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segunda-feira, 27 de março de 2017

Palavras... - MARIA DOS SANTOS ALVES

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Ah! As palavras...
morrem na boca, as palavras.

Jovens eclodidas nas veias...
ousadas meninas do rio
brotando ariscas nas sílabas.

Ah! As palavras...
não são conto, contam,
apressando-se mulheres
no leito quente da foz.

EM - VIOLINOS AO LUAR - MARIA DOS SANTOS ALVES - CHIADO EDITORA

sexta-feira, 17 de março de 2017

Infinitos - MARIA DOS SANTOS ALVES

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Por breves instantes,
Segundos de um tempo meu,
Houve uma rosa que se abriu.
Não me trouxe palavras novas,
Nem horizontes de um novo sol.
Silêncio foi tudo o que me deu.
Coube aos meus olhos
Recolher o sentir do gesto:
O abrir lento e sereno do seu rosto.
Infinitos em sorriso meu.

EM - VIOLINOS AO LUAR - MARIA DOS SANTOS ALVES - CHIADO EDITORA

terça-feira, 7 de março de 2017

Dissabor - MARIA DOS SANTOS ALVES

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Há brechas na terra... e em todas as pedras,
pudessem as palavras, todas, costurar os rios,
calar os choros e não sentir as flores amargas.
Pudesse eu mudar o destino e as horas inúteis.

Crenças são raízes que sufocam submersas.
Putrificam nos lábios secos, inaptos, inférteis
e as mãos são oração sem credo, prostradas...
por quem tomam o Homem, se não por infiel?

Há um templo de gestos com vozes caladas,
servos da ganância do corpo... versos cruéis
e o licor da boca verseja cantigas amargas.

Pudesse eu costurar as correntes dos rios,
suturar as margens onde moram palavras,
sufocar no meu próprio riso estes delírios.

EM - VIOLINOS AO LUAR - MARIA DOS SANTOS ALVES - CHIADO EDITORA


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Pousio... - MARIA DOS SANTOS ALVES

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Apressa-se o gesto maduro
na melodia mais triste...

Nobres os nus das árvores
que ainda semidespidas
evidenciam os ombros,
os sulcos rosados do abandono.

Partem das minhas mãos
como se estas fossem ramos ou ninhos.
Não há voos de despedida... partem,
abonam em outros destinos.

Chegou a hora de nutrir a terra,
fertilizar o ventre. Pousio e silêncio.
Folhas minhas e chuvas tuas...

Ainda há...
sorrisos que nascem do frio.

EM - VIOLINOS AO LUAR - MARIA DOS SANTOS ALVES - CHIADO EDITORA

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Delírios - MARIA DOS SANTOS ALVES

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Ao mar os olhos peregrinos,
aos rochedos os seus suspiros.

Partem os barcos e as asas delas.
Fica o porto no bater do peito
e um poema escrito no içar das velas.

Delírios meus...
Delírios de um sol que beija.
Delírio azul de um beijo cor de prata.

Parece uma noiva o barco em despedida.
Conturbam os olhos cansados...
já não sei se navega ou se voa...
já não sei... palpitam os silêncios,
tudo o resto reluz azul e é prata.

EM - VIOLINOS AO LUAR - MARIA DOS SANTOS ALVES - CHIADO EDITORA

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O dia amanhece... - MARIA DOS SANTOS ALVES

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Quase no cair da noite...
tudo reluz... tudo acontece.

Reluz a laranjeira
prenhe de laranjas doces
e a sede aperta.

Reluz o rio,
navegar de vivas sombras,
árvores de feminino tronco.

Reluz o mar
tão prata, como prata
é o silêncio dos olhos.

Reluz a cauda do dia,
reluz até o lugar onde me deito...
coberto de azul, azul...

um infinito azul.

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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

É belo o florir das rosas... - MARIA DOS SANTOS ALVES

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Encanta-me o abrir do silêncio
que se pronuncia na madrugada.

A beleza é um alucinogéno.
Nasce um sorriso tonto, ingénuo,
uma vontade de tocar sem ver,
uma necessidade louca de querer.

Complacente o gesto das folhas
quando a manhã se desnuda de estrelas.
Abrem-se como se tivessem mãos
e, por via delas, o azul eterno na boca.

Como é belo o florir das rosas...

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sábado, 21 de janeiro de 2017

Só nas fendas dos lábios - MARIA DOS SANTOS ALVES

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Pernoitam as aves que não partem.
Sinto nelas o recolher do dia,
o cansaço dos rios, a cegueira dos bichos...

Só nas fendas dos lábios
cabe o silêncio das asas.

Só nas fendas dos lábios,
o silêncio se faz livre violino
e o infinito voa raso nos olhos.

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Como se fosse violino - MARIA DOS SANTOS ALVES

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Sou, por breves segundos,
árvore de ramos esguios.

Tocam as aves e o silêncio.
Desprendem-se folhas maduras
e a terra sacia-se do cio.

Tenho nas pontas dos dedos
o vibrato da pele;
as rugas despidas de passos;
o eco das sombras, memórias;
os poemas não vividos
e um sorriso que toca.

Toca... secretamente...
como se o corpo
fosse um violino.

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sábado, 31 de dezembro de 2016

Beijo, gesto, poema - MARIA DOS SANTOS ALVES

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Não importam:
O pouso das vírgulas
e as marés volúveis.

Na boca,
azul de aves, miragens,
palavras são: viagens.

Não importam,
as vertigens sem rima,
o silêncio sem rua...

Na boca...
é que a luz ascende:
beijo, gesto, poema.

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domingo, 18 de dezembro de 2016

O gesto... - MARIA DOS SANTOS ALVES

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Por vezes, a boca cerra-se
como se cerra o céu.
Não há razões.
Causas naturais:
Esgotam-se as palavras;
Há um cansaço que se revela...
Não é nada demais.
O dia amanhece... anoitece...

Eu? Eu continuo aqui
e nos meus olhos ainda há palavras.

EM - VIOLINOS AO LUAR - MARIA DOS SANTOS ALVES - CHIADO EDITORA

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Poesia... - MARIA DOS SANTOS ALVES

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Bebo da lua cheia
o amor com que teço
as palavras...
horizonte.

Reflito a distância...

Passos em folhas de papel
para que nas mãos me caiba
esse amor... o amor,
esse amor versado
pelo silêncio.

EM - VIOLINOS AO LUAR - MARIA DOS SANTOS ALVES - CHIADO EDITORA