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quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Desfazer-me - JOÃO DORDIO e MER ROSE


LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Conheçam a In-Finita neste link

Desfiz as folhas sem
Sem caneta
Sem pena
Escrevi as páginas
Em que tu me desenhaste
Com os dedos
E na ponta dos meus cabelos
Senti um arrepio...

Tirei a roupa sem
Sem pressa da tua pele
Sem pressa do teu olhar
Li no teu desejo
Todas as minhas formas decoradas
Por uma mente
Que já me despia de outras vidas
E ao arrepio juntei o teu molde de pele...

Desnudei-me,
De vestígios vertiginosos
Com aromas de abismos
Adormecidos
Empoleirei-me nos silêncios
Que se despregam das linhas
Que me bordam a vida
Desapega-se o toque aveludado
Do cetim que me cobre o corpo
Caído a teu lado

Depois desfiz mais folhas sem
Sem saber que estavas comigo aqui
E desfiz mais outras folhas
Sem saber que já tinhas partido
Entre cada arrepio cai mais uma letra
Nesta contradição absurda, o desejo de ti
Cega-me e faz-me adormecer na solidão da saudade.
Penas, canetas, pergaminhos ou folhas
Caminho sempre contigo com paixão de pele e alma.

EM - DUETOS DORDIANOS - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sábado, 15 de agosto de 2020

Rarear - MER ROSE

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR ADRIANA MAYRINCK

Levantei-me
Semi ergui-me
Debrucei-me no vale
Que me escondes das montanhas
Que me guias
E surpreendi-me nos entretantos
De entre tantos pensamentos frágeis
Que me caem dos olhos
Voando nas nebulosas
Que me atravessam e percorrem
Todos os meus sentidos
Sem sentir como se sente
Emergindo do suave sabor
Que me deixas ao tocar-me
Com um travo amargo
Com acidez latente
Cristal de açúcar
Como se não bastasse
E ainda que me arrastasse
Quebradiço...
Estilhacei-me ao clarear da luz.

EM - LIVRO ABERTO 2020 - COLECTÂNEA - EDIÇÃO DE AUTOR

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Amparo - MER ROSE

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto conexões neste link
Conheçam a IN-FINITA neste link

Se eu passei desenlacei e cortei
Todas as amarras
Parei numa encruzilhada
E os caminhos que escolhi
Nos trilhos que criei

Desenhei um mapa na palma da mão
E encontrei na linha do destino
A verdade da meta que se aproximava
E eu caminhava de noite
E dormia nos sonhos de quem me acolhia
Eu fui assim sem saber
Mas com todos aqueles
Que me queriam acompanhar

A todos com a minha saia cobria
Proteção e amparo nunca faltaram
E assim aprendi que a meta aparece
Quando se caminha

Hoje caminho
Rodo a saia e agito o leque
A quem sente o meu perfume

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS II - ANTOLOGIA - IN-FINITA