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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

No andar lento - MANUELA FONSECA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA

No andar lento
Do irmão negro

Visitas-lhe as palmas
Dos pés
Picadas
Ausências mandiocais

Nesse andar lento
De solidões estépicas

As mãos desabam
Impunes
À moral cominada
Caída no chão da terra
Que a pátria lhe negou

EM - POESIA SEM REMETENTE - MANUELA FONSECA - TEMAS ORIGINAIS

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

A lua geme - MANUELA FONSECA

A lua geme
Quando se cruza em Cassiopeia
Num rodopio de luto
Dá-se em lua cheia

Os deuses caminham nela
Fartos de abraçar o mar
Forte de estrelas cadentes
Sem nunca as alcançar

Reflexos selvagens num instante
Rolam contra a luz como pedradas
Lutam e sobem verticalmente
E a seu tempo
As mágoas são manchadas

E a lua geme
Em colunas quebradas

EM - POESIA SEM REMETENTE - MANUELA FONSECA - TEMAS ORIGINAIS

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Tens o dom do mal - MANUELA FONSECA


Tens o dom do mal
Espalhado nas ruas desertas
Ensanguentadas
De risos nocívos
E mulheres prenhas de lágrimas
Debruçadas sob o efeito
Do teu cinismo vomitado
Na fronteira de um mundo
De secura silenciosa
Onde a paz
Só tem bilhete de ida
Em pequenos corpos
Ainda mornos

Onde o teu fogo
Já só é artifício

EM - POESIA SEM REMETENTE - MANUELA FONSECA - TEMAS ORIGINAIS 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O vestido verde - MANUELA FONSECA


Aquele vestido verde
Suave ao toque do veludo
Deslizou no seu corpo
Em soluços confidentes

Rosto branco
Isento de cor malte
Caíam sorrisos apressados
Que se desmanchavam
Em brilhos pardos

O andar provocava o homem
Que o inventou
Quando o amor era presente

O olhar voltava-se
Apagando a dor
Da paixão

EM - POESIA SEM REMETENTE - MANUELA FONSECA - TEMAS ORIGINAIS

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Fui sentada em ti - MANUELA FONSECA



Fui sentada em ti
Por esse planeta adiado
Escureci as ideias
Enganei-te na verdade
E viajei-te no erro
De seres assim

Continuei a viagem
Imitando as sombras
Que contraí
E nunca desisti

Vim moldada em ti
Doente de roturas
E falhas de ozonos
Admiti a esperança
Em fé de ti

E comecei por mim

in... Poesia sem remetente - MANUELA FONSECA - Temas Originais

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Tens o dom do mal - MANUELA FONSECA



Tens o dom do mal
Espalhado nas ruas desertas
Ensanguentadas
De risos nocivos
E mulheres prenhes de lágrimas
Debruçadas sob o efeito
Do teu cinismo vomitado
Na fronteira de um mundo
De secura silenciosa
Onde a paz
Só tem bilhete de ida
Em pequenos corpos
Ainda mornos

Onde o teu fogo
Já só é artifício

in... Poesia sem remetente - MANUELA FONSECA - Temas Originais

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

As lágrimas soltam-se - MANUELA FONSECA



As lágrimas soltam-se
Em cataratas possantes
Espírito selvagem e do vento
Que em silêncio escorre da planície

Não quero secá-las em adeus
Nem possuí-las
Em cânticos de louvor
Quero soltá-las
Libertá-las e adoçá-las
De tanta mágoa e dor
Sem que seja preciso procurá-las

in... Poesia sem remetente - MANUELA FONSECA - Temas Originais