segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Nunca sei como...* - ALBERTO CAEIRO

Nunca sei como é que se pode achar um poente triste.
Só se é por um poente não ser uma madrugada.
Mas se ele é um poente, como é que ele havia de ser uma madrugada?

EM - POESIA - ALBERTO CAEIRO - ASSÍRIO & ALVIM

Recolhe-te...! - Sandra Ramos

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Recolhe-te...!
Ordeno-te que te refundas,
segue o teu caminho áspero e vazio,
recuso a tua presença melancólica,
personagem assídua da laceração e distante.
Já "gritei" vai...!
Solta-me e deixa-me na minha vontade,
embrulhada no meu manto...!
Parte... o bilhete já o tens;
as indicações estão apreendidas,
almejo que não crucifiques outras almas,
porque - TU - és cruel e Alfa.
Já te disse... esgotei...
és malfadado, persona non grata;
maçã envenenada de um conto impiedoso,
bruxo temido de um pesadelo tenebroso.
Leva contigo o pior de Ti,
lembra-te de esqueceres de mim,
porque, finalmente, eis que chegou o teu Fim!

EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 30 de outubro de 2022

Porto - MARIA CAROLINA VIEIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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O coração não acelerou, ficou calma
Não houve expectativa, não houve vontade
Mas devagar algo nasceu e floresceu

Nos beijamos e tudo se encaixou
Os lábios, os abraços
Suas mãos no meu cabelo

Eu quis ficar ali para sempre
No nosso momento presente
Você também quis e nos teus olhos eu vi
Com você eu seria feliz

Hoje faz um mês desde nosso encontro presente
Mas há nos eu sonho com você e com a gente
Obrigado amor por ter se mantido persistente

EM - MARIA AO MAR - MARIA CAROLINA VIEIRA - IN-FINITA

Mulher, Mãe - Sandra Ramos

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Mulher/Mãe em chamas, engolida pelas trevas do obtuso;
Mulher/Mãe silenciada por paradoxos condicionantes da sua existência
Imposição de antagonismos, resgatadores soberanos do seu direito
Violação deliberada de si, do seu leito... do seu respeito.
Mulher/Mãe, cujas palavras esfumaçam no vento vindo do Norte
Só apenas mais um rosto vazio, entre um mar de olhos adormecidos...
Uma Mulher, uma Mãe, esmagada, coagida a cedências abruptas
Vazia de objetivos na visão terrorista desumana
Invisível ao mundo novo apetrechado e tão distante de si.
Mulher/Mãe, à mercê involuntária do cumprimento da desumana ignorância
Esmagada na força e engolida pelo ódio machista, pela cólera ao mundo;
Mecanismos eloquentes de supressão à sua existência
De contaminação, de totalitarismos e de escravidão.
E, hoje, sou essa Mulher/Mãe;
Aprisionada num efeito paralisante
Por onde as minhas palavras se deslizam num circuito fechado.
Estou viva, e no massacre que me engole
Direi, gritarei e não deixarei de "dizer"
Que, no respirar da humanidade, amor ser Mulher/Mãe...!

EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sábado, 29 de outubro de 2022

Encanta-te com o que vais descobrindo - JORGE CHICHORRO RODRIGUES

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Encanta-te com o que vais descobrindo.
De olhos bem abertos, vê como tudo é lindo.
Vê as flores como se abrem na primavera;
vê as ondas que na praia se derramam;
vê como o céu constantemente se altera;
vê como aqueles dois pombos se amam.
Vê, e encanta-te com tanta pura beleza
que vais descobrindo na tua mãe-natureza.
E quando o teu corpo já te pedir descanso,
fecha os olhos, ouve aquele regato manso
que canta dentro de ti, chamando-te ao além,
ele é a voz que nunca esqueceste da tua mãe.

EM - GOTAS DE POESIA - JORGE CHICHORRO RODRIGUES - IN-FINITA

Quando o Coração não quer - SANDRA MOTA

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Quando o coração não quer
Um nó se arrasta
A garganta não fala

O peso se instala
Ao de leve trilhando
O caminho de saída
Sufoca
No desespero de não entender

Mas quando o coração não quer
Alegrias zangadas
Em ensaios de vida
Simulados

Resmungam e declaram
Não eu
Não vou querer

EM - POR ISSO ESCREVI - SANDRA MOTA - IN-FINITA

Estapafúrdia Segregação - Sandra Ramos

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Discriminadores sem pejo e guarida
Isentos de pedagogia e condutores críticos da incoerência
Sintomáticos de gritos de violência e praticantes da exclusão
Não tombam nem tão pouco sustentam em si a coesão.
Realidade social esgotante, onde proliferam vitimados e reivindicadores;
Ecos de gozo esvoaçam em ideais desalinhados e malícias discriminatórias
Expõem, em gritos de punição, os que conduzem para a praça pública;
Elegem o sopro do vento agonizante e cortante da injustiça.
Eis que os "vitimados" adormecem na solidão apaziguadora e exacerbada
Aniquilam os laços sociais outrora partilhados
e tornam-se invisíveis às exigências perversas
e desenfreadas, sem lei e sem norte;
Alimentam-se da frustração corrompendo ideais de vida
Colocam-se de joelhos numa covardia assumida e pretendida.
Sociedade estratificada, de desigual acesso e incoerente distribuição social;
Embutida em matrizes racistas, económicas e psicológicas;
Elemento inibidor da mobilidade social
Enferma, radical e totalmente anti cultural.
És doentia... assim grito por ti, julgas-te insana e capaz;
Mas, minha cara... és apenas uma feiticeira nascida na ilusão
de uma Estapafúrdia Segregação. 

EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Reflexos - ISABEL SOFIA DOS REIS-FLOOD

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Naquela noite de luar sonhei os reflexos da clareira
no bosque dos contos
Aí onde recorri toda a minha infância, perto do Mar
Nessa imensidão onde nada existe senão o pensamento
do vento, perturbando os cabelos das águas celestiais

EM - ISABEL SOFIA DOS REIS-FLOOD - ANTOLOGIA - IN-FINITA

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

No teu olhar - LUÍS FARINHA

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No teu olhar
Senti teus medos
E acompanhei teus segredos
Repetindo que pudesses mudar

Para o meu mundo
Dizendo-te assim
Que num abraço tão profundo
És tudo para mim

E meu castelo de flores
Se dobrando em cascata
Como por ti morro de amores
Em teus lábios de ouro e prata

Acompanho teu olhar
Num só amar, amar, amar

EM - O UNIVERSO ENCHE-SE DE POESIA - LUÍS FARINHA - IN-FINITA

Teias entre os dedos - Runa

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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com a água fria da torneira
desfaço-me de velhas teias
que me cresceram entre os dedos
limpo o suor do rosto
e escovo demoradamente os dentes
mas recuso-me a vestir a túnica chinesa
daqueles que seguem em fila
até à linha onde se abre o mar

já não acredito em milagres
nem em manobras de diversão
capazes de separar as águas
e fazer com que os barcos
se afundem num alçapão mágico
enquanto nas margens a multidão
aplaude as habilidades bizarras
de deuses em segunda mão

não me interessa o que nos espera
do lado de lá do rio
e viro costas ao fogo-de-artifício
voltando para o meu quarto
onde desenho um potro cinzento
que corre à volta das paredes
enquanto espero que de novo
me cresçam teias entre os dedos

EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Tu em mim - MARIA JOÃO ABREU

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Na minha mente, a tua lembrança.
Em meu coração, o teu amor.
No meu corpo, as tuas mãos.
Em meu desejo, o teu calor.

Na minha vida, o teu rastro.
Em meus sonhos, a tua imagem.
Nos meus olhos, o teu olhar.
Em meu peito saudade em viagem.

Na minha dança, o teu molejo.
Em minha pele, o teu cheiro presente.
Na minha boca, o teu desejo.
Em meu paladar, tempero ardente!

Em meus ouvidos, a tua música.
Nas madrugadas, a tua presença.
Em minha fantasia, a tua espera.
Ao meu lado, a tua ausência!

EM - MULHER MENINA - MARIA JOÃO ABREU - IN-FINITA

Estátuas vivas - Runa

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mandaram retirar todas as estátuas
só ficaram os pedestais
despidos e sem serventia alguma
era melhor assim
apregoavam os entendidos

mas nem toda a gente concordava
havia umas mentes rebeldes
que não se conformavam com a decisão
o mundo tinha-se tornado para elas
um lugar saturado de proibições

então começaram a vir à noite
enquanto todos dormiam
para os jardins e praças públicas
trajando fardas de gala
e velhos uniformes de combate

e sem temer o ridículo
foram ocupando todos os pedestais
hirtas e imponentes
toda a noite em sentido
como estátuas vivas de um mundo vazio

EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Entre os álamos - Runa

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nos álamos o vento
pronuncia o nome de Deus
tateando com as unhas gastas
num movimento circular
que se repete indefinidamente

arranca tufos de terra
para mais à frente erguer
num esforço inglório
pequenos montículos
que se assemelham a altares

mas Deus nunca vem
esconde-se numa transparência volátil
e zomba do esforço que o vento faz
quando pronuncia o seu nome
perdido entre os álamos

EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Eu queria ter...* - ALBERTO CAEIRO

Eu queria ter o tempo e o sossego suficientes
Para não pensar em cousa nenhuma,
Para nem me sentir viver,
Para só saber de mim nos olhos dos outros, reflectido.

EM - POESIA - ALBERTO CAEIRO - ASSÍRIO & ALVIM

terça-feira, 25 de outubro de 2022

Alívio - MARIA CAROLINA VIEIRA

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Só é possível falar de alívio
depois que se entendeu
o tanto que doeu

EM - MARIA AO MAR - MARIA CAROLINA VIEIRA - IN-FINITA

Casa azul de Alcabideche - MJ Machado

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Tempos idos de calmarias e união
com repastos domingueiros
de família ou amigos chegados.

Estendiam-se redes espreguiçadeiras,
balançávamos os corpos exaustos
em tardes de estios quentes,
adormecíamos e revigorávamos a alma
fortalecida às agruras e cansaços do amanhã.

Sentiam-se ténues aragens
com odores a mar ali tão perto
entrelaçados ao encapelar do Guincho.

Sob tectos de pinheiros mansos
escutávamos chilreares de pintassilgos
saltitavam melros afoitos por sentida segurança.

Era uma casa azul, outrora viva e alegre,
agora entaipada, triste e abandonada,
vendida aos vorazes da ganância,
desprezadores ao seu passado.

Dela apenas resta a saudade
dos que por lá foram felizes.

EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Lembras-te, amada minha? - JORGE CHICHORRO RODRIGUES

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Lembras-te, amada minha, do amor que fizemos sobre a areia,
éramos ainda jovens e os nossos corpos não estavam cansados?
Lembras-te, amada minha, do sorriso que tinhas de sereia,
acreditávamos ainda na felicidade e andávamos apaixonados?
Lembras-te, amada minha, do sol ardente, que nos acariciava,
da lua que nos beijava, dos pássaros que para nós eram eternos?
Lembras-te, amada minha, como o teu rosto ao meu se colava,
e entre nós trocávamos abraços e beijos tão quentes e tão ternos?
Onde ficou esse mundo, amada minha, agora que o sol declina,
a lua vai ficando triste, os pássaros não têm o mesmo encanto?
Onde ficaram as ilusões que tivemos, eras tu ainda quase menina,
todo o mundo para nós era um princípio, um tão doce canto?

EM - GOTAS DE POESIA - JORGE CHICHORRO RODRIGUES - IN-FINITA

Liberdade - SANDRA MOTA

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Posso dizer que sim
Posso dizer que não

A verdade do que
Sinto
Não é em vão
São muitos anos
Que sim ou não

E sem julgamento
Na liberdade
Do que penso

Eu te digo
Que enquanto puder
Vou sempre falar

Até o mundo existir
Na rebeldia
De tudo pensar
Eu escolho perder
Sem julgamento do que possa ser
Mas ganhar na grandiosidade
De uma alma que fala
Livremente
Porque sim ou não
Deixem-me falar

EM - POR ISSO ESCREVI - SANDRA MOTA - IN-FINITA

Bom dia com alegria - MJ Machado

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Renasce o astro rei no horizonte
há sons de marulhos fortes no ar
ondas que se espraiam
em areais ainda frios e desertos.

Cruzam o céu gaivotas agitadas
em busca desenfreada por alimento
com grasnares estridentes e contínuos.

Novos despertares a novo dia
em Primavera que se aproxima.

EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

A Palavra - ISABEL SOFIA DOS REIS-FLOOD

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O dom da Palavra, demonstra a fé na Salvação.
Na esperança em projetos de confiança, repletos de amizade e paz.
Como essa pomba que vigilante e branca sussurra à Terra Santa.

EM - ISABEL SOFIA DOS REIS-FLOOD - ANTOLOGIA - IN-FINITA

domingo, 23 de outubro de 2022

Amor proibido - LUÍS FARINHA

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Subitamente ficou sem chão
Na porta de sua morada
Sem compreender o coração
Da sua metade tão amada

Em que só o tempo pode explicar
O indesejado afastamento
Sem uma ponta de ar
E um sentimento, como suplemento

Como uma vitamina
Que nos faz falta ao organismo
Destino não é uma lida sina
E o amor não deve ser um sismo

Que nos faz desmoronar
E retirar a paz à nossa alma
Nem nos parar o sentido de amar
Juntando nossas mãos em palma

Trazemos de volta o amor
Por um novo sinal termos emitido
Parando com aquilo que sentimos ser a dor
De um amor proibido.

EM - O UNIVERSO ENCHE-SE DE POESIA - LUÍS FARINHA - IN-FINITA

Amizades - MJ Machado

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à Avozita Tieta

Ausentes ou separados por pandemia,
próximos apenas por Bell
em linhas inquebráveis de amizade.

Preces fervorosas a Esculápio
recuperam e fortalecem
corpo e mente infligidos.

Esperançados e desejosos
por reencontros de amanhã,
aos abraços aconchegantes,
risos e gargalhadas felizes
por gentes nunca esquecidas,
amizades seladas na vida,
para todo o sempre.

EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sábado, 22 de outubro de 2022

Café - MARIA JOÃO ABREU

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Se fosse açúcar,
iria me dissolver no leite
que tinhas no teu café...
Então, tu me beberias, adoçando-te por dentro.

Gosto de te olhar pela manhã!
Não digas que te disse isso...
Observo-te em silêncio, por longos períodos,
dando curtos goles em meu copo.

Bebia dezenas de chávenas de café com açúcar,
enquanto escrevia para ti em guardanapos.
Ainda mantenho alguns guardados,
para te poder agora mostrar.

Dois aromas que nunca serão apagados,
como café recém-fabricado, que tomo sem pressa.
Como teu corpo pela manhã suado,
depois de nos amarmos por uns longos tempos.

EM - MULHER MENINA - MARIA JOÃO ABREU - IN-FINITA

Solstício do amor - Maria Antonieta Oliveira

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Solstício da primavera
Em eterno ano a ano
Solstício do amor
Em eterno ano após ano
Flores perfumadas
Coloridas e desejadas
Ofertadas um dia
Uniram as nossas mãos
No solstício da vida
E primaveras foram passando
Solstícios atravessando
Mas nosso amor em solstício
Foi-se sempre intensificando
Num eterno solstício
O solstício do amor.

 EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Pomba branca - Maria Antonieta Oliveira

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A paz é branca
A pomba branca é símbolo de paz
O branco é neutro
O branco é símbolo de pureza
A guerra é negra
A noite é negra como a guerra
Mas na noite as estrelas brilham
E na guerra os estilhaços matam
E a morte é negra e tristeza
Voa pomba branca
Voa ao encontro da paz
Ilumina os homens da guerra
Dá-lhes a luz do Senhor
Leva no teu bico o louro dos heróis
A rosa branca de espinhos cortados
E a esperança na verdura dos campos
Voa pomba branca
E traz-nos a paz!

 EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Navio que partes...* - ALBERTO CAEIRO

Navio que partes para longe,
Por que é que, ao contrário dos outros,
Não fico, depois de desapareceres, com saudades de ti?
Porque quando te não vejo, deixaste de existir.
E se se tem saudades do que não existe,
Sente-se em relação a cousa nenhuma;
Não é do navio, é de nós, que sentimos saudades.

EM - POESIA - ALBERTO CAEIRO - ASSÍRIO & ALVIM

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Paciência - MARIA CAROLINA VIEIRA

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Eu esperei por você paciente
Dia após dia
Noite após noite
Sozinha e esperando, paciente
Ensaiei todas as palavras que diria quando o telefone tocasse
Guardava comigo os abraços que te daria quando te encontrasse
E as lágrimas que caiam enquanto eu te esperava

Já há vários meses você foi embora
Mas eu ainda tenho você vivo na minha memória
Tenho sua presença pela casa e seu cheiro em cada lágrima

Choro todos os dias não vou mentir
Imagino diálogos, reencontros, abraços
Me obrigo a calar a mente e lembrar que não existe mais
“a gente”
Mas não consigo dizer que não sinto falta
E nem disfarçar o quanto eu te queria de volta

Já se passou anos e eu continuo chorando
E pacientemente continuo esperando
Será que aguento até quando?

EM - MARIA AO MAR - MARIA CAROLINA VIEIRA - IN-FINITA

Ciclos - Maria Antonieta Oliveira

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Luz, vida, esperança
Sol, mar, montanha
Estrelas, ondas, lua
Dia, vida, noite
Velas, sombras, choro
Sorriso, alegria, sofrimento
Fogo, chama, chuva
Pomba, gaivota, pardal
Terá, semente, fome
Criança, adulto, velho
Chegada, permanência, partida
Bondade, sanidade, maldade
Amor, carinho, ódio
Paixão, devoção, tradição
Felicidade, realidade, angústia
Espírito, alma, elevação
Realeza, beleza, punição
Paz, arma, guerra
Água, sal, alimento
Canto, liberdade, saudade

A chama apagou-se
O sol adormeceu
A vida feneceu

 EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Perdoar - ISABEL SOFIA DOS REIS-FLOOD

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Intervenção divina que molda a alma do homem.
Inocência renascida de carne e sonho que se perdera
no temporal da memória, mas que emerge das profundezas,
como as do mar salgado, com vigor e esperança num futuro
risonho.

EM - ISABEL SOFIA DOS REIS-FLOOD - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Há quem... - JORGE CHICHORRO RODRIGUES

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Há quem já não chore de tanto ter chorado!
Há quem já não tenha mais lágrimas para derramar!
Há quem já não sorria porque ignora o que isso seja!
Há quem já não tenha nos olhos senão um olhar parado!
Há quem já não saiba sequer o que significa acreditar!
Há quem já não viva realmente, embora vivo esteja!
Há quem já não ouça nem veja nada, de tanto sofrer!
Há quem já nem se sinta, e o seu coração continue a bater!

EM - GOTAS DE POESIA - JORGE CHICHORRO RODRIGUES - IN-FINITA

Sorriso inocente... Manuel A. Rodrigues

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No meio do horror
Observo um sorriso inocente
Alegria com cor
Alheia a bárbara gente.
Desconhece a palavra guerra
Brincar ainda impera.
As bombas a rebentar
O assobio das armas a disparar
Fizeram a criança sua terra deixar.
A falta do seu pai chora
Que seja um herói implora
Não tem idade para compreender
O horror que está a acontecer.
Nos braços de um desconhecido
Sente o seu sorriso ser protegido
As mãos estão abertas para a recolher
A liberdade e seus sonhos devolver.
Conhece um novo rosto Amigo
Que dá sua entrega, sem esperar ser devolvido
Recebe da criança a pureza de um lindo sorriso.
Os sorrisos de criança não têm valor
Têm o tesouro do brilho nos olhos e a transparência do amor...

 EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Limites - SANDRA MOTA

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Construímos barreiras
E impomos limites
Fazemos asneiras

Suspiramos e crescemos
Caídos em falsas vitórias
Nivelamo-nos em mar
Revolto tal tempestade alheia
Que assombram hoje ego perfeito

Águas bravas e profundas
Regelam rostos envelhecidos
Em corpos exaustos
Sedentos e perdidos
Que sob rajadas fortes
Os ventos aconselham
Na tempestade
Sossega a verdade
E quando encontrados
Não existirão mais limites.

EM - POR ISSO ESCREVI - SANDRA MOTA - IN-FINITA

terça-feira, 18 de outubro de 2022

O amor passa por ti - LUÍS FARINHA

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Se souberes reconhecer
Não sentes?
O dia a escurecer
Então não te lamentes

Porque tudo tem uma hora
E um momento certo
Mesmo quando se chora
Ao longe ou ao perto

Tudo retorna ao seu lugar
E o vento desaparece
Mesmo que não seja para ficar
Com o coração que se entristece

Em casa ou na rua
O queres procura, aqui e ali
Atenção! Como alma é nua
O amor passa por ti.

EM - O UNIVERSO ENCHE-SE DE POESIA - LUÍS FARINHA - IN-FINITA

Olhos que não vejo... - Manuel A. Rodrigues

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Olhos que não vejo
Coração que não sinto
Lágrimas que lacrimejo
Saudades que escrevo e pinto.

Braços que não me apertam
Mãos que não se unem
Dores que em mim despertam
Pensamentos que me iludem.

Boca que não fala
Regaço que não me dá colo
Tua voz em mim não se cala
Tua imagem fica-me em consolo.

Cabelos que não afago
Carinhos que não consinto
Momentos da memória não apago
Viajaste... mas tua presença pressinto... Mãe.

 EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Teu amor - MARIA JOÃO ABREU

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Teu amor...
Teu amor é cama,
é desafio,
é ponte do meio do perdido.

Teu amor são beijos,
é devassidão,
é fonte lúbrica
do meu delírio.

Teu amor são mãos
que me entrelaçam,
pernas que apertam,
força de ligação.

Teu amor é minha satisfação!

EM - MULHER MENINA - MARIA JOÃO ABREU - IN-FINITA

Guerra sem vitória - Manuel A. Rodrigues

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Não haverá glória
No clamar desta guerra vitória
Quando matam inocentes sem misericórdia
Atrocidades sem memória
Mancham de sangue os anais para a história
Esta guerra, pela barbárie impera
Contra um povo que a paz sempre quisera.
Uma guerra, sem razão
Não é uma questão de pão
É uma guerra imperialista
Com sede de conquista.
Uma guerra, que ninguém acreditara
Tamanha crueldade, nunca se pensara.
Surgem acordos de paz
Que andam para a frente para trás
Empatam como o burro do João Braz
Alcançar a paz, não se é capaz
Continua uma destruição mordaz.
Aos deuses da guerra, resta apelar
Seja ele: Ares, Marte, Hórus ou Odin
Juntem-se todos a conversar
Coloquem nesta guerra um fim...

 EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA