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sábado, 28 de maio de 2022

Palavras no caminho - ZENILDA RIBEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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No meio do caminho
Tinha uma palavra.
Depois, muitas palavras.
Não resisti.
Saí catando.
Juntando aqui e ali.
Com elas chorei e sorri.
Nos versos que escrevi.
E nunca mais
Das palavras fugi.
Às vezes são elas
Que fogem de mim.
E retornam ainda mais belas,
Enfeitando a minha tela.
E sigo pelo caminho.
E escrevo o meu caminho.
Com as palavras que encontrei.
No meio do meu caminho.
Querendo te fazer um carinho.
Querendo te abrir um caminho.
Um caminho com as palavras.
Que encontrei no caminho.

EM - INTUIÇÃO - COLETÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 30 de março de 2022

Dores - ZENILDA RIBEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Dor é dor
Seja qual for
Dor física
Dor psíquica
Dor emocional
Toda dor é dor
Dor sentida
Dor vivida
Não há dor inferior
Há dor no interior
Que se parte
Ao ver partir.

A saudade é uma dor.

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Cisco no olho - ZENILDA RIBEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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caiu um cisco no meu olho
fez rolar lágrimas
não consegui ver o cisco
deixei a lágrima rolar
e lavar o olho e o olhar
era só mais um poema
que estava prestes a brotar.

há ciscos que trazem poemas
há poemas que nascem de ciscos
que fazem chover
pra molhar o chão
pra semente brotar.

a poesia é semente
às vezes regada com lágrimas
que vem da fonte interior.

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

domingo, 26 de dezembro de 2021

Marcas do tempo - ZENILDA RIBEIRO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Que o tempo deixa marcas
é consenso.
Marcas na pele,
nos cabelos,
nas mãos,
nos olhos.
Ah, nos olhos
o tempo marca
de diferentes maneiras.
Existem aqueles que com o passar do tempo,
ampliam o campo da visão.
Mesmo vendo menos,
ou perdendo totalmente a visão,
passam a ver mais e melhor.
Porque ver não é só sobre olhar coisas.
Ver é sobre enxergar.
E enxergar tem a ver com o sentir.
E sentir tem a ver com amar.
E amar tem a ver com viver.
(Muitos acham que é sofrer
Talvez porque aprenderam a ver
Mas não conseguem enxergar)
É preciso educar o olhar,
já dizia Rubem Alves,
pra enxergar mesmo quando não vê.
Pra ver diferente.
Pra pensar e agir diferente.
Pra ser melhor
é preciso ver melhor
Ver o pássaro, ver o gato,
ver as pessoas,
ver o céu, as nuvens,
ver as plantas,
ver o mar.
Ver a grandeza das pequenas coisas.
Ver as maravilhas
por trás dos momentos simples.
E amar o que vê.
Gosto muito de olhar
Gosto dos sorrisos,
mas se estamos de máscaras,
o olhar também sorri.
O sorriso do olhar toca mais profundo,
toca a alma
Há olhares que marcam.
Passe o tempo que passar.
Porque o tempo passa,
mas o olhar fica
marcado na alma.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Viver - ZENILDA RIBEIRO

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Viver é como uma música
e a melodia é a vida.
Por vezes suave, alegre.
Por vezes em ritmo frenético
e de batidas fortes.
É preciso ouvir e sentir
cada som, cada nota, cada ritmo.
Entregar-se aos sons que nos tocam,
que embalam nossa alma.
Compreender e combinar as notas.
Estudar a escala.
E em cada acorde
buscar a harmonia possível.
E, a essa melodia,
ir acrescentando as letras,
compondo canções,
com a poesia das vivências,
das demandas e urgências,
das conquistas,
das perdas.
Criando a nossa playlist,
com as escolhas de cada dia.

EM - MULHERES A UMA SÓ VOZ - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 3 de outubro de 2021

Recolhimento - ZENILDA RIBEIRO

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Antes de se mostrar linda
E voar por sobre flores
Exibindo as variadas cores
A borboleta foi lagarta
No tempo certo
Recolheu-se no casulo
Sofreu todas as dores
Na solidão fechada
Até a bendita hora
Da completa metamorfose
Recolhimentos são necessários
O casulo é necessário
Mas é morada temporária
Aproveitar o tempo
Em que estamos recolhidos
Para nosso autoconhecimento
Escutar nossas dores
Escutar nossos medos
Sem receios ou culpas
E no tempo certo
Ganhar asas e voar
Qual linda borboleta.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sábado, 2 de outubro de 2021

Meu corpo, minha alma - ZENILDA RIBEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Ignoras meu ser,
minhas dores, não vês,
nos meus sonhos não crês,
minhas lutas não lutas,
mas queres meu corpo.
Desejo torpe.
Esse corpo que queres
tem alma, tem vida.
Esse corpo sente,
se a alma é preterida
e de alma doída,
esse corpo não deseja,
o teu corpo abrigar.
Esse corpo me abriga
e me desobriga
do sexo desconexo
da alma e da vida.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA