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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Sombra vã - CECÍLIA VILAS BOAS

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Vem ouvir junto a mim, amor
A voz que vem do céu
São rouxinóis que lá moram
Porque o nosso amor emudeceu

Ouves a lua a soluçar?
Fala baixinho, não vá ela acordar!
A natureza geme tristemente
A chuva cai sem avisar

Vem junto a mim, amor
Ouvir a dor que trago no peito
Trauteia um encantamento triste, quase perfeito

São claustros onde o meu querer mora
E até a minha oração, tão sentida
É sombra vã, dum amor que fora outrora

EM - TEMPO DA ALMA - CECÍLIA VILAS BOAS - CHIADO EDITORA

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

No teu olhar - CECÍLIA VILAS BOAS

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Quando os meus olhos encontram os teus
As estrelas descem à terra e iluminam o chão
Onde deitamos o nosso sonhar
Os pássaros tecem esperas em ninhos de nuvens
A brisa sopra acordes de violinos que adormecem nos braços da noite
E os lírios brancos, amor...
Aromatizam de silêncio este momento que queremos só nosso

EM - TEMPO DA ALMA - CECÍLIA VILAS BOAS - CHIADO EDITORA 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Perde-te em mim - CECÍLIA VILAS BOAS

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Vem, amor
No ondular acintoso dos ventos mornos
Tecer rendilhados com os fiapos das nuvens

Vem sentir as primeiras chuvas que caem no âmago da terra
E desenham auréolas de luz no rio dos nossos olhos
Junta os teus lábios aos meus, esta noite, amor...

Sente o odor extenuante que exala do corpo húmido da terra
Perde-te no eco do horizonte
Nas folhas dos álamos que partem com os pássaros

Abraça-me na cumplicidade do silêncio que a noite dita
Proclama eternas as palavras que inventamos alucinados
Neste sentir que brada em nós

EM - TEMPO DA ALMA - CECÍLIA VILAS BOAS - CHIADO EDITORA

domingo, 27 de novembro de 2016

És-me - CECÍLIA VILAS BOAS

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Em tons cândidos
Escrevo o veludo de que te vestes
Percorro-te
Em sílabas indeléveis
Inesgotáveis fontes de palavras
E de prazer

És-me, quase tudo
Nos aromas que inalo
Ao espreguiçar de cada madrugada
Sinto-te
Nos lençóis de brisa fresca
Imaculadamente fecunda

Beijo-te
Inteiro
Quando o luar me acorda
E me conta de ti em segredo
Permito que permaneças
Em mim
Sem pressa
Porque o dia e a noite
Deixaram de ter horas

Orno o meu sonho
No fulgor incitante das estrelas
Ouço-te
Incessantemente
Nas pautas que nunca escrevi

Respiro-te
Proclamo-te
No silêncio dos risos
E dos choros
Neste amor sossegado
Que embalo nas brisas suaves atemporais

Soltam-se em catadupa
Pétalas de rosas alvas
testemunhas de um amor
Sem tempo nem espaço
Mas presente num poema
Neste poema
Em todos os poemas
Que perpetuam a luz do teu olhar

EM - TEMPO DA ALMA - CECÍLIA VILAS BOAS - CHIADO EDITORA

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Chama do infinito - CECÍLIA VILAS BOAS

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A aragem trouxe a voz do teu olhar
Os beijos tomaram asas e voaram no sopro da tarde
Escrevi de ti na espuma das marés, no ondular dos dias
Abracei-te no cair das folhas que o tempo impõe

Ouço o vento lá fora, decifro a mensagem
É reconfortante...
Fecho os olhos e beijo-te docemente
Sinto-te nos aromas que fazes chegar a mim

Nos braços nostálgicos das folhas
No pólen do tempo
No cintilar das estrelas

Revejo-me na luz dos teus olhos
Já não morro, amor
Serás a chama do infinito!

EM - TEMPO DA ALMA - CECÍLIA VILAS BOAS - CHIADO EDITORA

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Ser feliz - CECÍLIA VILAS BOAS

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Permaneço além de mim, muito além
Num sítio onde a felicidade sorri
Onde os dias são feitos de espuma
Onde a bruma se dissipou enfim

Sou asa, neste caminho de além
Que paz tem este azul da manhã!
Que sonho é este d'onde não acordo?
Que chama arde em mim...?!

Vivo? Sonho? O que é de mim?
Começo? Fim? O que tenho em mim?
Encantamento, vejo olhos brilhantes

Ou será o meu contentamento?
Já não sei se sou mar ou sol
Mas sei que sou feliz!

EM - TEMPO DA ALMA - CECÍLIA VILAS BOAS - CHIADO EDITORA

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Revelação - CECÍLIA VILAS BOAS

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A varanda do céu revela-se
Prezo o conforto da luz que me ilumina
Abro o coração e sinto o abandono do corpo e da mente
Sigo a chama que me seduz
A paz que me envolve
Ergo as mãos e oro

Espero serenamente o sussurro dos ventos
A tranquilidade das águas remansadas
As palavras que nunca escrevi...

Já é hora
As folhas dos plátanos caem sobre a terra
Os pássaros de asas brancas sobrevoam o silêncio
Dou-me
Sei que eles conhecem o caminho.

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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Noite de luar - CECÍLIA VILAS BOAS

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Ao luar e no teu olhar
Sinto o desejo do teu beijo
Silencioso, discreto
Olho-te, cúmplice
Consinto que me percorras
Com o pensamento
O coração descompassa
Surpreende-me
O toque da tua mão
Deixo que me descubras
Sem palavras
Mais próximo
Sinto o teu corpo
E o meu
Num abraço envolvente
Seduzes
Permaneço
No pulsar da emoção
O desejo possessivo
É agora urgente

É noite de luar...

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sábado, 8 de outubro de 2016

Mãos - CECÍLIA VILAS BOAS

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As pontas dos teus dedos
Juntam-se aos meus
Entrelaçamos o sentir
Num toque levíssimo
Percorres as minhas mãos
Que desejam as tuas
Sequiosas de carícias
Instigam
O coração descompassa
Os olhos fixam-se
Os lábios desejam
As mãos seduzem-se
Trémulas, impetuosas
Pulsam premência
Numa envolvência extenuante
Consentem o beijo
Cálido, sôfrego
Assim, neste duo ardente
Mãos ávidas
Lábios indigentes
Perpetuam o momento
Desta fogosa paixão.

EM - TEMPO DA ALMA - CECÍLIA VILAS BOAS - CHIADO EDITORA

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Grito - CECÍLIA VILAS BOAS

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Grito em silêncio
Grito a dor, o rasgo profundo no meu ser
Velo-me no vermelho sangue
Grito até ficar sem voz
Grito do âmago a ferocidade da dor

Só a alma me ouve, e Ele
E os pássaros, também...
Quando param de voar e apenas planam na tristeza de me olharem
Olho-os também e sinto-me aconchegada
E as árvores não permitem a dança dos seus ramos
E as nuvens choram e o céu enegrece
E a terra humedece-se com o meu pranto

Tudo pára em mim, quero que tudo pare em mim...!
Com os estilhaços, resquícios do meu ser
Construo uma nebulosa onde adormeço eternamente

EM - TEMPO DA ALMA - CECÍLIA VILAS BOAS - CHIADO EDITORA

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Não me escutes - CECÍLIA VILAS BOAS

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Nem à minha dor ou angústia
Pincela apenas os meus sentidos
Como se fossem perfeitos

Verbaliza passivamente no meu ser
Segreda metáforas quietas aos meus ouvidos
Não atices a ira dos dias!
Disciplina-a e transforma-a em calmaria

Nem sempre o silêncio nos dá sossego
Quando o respiramos desmedidamente
Caímos nas profundezas dos enganos

Ouço a chuva nos meus sonhos
Embala-me o corpo gélido e incapaz
E a manhã seguinte chega previsível
Como todas as manhãs

Nada almejo.

EM - TEMPO DA ALMA - CECÍLIA VILAS BOAS - CHIADO EDITORA

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Nas nossas asas - CECÍLIA VILAS BOAS

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Dorme junto a mim meu amor
Aquieta o meu ser
Enquanto os pássaros sobrevoam
As escarpas da vida num fim de tarde

Beija docemente os meus lábios sedentos dos teus
Embala-me na melodia dos teus olhos
Enquanto as rochas se banham no mar salgado
Deliciosamente, em perfeito regozijo

Protege-me em teu colo
Enquanto as tempestades intensas fustigam
E rasgam os braços das árvores já sem força

Desemaranha as asas do nosso amor para que possamos
voar livremente
Tão leves, amor, como os pássaros que bebem do vento
O bucolismo imaculado do amanhecer

EM - TEMPO DA ALMA - CECÍLIA VILAS BOAS - CHIADO EDITORA

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Saudade - CECÍLIA VILAS BOAS

Saudade dum sonho que foi tão além
Um sonho real até à morte de mim
Não sei se te sei do rosto...
Que tristeza, será que te esqueci?!

Não! É a dor que não me deixa lembrar de ti
Mas quando voltam a mim a luz dos olhos teus
Abafo o tempo e deixo-te ficar

Meu amor que dor voraz a saudade que trago comigo
Já não sei dos verdes das montanhas
Ou do calor das tuas mãos nos dias sem-abrigo

Embalo-me na ternura que sinto por ti
Magoa-me o querer que guardo no peito
Infinitas as horas, longe de ti!

EM - MARGINÁLIA - ANTOLOGIA - EDITA-ME

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Paisagem - CECÍLIA VILAS BOAS

Searas que escutam o canto das cigarras
Cantares perdidos nas asas do horizonte
Planícies que escrevem o tanto da vida
Espigas que brilham e balançam ao vento
Calor estonteante em tardes de Verão
Águas que saciam a terra sedenta
Tardes que bradam por sombras frescas
Paisagens nostálgicas, onde o silêncio impera

EM - ÂMBAR E MEL - CECÍLIA VILAS BOAS - CHIADO EDITORA

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Inquietude - CECÍLIA VILAS BOAS

Ouço-te silêncio.
Diz-me o que sinto
O que anseio
O que me sufoca!

Esta inquietude permanente
Sem razão aparente de ser
O vazio profundo
Do querer e não querer.

Estou aqui
Vou, não sei onde
De onde venho, não recordo!

Nas horas do desencontro
Fecho as pálpebras da vida
Perfumo de tomilho a alma
E parto, nas pétalas dos lírios brancos.

EM - O ECO DO SILÊNCIO - CECÍLIA VILAS BOAS - ESFERA DO CAOS

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Navegar... - CECÍLIA VILAS BOAS

Hoje, madrugada transparente e brilhante,
Fiz-me ao mar, na caravela da vida.

Velas brancas, fazem o barco navegar rápido,
Sinto o vento nos meus cabelos, que me afaga, levemente
Olho o céu, beleza azul que se mistura com o oceano
O sol cumprimenta-me e acompanha a viagem.

As gaivotas em voos calmos, sobrevoam o meu sentir.
Navego, sem rumo, fecho os olhos, cheiro o mar
Ouço o silêncio e desejo permanecer.

Absorta, imprimo na alma este beleza natural
Voltarei, ficarei, só o meu desejo ditará.

EM - ÂMBAR E MEL - CECÍLIA VILAS BOAS - CHIADO EDITORA

domingo, 29 de setembro de 2013

Pautas - CECÍLIA VILAS BOAS

Escrevo pautas de música intensa
Acordes que dilaceram o meu ser
Jazigos de palavras silenciadas.

Estranho desvario!
Por que me arrasta este pesar?
O que sou, o que anseio afinal?

Neste negro, denúncia de perdição
No emaranhado de sentires já finados
Escrevo o prelúdio, dum final anunciado.

EM - O ECO DO SILÊNCIO - CECÍLIA VILAS BOAS - ESFERA DO CAOS 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Mito - CECÍLIA VILAS BOAS

Da tua boca nascem flores inquietas
Apelos de bem querer em ritos ancestrais
Que se propagam ao vento, no estio da vida
Tocando-me a pele, no gomo das madrugadas.

Lavro na terra, o silêncio da tua sombra
Cato no vento os ciclos lunares
Emanados pelo crepúsculo dos deuses
Recito-te, nas melodias das liras imaculadas
Deleito-me no banho de ambrósia
Sou-te imortal.

EM - O ECO DO SILÊNCIO - CECÍLIA VILAS BOAS - ESFERA DO CAOS

sexta-feira, 29 de março de 2013

Asas - CECÍLIA VILAS BOAS

Floresces nas minhas mãos, quando te escrevo
Propago no sopro dos ventos mornos
Cada pétala que voga, na encosta do sentir.

Colho, na linha oculta do horizonte
O rasgo do teu sorriso
Que flutua nas águas sedentas do rio
Onde pousam os nenúfares mais belos.

Escrevo-te, nas raízes ancoradas do meu amor
O meu sonho luz, debruado a nuvens
Onde as estrelas são corações em flor.

Levito, nas asas alvas do amanhecer
Lavro na montanha a tua boca
Beijo-te, no silêncio do meu querer.

EM - O ECO DO SILÊNCIO - CECÍLIA VILAS BOAS - ESFERA DO CAOS

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

No meu olhar - CECÍLIA VILAS BOAS


No meu olhar, voam pássaros inventados
Contos lendários de príncipes e princesas
Centelhas de ventos sobranceiros
Violetas que perfumam o meu travesseiro.

Vejo névoas que encobrem castelos
Manhãs de bruma em dias soalheiros
Ondas oceânicas, que rebentam nas estrelas
Tudo cabe ali, na fantasia do meu olhar...

Nos meus sonhos perco-me em melancolia
Ainda lembro as brisas aladas do fim de tarde
E as magnólias do meu jardim...
Onde estão as magnólias do meu jardim?!

EM - O ECO DO SILÊNCIO - CECÍLIA VILAS BOAS - ESFERA DO CAOS