sábado, 27 de novembro de 2021

Riomar - RITA QUEIROZ

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Sigo a correnteza
Para desaguar em teu mar
No encontro do doce com o salgado
Somos calmaria
Ancorados no sonho de amar!

EM - RITA QUEIROZ - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Mente - PAULA ANIAS

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Na minha mente
ventos , sol e furações
fazem morada
mesmo em silêncio,
mesmo não dizendo nada,
pensamentos potentes
fazem barulho
uma mente que segue disparada.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Lago Mário - JACKMICHEL

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Se não houvesse um lago é certo
Que as ninfas haveriam de chorar...
Se não houvesse um Mário é claro
Que as artes haveriam de reclamar...
Então, que unidos fiquem
E unidos hão de ficar:
Lago Mário, Mário Lago –
Emblema de teledramaturgia secular!

EM - JACKMICHEL - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Viver - ZENILDA RIBEIRO

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Viver é como uma música
e a melodia é a vida.
Por vezes suave, alegre.
Por vezes em ritmo frenético
e de batidas fortes.
É preciso ouvir e sentir
cada som, cada nota, cada ritmo.
Entregar-se aos sons que nos tocam,
que embalam nossa alma.
Compreender e combinar as notas.
Estudar a escala.
E em cada acorde
buscar a harmonia possível.
E, a essa melodia,
ir acrescentando as letras,
compondo canções,
com a poesia das vivências,
das demandas e urgências,
das conquistas,
das perdas.
Criando a nossa playlist,
com as escolhas de cada dia.

EM - MULHERES A UMA SÓ VOZ - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Encanto - PATRÍCIA ANICETO

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a ave pousa suavemente
sobre o mourão fincado na areia

tudo é silêncio

penas em desalinho
desafiam o vento e o sereno
e a ave contempla o horizonte perdido
como quem fita solitário o vão destino
e esse tormento

no canto noturno
há um lamento
que embala o barco distante e perdido
lá no mar ou na imensidão do firmamento

nessa lamúria e infindável espera
o curiango triste anuncia o canto
como quem diz adeus na despedida
“amanhã eu vou”
“amanhã eu vou”
como se pudesse desafiar o lumiar do céu
e sua sina

por um descuido ignora as asas
e mantém os pés firmes
fincados na madeira inerte

surpreso e em devaneio
ouve atentamente o próprio eco
e como quem se alimenta de esperança
engana a si mesmo
acreditando ouvir o grito
que o encanta e o conforta
“amanhã eu volto”
“amanhã eu volto”

e todo silêncio se desfaz

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Meu jeito - YOLANDA GUILHERME

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Carrego um sonho e o meu jeito
Forjado em ferro, em brasa e muitos defeitos
Sou mineira, caipira
E gosto de angu com torresmo
Levo minha bandeira por esse mundo
Abrindo porteiras
Espiando tudo com respeito
Não tenho pressa na prosa
Aprendi comer pimenta
Tomar pinga e água na bica
Cantar prá lua e ouvir o escuro
Bato nas portas antes de entrar
Ajoelho no altar
Ofereço café à quem chegar
Não importa o tempo, o lugar
A bandeira eu carrego, e segue adiante
Com devoção e apreço
A cada dia que passa, mesmo com os tropeços
O lema escrito no peito
Tarefa difícil
Liberdade!
Livrai-nos da ingratidão
Nos fortaleça com amor e perdão
Ô trem bão!
A fé não costuma faiá...

EM - MULHERES A UMA SÓ VOZ - COLECTÂNEA - IN-FINITA

E Ele a chamou de Flor - NEGRA LUZ

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A Flor estava roxa
Era mais uma na estatística
Não era espécie rara
Era roxa por causa conhecida
Jamais seria esquecida
Uma flor humana
Estava em casa
Ao abrigo da paz que deveria ter
Mas Flor que acordara linda
Cansou de viver aquela vida
Pediu para viver
Ergueu as mãos
Pediu ajuda
E quando todos a veem
Parecem estarrecidos
Por ver a Flor tão roxa
O rosto irreconhecível
Atestando na vida
Que há flores que roxas ficam
Não por nascerem lindas,
Mas por quase morrer:
Por mãos que um dia disseram ser ela linda.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Manifesto da vida - VICTÓRIA MENDES

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Não estou economizando caneta
Para escrever a minha história
Me orgulho de cada fracasso
E não escondo nenhuma vitória

O lápis não faço questão de usar
Já que o tempo pode apagar
Caneta, minha querida caneta
Nenhum detalhe vou deixar passar

Minha vida é uma só
Com intensidade irei tudo viver
Antes que eu retorne ao pó

Todos temos o mesmo destino –
basta descobrir como vamos viver a jornada

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Frisson - NAUZA LUZA MARTINS

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Quando te vi pela primeira vez
Senti meus neurônios sensoriais
Em completa confusão. Mantive a altivez.

Nossos olhares se cruzaram por um instante
Levitei. Não senti os pés no chão
Meu corpo sem controle, oscilante.

Te vi correr em minha direção
Tua voz soou como uma música ao longe
Denotava interesse e preocupação.

Tentei me recompor ao sentir teu firme toque
Mãos suaves me envolveram inalei teu cheiro marcante
Estou bem – confirmei com expressão em choque.

Teu sorriso encantador lembrava o alvorecer
De um perfeito dia de sol. Encontro marcado
Frisson controlado. Desejo atiçado. Nada a perder.

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terça-feira, 23 de novembro de 2021

Sol de Inverno - Mª LEONOR COSTA (NONÔ)

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No céu o sol brilha
Mas não chega para aquecer
A sua aparição é uma maravilha
De energia nos consegue abastecer.

Após um longo período com chuva
E com muito frio para nos entristecer
O seu aparecimento caiu como uma luva
Que nos cinco dedos consegue caber.

É mais fraco que o sol de verão
Mas mais alegria consegue trazer
É com tamanha satisfação
Que os braços ergo para o receber.

EM - Mª LEONOR COSTA (NONÔ) - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Irene na corte de direitos humanos - VÂNIA PONTES

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Irene nordestina
Antígona do sertão
Irene de Santa Quitéria-CE.

Imagino Irene entrando na Corte Internacional
De Direitos Humano, condenando o Brasil:
– Licença, excelências!
E os juízes Iteramericanos:
– Entra, Irene, pois para fazer Justiça, não precisa pedir licença.

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Resisto - NADIA FARIAS DOS SANTOS

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Eu negra
De pele de azeviche
Que a lua encandeia
Existo, insisto, resisto.
Com meu cabelo crespo,
Com meus lábios grossos,
Com meus olhos negros
Brilhantes iguais estrelas,
Existo, insisto, resisto.
Existo!
Apesar das dores,
Dos desamores,
Da solidão,
Do peso da opressão.
Insisto!
Em gritar meu nome,
Em lutar contra a fome,
Morte, violência, desilusão.
Em fazer revolução.
Resisto!

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segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Laços etéreos - RITA QUEIROZ

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Você...
Do outro lado do tempo!
Nós...
Perfume suave da memória,
Fim esquecido,
Herança de um começo... Revisitado!

EM - RITA QUEIROZ - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Soltou um sorriso leve e natural - VALQUÉCIA COSTA

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Escondia a sua risada, ela não podia ser feliz
Precisava esconder cada tentativa de esboçar alegria
Se o abuso enxergasse sua ousada tentativa
Nos movimentos labiais leves
Era tapa, era fria.
No olhar do abuso ela podia
Escutar o grito: NÃO RIA!
Chegar em casa com certeza
Teria agressão física.
O riso ela escondia cada vez mais, mais a cada dia,
Com medo de ter mais uma briga.
Foi deixando de ser sorriso, alegria.
Na tentativa de evitar,
Por mais uma vez ser agredida.
Mas o tempo passou,
Quebrou o ciclo da violência.
Não vai aceitar mais ser ferida
Ela mesma gritou: SORRIA! SORRIA!
Ninguém vai te intimidar agora
Pode sorrir para vida, seja feliz.
Movimente os lábios, dê gargalhadas altas
Que há muito tempo deixou de ser sua marca,
Reconquiste a sua autonomia, sua autoestima,
Vai, não perca tempo:
SORRIA! SORRIA!

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Como palavras - MICLEANE

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como palavra me sei muitas
inacabada com minhas partes

como palavra me percebo narrativas
livres, soltas, vivas
pulso

como palavra me sinto poesia
estilhaço e refaço
morro e renasço
encanto e ato

como palavra adentro mundos
mundo meu, mundo seu
logo nosso
universo

como palavra sou antes do que é código
entre
nascenças e morrenças
(sobre)vivências

tenho fome
como palavra
me alimento

como palavra posso eternidade
registrando histórias
criando memórias
fazendo laços

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domingo, 21 de novembro de 2021

Momo Pé Pé - JACKMICHEL

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Ao rei momo Nelson Nobre

O carnaval é de Momo,
De Momo Pé Pé.
Traz o som da zabumba,
Requebra, Zé Mané!

Pintados foliões fantasiados
Lançam esguichos de lança-perfume,
Jogam confetes, serpentinas,
Como se fossem vaga-lume!

A coroa caiu da cabeça
E, quando foi juntar, quebrou o pé.
Mesmo assim, o rei não perdeu a majestade:
Virou Momo Pé Pé!

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Desvario - MEIRE PEDROSO DA SILVA

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Eu bebi o rio
Rodopiei na correnteza.
Guardei no canto das águas
Meus mitos
Meus medos.
Na cabeceira,
Meus arquétipos.
Na foz,
Minha ânsia.
Eu remei o rio
Com meus braços de menina
E dele saía um som
E eu ia ia ia..
Longeeee!
Vadiar.

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sábado, 20 de novembro de 2021

Pássaro - SÍLVIA SILVA

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Sou um pássaro ferido...
Precisando do Teu amparo
Depenado e fraco
Querendo virar Fénix
Querendo virar cisne
Aprisionada, engaiolado
Em feras e metálicas grades;
Sou um pássaro ferido...
Requintado, mas sem própria estima
Voa no sonho...
Mundo privado e ansiado
E poesia, pública
(Desejado...
Reconhecimento!)

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Calientes emoções - MAURA LUZA FRAZÃO

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Aspiro um amor de verão
Recheado de emoções faiscantes
Uma linda praia
Mar azul
Um acariciante sol ardente
Cúmplice de uma paixão latente.

Descansando meus olhos
Naquele cadente quebrar de ondas
Admirando hipnotizada
Seu belo corpo... Gestos felinos
Ao retirar os cabelos dos olhos
Castanhos esverdeados
Pura adrenalina.

Na despedida o sol
Acariciando nossos corpos lânguidos
Estendidos entre as dunas
Branquinhas a perder de vista
Naqueles braços
Descanso feliz
Seremos pura satisfação.

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sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Não sou poeta - ROSA FLOR

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Não sou Poeta, mas amo poesia.
Há uma certa magia nos versos de quem escreve.
Exorcizam-se tormentos, desejos, abre-se a alma,
que por vezes em chama, nos desperta a imaginação.
Não me sinto Poeta, mas respiro o perfume da paixão e, num rasgo de emoção, digo com alma poesia.
Não me sinto Poeta, adoro versejar, de experimentar sensações, de as transmitir, celebrando o pôr do sol, descrevendo o anoitecer, e navegando em ilusões que ainda não vivi.
Não sou Poeta, sou a que sonha, amando os Lilases,
as Rosas e Jasmins, as aves que com simplicidade
me segredam, como a luz do sol se passeia e sorri
por entre vales e colinas, se apropria sem me dar conta
do meu corpo iluminado pela esperança, levando comigo na doçura das fantasias e loucuras que escondo,
os motivos que me entristecem e me fazem navegar
nos mares da incerteza, porque sou artesã de utopias
e porque não sou Poeta.
Ah! se soubesse escrever um poema!!

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