Mostrar mensagens com a etiqueta José Augusto de Carvalho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Augusto de Carvalho. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

A humana condição - José Augusto de Carvalho

Das rotas dos princípios disto tudo,
emerge o verbo - essência de água e lodo.
Das tábuas que quiseram ser um todo,
não resta nem espada, nem escudo.

O verbo, sem sentido, anestesia
a dor que prolifera e que subjuga.
Já nem sequer a mão canhestra enxuga
a lágrima que dói e tomba, fria.

Casado o desespero com a ira,
irrompe da cratera a violência
na lava da vergonha e da mentira.

Suspenso do mistério da existência,
dedilho, em desespero, a minha lira,
vergado à perdição da minha essência.

EM - DA  HUMANA CONDIÇÃO - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO - EDIUM EDITORES

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Visita - José Augusto de Carvalho

Vim chorar
a raiz arrancada
deste nada
a sangrar...

Verificar
que quanto alegre ou doa
é asa que não voa,
no céu vazio
e frio,
alheio a contemplar...

EM - DA  HUMANA CONDIÇÃO - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO - EDIUM EDITORES

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Vida - José Augusto de Carvalho

A vida é uma cor viva.
Os tons que os olhos lhe dão
Dependem da perspectiva:
É a transfiguração.

A vida é uma cor viva,
mais que transfiguração
e mais que uma perspectiva
de falaz matização.

A vida é uma cor viva
e não tons em profusão
duma barcaça à deriva
sem velas e sem timão.

EM - DA  HUMANA CONDIÇÃO - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO - EDIUM EDITORES
 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Perenidade - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO

Não são lendários os fantasmas de ontem,
que assombram os castelos em ruínas...
Qualquer que seja o tempo a que remontem,
és sempre tu que em nós te determinas.

No pó que sob as pedras arrefece
e é cinza na lembrança que perdura,
germina a claridade que nos tece
nas sombras frias desta noite escura.

No todo somos tempo em movimento.
A rotação da Terra gera os dias,
a translação da Terra gera os anos...

Nas ânsias, nas angústias, o memento
cavalga no silvar das ventanias
e irrompe p'los recônditos arcanos.

EM - DA  HUMANA CONDIÇÃO - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO - EDIUM EDITORES

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Mar - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO

Mar,
da ousadia
de Leiria,
dói, ainda, a nostalgia,
a sangrar...

Depois do sonho que fomos,
o pesadelo que somos...

em - DO MAR E DE NÓS - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO - TEMAS ORIGINAIS

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Tanto mar! - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO

O sonho
aconteceu em ti
e foi
ousado desafio

Num mar de angústia e medo
a vela
na esfera da distância
foi mundo

Da chama
deslumbrada de luz
ficou
a cinza que arrefece

em - DO MAR E DE NÓS - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO - TEMAS ORIGINAIS

sábado, 1 de janeiro de 2011

Aventura - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO

No longe,
a dimensão
da tentação
era a tortura.

E o sonho
voou, menino...
Era o destino
ganhando altura!

em - DO MAR E DE NÓS - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO - TEMAS ORIGINAIS

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Sagres - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO

Tu foste o promontório-desafio
a um povo que em si mesmo não cabia
e ousou, no longe ignoto do vazio,
o ser que o seu não-ser lhe prometia...

E foi, numa incerteza de aventura,
a lenda e a legenda e a raiz!
Foi a ânsia de encontrar-se na procura,
erguendo o seu destino como quis...

Rasgou e desvendou e foi em vão,
buscando sempre o porto por achar,
e sempre de si mesmo se perdia,,,

Visão dos horizontes-dimensão,
gajeiro que da gávea céu e mar
jamais além do sonho enxergaria!

em - DO MAR E DE NÓS - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO - TEMAS ORIGINAIS

domingo, 5 de setembro de 2010

Ausência - JOSÉ-AUGUSTO DE CARVALHO


De meu amigo não tenho
nem novas e nem mandados!
De saudade me mantenho
nestes dias desolados...

Meu amigo, as minhas horas
sem ti são tão infelizes!
E, ausente, tu não me dizes
por que tanto te demoras!

Teu braço reclama el-rei?
A pátria está em perigo?
Dize-me, porque eu não sei
que se passa, meu amigo!

No silêncio do recato
que me guarda, onde me abrigo,
esta provação acato
de te não ter, meu amigo!

in... O meu cancioneiro - JOSÉ-AUGUSTO DE CARVALHO - Temas Originais

Site da editora aqui

sábado, 22 de maio de 2010

O apelo do mar - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO


A terra acaba aqui. Além daqui, o mar!
E o mar, inquieto, acena noite e dia...
Na linha do horizonte, o céu, na fantasia,
descendo vai, até nas águas mergulhar.

Nas noites de procela, uivante, a ventania
à praia traz a dor chorada, a soluçar.
E a praia, condoída, intenta consolar
a dor que vem do ignoto, assim, salgada e fria.

A dança das marés os homens alucina.
Que estranha tentação os embriaga tanto
e em rara sedução partir lhes determina?

Ousada, a barca apruma o seu perfil de espanto!
O sol de Abril desfaz a matinal neblina.
Ao largo, o mar entoa enfeitiçado canto.

in... Do mar e de nós - JOSE AUGUSTO DE CARVALHO - Temas Originais

Site da editora aqui

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Eu, aqui, sempre! - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO



Eu sempre estive aqui, no meu lugar,
olhando-me de frente, sem negar-me.
Se a minha condição é ser e estar,
que seja, sem receio nem alarme.

Nos astros que lucilam infinitos,
mitigo a minha sede de ansiedade!
Nos medos que exorcizo, vários ritos
à luz que me encandeia divindade.

Nas horas das esperas, tão paradas
procuro antecipar as horas frias
que orvalham de suor as madrugadas
e enrugam de incertezas outros dias.

Em mim, sem desencontros nem ardis,
hei-de encontrar-me, como sempre quis.

in... Da humana condição - JOSÉ AUGUSTO DE CARVALHO - Edium Editores