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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Conto II - CORSINO FORTES

A minha mãe vendia pão ao luar
E mel às crianças da beira-mar
          Pagavam moeda
Moeda de carvão
E marulho da moeda
          no mergulho do mar alto
E por vezes
A fidúcia do rosto
          sem timbre de selo branco

EM - A CABEÇA CALVA DE DEUS... - CORSINO FORTES - DOM QUIXOTE

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O meu sono... - CORSINO FORTES

O meu sono é cabra o meu sono é erva
O meu sono é cabra o meu sono é erva
O sono da minha boca é cabra o sono da minha boca é erva
O sono da minha boca é cabra o sono da minha boca é erva
Cabra comboio cavalo comboio cabra comboio cavalo comboio
Cabra comboio cavalo comboio cabra comboio cavalo comboio
A comer terra a comer terra a comer terra
A comer terra a comer terra a comer terra

EM - A CABEÇA CALVA DE DEUS... - CORSINO FORTES - DOM QUIXOTE

domingo, 24 de março de 2013

Canção - CORSINO FORTES

Longe longa a tua viagem
Que a semente
Consome a sua herança
                    pelo céu-da-boca

Que a saliva
         é espessa
                    é nebulosa
Como rosa-dos-ventos tecida em tua roca
Que as vogais pesam
               no prato da balança
               como astros e tâmaras
E antes da noite
        o silêncio o cio
                nos nossos ouvidos
Falávamos
        Árvore e habitação
E lá estavas tu

        OVO
               que cresce
No tambor da ilha
                  como SOL
Mordendo o umbigo de Deus

EM - A CABEÇA CALVA DE DEUS - CORSINO FORTES - DOM QUIXOTE

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Oráculo - CORSINO FORTES

Quando o arquipélago aperta
                                    perto! longe
                          A mão dos continentes


Quando a ilha rasga no deserto
                          uma cicatriz de pedra
Iamais o crânio de sol! no mastro da solidão...
Uma pedra no deserto + um dragoeiro
Um anjo da guarda! no útero da paisagem

                          Não! na ilha

Toda a palavra é útero de sete pedras
                          E
Toda a pedra é um poeta bissexto
Leva quatro anos de pudor
E quarenta & tantos de paixão
Para inundar o deserto da estiagem
Com o dilúvio de chama que bebe
Nas crateras do jazz & batuque da esperança

EM - A CABEÇA CALVA DE DEUS - CORSINO FORTES - DOM QUIXOTE