sexta-feira, 20 de março de 2026

Estranhamente - Laurinda Rodrigues

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Às vezes, estranhamente, o mal é belo,
é bela a insegurança e a inquietação…
Por que razão não quero e me rebelo
contra aquilo que parece ser em vão?

Afinal, se olhares bem, tudo está certo;
ninguém te prometeu algo diferente:
um outro que de ti estivesse perto
ou te envolvesse num abraço quente.

És sempre tu que, ao pensar, temeste
(até com medo de pareceres normal)
com tanta, tanta coisa, que prendeste
ao teu imaginário teatral.

Mas, se puderes olhar aquilo que passa
com a distância que vai da lua ao sol,
será apenas céu o que embaraça
o teu lindo cabelo… em caracol.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

O “mata-bicho” - Ivo Álvares Furtado

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“Vamos matabichar”,
é um termo vulgar
usado em Angola,
para matar a fome,
num pequeno almoço,
diário e salutar.
Correu várias gerações
e raras foram as interrogações,
sobre a origem e as razões,
de tal denominação.
O pão embebido em vinho,
teria sido a milagrosa solução,
para matar o bicho,
responsável pela morte,
no século XVI,
de madame de la Varnade,
perfurando-lhe o coração45.
O remédio do pão milagroso,
foi partilhado pela história,
que foi retida e replicada pela memória,
ficando perpetuada,
também em Angola
e contada desta forma poética,
a sua verdadeira história!

EM - SENTIR ANGOLA - IVO ÁLVARES FURTADO - IN-FINITA

quinta-feira, 19 de março de 2026

Minha oração - Juraci Augusta da Cruz

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O corpo feminino e suas crises
Cansaço, suores, dores, temores e tremores.
Silêncio…
Há um refrigério, um consolo
Há um lugar de descanso
Um tempo de levantar o olhar
Um tempo de mudar a perspectiva

Mudo o olhar, vejo a chuva e permito-me banhar
As gotas de esperança descem pelo corpo
Posso descansar nessa cascata orante
Olho as pedras que estão ali, no meio do caminho
Sou água que brota da fé, círculo a adversidade em silêncio
Estou orando em correnteza
Levanto os olhos para as borboletas
O bailado colorido me leva à paz
Oro com o sopro da Ruach que mistura cor, brisa e perfume

Sim, eu oro em silêncio, quieta
No colo da divina mãe
Estou no mundo, mas não sou moldada por ele
Faço a diferença e celebro a crença
No amor, na partilha, na vida em comum
Manifestando o amor
E sendo calor
Na vida de alguém.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

3 Haikus - Elizabete Nascimento

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vento no rosto
botox natural da vida
gente sem tempo
顔に風が当たる
生命の自然なボトックス
時間のない人たち
é liberdade
ler muito para não saber
terra de letrados
それは自由です
知らないことをたくさん読む
文盲の国
ser esquisito
combustível da luta
silêncio e solidão
変になる
戦いの燃料
沈黙と孤独

EM - PÉTALAS DE AÇO - ELIZABETE NASCIMENTO - IN-FINITA

quarta-feira, 18 de março de 2026

Insurgência - Jorge Gaspar

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"Os poetas mostram-se sempre como são. Não por serem mais sinceros, mas por imposição da própria poesia. Porque irrompe das profundezas ígneas do ser, quando se manifesta traz à tona a verdade
ainda a fumegar"
(Miguel Torga)
Na geometria do tempo, o poema mira o caos.
No horá (diá) rio o oxigénio do medo e o vazio.
O inferno do quotidiano e a decadência em vertigens.
No declínio do abismo a dor e o ranger dos ossos.

A realidade da existen (desisten) cia em combustão.
Verdades a silenciar em dimensão insustentável.
Sobrevivência por tentativas atraem dúvidas da vida.
O exilio do ser e estar no declínio do questionar.

E a mente? Inventa? A dor mente?
E a vida? Disfarçada na mente. Mente.
Agarr (arregaç) ar as palavras.
Ah, os versos. Fortificam a poesia.

Na geografia do poema, a coragem de resistir.
Que previsões para prezar em epopeia a expressão?
Expirar o inspirar da mente. Convictamente.
Ter tempo no tempo em concilio sustentável.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 17 de março de 2026

Eu queria ser… - Isabel Bastos Nunes

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Eu queria ser silêncio
Estar quieta
Calada
Deixar-me engolir pela noite
Mas a vontade absurda do meu corpo
É ficar acordada
Voltada certamente
Para os fragmentos das minhas memórias
Enquanto os outros dormem.

Submeto-me aos pensamentos
Aqueles que deixam cicatrizes
Que doem
Que ferem
Mas não matam.

Eu queria ser silêncio
Mas as minhas palavras
Permanecem indiferentes…

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

Horas mortas - Frassino Machado

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Bate gotejando
Na pedra mimosa
A água da fonte
Pura espadanando
Os lábios, saborosa,
Molhando a fronte.
Da carinhosa faia
Sai...
Tudo assombra...
E em longa raia
Se esvai.
No sorvedoiro frio,
Aos pés do monte,
Já lento cai
Em ténue fio
O horizonte.
No divino espelho
Pelas quebradas,
Desamparadas,
Verdes, cheirosas,
Tingem vermelho
Figuras bovinas
Pastando calmosas
Boninas.
E aquela bonina,
Levando no braço
A tina,
Alonga seu passo
Cantando, ensolhada,
E buscando, encantada,
A água da fonte.

 EM - NAS SENDAS DE ORFEU & OPÚSCULOS - FRASSINO MACHADO - IN-FINITA

segunda-feira, 16 de março de 2026

Enganada - Maria Antonieta Oliveira

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Recebi o beijo que me deste
Vinha bem embrulhado
Num papel quase dourado
Sorri feliz e com alegria
Desembrulhei, devagar
Não que o beijo sem eu querer, fosse voar
O dourado do papel foi ficando
amarfanhado
E o beijo nele enrolado
Encolhido e envergonhado
Escondeu-se do meu olhar
Por mais voltas que desse
Naquele papel dourado
Jamais encontrei o beijo
Que me tinhas enviado.
Triste e chorando baixinho
Descobri que afinal
Aquele beijo embrulhado
Não passava de sonho imaginado.

EM - MEMÓRIAS DE UMA LOUCURA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

Dócil - Fernando Silva

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Dócil a lua se deita
Nos lençóis da madrugada
Tão só o amor espreita
No quarto da minha amada

Num desejo que se expande
Enquanto a lua sorri
O nosso amor é tão grande
Mas eu nunca me perdi

Trago sorrisos no rosto
Que alimentam minha alma
Adoro o teu fogo posto
Que meu coração acalma

E subo à serra
Neste monte onde te vejo
Na minha terra
Trago para ti este beijo

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

Quem és tu? - Fátima Bravo

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Tu és
Quem dizes ser?
Será?

Será
Que não és
Outro ser?

Porque dizes
Que és
Sem ser?!…

EM - A MAGIA DO PENSAMENTO - FÁTIMA BRAVO - IN-FINITA

domingo, 15 de março de 2026

Hoje e amanhã - Ester Liñares

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Hoje é hoje.
E neste hoje cabem os teus olhos,
o teu sorriso que me ilumina
como quem acende mil estrelas no meu peito.
Hoje é hoje.
E neste hoje basta-me a tua mão firme e serena,
a tua voz que me embala,
o teu toque que me devolve à vida.
Hoje é hoje.
e neste hoje aprendo a viver no teu abraço,
no teu olhar que me aquece,
no teu beijo que me promete um amanhã.
Amanhã?
Amanhã é futuro, é um livro fechado.
Talvez haja sol, talvez tempestade... pouco importa,
estamos juntos e cada instante é uma história.
E o amanhã virá como sempre acontece.
Mas deixa-me dizer-te baixinho:
Hoje és tu, hoje sou eu,
hoje somos nós.
Hoje é hoje e amanhã...
Amanhã logo se vê!

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A “Rebita” - Ivo Álvares Furtado

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A música e a dança,
são formas de expressão, natural,
de um povo alegre e tribal,
que na rebita teve uma versão,
moderna, ritmada,
e geralmente instrumental 36.
Que avós não se lembram deste
inconfundível ritmo musical?
Nos musseques ouvido
em Português, ou Quimbundo;
mais tarde seguido do Semba,
do Kizomba, do Kuduro;
ou ainda de outros sucessos
da música Angolana, a nível mundial.
A rebita, porém,
ainda hoje deixa saudade,
para a geração de “Cotas”,
na qual se inclui a minha,
sendo o ritmo Angolano, nosso preferido
e ainda hoje bem lembrado
do passado recente, em Angola!

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sábado, 14 de março de 2026

3 Haikus - Elizabete Nascimento

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lírio no campo
enfrenta a ventania
se curva, não quebra
フィールドのユリ
風に立ち向かう
曲がっても壊れない
corpo de mulher
campo de batalha real
luta sem poder
女性の体
バトルフィールド・ロワイヤル
力なき闘争
desajustes mentais
o que quero, não posso
posso, não quero
精神的不適応
私が望むこと、できないこと
できる、したくない

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sexta-feira, 13 de março de 2026

Força de Amar - Elizabete Dente

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A minha gratidão é infinita
A este sol que me envolve
Ao vento que passa a bailar
Às pérolas de orvalho nas pétalas de rosa
À primavera a avançar
Como a liberdade que sinto
Como a água das fontes
Ou a neve dos montes
À vida que carrego no ventre
Ao amor em crescente
A este respirar em sintonia
Qual semente a germinar!
A minha gratidão é infinita
Infinita
Como a força de amar

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quinta-feira, 12 de março de 2026

Existir - Daniel Braga

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Não é um lugar no mapa
Um ponto de partida
É a ruga que fica
O silêncio que permanece
É o cheiro a maresia
Que se entranha no corpo
É o peso de cada um
Contra a corrente do cansaço
O instante preciso
Em que a mente adormece
É a procura incessante
Por um qualquer sentido
No fio de uma conversa
Que se prolonga no tempo
É a cor do rio que acalma
E nos faz sonhar
No anoitecer de mais um dia
Que nos fez sorrir de alívio
A promessa de que o mar
Continua vivo e agitado
É o acto de semear
Em terra incerta
Num destino belo e imprevisível
O erguer de um muro
Impossível de ser derrubado
A teimosia íntima
De acender um cigarro ao vento
A coragem de acordar todos os dias
E dizer a estes e a todos os anjos
Existir não é a resposta
É o tremor na pergunta
O amanhã que teima em chegar

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Sonhar - Frassino Machado

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Sinto a minha alma a pairar
E sobre um azul crescer,
Sinto minha obra a nascer
E nela o Sol a brilhar.

Se eu conseguisse descer
Ao fundo do meu sonhar
Iria sim redobrar
De alegria o meu viver.

Eu quero viver criando
Minha desejada sorte,
E quero enfrentar a morte
Eternamente cantando!

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quarta-feira, 11 de março de 2026

Trocada - Maria Antonieta Oliveira

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Passaste agora à minha porta
Engalado, de fato e gravata
Ias-te casar no registo
A noiva aguardava ansiosa
E tu, traiçoeiro e matreiro
Lá foste todo galã
Enfeitiçado pelo amor
Que afinal não sentias
Seguiste o rumo que traçaste
E o verdadeiro amor para trás deixaste
Quando voltaste à minha porta passar
Já o meu coração batia num outro lugar
Junto a ele, num banco de jardim
Uma lágrima deslizando, caía

EM - MEMÓRIAS DE UMA LOUCURA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

Sei… - Cris V.

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Sinto,
Sonho,
A duração de um amor?
Não é o tempo que dita
A duração do amor...
É a intensidade com que se vive
Com que se ama…
E se é amado... verdadeiramente!

Bastam segundos, minutos e tudo muda
Por mais anos que se vivam…
Por mais horas que se tenham…
Se não existir intensidade...
De que vale a pena… estar? Ficar?

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Pirata - Fátima Bravo

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Cantando suas belas canções
Ao peito, uma guitarra em riste
Tocando com as emoções
Da gente, que a esta tertúlia assiste.

Pirata d’óculos escuros
D’alma tão cheia de melodia
Em cada mulher, mil ósculos
Pirata de poesia e magia.

De vários estilos cantor
Cada mulher, uma canção
Cantor do sentir e d’amor
Geme a guitarra na sua mão.

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terça-feira, 10 de março de 2026

Entre a Luz e a Sombra - Clara Boavista

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Entre a luz e a sombra, eu respiro,
No limiar de um mundo indecifrável,
Onde cada brilho guarda um suspiro,
E, na escuridão, mareia o insondável.

Entre o visível e o que se esconde,
Não sei o que volva, nem para onde.
Na liberdade e essência de quem sou,
Em sombras e mistérios – assim eu vou.

Em cada contorno há uma forma viva
E uma alma que não se perde, reflexiva,
Onde, na luz, leio os vastos mistérios,
Que, na sombra, silêncios são impérios.

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