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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Tatuagem - ALBERTO RIOGRANDE

Arde-me a pele quando te penso.
Queria partir liberto
e voar por aí
como quem corre
demoradamente o mundo
sem fraquejar
no teu desejo,
a cada instante na tua carne
na pressa dos teus passos.
Consigo ouvi-los esmagando o asfalto,
o ranger da escada
a pele ávida viajando pela rua,
ainda faltam
sete degraus.
Dispo-te com o olhar.
E espero-te. Com a ânsia do abutre núbio.

EM - OFÍCIO DOS PÁSSAROS - ALBERTO RIOGRANDE - LUA DE MARFIM

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Último tango - ALBERTO RIOGRANDE

A força do teu desejo em mim
tem a violência da tempestade
que sacode o cimo dos montes.
Cercas-me, longos braços
febril vontade
e entrego-me rendido
enquanto houver luz e estrada
e céu para o sangue desmedido.

EM - OFÍCIO DOS PÁSSAROS - ALBERTO RIOGRANDE - LUA DE MARFIM

domingo, 8 de dezembro de 2013

Tatuagem - ALBERTO RIOGRANDE

Arde-me a pele quando te penso.
Queria partir liberto
e voar por aí
como quem corre
demoradamente o mundo
sem fraquejar
no teu desejo,
a cada instante na tua carne
na pressa dos teus passos.
Consigo ouvi-los esmagando o asfalto,
o ranger da escada
a pele ávida viajando pela tua,
ainda faltam
sete degraus.
Dispo-te com o olhar.
E espero-te. Com a ânsia do abutre núbio.

EM - OFÍCIO DOS PÁSSAROS - ALBERTO RIOGRANDE - LUA DE MARFIM

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Frase inacabada - ALBERTO RIOGRANDE

Tem calma, o teu corpo está a desaparecer
no passeio de domingo. Lamentas
o frio da tarde, mas os teus olhos
são um farol adormecido
num porto sem cordas, sem navios.
Agora abraçamos o vento
naquela força brutal com que os braços
se apertaram em voltas e mais voltas
no vendaval do desejo. Ah, os passos
repetidos no cinzeiro da tarde
são amarelo, azul, preto, amarelo,
na imperfeita lucidez da frase inacabada.

EM - OFÍCIO DOS PÁSSAROS - ALBERTO RIOGRANDE - LUA DE MARFIM