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quinta-feira, 28 de abril de 2016

XXVIII - DANIEL AFONSO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

como se cinzelam as letras
como se forma o mistério
das palavras

não sei
explicar mistérios
universos insondáveis
cânticos vulcânicos
da terra interior
tão-pouco
o assobiar do vento
as fúrias do mar
as alturas da montanha
o esvoaçar das aves
na suavidade dos fins da tarde
não te sei dizer
como se constrói
o poema
não te sei explicar

contemplo apenas

EM - DIAS DE SETEMBRO - DANIEL AFONSO - UNIVERSUS

sábado, 9 de janeiro de 2016

II - DANIEL AFONSO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

pensar breve
este tempo
passar devagar
cada momento
como uma eternidade
olhar em cada gota
o oceano imenso

estou nesta brevidade
passagem
meditada dos sentidos
revisito-me
numa esperança acordada
cada instante
cada hora

penso o tempo
no olhar de todos os mundos
na luz do acordar
no acontecer da noite

EM - DIAS DE SETEMBRO - DANIEL AFONSO - UNIVERSUS

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

XIV - DANIEL AFONSO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

entra devagar
com o gesto suave do teu corpo
entra pela água morna do mar
ao fim da tarde
mergulha e serpenteia o teu corpo
desce tranquila para a profundeza
esperam-te os cardumes
deixa que te desenhem as curvas do corpo
deixa-te abandonada ao prazer
beijos aquáticos
água que te invade
concavidade íntima
lentamente
sobe
conta-me como é a luz
colorida das algas

desce ao fundo de ti mesma

EM - DIAS DE SETEMBRO - DANIEL AFONSO - UNIVERSUS

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

LXXI - DANIEL AFONSO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
o som daquela flauta
pôr-do-sol
oriental
daquele palácio
honra de um amor dorido
som celestial
dourado
palácio branco

o som da flauta
oriente dos sentidos
profundo glorioso
daquele palácio
mulher adormecida

paixão intemporal
música de luz
onde se glorifica a eternidade

EM - DIAS DE SETEMBRO - DANIEL AFONSO - UNIVERSUS

terça-feira, 24 de setembro de 2013

XXIV - DANIEL AFONSO

percorri a tarde imensa
junto ao rio largo
tardes de domingo de outrora
senti o teu perfume
penso que aquele gesto ao vento seria o teu
não te vi
adivinhei-te apenas
incerteza do sentido
acariciei-te a alma
quando te percorria o veludo da tua pele

largo é o rio
larga é a memória dos teus gestos
na torrente das águas

EM - DIAS DE SETEMBRO - DANIEL AFONSO - UNIVERSUS

sexta-feira, 19 de julho de 2013

XLIII - DANIEL AFONSO


disseste que era o findar do dia

é o acordar da noite
como o dia
dorme enquanto a luz incendeia a terra
luz vertical
deslizante
ao fogo crepuscular
vives onde a noite acorda

mar imenso

largo e espumoso
vagueias pelo final da tarde
despedes-te da luz
recebes a noite que acorda do seu silêncio
a noite é uma infinidade de estrelas
astros pendurados nas órbitas celestes

a noite acorda
nascerá o dia pleno

EM - DIAS DE SETEMBRO - DANIEL AFONSO - UNIVERSUS

terça-feira, 4 de junho de 2013

XXXIV - DANIEL AFONSO

carregas
todo o peso do mundo
fardo da tua existência
medos
pesadelos
angústias
perdeste-te
no lamaçal

águas turbulentas
azedaste a vida
rosto de infelicidade rugosa
gestos atribulados
aflitos
vives
tão somente
o passar dos dias

carregas esse fardo
queixas dessa existência obscura

EM - DIAS DE SETEMBRO - DANIEL AFONSO - LUA DE MARFIM