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sábado, 23 de janeiro de 2021

Dia de São José - ARACELI SOBREIRA

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A água vem batendo na calha velha
arrebentando aranhas,
varrendo folhas secas
quintal abaixo.

Um sonho de manga doce,
milho ajuntado no alpendre,
feijão em toda ribanceira.

De minha rede, sinto os pingos d’água
caindo pelas frestas das telhas.
“Que bom, amanhã não preciso juntar as folhas
nem recolher pau seco pro fogão!”

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Remédio bom pra gripe - ARACELI SOBREIRA

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Um bule velho,
escaldando cheiro
pela casa aberta.

No oitão, vovó
descascava romã,
para fazer lambedor.

O mel jazia na bacia
aguardando a panela velha.

Ruminando uma Ave-Maria,
mexia os pés alvos,
enquanto o cachorro sorria com os olhos bem abertos.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Re-nascer - ARACELI SOBREIRA

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Sou escrava
nesta terra
não consegui
trazer as sementes
da árvore sagrada.
Minhas vestes
rasgadas e sujas
lacrimejam feito meu corpo
ferido!

Cheguei em terras novas.
Vários olhos me recebem
com correntes e gritos,
ambição e lascívia.

Ai que saudade da sombra fresca!
Ai que vontade de largar-me pelas matas alegres!

Hoje achei uma Cobra
às margens do poço branco.
Pedi ao Espírito Dela uma picada serena.

Nem deu tempo mais de sentir dor...
A boca do poço abriu-se feito Colo de Mãe.
Meu sangue escuro de negra cativa
libertou meu Espírito.
Logo serei raiz.
Logo serei terra fecunda!
por enquanto, sou só Alma Africana.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA