segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Slow food - CHRIS HERRMANN

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quando criança
sonhava com monstros
que queriam me devorar

hoje, velhos amigos,
sentam-se comigo
à mesa

EM - CHRIS HERRMANN - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Nosso jardim - ALINE BRANDT

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É lindo o nosso jardim!
Sob a sombra da figueira
Sento sempre bem faceira
Com você perto de mim

É lindo o nosso jardim!
Pomposa jabuticabeira
É lugar de brincadeira
Quero vê-lo sempre assim

É lindo o nosso jardim!
Em pequenino espaço
É com amor que eu faço
Sinto cheiro de jasmim

É lindo o nosso jardim!
Borboletas, pássaros, flores
Uma imensidão de cores
Chama atenção o carmim

É lindo o nosso jardim!
Eu e você abraçados
Os sentidos aguçados
Numa carícia sem fim

 EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VI - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Por mim - ALICE VIEIRA

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só por mim
sem o fantasma absurdo a renascer em ódios
sem o estertor do luar a esmagar-me na teia
sem a voz insensível no adeus adiado

só por mim
e não pelo possível nenúfar a chorar-me nos olhos
ou o mar desmedido a inundar-me os braços
ou a paz desenhada no meu corpo mole

só por mim
           terra esquecida

com o teu olhar perdido sobre a lama

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

Senilidades - MANUEL MACHADO

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Pensamentos velozes esvaem-se,
Flutuam por emaranhado de memórias,
Ilógicas aos linguajares constantes
Atalhados por pausas gaguejadas.

Testas enrugadas a repetidas dores
Olhos semicerrados brotam pérolas salinas
Bocas assimétricas por lábios descaídos.
Expressões denotam corpo e alma sofridos.

Corpos curvos a sentidos cansaços
Articulações doridas em parcos movimentos
Ventres dilatados à inércia instalada
Epidermes flácidas e enrugadas.

Pernas antes ágeis, agora trôpegas
Passos lentos arrastam pés deformados,
Suportes à vida, vivida, passada e presente,
Tantos caminhares doces, ansiosos e tumultuosos.

Enfrento o espelho de verdades cruéis
Sempre realista, assertivo e implacável.
Somos…estamos mais velhos!

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Inexistência - LU RODRIGUES

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Vivo num espaço
sem localização .
Num tempo
sem contagem.
Habito o sonho.
Piso o chão
para o fazer,
para o cumprir.
Resignada.
Por vezes com indignação.
Num intervalo,
num vazio
a vida resiste.
Na inexistência
a espera do re-viver.

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 1 de agosto de 2021

Ensinando com poesia - ADRIANA GARCIA

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A arte é a grande magia
A arte é sabedoria
A vida é alegria
A vida é poesia

Tudo é melodia
Tudo é poesia
A vida que encanta
É a melodia que canta
De noite ou de dia

Eu não saberia o que seria
A vida sem poesia
A arte própria da vida é à grande magia

Cada vida uma essência
Cada dia uma experiência
A vida é o retrato da arte que você é...
A vida é ou não é uma linda poesia?

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VI - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Rio Grande do Norte (Brasil) - MANUEL MACHADO

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Ao meu Irmão António, à Auzeh Freitas e ao Fernando Emanuel Correia

Por ali andei, vagueei e toquei a felicidade
em terras potiguares avistadas por Vespúcio
onde almas lusas solidificaram raízes,
edificaram estrelado Forte dos Reis Magos
fundaram Natal às margens do grande rio Potengi.

Calcorreei caminhos pisei terras vermelhas
escaparam-se-me entre dedos areias finas
de Genipabu, das dunas desérticas ao olhar,
a Ponta Negra, Maracajaú e Pipa do paraíso,
de areais quentes e escaldantes aos corpos suados.

Há árvores frondosas, extasiei-me por cajueiro de Pirangi,
já vistas na África que me viu crescer, deu de beber e viu partir.
Inspirei sofregamente até às recônditas entranhas do meu ser
ares e ventos mais puros do planeta só sentidos por Antárcticos.

Convívios sãos entre gentes de sorrisos e risos francos e abertos
divertidos pelo Carnaval de folias estrondosas e coloridas.
As aves raras multicolores, conhecidas engaioladas,
agora libertas e livres, em bandos e voos incertos,
cruzam o firmamento abobadado límpido azul celeste.

Haja sábios humildes e desapegados a proteger o paraíso!

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

O poeta - BIAMARIA

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O poeta é um fingidor
E finge muito bem
Mas todos sabem que ele sofre
Sem dizer nada a ninguém

O poeta é um fingidor
Finge que nada sente
Mas no seu triste olhar
Todos veem que ele mente

O poeta sofre e finge
Finge que é feliz
Ninguém sabe o que ele pensa
Nem tão pouco o que ele diz

Fala com aves do céu
Com a lua e o luar
Mesmo de dia acordado
Ele vive sempre a sonhar

Finge que já não ama
Nem se lembra do passado
Todos sabem que é mentira
Ele está apaixonado

O poeta é o personagem
Mais impressionante que já vi
Finge que canta e chora
Finge que chora e ri

O poeta é meu amigo
Gosto dele mesmo assim
Finge que não me ama
Mas sei que gosta de mim

EM - A VIDA É UM POEMA - BIAMARIA - IN-FINITA

sábado, 31 de julho de 2021

Chapeuzinho Vermelho Contemporânea - LINDEVANIA MARTINS

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Lobo,
por que esses olhos tão grandes?
para que sempre saiba onde estás
e por que essa voz tão alta?
para saberes que serei eu sempre a mandar
e por que esses braços tão fortes?
para que tu nunca consigas me escapar

vaidoso e anacrônico
ele se aprumou todo
subiu na cama para melhor a abocanhar
e aí

zás...

a Chapeuzinho engoliu o lobo
que não viu o tempo passar

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Tempo em mim... - MANUEL A. RODRIGUES

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Tempo, espera por mim,
Não tenhas pressa, de chegar ao fim,
Tempo, não sejas assim,
Tempo, dá-me o meu tempo,
Sem o tempo de ninguém roubar,
Fico com o tempo que tu me queiras dar,
Oh! Tempo, não sejas apressado,
Caminha devagar a meu lado,
Como não sei o tempo que ainda me dás,
Aproveito o que tenho, sem olhar para trás,
Quando de mim te cansares,
E a divida do tempo me cobrares,
Leva todo o meu tempo, sem de mim te preocupares...

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 30 de julho de 2021

O Engano - LINDAURA SANTANA

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Chegou para mim com passos leves
Um cordeiro a embalar meus sonhos
Dizendo-me sempre o impossível
Recitou-me palavras musicais ao pé do ouvido

Catuquei-me em beliscões:
Verdade ou delírio?
Tocou-me em intensas sensações
De todas as estações - do verão ao inverno

Envolveu-me em braços infinitos
Limitou meus olhos à sua Íris
Resumi minha fala em:
Você, Meu, Nosso e Querido.

Furtei de mim uns planos
Para realizar os de quem amo.
De repente!
Num ato estranho,
Tentando cumprir seus oceanos,
Meu barco naufragou.
Errei ao não comandar os remos.

Sedenta em um oceano
Tudo fugiu no mesmo instante.
Sem Iris, braços, abraços e ouvidos.
Só viagem e silêncio.

Onde está,
Logo agora que preciso?
Por que antes não pude ver a verdadeira face?
Me enganei tão drasticamente!

No deserto tendo um oásis não me destes água.

Agora não sei como guardar na memória
Se... Um ser áspero e cruel, mas verdadeiro
Ou... Um ser amigo, doce, mas arteiro
Condicionado pelo engano.

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Louco um pouco... - MANUEL A. RODRIGUES

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Se me chamarem de louco,
Louco seja talvez,
De loucura tenho um pouco,
De quando em vez,

Podem de louco me chamar,
Porque alguma loucura aceito,
Não vou por isso louco ficar,
Mas ficar louco, isso é que eu não deixo,

Um pouco de loucura,
Tira dentro de nós alguma agrura,
Desde que não seja loucura pura,
Dura um pouco, mas não perdura,

Loucura, sendo consciente,
Faz com que a vida seja mais vivida,
Nos sintamos mais gente,
E cada momento seja uma vitoria conseguida,

Um pouco de loucura,
A ninguém faz mal,
Não é doença, nem necessita cura,
Nem precisa de ser tratada no hospital,

Loucura pode ser sensata,
E dá mais sentido ao viver,
Quando se tem a mais, também mata,
Não deixemos a loucura, dentro de nós crescer...

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Vida em carne viva - LILIANE NEVES

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Saudade de sentir saudade
E o ser se cansa de ser
E o ter se cansa de ter
E a satisfação, insatisfeita de si,
se satisfaz de sentir o que não
tem em si nenhuma saciação

Revelia reveladora de revoluções
Descontente contentamento
Sermos livres de prisões nos põe
gradios nas liberdades
pequenina grande vontade
de botar pra dentro o que não vem
de fora e até mesmo nessa hora
jamais vai poder entrar porque
de dentro nunca saiu

É necessário não entender
Só assim pra compreender
o paradoxo.

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Resiliência - IRENE MATIAS

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No canto para onde a sua vida a jogara, ela sofria
Mas, de modo algum podia estar a ser esquecida,
Tinha que lutar... com todas as forças do seu ser
Forte e resiliente, lutaria até o seu sonho vencer!

De alma destemida lutara sempre pelo seu bem-estar,
Aquele amor que de amargura o seu ser preenchera,
Estava a destruir em si a força que a natureza lhe dera
Não podia resignar-se, pois outro amor iria encontrar!

Falava de si para si, e em voz alta procurando
A sua resiliência, que parecia estar adormecida
Numa cama fofa de algodão e sem despertador!

Que tocasse bem alto, a despertasse daquela dor,
Porque "não é por morrer uma andorinha"...
Talvez a primavera lhe trouxesse outro amor!

EM - AMANHECEU... RENASCEU! - IRENE MATIAS - IN-FINITA

Impacto ambiental nas tribos... - LUÍS FERNANDES

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Ser índio é sentir
a natureza e vivê-la!
coexistir, resistir, insistir...,
vesti-la, bebê-la!
indígenas, sóbrios trepadores...,
frugalidades genuínas, elasticidade característica,
sofrem dissabores...,
alterações climáticas, reviravolta drástica!
seus animais morrem precocemente...,
plantas perderam qualidades nutritivas!
regimes pluviais alterados abruptamente...,
temperatura, rios, humidade, desregulados, abusivas!

Hoje, tempo seco irregularmente!
impede queimadas usadas na agricultura,
tradicional, chamas fogem violentamente,
até florestas tropicais, cultura
saudável, ambientalista, singela, afetada!
hortas não vingam...,
subsistência hipotecada!
forçados, migram...,
procurando condições,
empregos precários,
prosperam privações,
entraves vários...

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Flor - LILIAN FONTES

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Cada flor tem sua linguagem.
Beleza plena
Que se sabe a si mesma
Alheia ao nosso olhar

A pretensão humana
De atingir
Seja qual for
A perfeição
Esfacela-se diante dela.

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

A outra - CHRIS HERRMANN

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ela me balança
e eu não caio

quando não me
aguento
ela me carrega

quando ela me pesa
sou contrapeso
por natureza

juntas, balanceamos
nossas desmedidas
levezas

 EM - CHRIS HERRMANN - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Combustíveis fósseis VS Energias renováveis - LUÍS FERNANDES

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Carvão, petróleo, gás natural!
dependência doentia...,
soluções, pessoal?
sem eles sucumbe democracia?
o efeito de estufa, pá!
os gases poluentes, vá!
a chuva ácida, pá!
alterações climáticas, vá!
aquecimento global, pá!
derramamento de crude, vá!
lençóis de água contaminados, pá!
guerras provocadas, Chernobyl, vá!

Insinceridade capitalista!
apostam no finito...,
vai uma pista?
olvidam infinito...,
distopias dantescas, pragas contagiosas,
especulação económica, futuro hipotecado,
gerações pagarão faturas maliciosas,
mundo maltratado!
plausível será apostar
nas energias eólica,
geotérmica, fotovoltaica, biomassa, avançar!
inesgotável, hidráulica...,
(Meus senhores, haja raça!)

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 27 de julho de 2021

Osíris despedaçado - LÍGIA SAVIO

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Então, pela última vez, lutei contigo
dentro de mim.
Partir-te em pedaços,
pulverizar alguns,
desfibrar-te,
espalhar-te pelo mundo
até ficares invisível
mesmo no reino das sombras.
Um grande suspiro de alívio
na alma cansada.
Uma grande paz e flores nos campos
antes calcinados.
Um gole de água pura em minha boca
antes fonte seca.
Nenhuma deusa egípcia
pra te recompor
porque destas batalhas milenares
Ísis volta sempre sozinha
e mais inteira.

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Noticiário - LÉA COSTA SANTANA DIAS

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Em cada canto uma flor daninha
Cospe sementes que ameaçam meus dias.
Já não há consolo para meus olhos
Nem alento algum chega a meus ouvidos.

Espelho do que se lavra nas ruas,
César colhe o que não plantou,
Enclausura os peixes em coleções privadas
E confisca a vara dos pescadores.

A cada giro completo dos ponteiros,
Despencam dos céus três ou quatro aviões.
Outros tantos polemizam nas redes
Sobre a ocisão dos não nascidos.

Os santos se dedicam a protestos infames.
A ordem do dia é atirar lanças
Sobre corpos sangrados de meninas nuas
Cingidas a seus bichinhos de pelúcia.

Um grito negro salta do nono andar,
Enquanto os cães, incólumes, folgam na praça.
Mãos alvas não se tingem de escarlate
Ainda que haja sêmen e hímen rompido.

O deserto são as minhas órbitas.
Minhas lágrimas não regam
As terras que ardem em chamas
Nem faz baixar o preço do arroz.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA