Um vestido de riscas usa Edith Schiele
as riscas vestem Edith Schiele de uma alegria
de que parece ausente o corpo - dos pés
ao pescoço -
mas estão pintalgados de encarnado a boca
(nela aflora um sorriso paciente,
ligeiramente vítreo) e o rosto
o cabelo, puxado para o alto, alonga-lhe a figura,
mas são inquietas as irrequietas curvas das riscas encarnadas
que se espalham em fusiforme flor
de pétala. A boca de Edith Schiele é de alegria
mas os olhos não
EM - LUGARES, 3 - MARIA ANDRESEN - RELÓGIO D'ÁGUA
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Personagem - MARIA ANDRESEN
Deixava que o olhar seguisse
meio perdido meio assente
em pormenores do terreno sem que os visse
era frio: e no entanto aquilo por que ia sempre fora
matéria ardente,
miragem de uma atenção alucinada
ainda não sei hoje que nome dar àquilo
o amor não é tão duro
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meio perdido meio assente
em pormenores do terreno sem que os visse
era frio: e no entanto aquilo por que ia sempre fora
matéria ardente,
miragem de uma atenção alucinada
ainda não sei hoje que nome dar àquilo
o amor não é tão duro
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sexta-feira, 5 de setembro de 2014
A letra escarlate - MARIA ANDRESEN
Usarei a Letra porque assim me fiz
no ar rarefeito, no sacudir do vento
o meu rosto será pacífico e sem pactos
não rogarei um lugar no coração do sítio
respiro como se eu própria criasse um ar
de acidez e frio
e um grande dia nasce
neste encorpar de Março
EM - LUGARES, 3 - MARIA ANDRESEN - RELÓGIO D'ÁGUA
no ar rarefeito, no sacudir do vento
o meu rosto será pacífico e sem pactos
não rogarei um lugar no coração do sítio
respiro como se eu própria criasse um ar
de acidez e frio
e um grande dia nasce
neste encorpar de Março
EM - LUGARES, 3 - MARIA ANDRESEN - RELÓGIO D'ÁGUA
domingo, 13 de outubro de 2013
Verão antigo - MARIA ANDRESEN
há um calor, um cheiro
entre ti e o tojo - figueira
cigarra amendoeira
o passo amedrontado o sol
um cão sentado a mão
um gato leve lento
o crescimento
o mover da tarde
tão álacre o mundo
a espantada fome
a mão
o caminho do farol
pela poeira
EM - LUGARES, 3 - MARIA ANDRESEN - RELÓGIO D'ÁGUA
entre ti e o tojo - figueira
cigarra amendoeira
o passo amedrontado o sol
um cão sentado a mão
um gato leve lento
o crescimento
o mover da tarde
tão álacre o mundo
a espantada fome
a mão
o caminho do farol
pela poeira
EM - LUGARES, 3 - MARIA ANDRESEN - RELÓGIO D'ÁGUA
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
Para Jimi Hendrix - MARIA ANDRESEN
Às vezes gosto de ouvir o teu rock, Hendrix,
o seu romântico limite, não tanto pela rave
como depois se disse, gosto da raiva ácida
a corroer o Hino
(o hino-rajada, sob o som da guitarra)
eras o exímio, o afincado
da corda o enamorado
eu quero sentir tudo de todas as maneiras
eu quero ser tudo de todas as maneiras
antes de ti outros o disseram
antes de ti outros o fizeram
de todas as maneiras, Jimi, até à partida
na pobreza do imoderado hino
in... Lugares,3 - MARIA ANDRESEN - Relógio D'Água
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