quinta-feira, 26 de março de 2026

Mágoa - Maria Antonieta Oliveira

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Já não tenho alegria, nem esperança
Nada ou algo que valha a pena
Vou sair desta vida infeliz
Vou renascer noutro local
Tentar ter outra família com amor
Que me dê carinho, beijos e ternura
Que sejam a minha salvação
Quero ter uma família.
Se errei, digam-me onde errei
E pedirei perdão
Explicarei porque o fiz
E decerto me compreenderão

Quanta mágoa vai neste coração
Quantas lágrimas derramadas em vão.

EM - MEMÓRIAS DE UMA LOUCURA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

Correr atrás da Primeira vez… - Paula Fuso

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Ser criança é ser aventureira, feliz
andar a correr atrás da primeira vez
ganhar asas, ser um eterno aprendiz.
É ter liberdade para sonhar, sentir
é acreditar em magia e contos de fadas
explorar o mundo em que vive a sorrir.
Para tudo, há sempre uma primeira vez
quando ao nascer chora e grita com altivez
bebe o leite ou a água no biberão
come a primeira sopa ou papa
gatinha, anda, corre com rapidez
balbucia e logo fala, canta, dança
anda de balancé, triciclo, bicicleta
viaja de carro, comboio, navio, avião
vai para a creche, para a escola,
vai ao campo, vai á praia
salta à corda, joga à bola, os joelhos esfola
brinca fascinado sem que nada o distraia.
Ser criança é gostar de aprender, se surpreender
acreditar que tudo é possível e imperdível.
É desejar tudo que vê e fazer birras
mas logo esquecer tristezas e brigas
e ter o dia mais feliz todos os dias.
É entender em cada passo que se der
que a vida se deve viver com intensidade
igual à do primeiro grito, que se dá ao nascer
para dizer… Estou aqui!

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

Se eu morrer - Fátima Bravo

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Se um destes dias, eu morrer
À beira do teu carinho
Faz tudo para eu viver
Não me deixes noutro caminho

Eu sei que não ando a teu lado
De mão na mão a caminhar
Sei que não tens para mim olhado
Segredo, sinto, estou-te a amar

Se nós na vida nos cruzámos
Será que não há algum porquê?!
Nosso destino não marcámos
Mas, foste meu lindo sonho, crê.

EM - A MAGIA DO PENSAMENTO - FÁTIMA BRAVO - IN-FINITA

quarta-feira, 25 de março de 2026

A dor da ausência - MJ Abreu

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É na ausência que se conhece a falta,
no vazio deixado, o coração exalta,
a saudade pinta um quadro sem cor,
revelando o valor do ausente amor.

Quando a presença se faz silêncio,
e a distância molda o sentimento,
percebemos o quanto era essencial,
o calor, o toque, o olhar.. tão real.

A ausência ensina com sua mão fria,
a importância de quem, um dia,
esteve ao nosso lado constantemente,
e na falta, o amor se torna gigante.

Nos espaços vazios da alma carente,
ecoa a lembrança, doce e presente,
pois é na ausência que se faz sentir,
a verdade do amor, que nunca há-de partir.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

Pau de Bambu - Ivo Álvares Furtado

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Quando for grande
e recordar o passado,
quero lembrar-me
do facto de ter brincado,
com o pau de bambu.
Era eu então um petiz,
que como os demais,
em Saurimo, construía
carrinhos com arame
e paus de bambu.
Com poucos recursos,
faziam-se brinquedos,
que tornavam
uma criança, feliz.
E assim em frente de casa,
na década de 50 do século passado,
havia um canavial,
onde do ofício artesanal,
era aprendiz;
e o bambu servia de esqueleto
para a construção do papagaio de papel,
espadas, arcos e flechas
flautas e outros instrumentos musicais
e ainda para fazer ponteiros escolares.
A versatilidade do bambu,
preencheu o nosso universo,
da infância em que brincamos,
Eu e tu!

EM - SENTIR ANGOLA - IVO ÁLVARES FURTADO - IN-FINITA

terça-feira, 24 de março de 2026

Borboletas - Maria do Céu Dâmaso

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Acordei num verde prado em que deitada na relva, mal os olhos conseguia abrir, Pois o calor não o permitia.
Aos poucos os fui abrindo e o sol refletia-se em mim! Continuando deitada.
Olhei em meu redor. Árvores muito verdes, flores que desabrochavam.
A minha respiração era calma e leve.
Senti pousadas em mim, pequenas e coloridas borboletas.
Esvoaçam à minha volta e em mim pousavam! E em mim tudo era cor e brilho.
Eram tão coloridas que não conseguia identificar as suas cores. Giravam à minha volta, tocavam-me nos braços, na minha face, criando em mim.
Aqueles, eram os momentos de paz, que sempre procuro.
Não conseguia levantar-me! E também não queria...
por ali fiquei até ao entardecer.
De repente adormeci. Nem sei se fiquei por ali!

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

3 Haikus - Elizabete Nascimento

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queria ser astro
não deixar nenhum rastro
apenas o vento
スターになりたかった
痕跡を残さない
ただの風
no chão árido
semente de serpente
rompe a sequidão
不毛の地で
ヘビの種
干ばつを打破する
a invenção faz
gente de carne e osso
tingir perfeição
発明はそうなります
血と肉の人々
完璧な染料

EM - PÉTALAS DE AÇO - ELIZABETE NASCIMENTO - IN-FINITA

segunda-feira, 23 de março de 2026

O perdão - Maria Cabana

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Traz a palavra na boca
Pedindo só com o olhar
Sua boca fica rouca
Rouca… só de o tentar
É difícil de pedir…
Será muita a ingratidão
Mas, para em frente seguir…
Devemos estender a mão…
Há quem o reconheça
Se errou a dado tempo!
Outro tempo recomeça
Façamos dele instrumento…
Todos nós o queremos
Por qualquer mal-entendido…
Ou por algo que fizemos…
E ficou mal resolvido…
Há até, quem alguém prejudique
Então, pedi-lo é virtude
Para que tudo bem fique
Há que pedi-lo amiúde!

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

domingo, 22 de março de 2026

A noite - Maria Antonieta Oliveira

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A noite é a escuridão iluminada pela lua
É o encontro dos amantes
E o adormecer dos vagueantes
Divagando pelas ruas negras e sujas da cidade
O cheiro nauseabundo faz-nos desistir
Mas o amor é maior e ficamos
Queremos continuar a amar ao luar
A sentir o calor dos nossos beijos
Sem que alguém nos condene
Só a lua, o céu e as nuvens nos veem
Testemunhas do nosso amor vadio
No lago a água espreita curiosa
Os peixes saltitam salpicando o banco
Onde nos encontramos amando
Enroscados e escondidos passamos despercebidos
E amamo-nos e beijamo-nos como se não houvesse amanhã
A lua começa a dar lugar ao sol
Temos que partir antes que eles nos encontrem

A noite termina
Mas o amor continua.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

Árvore caída - Frassino Machado

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Aquela árvore caída
Sem vida!
Aquele abalado solo
E o rasgado colo
Da terra...
Aquelas raízes torcidas
Secas e a beber pó
Que o ar encerra...
Aquele tronco só
No matagal selvagem
A largar seiva
E a respirar ciúme...
Aquela doce folhagem,
Caída na leiva,
Servindo estrume...
E o pica-pau e a pêga
Troçando,
Em orgulhosa achega...
Árvore lacrimando,
Prostrada, caída,
Sem vida,
Esperando!...

 EM - NAS SENDAS DE ORFEU & OPÚSCULOS - FRASSINO MACHADO - IN-FINITA

sábado, 21 de março de 2026

Loucura - Maria Antonieta Oliveira

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A loucura
É uma pasta vazia
É uma pauta sem clave de sol
Uma praia sem areia
E um mar sem água
A loucura
É uma cabeça oca
Um pensamento sem nexo
Um som agudo
Ou grave tanto faz
A loucura
É louca
Inventa e cria ilusões
Acredita em mentiras e desilusões
É louca
A loucura
Porque é abstrata e pura.

EM - MEMÓRIAS DE UMA LOUCURA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

M.A.R. dentro de mim… - Manuel A. Rodrigues

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Na praia, deslumbrei-me a ver as ondas rebentar,
O deslumbrar, levou-me a meditar,
Senti uma magia, vinda dentro do mar,
O sorriso de uma criança, a escrita me fez inspirar.

Tenho dentro de mim o M.A.R.!
Onde não existe água,
Nem barco para navegar,
Apenas navega em mim, o sorriso e a mágoa.

Sou o M.A.R.! de carne e osso!
Navegar dentro de mim, só eu posso!
Não tenho barco, nem caravela,
Pinto o meu navegar, numa imaginária tela.

Sendo eu o M.A.R.!
Dentro de mim, há ondas a se revoltar,
Meu pensamento vive sentado nelas,
Pelo sopro, viajo, fustigado para idílicas terras.

O meu M.A.R.! é de todos diferente!
É imaginária criação minha!
As águas, são a minha mente!
A criação de Deus, em mim, o M.A.R, domina…

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Retrato de almas gémeas - Fátima Bravo

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Destino
Encontro
Hora
Momento

Olhar
Amar
Oásis

Duas almas
Um coração
Amor no ar

O eterno destino
Sempre
Sempre
Amar.

EM - A MAGIA DO PENSAMENTO - FÁTIMA BRAVO - IN-FINITA

sexta-feira, 20 de março de 2026

Estranhamente - Laurinda Rodrigues

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Às vezes, estranhamente, o mal é belo,
é bela a insegurança e a inquietação…
Por que razão não quero e me rebelo
contra aquilo que parece ser em vão?

Afinal, se olhares bem, tudo está certo;
ninguém te prometeu algo diferente:
um outro que de ti estivesse perto
ou te envolvesse num abraço quente.

És sempre tu que, ao pensar, temeste
(até com medo de pareceres normal)
com tanta, tanta coisa, que prendeste
ao teu imaginário teatral.

Mas, se puderes olhar aquilo que passa
com a distância que vai da lua ao sol,
será apenas céu o que embaraça
o teu lindo cabelo… em caracol.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

O “mata-bicho” - Ivo Álvares Furtado

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“Vamos matabichar”,
é um termo vulgar
usado em Angola,
para matar a fome,
num pequeno almoço,
diário e salutar.
Correu várias gerações
e raras foram as interrogações,
sobre a origem e as razões,
de tal denominação.
O pão embebido em vinho,
teria sido a milagrosa solução,
para matar o bicho,
responsável pela morte,
no século XVI,
de madame de la Varnade,
perfurando-lhe o coração45.
O remédio do pão milagroso,
foi partilhado pela história,
que foi retida e replicada pela memória,
ficando perpetuada,
também em Angola
e contada desta forma poética,
a sua verdadeira história!

EM - SENTIR ANGOLA - IVO ÁLVARES FURTADO - IN-FINITA

quinta-feira, 19 de março de 2026

Minha oração - Juraci Augusta da Cruz

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O corpo feminino e suas crises
Cansaço, suores, dores, temores e tremores.
Silêncio…
Há um refrigério, um consolo
Há um lugar de descanso
Um tempo de levantar o olhar
Um tempo de mudar a perspectiva

Mudo o olhar, vejo a chuva e permito-me banhar
As gotas de esperança descem pelo corpo
Posso descansar nessa cascata orante
Olho as pedras que estão ali, no meio do caminho
Sou água que brota da fé, círculo a adversidade em silêncio
Estou orando em correnteza
Levanto os olhos para as borboletas
O bailado colorido me leva à paz
Oro com o sopro da Ruach que mistura cor, brisa e perfume

Sim, eu oro em silêncio, quieta
No colo da divina mãe
Estou no mundo, mas não sou moldada por ele
Faço a diferença e celebro a crença
No amor, na partilha, na vida em comum
Manifestando o amor
E sendo calor
Na vida de alguém.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

3 Haikus - Elizabete Nascimento

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vento no rosto
botox natural da vida
gente sem tempo
顔に風が当たる
生命の自然なボトックス
時間のない人たち
é liberdade
ler muito para não saber
terra de letrados
それは自由です
知らないことをたくさん読む
文盲の国
ser esquisito
combustível da luta
silêncio e solidão
変になる
戦いの燃料
沈黙と孤独

EM - PÉTALAS DE AÇO - ELIZABETE NASCIMENTO - IN-FINITA

quarta-feira, 18 de março de 2026

Insurgência - Jorge Gaspar

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"Os poetas mostram-se sempre como são. Não por serem mais sinceros, mas por imposição da própria poesia. Porque irrompe das profundezas ígneas do ser, quando se manifesta traz à tona a verdade
ainda a fumegar"
(Miguel Torga)
Na geometria do tempo, o poema mira o caos.
No horá (diá) rio o oxigénio do medo e o vazio.
O inferno do quotidiano e a decadência em vertigens.
No declínio do abismo a dor e o ranger dos ossos.

A realidade da existen (desisten) cia em combustão.
Verdades a silenciar em dimensão insustentável.
Sobrevivência por tentativas atraem dúvidas da vida.
O exilio do ser e estar no declínio do questionar.

E a mente? Inventa? A dor mente?
E a vida? Disfarçada na mente. Mente.
Agarr (arregaç) ar as palavras.
Ah, os versos. Fortificam a poesia.

Na geografia do poema, a coragem de resistir.
Que previsões para prezar em epopeia a expressão?
Expirar o inspirar da mente. Convictamente.
Ter tempo no tempo em concilio sustentável.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 17 de março de 2026

Eu queria ser… - Isabel Bastos Nunes

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Eu queria ser silêncio
Estar quieta
Calada
Deixar-me engolir pela noite
Mas a vontade absurda do meu corpo
É ficar acordada
Voltada certamente
Para os fragmentos das minhas memórias
Enquanto os outros dormem.

Submeto-me aos pensamentos
Aqueles que deixam cicatrizes
Que doem
Que ferem
Mas não matam.

Eu queria ser silêncio
Mas as minhas palavras
Permanecem indiferentes…

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

Horas mortas - Frassino Machado

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Bate gotejando
Na pedra mimosa
A água da fonte
Pura espadanando
Os lábios, saborosa,
Molhando a fronte.
Da carinhosa faia
Sai...
Tudo assombra...
E em longa raia
Se esvai.
No sorvedoiro frio,
Aos pés do monte,
Já lento cai
Em ténue fio
O horizonte.
No divino espelho
Pelas quebradas,
Desamparadas,
Verdes, cheirosas,
Tingem vermelho
Figuras bovinas
Pastando calmosas
Boninas.
E aquela bonina,
Levando no braço
A tina,
Alonga seu passo
Cantando, ensolhada,
E buscando, encantada,
A água da fonte.

 EM - NAS SENDAS DE ORFEU & OPÚSCULOS - FRASSINO MACHADO - IN-FINITA