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sexta-feira, 7 de julho de 2023

A máscara do (des)amor - CLÁUDIA MONTEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Ofereceste-me pérolas,
Promessas perfeitas e preciosas
Um mundo irresistível de amor, luxo e deslumbramento.
Mas não passou de um enganoso momento.
Eram areias movediças, palacetes de luxúria, a enterrar-se em solidão.
Teias habilmente urdidas, guilhotinas de sonhos, escritos a uma só mão.
E as pérolas caíram, uma a uma,
num abismo fedo, frio e fundo,
onde encontrei, escondida, a tua máscara da traição!

EM - AMANTES DA POESIA E DAS ARTES - COLETÂNEA - IN-FINITA

sábado, 1 de julho de 2023

São teus lábios um convite... - CLÁUDIA MONTEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Desenhados sem pudor,
São uma certeza inquieta,
Uma tentação aberta,
Uma promessa de amor

São abismo apetecido,
Um trapézio sem rede,
O palco das minhas noites,
Onde mato a minha sede.

EM - EROTISMO E SENSUALIDADE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 2 de janeiro de 2022

O poeta – CLÁUDIA MONTEIRO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Há na conceção de um poema o poder da criação.
O poeta é o deus omnipotente da escrita, que cria, mata ou salva, a seu bel-prazer.
Urde enleios para um eu  poemático,
Marioneta nas suas mãos de artista.
É o pintor que, com os seus pincéis, o embrenha numa floresta encantada, ou o borrata de cinza e o atira para a rua, a pedir esmola.
É a mulher que decide parir, as vezes que quiser,
Filhos que só a si pertencem
Únicos, mas amados de igual forma,
E que os dá a provar ao mundo... 

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Sem rosto - CLÁUDIA MONTEIRO

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Os braços do silêncio
Despem-me a alma e fico nua
O espelho roubou-me a imagem
Em troca deu-me a sua
E sem rosto, nesta ausência de ser,
as viagens atropelam-se
para paragens que não são minhas
Visitas inesperadas irrompem
sem convite na madrugada
São vozes de um presente sem tempo
Que trazem bagagem para ficar.
E é então que me encontro,
De alma despida, sem rosto,
Embrenhada num labirinto,
De uma vida a várias vozes,
Que ainda não sei decifrar.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Quando regressares - CLÁUDIA MONTEIRO

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Quando regressares,
Trarás contigo a Primavera, que não chega,
E os pássaros voltarão a cantar
no parapeito dos nossos dias
Quando regressares, toda a casa será música,
E as orquídeas redimir-se-ão, por, distraídas,
terem florido sem os teus olhos.
Quando regressares,
Serás presente,
E as tuas mãos trarão o Futuro.
Porque, se não regressasses,
Nunca deixaria de ser Inverno
E os dias pálidos seriam dolorosamente órfãos e iguais

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 26 de julho de 2020

As quatro estações da Mulher - CLÁUDIA MONTEIRO

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Começo da estrada...
Alvorada,
Orvalhada,
Sorriso angelical em face arredondada, imaculada
Vestes pele aveludada, doce e perfumada,
Eco do chilreio da pardalada
Cobre teu virginal tronco fino
verde e entrançada hera,
Árvore menina, és Mulher-Primavera!

De estonteante sedução no olhar,
Toda tu és perdição,
Fruto apetitoso, alvo de competição
És a Mulher-Verão!
Em vaidoso corrupio, cedes à tentação
Do mais ousado assobio canção
Para as raízes fixar e o ninho construir
Como um dever a cumprir.

Sorrateiros, tons maduros pintam a frondosa cabeleira,
folhagem enternecida da mesma cor da vida.
Diminui a atração, agiganta-se o coração
com as alegrias dadas pela nova geração
São árvores pequeninas, todas ainda meninas
requerendo proteção
Começas a ser cansaço, possuída pelo sono,
És a Mulher-outono!

E eis que se instala, branco e gelado, o inferno,
És a Mulher-Inverno!

Agora árvore molengona, que, com o peso da idade,
Vais perdendo a vontade, sobrevivendo à saudade
Precisas de mil cuidados, de atenção redobrada
Sentes-te abandonada, entregue à triste sorte.
E é de tronco curvado,
ramos partidos e rasgados os vestidos,
que aguardas a morte.
... e é ver as palavras que se desprendem, uma a uma,
dos teus ramos nus,
e esvoaçam rumo à eternidade.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÂNEA - IN-FINITA