Este blogue pretende ser uma montra de poemas e poetas de língua portuguesa.
NESTE MOMENTO O TOCA A ESCREVER É PATROCINADO POR ALGUMAS EDITORAS E AUTORES QUE OFERECEM LIVROS DE POESIA.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Mercúria em rotação - SHIRLEY PINHEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA AUTORA

Mercúria em rotação
depois de
observar a emoção
indagações e dúvidas
entra em conflitos e agitos.

EM - MERCÚRIA - SHIRLEY PINHEIRO - CATALINA EDIÇÕES

terça-feira, 30 de julho de 2019

O sol na minha janela - MANUELA DINIZ

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Sol...
Meu amigo de infância,
vai comigo para onde vou,
dá-me mimos e cuidados
e nunca me abandonou...

Quando estou triste
ou me sinto deprimida,
se estou desencantada,
se reclamo com a vida,
nunca deixa de brilhar,
tenta sempre me animar...
e se não abro a porta,
vem à janela espreitar,
entra por uma fresta
e vem meu rosto afagar,
e fala-me tanto sem nada falar.

E se algum dia não vem
à minha janela espreitar,
eu sei que ele está perto
e que não vai demorar,
que vem me confortar
e meus cabelos beijar
e meu rosto vai sorrir
quando os seus raios sentir.
Ele sabe que estou à sua espera,
que traz muita emoção,
que aquece o meu coração.
E se tarda em chegar,
sou eu que vou à janela
por ele esperar.

EM - ESSÊNCIA DE MIM - MANUELA DINIZ - IN-FINITA

Reflexão em espelho fosco... - ALBERTO CUDDEL

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR ADRIANA MAYRINCK

Sabes em quantos dias divido o mundo?
Ou qual é a distância entre a madrugada e o crepúsculo?
Quantas as vértebras que arranquei para expor a alma,
Ou a roupa que vesti para esconder a lágrima?
Sabes por ventura o que sofro?
Neste calvário dos sonhos
Onde a realidade não me sorri?
Sabes a dor de um aflito, de um mendigo,
De um pobre de espírito?

Nem eu sei o quanto amei
Mas sei, que muito chorei...
Antes mesmo de dormir...

EM - LIVRO ABERTO 2019 - COLECTÂNEA - EDIÇÃO DE AUTOR

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Vírus - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Foste cravando garras infectadas venenosas
No meu corpo ardente e sedento de paixão
Em eras de crassa ignorância e desconhecimento
Aniquilando o amor, sonhos, venturas e desejos.

Incitavas prazeres entre lençóis de percal
Alardeando festins e foguetórios em surdina
Equivocados e entrelaçados aos gemidos de êxtase
Em regozijos e certezas ao mortífero cadafalso.

Provocaste alterações em atitudes e comportamentos
Deste à minha vida vis desprezos e preconceitos
Humilhações por consciências castradoras.

Décadas passadas por incertezas e desafios
Vergas-te ao crónico e indetectável
Permites sorrisos e esperanças no amanhã!

EM - DAR VOZ A... - MANUEL MACHADO - IN-FINITA

Circunstância - GONÇALO MIRANDA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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-Olá
- Bom dia como estás?
- Bem, e tu?
- Eu também.
Como estás a passar?
- Uns dias melhores que os outros
não me posso queixar.
- De facto? Pois, e a chuva é para ficar?
- Esperemos que não,
afinal isto é quase verão.
Um dia destes vamos à bola.
- Claro, vamos à luz ainda tenho a camisola.
- Velhos tempos.
- Sim, há quanto tempo não te via?
- Demasiado.
- Eu ligo... qualquer dia.

EM - BRINCADEIRAS A SÉRIO - GONÇALO MIRANDA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

domingo, 28 de julho de 2019

Lamento - ALICE VIEIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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se eu um dia gritar todo o meu cansaço
       todo o meu desespero
       sufocado no peso ancestral de lágrimas paradas
       para não perturbar o sono dos homens felizes
hão-de ver que é de raiva o meu lamento
       por não ter asas para poder quebrar nos olhos espantados
       dos meninos que me não entendem
       por ter de ficar imóvel na praia ambicionada
       perpetuamente moribunda
       coberta pela bandeira universal do sangue

hão-de ver que é de raiva o meu lamento

(ou se preferem
de amor)

EM - DE ESTARMOS VIVOS - ALICE VASSALO PEREIRA (ALICE VIEIRA) - IN-FINITA

XXXI - MARIA TERESA DIAS FURTADO

Num dia de Verão, aproximou-se da água que tão bem espelha o céu azul sem fim. Encheu o poema de salpicos e houve pássaros que se aproximaram por vê-los brilhar. Num plano acima, dominava uma imponente magnólia onde luzia uma flor Branca que balouçava ao vento, mas não caía. O rumorejar das palmeiras em leque. Instalou-se nos versos daquela tarde de alegrias e companhias. Toda a natureza meditava nos poemas e neles se encantava.

EM - ONDE O POETA MORA - MARIA TERESA DIAS FURTADO - POÉTICA EDIÇÕES

sábado, 27 de julho de 2019

Almas Penadas - CRISTINA MOITA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Mundo diabólico por onde se exibe
Cada vez mais o homem que nada o instiga
Impotente o que vive sempre em desassossego
Querendo entender o que nada lhe traz.

Chega até o ódio a ter perna curta
Desfilando em almas com a memória curta
Ouve-se a falar de amor como fosse um prémio
Que é dado de cor perdendo a ciência.

Andam presas fáceis por aí moribundas
Acreditando em farsas hedionda, imundas.

EM - ESTRELAS DE AFETO - CRISTINA MOITA - IN-FINITA

Segredos - ISABEL BASTOS NUNES

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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E no segredo de um querer bastante
Fundiam-se as almas nas manhãs salgadas,
E tomaram-se de amores,
E o desejo ardente
Vibrante e quente
Brotou como se fossem flores,
Num mar de madrugadas.

E fundiram-se num só.

E viviam a sós a febre das ânsias
Como se os corpos fossem fogo em brasas.

E tornaram-se-lhes os olhos em lágrimas
Na forma de um bailado ritmado,
De tal forma estranho e sem jeito
Que pôs entre os dois, um desejo insatisfeito
E quebrou-se o encanto que os unia.

E o segredo tornou-se mágoa
E a mágoa tornou-se agonia, ciúme e inveja
E, aquele amor inacabado morria
Como flor sem água, numa jarra sombria.

EM - ENTRE OS POEMAS... AS PALAVRAS - ISABEL BASTOS NUNES - IN-FINITA

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Passado feliz, futuro impossível - ALEXANDRE GERARDO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Os dias eram felizes,
Mas rapidamente se tornaram tristes e vazios
Quando te foste, quando me deixaste
Partiste sem aviso,
Como o meu coração
Em bocados pequenos e destroçados.
Não procuro sofrer, no entanto,
Tiraste-me a razão de viver
Que mais hei de eu fazer?
Sem futuro fiquei
Para o passado não há volta...
Resta-me apenas o presente
Um presente sem vida, uma vida sem alma, uma alma vazia
Alma essa que está a esvanecer
Isto tudo porque me sinto a morrer.

EM - AS DORES DE UM POETA - ALEXANDRE GERARDO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

A culpa é do cão - ELÍDIO ROSA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Há tempos, pedalando a bicicleta,
vi-te na rua à chuva, caminhando.
Puxavas pela trela um cão perneta
que atrás de ti ia coxeando.

Arranjei coragem e meti conversa
com a desculpa de saber do animal
e parados à chuva, sem ter pressa,
ficámos à mercê do temporal.

Com tatuagens e argolas no nariz,
tentei ter um ar “cool” e modernaço.
Queria chegar-me a ti e assim fiz.
Com a desculpa do frio, dei-te um abraço.

Então, quiseste saber do meu gosto
e o que fazia para me divertir.
Por causa dos enfeites no meu rosto
pensaste que ouvia música a partir.

Surpresa, quando disse o que gostava,
tu achaste que eu estava a brincar.
E, rindo-te, dizendo que troçava,
foste embora com o cão a manquejar.

Eu quero é que me deixem sossegado
a viver a minha vidinha em paz.
Por não gostar de rock, mas sim, de fado
não quer dizer que eu seja mau rapaz.

EM - POESIA COM HISTÓRIAS - ELÍDIO ROSA - IN-FINITA

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Poema de estacionamento - CAROLINA MANGANA MONTEIRO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Estalo o plástico de mais uma embalagem de medicamentos.
Abro mais uma garrafa para afogar meus lamentos.
Acendo mais um cigarro, cuspo o meu catarro,
Abro a porta, entro para o carro.

Os médicos tinham-me dito:
"O senhor assim não vai durar muito."
Pois então eis-me aqui: pobre, podre e careca,
A apostar com a morte em mais um jogo de sueca.

EM - HÁ QUEM NÃO ESCREVA POESIA - CAROLINA MANGANA MONTEIRO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Recomeçar - MANUELA DINIZ

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Recomeçar...
é a oportunidade de viver
sonhos adiados
que no tempo se perderam,
mas que nunca nos esqueceram!

Recomeçar...
é abrir o coração,
recuperar a ilusão,
fazer nova tentativa
de mudar algo na vida!

Recomeçar...
é arriscar,
perder o medo
de voltar a errar!
É a nós mesmo perdoar,
é reabrir segredos
libertar medos
e de cara e coragem
fazer nova viagem!

Que a cada dia que passa
possamos recomeçar,
sem medo de tropeçar!

E assim, escrever nova história,
com sorrisos e esperança
e sempre, sempre, sempre,
com muita confiança.

EM - ESSÊNCIA DE MIM - MANUELA DINIZ - IN-FINITA

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Ânsias - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Espreito
por janelas
entreabertas,
corpo
tenso e frio,
em busca
do desconhecido.
Ânsias
desmedidas.

EM - DAR VOZ A... - MANUEL MACHADO - IN-FINITA

Escrever com ou sem palavras - GABRIEL PENICHE

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

Sonhar, escrever, dizer,
Com ou sem palavras,
Aquilo que se sente
Bem dentro do peito.
E por gestos e olhares
Se deita a voar
Como o pensamento
Que alimenta o desejo oculto.
Transforma sem medo o modo de sentir,
O viver que extasia
E que em sonhos imersos,
Tal como as almas in versos,
Vive a felicidade
Que o mundo lhe oferece.

EM - ALMA IN VERSOS - COLECTÂNEA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

terça-feira, 23 de julho de 2019

(Im)perfeito - MARGARIDA SEIXAS


LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

 Sei que não encaixo,
Nem sigo o padrão.
Não faço bem feito, e ponho-me a jeito,
Das bocas que falam e me dizem que não!

Pinto esta vida
Com a minha cor!
Estampo a minha tela: borrões de aguarela!
Não decoro o texto nem sou bom ator!

Desvio das setas!
Foco na miragem!
Faço o meu caminho, errante e sozinho!
Em busca de pistas para esta viagem!

Se gostas aceita,
Segue em contramão!
Sigo o meu efeito, com ou sem defeito!
Se queres verdade, esquece a perfeição!

EM - III CONCURSO LITERÁRIO - ANTOLOGIA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Canção para um segundo abril - ALICE VIEIRA

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hei-de voltar contigo à terra do silêncio renovado
a escorrer
              morno
dos lírios das nossas mãos unidas

encheremos os olhos de raízes verdes
e as palavras de sangue
serão apenas o murmúrio original
dos rios que vão surgir
sob os nossos dedos

saberemos que é dia
e que o sol vai nascer pela primeira vez

EM - DE ESTARMOS VIVOS - ALICE VASSALO PEREIRA (ALICE VIEIRA) - IN-FINITA

É vão - MARIA DOLORES PITEIRA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Não te acredito
Acabei para ti.
Fingimentos sem sonhos,
Os sonhos estão frente a frente
Comigo. Meus.

E tanto que foste fútil.

EM - ABRAÇAR A LIBERDADE - MARIA DOLORES PITEIRA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Irrita-me - CRISTINA MOITA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Irrita-me tanto fogo
Irrita-me tanta desgraça
Porque é que não chegam logo
E acabam com a nossa raça.

Que raio de homem é este
Que não sabe o que é um filho
O que cá deixa é tão agreste
E nem lhe mede o rastilho.

Já comeu tanta poupança
E nunca cagou um troco
Fica-lhe tudo na pança
E julga que traz um cachopo.

EM - ESTRELAS DE AFETO - CRISTINA MOITA - IN-FINITA

Deixei - ISABEL BASTOS NUNES

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Deixei que as minhas mãos se entrelaçassem nas tuas
E esperei que o teu olhar se virasse para mim com ternura
Como era teu costume à espera do meu consentimento
Como sempre te era esperado e desejado,
Mas a tua mão ficou inerte, como inerte ficou o teu olhar
E nem sequer para mim sorriste, como era habitual.

E então, lembrei-me das nossas risadas, dos pequenos
e subtis encostos
Na cumplicidade de uma rebelde fantasia, enquanto me
afagavas o cabelo, e ríamos por tudo e por nada, numa
ingénua felicidade, ignorando os perigos que nos eram
reservados.

Agora,
Ah! Agora parecemos dois manequins de loja, estáticos
e parados, com os dedos tocando-se ao de leve, sem
nenhuma emoção, completamente gelados como se fora
pelo vento gélido do Norte.

Sei agora o que há tanto tempo me querias dizer e hesitavas
sempre que o querias fazer,
Porquê?
Porquê tanta espera para me dizeres que te ias embora?
Olha,
Quando fores, sai de noite ou de madrugada, quando
eu estiver a dormir, deixa a tua roupa espalhada, o perfume
que tu usas, e o som das tuas gargalhadas... que eu,
Eu vou fingir que não dei por nada.

EM - ENTRE OS POEMAS... AS PALAVRAS - ISABEL BASTOS NUNES - IN-FINITA

Sombras - MIGUEL FITAS FERREIRA

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Contornos que nos fazem querer parecer ser,
Nuvens pretas que nos fazem adivinhar.
Tão grande é a sua ausência de caráter,
Que desaparecem se luz houver no seu lugar.

EM - A LUZ POUCA QUE NOS VÊ COM RAZÃO - MIGUEL FITAS FERREIRA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

domingo, 21 de julho de 2019

Vivo no silêncio - LUIS VILHENA

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Vivo no silêncio,
Minha alma afogada.
Uma mulher separada
Nesta sociedade aprisionada.

Olhares descriminantes,
Desnuda-se o corpo de uma mulher.
São tantos os homens ignorantes
Que não a sabem acolher.

Sou vítima,
Forçada e amarrada
Numa sociedade que se diz avançada,
Toda a mulher deveria ser honrada.

EM - PALAVRAS VIVAS - LUIS VILHENA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Quando eu for brisa - SHIRLEY PINHEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA AUTORA

Quando eu for brisa
e você sentir um leve
toque em seus lábios
serei eu depositando neles
os beijos que a vida
não me permitiu lhe dar!

EM - MERCÚRIA - SHIRLEY PINHEIRO - CATALINA EDIÇÕES

Recife e suas palafitas - CARMEN LÚCIA DE QUEIROZ PIRES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Como um quadro famoso
Uma pintura a óleo
Recife teus espigões
Se sobressaem
Como emergindo do rio Capibaribe!

O Sol espelhado nas águas
Um rio de cores cintilantes
Enaltecido em rimas, trovas e versos
Na história e geografia

Também!
O leito que corre para o mar
Pontes centenárias,
Palafitas que te margeiam
Onde convivem misturados
Ratos e gente

Assim!

Queria ser alguém para nesse rio,
Onde sobrevivem vidas e sonhos,
Não permitir a dor e o mal
Que trazem essas palafitas

Assim! Também!

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

A calma da minha terra - ELÍDIO ROSA

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Agradeço ao meu destino
por me ter feito quem sou.
Agradeço pela sorte
com que Deus me abençoou.

Quis a sina que eu nascesse
em terras de verde e ouro
onde o forte sol de agosto
transforma o trigo em tesouro.

A calma da minha terra
é suave como um beijo.
Não posso viver sem ti
ó, meu querido Alentejo.

Sinto em mim desde criança
uma grande inquietação,
uma dolência na voz
e o fado no coração.

Canto, desde que me lembro,
a alma de um povo triste,
“Cantes” que curam a dor
que dentro da gente existe.

A calma da minha terra
É suave como um beijo.
Não posso viver sem ti
Ó meu querido Alentejo.

EM - POESIA COM HISTÓRIAS - ELÍDIO ROSA - IN-FINITA

sábado, 20 de julho de 2019

Amigos - MANUELA DINIZ

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Amigos...
São como pedrinhas coloridas
que enfeitam a nossa vida.

Com formatos
e cores diferentes,
mas sempre presentes.

São como joias valiosas
de valor incalculável!

Ter um amigo
é ser rico...
rico de afetos!

É rir e chorar!
É dividir e apoiar!

Amigos são pedrinhas coloridas
que fazem mais linda a nossa vida.

EM - ESSÊNCIA DE MIM - MANUELA DINIZ - IN-FINITA

Alegria - VIEIRINHA VIEIRA

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O meu peito transborda e na borda sobra
O amor de uma primavera
Livre, fresca e solta.

Sabendo que só meu teu porto,
Prende, solta e viaja...

Nele seu amor é teu amor
Dois corpos num só peito!

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Invisibilidade - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR ADRIANA MAYRINCK

Olho através de reflexos
Invisibilidade
A luminosidade escaldante queima a retina
Não faço parte desse mundo incandescente
- Busco refrigério no vento
Aquele que leva para longe
- O pensamento
Busco um novo tempo
- De luz
Onde os caminhos são floridos e a melodia sentida
De perfumes suaves e sensações infindáveis
De abraço e sorriso
Onde o olhar se funde no outro
E os beijos embriagam a alma
Me sinto assim - em seus braços
Mas a vida consome as horas
E arrancam-me do abrigo
Jogo-me no asfalto e sigo pelo ar abafado
De olhares perdidos e mal-entendidos
A ilusão é a embriaguez de um tempo que não existe
Sigo arrastando correntes
O mar me seduz e me convida - hipnotiza
O que não faz sentido me proíbe
Estou aqui
No ar frio, entre quatro paredes e uma porta aberta
Que me aprisiona em grades invisíveis
É necessário esquecer a poesia
- Fincar os pés na materialidade da existência
Mas ainda posso sonhar
Fecho os olhos retornando ao lugar de instantes
Sedenta... caminho por labirintos
Encontro-me em sua boca

EM - LIVRO ABERTO 2019 - COLECTÂNEA - EDIÇÃO DE AUTOR

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Varreduras (excerto) - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Acordo a pensar na faxina diária, rotineira.
Calcorreio ruas cobertas de folhas outonais,
Soltas de galhos secos anunciando invernias,
Amontoadas por ventos em noites frias.

Dobro esquinas com caixotes atulhados
Esventrados por mãos rudes e ávidas,
Famintas às côdeas desprezadas por saciados
Sequiosas por gotas deixadas em vasilhames.

Entro em pátios com cheiros de violência
Onde a gritaria denuncia intolerâncias vis
Sinto a pairar no ar insultos e sarcasmos
Das gentes cansadas das misérias da vida.

Desemboco na praça, hoje cheia e ensolarada.
Há velhos quedos a armazenar aquecimentos
Olhares fixos em águas paradas do lago existente
Apenas mecânicos à inspiração de agradáveis fumos.

Crianças que ondulam em baloiços multicolores
Mães zelosas de sorriso largo às infantis diabruras
Melros saltitantes, periquitos de galho em galho
Sons e gritarias abafam o raspar da minha vassoura.

Nesta quotidiana faxina vou construindo varreduras,
Casculhos misturados às beatas desprezadas,
Papéis alvos ou escritos rasgados ou amarfanhados,
Restos e lixos do dia-a-dia na vida das gentes.

Finda a jorna há carreiros de montículos formados,
Folhados antes viçosos agora secos e mortos,
Pressinto corjas de segredos, gemidos e queixumes,
Limpo e dou esperança à renovação do amanhã!

EM - DAR VOZ A... - MANUEL MACHADO - IN-FINITA

Herta M. - VALESKA BRINKMANN

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Herta M. escreveu que o ditador
tinha um topete
eu odeio ditador ainda mais com topete
esse topete olhava o país todo todos os dias
ela falou da poeira das ruas e de blocos residenciais
e eu estava ali também
nos prédios de chapa ondulada
onde acordei sonâmbula
na noite que se rasgou
o presidente atual tem cabelo liso ensebado e pele
seca esturricada e uma boca caverna onde saem palavras imundas
Herta M. escreveu que o medo é uma lagarta
se fingindo de morta.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Dependência - GONÇALO MIRANDA

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Circe que me conheces
Vinde com tua magia
Atrai-me para teu covil
O que nenhum homem veria.

Guia-me em pensamento
Como Neptuno guia o mar
Segue meu movimento
Deixa-me entrar
Colmatar
Falhas de nada
Em corpo de tudo.
Far-me-ei à estrada
Sede minha vigia
Minha alvorada
Que me conforta
Que me guia.

Abro-te o coração
Sede meu sorriso
Minha lamentação
Minha fraqueza
Minha coragem
Minha aventura
Minha doença
Minha cura.
Mantém-me descansado
Tenho medo
Mantém-me enfeitiçado.

EM - BRINCADEIRAS A SÉRIO - GONÇALO MIRANDA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Primeira folha dum diário esquecido - ALICE VIEIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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hoje
prometi amar
como se a minha ternura bastasse para justificar
as cruzes
             as tempestades
                                  o cansaço

e aquele menino a soluçar perdidamente
             no meu silêncio

EM - DE ESTARMOS VIVOS - ALICE VASSALO PEREIRA (ALICE VIEIRA) - IN-FINITA

Bromelia - VALÉRIA VICTORINO VALLE

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Eu sei dos dias infelizes
nos bares de uma esquina qualquer.
Eu sei dos goles enfileirados nos copos
em busca de uma fuga qualquer.
Eu sei dos seus ninhos
nos braços de uma outra qualquer.
Eu sei dos seus encontros escondidos
nos quartos de um prazer qualquer.
Mas também sei,
de uma pequena flor colorida,
aparecida, mas ainda não acontecida,
gravada na memória enrijecida,
proibida a quem a quer...
Uma doce ilusão que
exala um perfume estonteante
que ninguém pode sentir.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

XXX - MARIA TERESA DIAS FURTADO

Depois de ver o filme de acção com os amigos no
Cinema o poeta pensou que lhe tinham fugido todas as
Imagens, as que são carne e sangue dos seus poemas,

As que vão para lá do horizonte, a caminho do mar.
Mas lembrou-se dos chocalhos das ovelhas cuja pele
Pode servir para os pergaminhos

E foi para o teclado tentar tocar cravo nas palavras.
Conseguiu a breve trecho. Também quis comemorar
Uma notícia muito grata que teve antes do filme: a
Alegria tão desejada de uma família dera-se por fim

E os corações transformaram-se em Hinos.
O poeta adormeceu feliz por ter insuflado nos versos
A sua própria respiração.

EM - ONDE O POETA MORA - MARIA TERESA DIAS FURTADO - POÉTICA EDIÇÕES

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Se eu pudesse - CRISTINA MOITA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Enquanto alguns se proclamam como heróis
Verdadeiros heróis, desidratam sem afeto
Que mundo é este onde existem tantos sóis
E de clareza só um sol nos faz de teto.

Serei eu gente no meu canto tão calada
Poça poética, água salgada, rezando nada!
Nesta desgraça não me contem de fachada
Pois apenas quero a felicidade e a gargalhada.

Se eu pudesse dava ao mundo tanta caneta
Para ver o céu analfabeto em poesia,
Onde os erros são apenas um cometa.

E não os enganos onde o humano se procria.
Se existem estrelas é lá no céu que ninguém viu
Onde outras estrelas irão brilhar sem desafio.

EM - ESTRELAS DE AFETO - CRISTINA MOITA - IN-FINITA

Entrega-te por inteiro - TITA LEAL

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Entrega-te a mim por inteiro
Não me contento só com pedaços de ti
Passeia no perfume do meu corpo
Regressa à imaginação que paira em mim
Prenda-me com a fartura dos carinhos
Que outrora senti
Entrega-te por inteiro
A esta saudade em devaneio
Que tenho de ti
Mostra-me as estrelas
E o teu paraíso secreto
Prende-te ao meu beijar em candura
Abre-te às emoções de um amor completo
Que este meu corpo em desejo
No teu procura
E em ternura
Espraio-me no teu saber
E deixo acontecer
Entrega-te por inteiro

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Quando o amor e o silêncio são versos - ISABEL BASTOS NUNES

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Instantes que não se cruzam
Bocas que não se beijam
Inconstâncias cheias de lasciva
Olhos que não se fixam.

Versos que não se escrevem
Sentidos perdidos no corpo...

Sonhos que se passam para a escrita
Enigmas que valem mais que uma palavra
Desertos que não se ultrapassam
Sede que nos rodeia por todo o lado.

A morfologia da vida que aprendi
Dilacero-a como quero, como tecido esquartejado
Em pedaços, cosidos à mão de qualquer forma
Não havendo sequer algum esquema, fórmula ou dimensão
Nem régua nem esquadro, tão simplesmente
Como versos escritos à mão.

E o silêncio impera, porque o amor se faz e o desejo
antecipa
Qualquer pensamento.

Quando o amor e o silêncio são versos
A humanidade se modifica.

EM - ENTRE OS POEMAS... AS PALAVRAS - ISABEL BASTOS NUNES - IN-FINITA

terça-feira, 16 de julho de 2019

A ti - ELÍDIO ROSA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Estando só neste mar gelado
liberto a dor em lágrimas quentes,
indo de norte a sul ao sabor da maré.
Divago, à deriva, sonhando acordado
iludindo meus sonhos conscientes
orando, ainda que não tenha fé.

Bendigo o lugar em que te vi,
onde pela primeira vez te abracei.
Nunca senti na vida tal calor!
Foi ali que de amores me perdi,
e eterna paixão te dediquei.
Mais do que paixão, foi amor.

Dói-me agora tanto a tua ausência,
O estar longe de ti, fisicamente...
Só posso pensar, amor: é penitência
que me vai matando lentamente.

São muitas milhas a separar...
Aguardo ansioso o teu sorriso.
Nada me dará mais prazer!
Ter-te nos braços para te amar,
olvidar o castigo no paraíso,
sonhar em teu corpo, desfalecer.

Rogo a Deus que nunca se acabe
O doce mel que em mim derramas
Suco da paixão morno e suave
Assim provando o quanto me amas.

EM - POESIA COM HISTÓRIAS - ELÍDIO ROSA - IN-FINITA

Alma rasgada - ALEXANDRE GERARDO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Dor constante... dor sinto pesar
Dói pensar
O passado massacra, tortura, destrói
O corpo e a alma corrói
Para sempre até ao fim
Com o tempo se esquece
O bom desaparece, o mau permanece
Lentamente, vagarosamente, desvanece...

EM - AS DORES DE UM POETA - ALEXANDRE GERARDO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Liberdade, canto e dança - TEREZINHA MALAQUIAS

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Liberdade, canto e dança.
corpo que caminha,
voz que fala,
que canta.
Corpo livre
que se libertou das algemas
que amarram e limitam o ser.
Liberdade, canto e dança
é soltar-se no ar,
bailar no ar,
no azul transparente
do palco iluminado
que ilumina a vida
e dá liberdade ao ser.
Liberdade, canto e dança.
Mulheres e homens negros
que encenam, cantam e dançam
a sua vida passada,
presente e futura.
Liberdade, amor,
canto, sublimação,
dança, corpo-prazer.
Toques do ser,
movimentos, gestos do ser
num reencontro com suas vidas,
seus antepassados, suas raízes.
Liberdade, canto e dança
é a busca constante da vida,
é o renascimento da vida,
é o parto que cada um faz
em si mesmo e renasce
livremente com as próprias mãos.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Passatempo - JOSÉ LUIZ MELO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELO AUTOR

Se tem que ser Finito, seja breve,
apenas, mais um entretenimento,
passe tão leve como um ultraleve,
ou uma pena alçada pelo vento.

Se tem que ser Finito, seja leve,
não deixe marca de ressentimento,
seja discreto, como faz a neve,
que desmancha e não mancha o calçamento.

Se tem que ser Finito, não perdure
com a preocupação que o tempo dure
um milésimo a mais que dura o tempo.

Se tem que ser Finito, prove agora,
que o sabor mudará em outra hora.
Se tem que ser Finito - é Passatempo.

EM - SEGUNDO LIVRO DOS SONETOS - JOSÉ LUIZ MELO - NOVOESTILO

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Olha para mim - CAROLINA MANGANA MONTEIRO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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Olha para mim
Ou então para as estrelas,
Fiquemos os dois, ignorantes,
Calados, a vê-las.
O nosso fado pode estar partido,
E o passado pode ser mentira,
Desde que fiques para sempre
Na voz da minha lira.
E eu não peço mais
Além de que te lembres de mim.

E, se deixar de ser tua,
Lembra-me assim:

A contemplar a lua.

EM - HÁ QUEM NÃO ESCREVA POESIA - CAROLINA MANGANA MONTEIRO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Luas - TÂNIA DINIZ

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na lua nova
de recurvo brilho
a paixão renovas

no meu céu
de cio crescente
a chama alteia

e serpente e sereia
me encontro vindo:
lua cheia

E quando, bacante,
mesmo minguante,
me prendes a cintura
na quadratura de cada mês,
a cada vez,
desvendas com arte
a sanguínea face
de minha lua escarlate.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Quem dera... - MANUELA DINIZ


LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Quem dera
ter eu a leveza do vento
e sair por aí sem destino,
sem pressa,
sem hora,
sem tempo

Sobrevoar oceanos
não havendo nem longe
nem perto,
soprar as folhas dos campos
e as areias do deserto

Soprava o pólen das flores,
as nuvens dissipava
e quando a noite chegasse,
nas cearas me deitava

Acordar,
espreguiçar,
sorrir
e com outro alento
correr,
saltitar,
voar...
voar mais rápido do que
o pensamento

Quem dera...
tivesse eu a leveza do vento.

EM - ESSÊNCIA DE MIM - MANUELA DINIZ - IN-FINITA

domingo, 14 de julho de 2019

Cuida de mim até que feneça - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Estou lúcido e sóbrio.
Sinto-me em paz e sereno
Quando te pressinto a meu lado.
Quando em delírios ou alucinações
Viajo por inóspitos montes e verdejantes vales,
Imaginando paraísos sonhados
Sempre com a tua anuência e concordância,
Tantas vezes contrária aos teus pensamentos.

Não te reconheço nunca a contradição
Impera a distracção sem argumentos.
Respeitas minhas infantilidades jamais perdidas
Evitas-me vergonhas, desapontamentos, quiçá depressões.
Nunca senti críticas às minhas erradas atitudes,
Aplaudes e incentivas comportamentos certos.

A memória atraiçoa-me vezes sem conta
Evitas exigir lembranças vividas
Apenas ajudas a reaver recordações.
Tornei-me repetitivo, inevitavelmente cansativo
És poço sem fundo de paciência.
Desejo-te convicto e com essa firmeza
Até à certeza dos meus últimos suspiros.
Cuida de mim até que feneça.

EM - DAR VOZ A... - MANUEL MACHADO - IN-FINITA

Marielle presente - SOLANGE PADILHA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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O eco da fala propaga a onda
desdobra clamor
o corpo em mil pedaços rodopia
expande
Marielle presente.
Ela não é mais a que desce ladeiras sorrindo
mas a força da Maré que vem
e vira becos ruas avenidas
ondas de mulheres,
mães e filhas,
avós
muralhas que se erguem
aos cartuchos apontando
casas e corpos adolescentes.
Seu corpo estilhaçado no pano de boca da história
É a voz que clama
É a favela
e
o que dela
revivem
poética e resistência
rodas de conversas

Marielle
Eu Comum
matéria e fogo
nome que não morre
entre nós multiplica
Claudias, Suelis, Elisas,
Renascentes girassóis
Resistentes à barbárie
Presente

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Lua cheia - CELSO CORDEIRO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

É noite de Lua Cheia...
a primeira depois da última Lua Cheia
e, no entanto, ela é tão diferente
apesar de igual para tanta gente.

Na beleza desta Lua Cheia,
o meu pensamento vagueia
enquanto a olho da minha janela
e vou procurando uma Estrela...

Descansa em Paz!

EM - ALMA IN VERSOS - COLECTÂNEA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA