Nunca se pensa que virá um dia
em que essa idade como bruma fria
será a que teremos; todavia
nesse nunca está ela já contida:
se o pensamento desconhece a vida,
dela recebe o sangue da ferida
EM - ESCARPAS - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
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segunda-feira, 20 de julho de 2015
domingo, 14 de julho de 2013
O que fez sentido - GASTÃO CRUZ
Reformulamos o amor porém a fórmula
não existia como repeti-la?
É preciso criar um eco ambíguo
que deixe de ser eco e tome a forma
do que viver possa ter sido:
encontraremos restos do sentido
que num instante incerto alguma coisa fez
e nunca poderá ser repetido
EM - ESCARPAS - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
não existia como repeti-la?
É preciso criar um eco ambíguo
que deixe de ser eco e tome a forma
do que viver possa ter sido:
encontraremos restos do sentido
que num instante incerto alguma coisa fez
e nunca poderá ser repetido
EM - ESCARPAS - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Outono do amor...* - GASTÃO CRUZ
Outono do amor que folhas moves
na direcção dos corpos separados
e molhas desses prantos ignorados
de quem da primavera conheceu o
movimento das aves
e desse movimento estas esperas
agora só conhece já e ouve
a própria descida com as folhas
a voz própria cansada
quando a vida
e a voz lhas está a dor tirando
Outono do amor outono de aves
e de vozes caladas e de folhas
molhadas de temor e surdo pranto
EM - POEMAS DE AMOR - ANTOLOGIA - DOM QUIXOTE
na direcção dos corpos separados
e molhas desses prantos ignorados
de quem da primavera conheceu o
movimento das aves
e desse movimento estas esperas
agora só conhece já e ouve
a própria descida com as folhas
a voz própria cansada
quando a vida
e a voz lhas está a dor tirando
Outono do amor outono de aves
e de vozes caladas e de folhas
molhadas de temor e surdo pranto
EM - POEMAS DE AMOR - ANTOLOGIA - DOM QUIXOTE
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Com tudo... - GASTÃO CRUZ
Com tudo o que estremece destruído
e se desprende ou ameaça o ar
quando tudo é visível
e as folhas na terra já cavaram
os inúteis abrigos
que do sol penetrados
do ar frio
nas valas desenvolvem os seus vastos
abismos preenchidos com
as folhas em fundos
abrigos reunidas ou que ainda
nas árvores o rude
inverno esperam fixas
nos medimos
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
e se desprende ou ameaça o ar
quando tudo é visível
e as folhas na terra já cavaram
os inúteis abrigos
que do sol penetrados
do ar frio
nas valas desenvolvem os seus vastos
abismos preenchidos com
as folhas em fundos
abrigos reunidas ou que ainda
nas árvores o rude
inverno esperam fixas
nos medimos
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
domingo, 18 de setembro de 2011
Às vezes... - GASTÃO CRUZ
Às vezes despedimo-nos tão cedo
que nem lágrimas há que nos suportem o
peso da voz à solidão exposta
ou
de lisboa no corpo o peso triste
Às vezes é tão cedo que nos vemos
omitidos
enquanto expõe
o peso insuportável do amor
a despedida
É tão cedo por vezes que lisboa
estende sobre os corpos o desgosto
Com os dedos no crânio despedimo-nos
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
que nem lágrimas há que nos suportem o
peso da voz à solidão exposta
ou
de lisboa no corpo o peso triste
Às vezes é tão cedo que nos vemos
omitidos
enquanto expõe
o peso insuportável do amor
a despedida
É tão cedo por vezes que lisboa
estende sobre os corpos o desgosto
Com os dedos no crânio despedimo-nos
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
Pois a cidade... - GASTÃO CRUZ
Pois a cidade já nos desconhece
à luz de cinzas a que vê
o meu corpo e tu morreste
a essa luz de fogo morto
não pode à luz do fogo nenhum corpo
ver a cinza da luz dum corpo morto
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
à luz de cinzas a que vê
o meu corpo e tu morreste
a essa luz de fogo morto
não pode à luz do fogo nenhum corpo
ver a cinza da luz dum corpo morto
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Poderosa luz morta... - GASTÃO CRUZ
Poderosa luz morta te despedes
da poderosa luz tu me despeço
da poderosa luz morta te peço
recomeço da morte o que me pedes
Corpo da morte certo não pertence
este consumo te da morte e esse
da morte poderoso fogo imenso
desoladora boca mas pertence-te
esta separação corpo deserto
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
da poderosa luz tu me despeço
da poderosa luz morta te peço
recomeço da morte o que me pedes
Corpo da morte certo não pertence
este consumo te da morte e esse
da morte poderoso fogo imenso
desoladora boca mas pertence-te
esta separação corpo deserto
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
domingo, 28 de agosto de 2011
E parede - GASTÃO CRUZ
E parede
de treva e vento agreste
e arenoso assento e cinza
das nuvens e ao vento a pele extinta
Pele do corpo outrora quando na
sua areia de cinza a boca se perdia
muro de treva e ar e vento assento
de areia agreste e chuva e morte cinza
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
de treva e vento agreste
e arenoso assento e cinza
das nuvens e ao vento a pele extinta
Pele do corpo outrora quando na
sua areia de cinza a boca se perdia
muro de treva e ar e vento assento
de areia agreste e chuva e morte cinza
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Afogado no fogo... - GASTÃO CRUZ
Afogado no fogo arrefecidas
do fogo fora procuravas dunas
das florestas da noite há muito no
clarão do tigre as praias
No tigre do inverno ó afogado
de mistura do fogo fora nas
dunas areia e cinza
ó afogado
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
do fogo fora procuravas dunas
das florestas da noite há muito no
clarão do tigre as praias
No tigre do inverno ó afogado
de mistura do fogo fora nas
dunas areia e cinza
ó afogado
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
sábado, 30 de julho de 2011
Cegas luzes... - GASTÃO CRUZ
Cegas luzes conhece de escassez
a nudez que desprende
do corpo devagar a claridade
das chamas desoladas
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
a nudez que desprende
do corpo devagar a claridade
das chamas desoladas
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
quarta-feira, 20 de julho de 2011
A dor... - GASTÃO CRUZ
A dor com que de sob
os dedos a nudez desaparece
da
boca funesta que te envolve
os dentes
e tens na escuridão
dos dias que
esconder deste fogo da amargura
de junho
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
os dedos a nudez desaparece
da
boca funesta que te envolve
os dentes
e tens na escuridão
dos dias que
esconder deste fogo da amargura
de junho
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
domingo, 10 de julho de 2011
Junho é um mês funesto - GASTÃO CRUZ
Junho é um mês funesto
com o céu coberto
de armas
Da secura de junho
ninguém ainda morre
em cada corpo a boca
envolve os dentes mansos
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
com o céu coberto
de armas
Da secura de junho
ninguém ainda morre
em cada corpo a boca
envolve os dentes mansos
EM - OUTRO NOME/ESCASSEZ/AS AVES - GASTÃO CRUZ - ASSÍRIO & ALVIM
domingo, 23 de maio de 2010
Dos castanheiros a folhagem árida* - GASTÃO CRUZ
Dos castanheiros a folhagem árida
já desce no ar morto que se move
dentro da palidez do céu de outono
sobre as aves imóveis
Movem-se as folhas só na tarde escassa
de clareiras do sol movem-se as aves
extintas do outono
dentro dele e do sol
que mais que as aves mortas sob as árvores
se move
e movem-se aves
mais do que as folhas que do alto caem
mas sem sol grande as aves não se movem
nem já não caem com a calma as aves
in... Outro nome/Escassez/As aves - GASTÃO CRUZ - Assírio & Alvim
Site da editora aqui
* Os poemas deste livro não são titulados. Usei o 1º verso como titulo por questões logísticas.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Este cantar dos anos de pobreza* - GASTÃO CRUZ
Este cantar dos anos de pobreza
diferente da vida e tão diverso
do poderoso som da esperança
por entre os dentes vis de que se nutre
a sua boca
sopra da aflição a turva música
Este cantar dos anos que a mudança
do canto fez diverso da esperança
é um canto de esperança enquanto canta
in... Outro nome/Escassez/As aves - GASTÃO CRUZ - Assírio & Alvim
Site da editora aqui
* Este poema não é titulado. Usei o 1º verso como titulo por questões logísticas.
terça-feira, 30 de março de 2010
Com os outros - GASTÃO CRUZ
Com os outros nadaste, como eles
interrompeste a água com as mãos,
a dor desaparece ou é o frio que cessa?
A água rompe-se onde
foi o teu dia escasso,
estendes o corpo e mudas com os braços
o rumo, procurando
que te envolva de novo o frio
que perdias; feliz
tiveste algumas estações,
a região dos outros era a fria
paragem da alegria não porque dentro dela
suspendesses as mãos
mas porque parecias
desconhecer que o tempo se movia:
na verdade sabíamos
apenas começar, e os outros eram só
a dor do paraíso
in... Escarpas - GASTÃO CRUZ - Assírio & Alvim
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