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segunda-feira, 16 de março de 2026

Dócil - Fernando Silva

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Dócil a lua se deita
Nos lençóis da madrugada
Tão só o amor espreita
No quarto da minha amada

Num desejo que se expande
Enquanto a lua sorri
O nosso amor é tão grande
Mas eu nunca me perdi

Trago sorrisos no rosto
Que alimentam minha alma
Adoro o teu fogo posto
Que meu coração acalma

E subo à serra
Neste monte onde te vejo
Na minha terra
Trago para ti este beijo

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

sábado, 1 de março de 2025

Decrépita fechadura - Fernando Silva

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Decrépita fechadura que tanto te prende
Como grilhetas intransponíveis do Castelo
A grande vontade que em ti se expande
Na diáspora vertente de como protegê-lo

A noite chora lágrima sentidas de pranto
Ouvem sombras garridas da madrugada
O Monge protege a vida com seu manto
A Haia chora convulsa e desesperada

O Rei partiu para bem longe foi caçar
Levou consigo imprescindíveis aliados
O poeta dedicou a poesia ao verbo amar
Redigiu poemas para a realeza revigorados

Uma chave velha compunha esse mote
Dum conto de fadas deveras antiquíssimo
Trovador desenhava habilmente sua sorte
Desejando que a Rainha fosse no realismo

Ao encontro da mais subtil e dócil poesia
Escreveu na chave do cinto de castidade
Cortejou a Rainha com enorme mestria
Ofereceu-lhe a mais ditosa liberdade

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS IX - COLETÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

Fado Marujo (Marujo português) Fernando Silva

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Quando te abraça, o marujo português
Deixa sempre uma chalaça, para repetir outra vez
Vai à janela, atira beijos para ela
Essa tão linda donzela, com sotaque português

Desceu da Graça e passou Alfama inteira
A sorrir para quem passa foi ao Cacau da Ribeira
As pataniscas com o arroz de feijão
Salada batatas fritas e a sardinha no pão

Quando te abraça, toda a gente comenta
Faz de longe uma chalaça, lembra os anos sessenta
Vai de mansinho pelas escadas da vida
Atira sempre um beijinho sem reparar na subida

Quando te abraça o Marujo português
Leva com ele toda a graça sempre atento às marés
De olhar gingão no convés ou na proa
O Marujo brincalhão parece outra pessoa

EM - O FADO MORA AQUI - FERNANDO SILVA - IN-FINITA

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Fado Marana (Olhar horizontes) - Fernando Silva

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Despertar em mim toda a saudade
O desejo de reviver esses momentos
E voltar a brincar pelas ruas da cidade
Pra ouvir os silêncios desses lamentos

À vida prometer eterna lealdade
Trazer felicidade cada esquina
E nossas ruas presentes em liberdade
Guardar luz viva dessa varina

Acreditar que a vida nos comove
Nos momentos lindos sobre areia
Num olhar doce aos céus dizer que chove
Beijar a tua face à lua cheia

Olhar meu horizonte ser feliz
Acarinhar as ruas do teu corpo
Como era lindo aquele petiz
Voltar ao teu colo, esse conforto (bis)

EM - O FADO MORA AQUI - FERNANDO SILVA - IN-FINITA

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Fado Licas (Pétalas dessa flor) - Fernando Silva

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Por entre as persianas desse olhar
Brotam olhares belos e tão sofridos
Que deixam infeliz o meu brilhar
E vão ao encontro dos sentidos

Desci a ladeira dos teus sonhos
Provei água pura dos teus lábios
Sonhei esses momentos tão risonhos
Gravei sentimentos tão sábios

Barco atracado à nossa espera
Dois remos aguardavam docemente
Que nas margens do rio, a primavera
Beijava as folhas soltas, livremente

Navegam lentamente pro futuro
Crescendo nas paixões deste amor
Nasciam flores lindas, amor puro
Por entre as pétalas dessa flor

EM - O FADO MORA AQUI - FERNANDO SILVA - IN-FINITA

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Fado Ginguinhas (Desabafo) - Fernando Silva

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Era janeiro estava um frio de rachar
Saiu de casa foi pra loja trabalhar

Pelo caminho encontrou o seu vizinho
Deu-lhe boleia lá foram a conversar (bis)

Então vizinho como vai a sua vida
Pergunta o Zé curioso ao seu amigo

Está tudo bem, mas estamos de saída
É a razão porque quero falar consigo (bis)

Então amigo que se passa companheiro
Não me diga que pensa emigrar

Sim, vou tentar ser feliz no estrangeiro
Aqui não dá, não me consigo safar (bis)

Os filhos crescem e casa é tão pequena
E precisamos d’alguma privacidade

Mas emigrar será que vale a pena?
Pergunta o Zé com casa na cidade (bis)

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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Fado Idanha (Tempos risonhos) - Fernando Silva

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Quem dera que meus sonhos
Fossem pura claridade
Momentos de saudade
Voltarem os tempos risonhos

Adoro aquela mulher
Que amei como a ninguém
Não é um amor qualquer
É amor de minha mãe

Sonho com nossa casinha
Está sempre em ar de festa
Podia ser bem pobrezinha
Não há casa como esta

Primeiro amor da vida
Aquele mais profundo
E em ti foi concebida
A melhor mãe deste lindo mundo (bis)

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sábado, 1 de fevereiro de 2025

Fado das Juras (Juro beijar tua boca) - Fernando Silva

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Juro nunca mais aqui ficar
Falar do que foi o teu passado (bis)

E que jamais irei compartilhar
Assuntos que falam do teu fado (bis)

Juro cumprir com as minhas juras
Falar a verdade do que se passou (bis)

E deixar para longe as amarguras
Amar-te como ninguém te amou (bis)

Eu juro não perceber tantos porquês
E falar constantemente desta vida (bis)

Ouvir falar verdade por uma só vez
Chamar-te para sempre minha querida (bis)

Juro dizer teu nome em oração
E beijar tua boca purpurina (bis)

Trazer-te em meu doce coração
E no sabor dessa boca de menina (bis)

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domingo, 26 de janeiro de 2025

Fado das Horas (Duas crianças) - Fernando Silva

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Duas crianças brincavam
Á beira daquele rio
E seus pais caminhavam
Admirando o navio

De cada lado da linha
Olhavam aquele horizonte
E nenhuma delas tinha
Conhecimento do monte

Que ninguém sabe o destino
Nem conhece a razão
Na bolsa deste menino
Não há pedaços de pão

Choravam por não ter pão
Entre o frio e o calor
Viviam na gratidão
À procura desse amor

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terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Fado Franklin Quadras (O amor ficou contigo) - Fernando Silva

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Passámos noites perdidas
Ao encontro desse amor

Falámos das nossas vidas
Entre desprezo e a dor

Nos caminhos d’aventura
Rezam preces a teu lado

Falámos da amargura
Do nosso tempo passado

O tempo ficou comigo
Contigo ficou a razão

E este amor ficou contigo
Nos males do coração

Naqueles lugares do passado
Não te esqueças por favor

Estou mesmo a teu lado
Nas loucas noites de amor

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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Fado Fé (Madrugadas despidas) - Fernando Silva

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Lindas vozes nas madrugadas
À procura de outras vidas
Trocamos olhar brilhante
Ouvi vozes caladas
Nas madrugadas despidas

Janelas com tabuinhas
E a cadeira à porta
Nem mesmo na calada da noite
Eu posso até levar açoite
O que disse não te importa

Labaredas dessa tua chama
Construídas na fé que o tempo
Arde no fogo esperança
Nas cinzas de quem tanto ama
Seguem nas asas do vento

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sábado, 11 de janeiro de 2025

Fado Esmeraldinha (Saudades minhas) - Fernando Silva

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Talvez que regresse pela noite fora
E digas a esse tempo que passou
Amor posso partir a qualquer hora
Mas deixo o silêncio que aqui ficou

Não digas ao vento norte, que eu parti
E nem quero companhia ao meu lado
Se ontem foi por ti que eu tanto sofri
Hoje não desejo aquele rude passado

Traga a meus braços a lembrança
Naqueles momentos que contigo partilhei
Quem me dera voltar a ser criança
Beijar essa mulher que tanto amei

Se um dia voltar, tenho a certeza
Que tu não estarás à minha espera
Irei contemplar a natureza
E desejar que chegue a primavera

Pelos canteiros daquele caminho
Regarei as flores mais daninhas
Com lágrimas de fé e de carinho
E deixarei ali saudades minhas

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Fado Dois tons (Até a água do mar) - Fernando Silva

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Procuro naquela rua
Esse olhar bonito
Essa vontade só tua
De veres o infinito

O olhar à janela
Onde olhas o mundo
Mas que visão foi aquela
Naquele olhar tão profundo

Até a água do mar
Mudou a sua linda cor
No teu sublime olhar
Quero tanto ao amor

Corre rio de mansinho
Passa entre vales e montes
E encontra pelo caminho
Teus olhos são duas fontes

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quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Fado Corrido (Diz à noite) - Fernando Silva

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Sentimentos de quem passa
Navegam horas soltas comigo
O luar que nos abraça
Fica na noite contigo

Não me chames noite fria
E nem sequer sou descontente
São laivos d’Agonia
Porque quero ver-te diferente

Diz à noite que traga
Pelas sombras da madrugada
Quando a luz se apaga
Nestes ecos pela calada

Desejo poder um dia cantar
O fado fora de portas
Para convosco poder partilhar
Este fado pelas horas mortas

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quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Fado Cigano (Sonho) - Fernando Silva

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Caminhou a noite inteira
Passou no Cais da Ribeira
Para ver aquele olhar

Esses dois olhos ciganos
São dois franciscanos
Para a verem passar (bis)

Pediu ao céu em oração
E a porta do coração
Foi aberta de par em par

E começou nova aventura
Com esses gestos de ternura
Existem p’ra te amar (bis)

Olhou o Cais da Ribeira
Lembrou-se daquela ladeira
Onde brincou em criança

Beijou os lábios risonhos
E acordou desses sonhos
E veio à lembrança (bis)

O mundo em desatino
No acordar de menino
O sonho e a realidade

E caminharam lado a lado
Sem nunca terem encontrado
Mais pura claridade (bis)

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sábado, 21 de dezembro de 2024

Bolero do Zé Inácio (Fado) - Fernando SIlva

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Esta noite vou ao fado
Para matar a saudade
E reviver o passado
Pelas ruas da cidade

Vou recordar a Severa
E tantas noites de farra
Vou voltar a ser quem era
No trinar d’uma guitarra

O Fado...
Esse eterno companheiro
Conhecido no estrangeiro
P’la voz da nossa Diva
O Fado...
Cantado pelas vielas
Hoje tem portas e janelas
Por muitos anos que viva

Já passou na Mouraria
Plas vielas de Alfama
O Fado é alegria
No sorriso de quem ama

Foi até ao Bairro Alto
E vive na Madragoa
À ribeira deu um salto
Correu toda a Lisboa

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segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Fado da Bica (Nas veias do coração) - Fernando Silva

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Vi a guitarra chorando
Nos degraus duma capela (bis)

Naquele gemido dela
Vi aquela viola tocando (bis)

E aquela voz bem trinada
Na garganta da fadista (bis)

Ágeis mãos do guitarrista
Aquela guitarra brilhava (bis)

Quando em noite de luar
A lua saiu, foi lá fora (bis)

Mas até a nossa senhora
Aplaudiu tão lindo trinar (bis)

E neste trio de perfeição
Saiu um fado trinadinho (bis)

Guitarra trina baixinho
Nas veias do coração (bis)

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Fado da Azenha (Moinho velhinho) - Fernando Silva

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Naquele moinho velhinho
Ficava mesmo a caminho
Das capelinhas da serra
O moleiro levava trigo
Pra moer ao seu amigo
Que vivia naquela terra (bis)
Quando chegou ao moinho
Avistou um rapazinho

Que estava desaparecido
Perguntou-lhe qual a razão
Aquele dócil coração
Porque estava tão sofrido? (bis)

Peço-lhe especial favor
Não me leve ao dissabor
De voltar àquele lugar
Fui ali tão maltratado

E passei um mau bocado
Sem saber o que é amar (bis)
Serei guarda do moinho
Mesmo que esteja velhinho

Neste lugar descampado
Posso até ser um rapazinho
Quero seguir o caminho
Que me estará destinado. (bis)

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sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Fado Alexandrino do Noquinhas (Água pura) - Fernando Silva

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Naqueles limos vida, pura desgraça
As águas cristalinas, frias se agitam

Onde vivem os pássaros, que ao longe gritam
Enquanto essa corrente, lentamente passa (bis)

Água pura imensa, da fonte vai descendo
Do nascente que fica, no cimo da montanha

Esperança de vida, pró monte vai correndo
E nesta abundância, sublime e tamanha (bis)

São corpulentos despidos, na água, descanso
O teu rio desliza, sublime na corrente

Leva a sujidade, os fantasmas na frente
Parece um ribeiro vazio, dócil e tão manso (bis)

EM - O FADO MORA AQUI - FERNANDO SILVA - IN-FINITA