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sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Entre Mares e Rios, a Poesia! - RITA BRÍGIDO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Sobreviventes?
Meu poema...
teu poema...
nossos poemas...
em garrafas-estrelas
lançadas ao mar...
ao além-mar.

Bilhetes de náufragos?
Oferendas?
Lanternas-da-boa-sorte?
O que todos pensarão?
Confundirão mar e céu
no horizonte sem linha...
na linha sem horizonte.

Mas basta que o primeiro leitor
colha, da maré,
a primeira das garrafas...
e descobrirá o clamor
do meu poema,
do teu poema,
dos nossos poemas!

Só então, por milagre
dos olhos de um leitor,
nossas mensagens ao mar
serão, enfim, lanternas...
serão, enfim, estrelas!

Sobreviventes???
Sobrevive a POESIA!!!
Não apenas nos mares!

Sobrevive a POESIA
na mulher-Amazonas,
na mulher-Tocantins,
na mulher- São Francisco,
na mulher-Paraná,
na mulher-Tejo,
na mulher-Mondego,
na mulher-Sado,
na mulher-Guadiana,
na mulher-Douro.

Mulher água doce... e correnteza!
Mulher água forte... água VIVA!
Mulher rio... MULHERIO!!!

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Dos esforços para perder a esperança - RITA BRÍGIDO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Penetro a palavra,
na ânsia de que a dor não fique muda.
Minha palavra nada muda!
Mas continuo tropeçando dentro dela;
e ela, buscando-me dentro de mim.

Quando tresloucada
pelo desespero de desesperar
minha própria esperança,
flagro-me em desvarios
de extirpar a palavra de minhas entranhas
sem (com) dó e piedade!
O homicídio da palavra? Meu suicídio!!!
Apenas expulso-a, enfim! Aparto-me de mim!!!

A palavra vagueia por entre a densa
fumaça da rua deserta de risos.
Larga-se em um dos bancos da praça.
Enodoa-se dos bagaços das frutas despencadas
das árvores, na noite insone do ocaso dos almejos.
Pela manhã, passos lentos...vestes encardidas.
Mas teima-lhe o ser em, ainda, ser!
E, de tão inútil, a despeito dos meus esforços, retorna...
com o corpo coberto de sementes...da esperança que perdi.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS V - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 25 de outubro de 2020

Sororidade - RITA BRÍGIDO

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Sóror... irmã... caíste da escada?
Como assim??? Não tenhas medo!
Não guardes segredo! Conta para mim!

Sóror... irmã... não estás sozinha!
Se um homem pode ser irmão
de outro homem... tua mão
pode segurar a minha!!!

Sóror... irmã... precisas fazer um exame...
de corpo de delito. Não! Não é vexame!!!
Não há delito em exigir RESPEITO!!!
Não há delito em bater no peito,
clamando por DIGNIDADE!!!
Não há delito em acusar
pela voz da VERDADE!!!

O delito é dele, não teu!!!
A vergonha deveria ser toda dele (não tua!) ...
em ferida aberta... na carne crua...
e, como eterno alerta, a profunda cicatriz!
Não! Não há delito em LUTAR para ser FELIZ!!!

VEM! E que tua nova vida, também, venha!!!
Vamos RECOMEÇAR! Colocar lenha
na fogueira ardente dos nossos temores.
Vamos fazer ciranda de sonhos e de amores,
sob a sóror lua, irmã das estrelas.

Solidão é forca! ALIANÇA é FORÇA!!!
Vamos dançar com todas as nossas irmãs,
compartilhando lágrimas... risos...abraços!!!
Corrente de RESISTÊNCIA... REDE DE LAÇOS!!!

Vamos fazer MANDALA
com nossos versos artesãos
de LUTA, BELEZA e HARMONIA!
Somos POESIA!!!
POESIA de almas cirandeiras
no círculo de nossas energias múltiplas e unas!
Autênticas companheiras,
compreendendo nossas lacunas,
respeitando nossas diferenças,
aprendendo a cooperar!!! AMAR!!!
Rompendo paradigmas! Destruindo opressões!!!
Minha irmã... minhas irmãs, unamos os corações!!!

Sóror... sorri, irmã! Existe o AMANHÃ!!!
Ele nasce do hoje... desta corrente infinda!
Sempre ouviste: ‘A fraternidade é bela!’
Vem descobrir: A SORORIDADE é lindaaaaa!!!

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÂNEA - IN-FINITA