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domingo, 26 de setembro de 2021

Sequestro - DANIELLE MONTEIRO

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Há palavras prontas
Para o resgate
Elas esperam um olhar atento
Uma alma penada
Solitária
Que caminha à procura do nada
Partículas luminosas
Soltas no ar
Engolidas pelos apressados
Tornam-se silêncio insosso
De uma melancolia muda
Inexpressiva
Capturada pelos cuidadosos
Transformam-se em manifestações
Salutares
O poema porvir.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

domingo, 29 de agosto de 2021

Tempo de florir - DANIELLE MONTEIRO

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Há algo prestes a nascer.
Ele explode de dentro de um círculo úmido.
Rompe a barreira tortuosa rumo a claridade.
Abre caminho ao empurrar a terra pesada.
Encontra o ar.
Alheio à folhagem seca, ele deseja a vida.
Resiste a intempéries.
Fortalece-se com o primeiro raio da manhã.
E ensina:
- Tenha calma! É o tempo que trará as flores.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VI - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 27 de dezembro de 2020

Disruptivo - DANIELLE MONTEIRO

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Acordada a noite
Sinto tudo
Não vejo nada
A cor opaca
A penumbra
O ruído que assusta
A respiração melódica
O coração que pulsa
Acelerado
E o tempo
Parado

Fecho os olhos
E o escuro torna-se claro
O quarto vazio
É a companhia perfeita
Para o medo

E o amanhecer chega
Suspenso
Olhos violados
Pela luz do sol
E o dia começa
Disruptivo
Trazendo de volta o irredutível
Movimento da claridade.

EM - PANDEMIA DE PALAVRAS - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Limite - DANIELLE MONTEIRO

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O corpo expulsa
entranhas de pedras
estranhas.
Líquido quente
escorre
em forma de suor
e lágrimas.
Erupções
de um corpo esquecido
arranham a pele,
racham a boca,
cortam a garganta.
E o grito é afônico.
Delineia a margem.

Há vida
do outro lado da pele.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS V - COLECTÂNEA - IN-FINITA