Este blogue pretende ser uma montra de poemas e poetas de língua portuguesa.
NESTE MOMENTO O TOCA A ESCREVER É PATROCINADO POR ALGUMAS EDITORAS E AUTORES QUE OFERECEM LIVROS DE POESIA.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Noturno - FREDERICO SPENCER

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR
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Talvez dessa noite
herde o poema que espreitou o dia.
Nesta noite
que me mantenho oblíquo: farol,
deste mar de horas e solidão
assisto o vai-e-vem de elegias
                       e reinvenções:
versos antigos se reeditam, saltam
da escuridão buscando luz e forma.
Talvez desta noite
o poema nasça
libertando o amanhecer.

EM - ABRIL SITIADO - FREDERICO SPENCER - EDIÇÕES BAGAÇO

Nunca quis...* - SUPINO LATINO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR CHIADO EDITORA
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Nunca quis ser o galgo que corre na pista
Em direcção à próxima corrida.
Por vezes fui e voltei a ser,
Até que levantei uma e outra vez os olhos.
Vi sol e azul,
Inalei o verbo,
Entendi que ainda podia.
Flutuei pela cidade
Como se não estivesse agrilhoado
A uma desesperadora correria.
Jurei ter a força de ser leve
E de saber perdoar
A minha próxima recaída.

EM - NO COMEÇO DA NOVA TRAVESSIA - SUPINO LATINO - CHIADO EDITORA

Morri certamente - CELSO CORDEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELO AUTOR
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O sol renasce a cada dia
renovando o ciclo de vida,
trazendo de novo energia
e a luz com que nos sacia.

Já fui barco à deriva e
me entreguei à má sorte,
e também acordei sorrindo
após insónias de morte.

Se algum dia ouvirdes
que deixei eu de lutar,
terei já antes sucumbido
de acabada a esperança.

Se algum dia ouvirdes...
... já então morri certamente.

EM - (CON)FUSÃO DE LETRAS - CELSO CORDEIRO - CHIADO EDITORA

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Sob as cobertas - CLÁUDIO PORTELLA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR
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Sou o lobo que engoliu a ovelha negra.
Sou o cordeiro em pele de lobo.
Sou a inspiração fantasiada de técnica.
Sou a batida do coração.
Sou o abraço forte, o parto de mão.
Sou a pintura de Van Gogh na parede
falsa.
Sou verdade suprema,
mentira extrema
que teima em fingir que o amor vale a pena.

EM - PARAPHOESIA - CLÁUDIO PORTELLA - EDIÇÕES CP

Bondades na tristeza - HUGO VIEIRA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR CHIADO EDITORA
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E se nessas infelicidades,
Que por vezes nos acompanham,
Pudermos ver as bondades
Que, às vezes, nos apanham
De uma forma inesperada
(Assim, nascidas do nada),

Será melhor o caminho,
E bem menos tortuoso.
Tais bondades, de mansinho,
Tornam-no bem mais jocoso.
E, sem darmos por ela,
Cai o triste na esparrela.

EM - A CIDADE DA SAUDADE - HUGO VIEIRA - CHIADO EDITORA

Carlos do Carmo - MANUEL FAVITA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA
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Feliz de quem viveu intensa vida
Só porque foi do fado embaixador,
Do seu país didáctico cantor,
Pelos palcos do mundo repartida.

Feliz de quem logrou essa riqueza,
De ter tornado o fado universal,
Criando um património mundial
De musicalidade portuguesa.

Feliz de quem ditou a transição
Do fado, para a nova geração,
Sem alterar seu cunho, bem profundo.

Feliz por transportar dentro do peito
Património que está no mundo eleito
E cantá-lo feliz, a todo o mundo.

EM - A GRANDEZA DA MÃE - MANUEL FAVITA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Esse mar, essa paixão - CARLOS PAIVA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA
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Esse mar que nos apaixona
não tem água, não tem fundo,
tem o tamanho do mundo.
Está cheio de fantasia e mistério
transformando a vida em paixão
para escapar à razão.

Esse mar que nos apaixona
está espelhado no olhar
onde não pára de brilhar.
É uma maré que nos inunda
abrindo o leito à fantasia
onde se deitam corpos e poesia.

EM - TANTO MAR - CARLOS PAIVA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Melodia do coração - BERNADETE BRUTO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA AUTORA
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Dos corações entrelaçados
numa mesma sintonia
um dia
resta aquela melodia!
Com este presente mais além
Fica a recordação daquela alegria
E tudo termina
-ou permanece-
bem!

EM - QUERIDO DIÁRIO PEREGRINO - BERNADETE BRUTO - NOVO ESTILO EDIÇÕES DE AUTOR

Quero-te nessa memória - HONORÉ DUCASSE

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA
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Quero-te, não te querendo
Porque te desejo, sem te desejar
Porque depois de te querer
Tenho medo de não te desejar
E se tu ali ficares,
Nessa memória de altar
Não há desejo nenhum
Que não me faça te contemplar

EM - INTRANQUILA QUIETUDE - HONORÉ DUCASSE - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

3 quadras - PINHO NENO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELO AUTOR

473
- Certo. Momentos houve de emoção
Muito forte. Eu que o diga, pois senti
Acelerar-se a sério o coração
Por motivo do choque que sofri.

474
- Eu bem me apercebi desse momento...
- Precisamos mas é de descansar...
Parece ali um lar de acolhimento...
- A porta está aberta: é de avançar,

475
Que ao menos uma sopa hão-de servir...
"Vem lá Jesus" - gritou um sem-abrigo.
- Estou com minha gente. Podes ir.
- Não, não, Jesus. Eu fico aqui contigo.

EM - JESUS DE NAZARÉ E AS FÁBULAS DO CRISTIANISMO - PINHO NENO - EDIÇÃO DE AUTOR

XXXVI - CIDA PEDROSA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA AUTORA
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É sempre uma emboscada
Tentar desvendar o nada
Dúvida sem alvorada
E rota indeterminada
De uma estrela apagada
No firmamento assentada
Não há ponto de parada
Nem porto de chegada
É seguir na caminhada
Sem o mapa da jornada

EM - CLARANÃ - CIDA PEDROSA - CONFRARIA DO VENTO

IV - BÁRBARA LIA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA AUTORA
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Grãos de café in natura –
             [pálidas estrelas aglutinadas –
Os filhos dela: “rebentos de oliveira
              [ao redor da sua mesa”
Os grãos rejeitados, atirados ao chão
Expropriados do céu
A eterna interrogação:
- Quem assinala o grão bom
              [e o grão estragado?
Os grãos desprezados ainda valsam
No céu do meu triste coração criança

EM - FORASTEIRA - BÁRBARA LIA - VIDRÁGUAS

domingo, 26 de novembro de 2017

Mulher sentada - GRAÇA PIRES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA AUTORA

Quero morar no silêncio perfeito
aguardado pelas aves migradoras
para voarem até um lugar sem sombras.

Há muitos mundos fui mulher ungida
com o sangue e o leite de minha mães,
raiz onde se prendeu o meu nome.

Preparo, agora, com gestos minuciosos
uma evasão fortuita,
enquanto me enceno nos espelhos.

Quero que me circulem no sangue os rios todos,
inundando a boca seca: quase vento, quase sal.

EM - FUI QUASE TODAS AS MULHERES DE MODIGLIANI - GRAÇA PIRES - POÉTICA EDIÇÕES

A grande cidade - TERESA DUARTE REIS

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA AUTORA
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É só fumo e poluição
É a desgraça a cada passo dado
E não ter a quem dar a mão
E sentindo como que um buraco...
No coração!

Na cidade
Há horrores, medos e temores
Há receios e também ostentação
No meio de tanta desilusão
há algo que predomina:
Pessoas sem coração.

EM - PORQUE OS SILÊNCIOS TAMBÉM SE ESCREVEM - TERESA DUARTE REIS - EDIÇÃO DE AUTOR

Mulheres - NUNO SILVA CAEIRO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR CHIADO EDITORA
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Mulheres, que estranho Ser
Que no mundo foi aparecer
Sem elas não podemos viver
Por elas teremos que sofrer.

Quando por elas nos apaixonamos
E a elas por fim lá nos declaramos
Eu vos digo e acreditem em mim
É o princípio do nosso doloroso fim.

Todas as nossas venturosas acções
Em torno do seu carácter giram
Para lhes conquistar os corações.

Aqueles que para trás ficam
Apenas e só poderão sonhar
Elas, por outros se vão arrebatar.

EM - ELECTRÕES DE UM ÁTOMO - NUNO SILVA CAEIRO - CHIADO EDITORA

sábado, 25 de novembro de 2017

Soneto a minha mãe - ANTÓNIO MANUEL ESTEVES HENRIQUES

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De todas as mulheres da minha vida
Foste sempre aquela que eu mais amei
De todas para mim a mais querida
Do amor que me tinhas eu nunca duvidei

Foste tu querida Mãe que me geraste
Em teu doce ventre me transportando
Foste tu, que com muito amor me criaste
És tu aquela que sempre estou lembrando

Foste a primeira mulher que me amou
A que me deu ternura, carinho e educação
Aquela que por mim muito se sacrificou

Foste tu aquela que sempre me quis bem
Sinto falta de amor que tinhas no coração
Mas sinto mais ainda a tua ausência, Mãe!

EM - PEDAÇOS DE MIM, O POETA E A VIDA - ANTÓNIO MANUEL ESTEVES HENRIQUES - CHIADO EDITORA

Almocreve - JOSÉ LUIZ MELO

A noite vai bem alta, mas o sono
não chega numa nuvem de algodão.
Numa cesta de vime, no abandono
deito, sob o telhado da amplidão.

Mas eu confesso que me emociono,
pela contigüidade com o chão,
me puxa para si, como meu dono,
não posso resistir à compulsão.

Eu não sei realmente se não devo,
se quero resistir a esta união,
ou se devo amoldar-me ao seu relevo,

com ele compartir o mesmo pão,
se somos alimária e almocreve,
filhos do mesmo pai, somos irmãos.

EM - LIVRO DOS SONETOS, DOS PRIMEIROS AOS PENÚLTIMOS - JOSÉ LUIZ MELO - NOVO ESTILO EDIÇÕES DE AUTOR

49 - JOÃO AYRES

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Por que a pausa
Por que a vírgula
Por que a pausa maior do que a vírgula
Por que a pausa menor do que o ponto
Por que a pausa maior do que a vírgula e menor do que o ponto
Por que a pausa
A vírgula
O ponto?

Por que não o correr por aí simplesmente
Sem pausa/sem vírgula/sem ponto
Por que a vírgula
Por que a pausa maior do que a vírgula
Por que a pausa menor do que o ponto
Por que o parágrafo ao mudar de assunto
Por que o abre e fecha aspas quando da citação qualquer
Por que não reticências e mais reticências e mais reticências...

Por que a vírgula
Por que a pausa maior do que a vírgula
Por que a pausa menor do que o ponto
Por que não exclamações e mais exclamações e mais exclamações
Por que não o interrogar indefinidamente
Por que a pausa
Por que a vírgula
A pausa
A vírgula

     O ponto?

EM - POEMAS ESCUROS - JOÃO AYRES - ARMAZÉM DE QUINQUILHARIAS E UTOPIAS

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Aceno - LENILDE FREITAS

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É fria a grama onde me sento
e o cair da tarde sobre o lago
é lento, lento como o passeio
dos dois velhos lá em cima na avenida.
Vão andando, andando
acenando à vida
que vai passando.

EM - A CORÇA NO CAMPO - LENILDE FREITAS - EDIÇÃO DE AUTOR

Revitalização - MANUEL MACHADO

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Olho o horizonte
Abro os braços ao universo
Inspiro brisa de maresia
Com oceano aos meus pés.
Purifico a alma.
Alimento o corpo.

EM - O QUE A MINHA CANETA ESCREVEU - MANUEL MACHADO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Vinha ao amanhecer...* - PEDRO GARCEZ PACHECO

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Vinha ao amanhecer,
dos campos,
em silêncio,
sempre tímido,
para me enternecer,
queria companhia,
esse violino,
cantava para que eu ouvisse
o que mais ninguém entendia.

EM - PARTITURAS DE UMA NAU - PEDRO GARCEZ PACHECO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Sem escolha - ANA MARQUES

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Encolho.
Enrosco-me em concha.
Escondo o choro.
Despeço os olhos.
Espanto o sonho.
Falho.
Foge-me o sangue
em jorro,
eu desisto,
eu morro.

Acordo.
Lanço num mar de fogo
a metralhadora.
Desfaço a esperança
por entre zumbidos.
Dançando com vento
chove-me o sangue.
Eu corro,
eu mato,
eu morro.

EM - BARRIGA DE POEMAS - ANA MARQUES - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Infelicidade - DORES ALMEIDA

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Para te esquecer cai nos braços de outrem
Sempre com a esperança além
Mudei de cidade
Atrás da felicidade
Para encontrar a liberdade
Me trouxe a infelicidade

Para arrancar-te do meu peito
Encontrei um aperto
Contudo, sem ilusão de ser feliz
O que fiz?

EM - DESABAFOS DE UM POETA - DORES ALMEIDA - CHIADO EDITORA

Despertar - CRISTINA LOPES

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Subsidio diário
Renda per capita e capital
Uns copos valentes
Eventos de caridade
Caridade e piedade com fartura
Bons desígnios e graças
Elite avariada
Regimes e proletariado
Amasso regalo e avalo
Destemido, contrariado o ingresso
Intervalo quântico e fetiches
Penas e outros aparelhos
Posturas, requintes e rouparia
Cheques extraviados
Aclamações e outros teatros
Farsas, anomalias e recomeços

EM - OURO DA PENUMBRA - CRISTINA LOPES - CHIADO EDITORA

Canto sexto - ORLANDO NESPERAL

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1

O alvorecer duma nova ordem aparece,
A mudança de ideias e princípios surge,
As mentalidade se renovam e floresce,
Modificar, compreender e aplicar, urge,
Terem efeito imediato no que cresce,
O liberalismo, novo ideal que emerge
De realidades presentes e mais futuras,
São lutas nos ideais que bem procuras!

EM - A ILUCASTANA - ORLANDO NESPERAL - CHIADO EDITORA

Obóveos - PAULO DE CARVALHO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELO AUTOR
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(segmento final)

Onde na face da tarde soa alarde
Obóveos ósculos ardores sentidos
Tons omissos opróbrios consentidos
Afiada palavra vermelhos crepúsculos.

               O verbo esvai-se conciso
               Conspícuo incide à falha

Segmentos sedimentários refratários
Semente eivada... incólumes contraditas
Desditos proféticos... interditos
Avermelhada palavra fiava crepúsculo.

               Anfóricas diásporas
               Sopros distantes ecoam

Inversões... Obóveas construções
Sumos... Lagares... sorrisos contritos
Eiras estendidas sobremaneiras
Fenecem os pós em vossas mãos.

               Insustentáveis sais
                                   O verbo esvai

EM - KYRIE - PAULO DE CARVALHO - BIBLIOTECA 24X7

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Deixo-te palavras por inventar - GORETI DIAS

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Deixo-te palavras por inventar,
sonhos por construir
e, nas estrelas cintilantes de um mundo por saber,
fecharás,
encadeado,
os teus olhos de brisa fresca navegando noite dentro.
Afagar-te-ão as minhas mãos de sol,
proteger-te-ão as minhas asas de silêncio,
a caminho de galáxias
aninhadas no seio de um Universo de Amor.
Os espaços intergalácticos
serão o refúgio de sóis a nascer
em algum tempo.

O silêncio ficará no vazio,
o som da vida ocupará o centro da vida,
propagará interlúdios de paz
na poesia colorida de poetas felizes.

EM - SINGULARIDADES & ETC - GORETI DIAS - CUCA MACUCA

No jardim da casa de Johán Vicente Viqueira I- MANUEL MIRAGAIA

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Ando sozinho pelo jardim frondoso da casa de Vijói.
Sinto-me num meio acolhedor e apacível.
Respira-se em cada canto o belo espírito do seu dono.
Sento-me, como ele fazia, num banco à tarde,
mesmo quando uma dolorosa doença lhe destruía o corpo,
mas à vez também afiançava a sua alma nobre,
para ler em comunhão com a natureza,
para sentí-la e pensá-la intimamente,
para viver em unidade com ela,
crendo-me elemento da mesma.
E adorar os deuses antigos da paisagem galega.

EM - GALEGUIA - MANUEL MIRAGAIA - CHIADO EDITORA

Olhei-te ao longe - PAULO GALHETO MIGUEL

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Olhei-te ao longe
Como um fruto que devagar amadurece
Como quem tem saudades de tudo
Sem que da vida nada se esquece

Caminhavas com esse teu ar, que sobra da delícia
Mesmo sem teres para onde ir
O teu corpo, inquieto limite da carícia
Tarde percebi porque, tão cedo, te vi partir

Adivinhei a ilusão no teu sorriso
Imprudente colhi, para ti, uma flor
Como se te buscasse pela rama

Somente emprestando, às mãos, o AMOR!

EM - EMINENTES TRANSPARÊNCIAS - PAULO GALHETO MIGUEL - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Brado ao tempo 12 - ALVARO GIESTA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELO AUTOR
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ergo este poema
nas linhas do corredor do tempo
onde habitam o fragor do mar
e a escuridão da noite

escrevo
com tinta mais negra que o breu

aqui espero pela luz suave e cândida
da devastadora beleza do mundo

repara na (im)perfeição das coisas

EM - OBLÍQUO É O TEMPO - ALVARO GIESTA - EDIÇÃO DE AUTOR

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Lágrimas salgadas - MARIA JOSÉ FRAZÃO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELA EDITORA
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O amor é salgado
Quando rolam as lágrimas de desespero
Pela face
Tal como rolam as ondas
Espraiando-se na areia movediça
Ora suave
Ora ruidosamente
Numa cadência de ritmo incerto.

EM - AMAR E MAR - MARIA JOSÉ FRAZÃO - CHIADO EDITORA

Espera - CARLOS TEIXEIRA

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Enquanto me recosto
E aqui sentado espero coerente
Fecho meus olhos e imaginando-te
Sinto a paz na minha mente

Sei que chegada me vais dizer
Que não era preciso esperar
Que podia estar acordado

Mas este sentimento é para valer
Por isso dá-lhe um par
Dá-lhe algum significado

EM - ENTRE LINHAS - CARLOS TEIXEIRA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Eu tive um sonho, desenhado de palavras - ANA COELHO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA AUTORA ANA COELHO

Eu tive um sonho. Sim, um sonho!
Onde o mundo era um trono
desenhado de palavras
em frases ordenadas... alinhadas,
cada uma à sua maneira
mas todas no mesmo estrado
sem estandartes nem bandeiras...

Filas de sílabas ordeiras
num caminho aberto de coração liberto
em sementeiras pequeninas
numa terra onde fui menina...

Eu tive um sonho. Sim, um sonho!
rasgado da alma lusitana
em timbres versejados
num único trago
como um licor adocicado
colhido nas terras do vinho,
no linho do nascimento
onde Jesus simboliza o entendimento!

EM - LIVRO ABERTO - COLECTÂNEA - AUTOR PUBLICA

De partida... - CARLA RIBEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELA AUTORA
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Estou de partida...
Não me esperam.
Preciso encontrar paz dentro de mim,
Recolher-me nestes lençóis,
Que não são meus nem teus...
Não me esperes, vou partir,
Para este mundo onde existo apenas
Eu e Eu...
Quero estes lençóis, frios,
Sem odores, vazios...
E neles eu vou repousar,
E neles me vou reencontrar.
Quero esta cama, vazia e fria,
Sem memórias e recordações...
Quero apenas ficar Eu, a criança, a menina e a mulher...

EM - DESNUDO-ME EM PALAVRAS - CARLA RIBEIRO - MOSAICO DE PALAVRAS

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Poema - CELSO CORDEIRO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELO AUTOR
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Sou a força de um poema,
sou sentimento e alma,
Sou palavra que chora e grita,
sou a palavra calada.

Sou a voz do coração,
o verbo e a forma de amar
quando explode a paixão
e ganho asas para voar.

Sou voz de sonho realizado,
num sonho nunca sonhado
de dar voz ao meu sentir
num sorriso disfarçado.

EM - (CON)FUSÃO DE LETRAS - CELSO CORDEIRO - CHIADO EDITORA

No caderno, o tempo - FREDERICO SPENCER

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR
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Aprisionado o tempo no caderno
desbota de amarelo as palavras
sobre o linho, descansam os poemas
na cal da noite, se tecem
ao amanhecer, fecham-se em seus ninhos.
A pena debruçada no tempo
sobre o tecido enrugado das palavras
já não busca os sentidos
nem o sexo das manhãs, inventadas.
No branco do papel, a trava do tempo
deixa suas marcas, transparentes
num animal dolente, pesam como patas.

EM - ABRIL SITIADO - FREDERICO SPENCER - EDIÇÕES BAGAÇO

Sabíamos...* - SUPINO LATINO

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR CHIADO EDITORA
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Sabíamos que o mar era nosso
Sem o ser.
Que os tijolos da casa
Tanto serviam para construir
Como para atingir.
E no meio de tudo
O dia acabou
Normalmente,
Havendo noite, depois nascer do sol e gente.

EM - NO COMEÇO DA NOVA TRAVESSIA - SUPINO LATINO - CHIADO EDITORA

domingo, 19 de novembro de 2017

O fado - MANUEL FAVITA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA
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Cantar fado é deitar pela garganta
Tristezas e angústias não sanadas,
Relembrar alegrias já passadas,
Dar voz ao coração de quem o canta.

O fado é saudosismo do passado,
É um regresso aos tempos que lá vão,
É a suave e meiga solidão,
Que alivia desgosto recalcado.

O fado é desabafo de amargura,
É abraçar tristeza que perdura,
É uma doce mágoa permanente.

O fado é alegria das saudades,
É ter no coração ambiguidades
E a alma a sangrar alegremente.

EM - A GRANDEZA DA MÃE - MANUEL FAVITA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Mão - CLÁUDIO PORTELLA

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO PELO AUTOR
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Estendi a mão e toquei.
Quantas palavras roubei,
Para estender a mão e tocar?
Sentir a penugem de suas coxas,
nas pontas dos dedos.
Gastei saliva e semântica.
De essência só usei esperma.
Iludi sua alma romântica,
para ficar entre suas pernas.
Suas pernas PhD em literatura brasileira.
E, eu, simples poeta,
acabo-me em signos,
para não ser apenas uma mão
no porta-luvas do seu carro.

EM - PARAPHOESIA - CLÁUDIO PORTELLA - EDIÇÕES CP

Poesia barata - HUGO VIEIRA

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Os teus olhos estão ligados
A um sorriso que é meu;
E dois olhares trocados
Dão-te também um sorriso teu.

Que fossem só os sorrisos
Associados ao teu nome...
Infelizmente, também a dúvida
É um vício que me consome.

Pois é nos reinos da tua incerteza
Que moram as minhas amarguras -
As minhas cartas estão na mesa
E o meu peito sofre torturas.

E se não sabes escolher,
Ou me queres pela metade,
Hei-de um dia desaparecer
Junto com a minha vontade.

EM - A CIDADE DA SAUDADE - HUGO VIEIRA - CHIADO EDITORA