ISAAC SOARES DE SOUZA

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Ei, Júlio César, vai tomar no esfíncter
foda-se o seu poder e o seu acinte
Mandava em Roma
Aqui no meu mundo
tasco-lhe na cara fecaloma
Matou, mandou, extorquiu
Autoritário, otário
foi pra puta que o pariu
apunhalado, traído
se fodeu
Alea jacta est (“A sorte está lançada”)
todo rei pode ser deposto
e com que gana esmurro seu rosto
safado, se ferre no Coliseu
você manda nos seus
o Senado cagado organizado te matou
suas legiões emudeceram
e o Império Romano assim nasceu
500 anos de domínio e exploração
Mas o tempo senhor de tudo o recrudesceu
Quando o povo gado vacum acorda do estado de letargia
Não há reinado que dure
Algures, reis e poderosos são guilhotinados
Depostos e assassinados
Quando os mansos bezerros pisados
Derrubam a cerca
E invadem o pasto
Destino nefasto
O do fazendeiro
Júlio César morreu
aqui na minha arena o campeão sou eu.

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sábado, 3 de abril de 2021

Criptídio - ISAAC SOARES DE SOUZA

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Meu coração desolado pela solidão
É semelhante ao Lago Ness,
Em cuja escuridão habita Nessie,
criptídeo descido do inferno,
essa peste incide e investe
contra a felicidade que foge de mim
acabrunhado me refugio no mais tenebroso recôndito
da alma
que implora por uma nesga de calma
apesar da miséria que é a vida
nas águas negras e poluídas
do meu ser
eu ainda quero viver
Nessie é como a peste
No entanto faz parte de mim
A solidão me fascina
Sou ás na esgrima
E o criptídeo nunca me encima
Eu consigo sobreviver!
Pois, mais cruel que Nessie é essa gente imunda
Que habita o mundo
Em profundo retroceder.

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terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Morando na filosofia de belchior - ISAAC SOARES DE SOUZA

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Quando eu não tinha o olhar lacrimoso,
que hoje eu trago e tenho e o meu coração selvagem
tinha pressa de viver.
Ouvia um clamor no deserto e circunspecto
Tinha medo de entender que um novo momento
precisava chegar.
Eu sei que é difícil começar tudo de novo,
mas eu quero tentar.
O mundo inteiro está naquela estrada ali em frente
eu tentei caminhar.
E dentro do meu karmanguia
sobre o trevo a cem por hora.
Eu vou me embora,
vou voltar pro meu sertão.
Pois vejo vindo com o vento o cheiro de uma nova
estação, eu não vou ficar nestas galés
vou voltar pro meu sertão.
Naquelas terras secas o que alimenta a alma é a fé
e a sanfona de Luiz Rei do Baião.
Não quero mais viver como o escravo indiferente e que
trabalha e, por presente, tem migalhas sobre o chão.
Pois as lágrimas do nordestino
São fortes como um segredo
Podem fazer renascer um mal antigo
E a dor sempre cicatriza o medo
São Paulo violento, corre o Rio que me engana
só em Fortaleza a vida é mais branda.
Mesmo vivendo assim, não me esqueci de amar
Que o homem é pra mulher e o coração pra gente dar
e o meu amor ainda chora a me esperar
Eu preciso regressar
Pois em qualquer lugar
na cidade grande onde a miséria se expande
no sertão ou a beira-mar
Quem já viu na vida novidade em estar vivo?
Tenho chorado demais
longe de casa, dos amigos e dos meus pais
Tenho sangrado pra cachorro,
Ano passado eu morri,
mas esse ano eu não morro
tenho arraigado no peito
o ímpeto de um guerreiro maior
Buscarei o meu próprio exílio
e assim o meu equilíbrio
Quanto o fez Antonio Carlos BELCHIOR!

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Malungo Elomar - ISAAC SOARES DE SOUZA

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Riscano a viola
Na presença das donzelas e senhoras
Em toda a redondeza adonde Zé do Laço cantava
Os violeiros assombrado ficava.
Zé do Laço era marruêro,
Ranca-tôco, e tropeiro.
Não temia bramura,
Não tinha horror a nada
Protegido pela Virgem Imaculada,
Séro, destemido e ordeiro
Zé do Laço não mentia,
Sempre dizia: Mentira tem perna curta
uma língua muito astuta, nunca vence uma porfia,
E quem cutuca a onça com vara curta,
um dia vira caça da cria...
Cuano ele tocava a viola
Nem o carneiro na eira mugia
Jurava por Nosso Senhor,
E pela Virgem Maria
Que na Gameleira existia
Um malungo, violeiro e cantador
Inspirado por Jesus Nosso Senhor,
Não era lenda, era uma história real...
O tal do violeiro morava lá na Casa dos Carneiros,
Sob a proteção de Jeová
O nome do tal violeiro, melhor que o melhor dos
violeiros
É o malungo Elomar
Zé do Laço inté jurava, cuano Elomar tocava,
Inté as pedras saíam do lugar
Um cantador adeferente,
Que quando tocava alegrava toda a gente
Por só cantar o amor
De Jesus Nosso Redentor,
Que em pastos verdejantes,
Faz repousar todo homem errante,
Perdido, desvalido e pecador...

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