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quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Gete - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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A ti, anjo meu,
'strela matutina,
essência divina,
nascida no Céu

consagro meu canto,
meus versos de amor,
de aroma e frescor,
de sublime encanto.

Astro resplendente
de luz infinita,
minha alma palpita
tão leda e contente

por ti, anjo amado,
meu sonho florido,
jamais esquecido
mas antes lembrado.

Não posso esquecer-te,
'squecer é morrer,
e eu quero viver,
amor e viver-te.

EM - CANTARES DA MINHA TERRA - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Nortada - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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Coriscam raios na amplidão dos céus
O espaço é cor de chumbo. Nos montados
Faíscam medos de trovões alados
Os ventos sopram sem temência a Deus
Os choupos, tristes, gemem recurvados.

Anoiteceu. A noite, furibunda
Atira à terra pedras de granizo
Com força bruta, qual hercúlea funda.
Se não é inda o dia do juízo
Será, ao que parece, um prévio aviso.

Na escuridão da noite procelosa
Os lobos uivam como cães famintos
Amedrontados. Noite tenebrosa...
Em catadupa correm, por instintos,
Ribeirões que transvasam, turbilhões
De pesadelos, de alucinações.

Em noites destas há quem atravesse
Calvários, hortos, ermos, rios, montes...
Tragédias que o fadário, impune, tece
Aos que vagueiam, parcos de horizontes
- os filhos da desgraça que, sem tino,
Deambulam, desolados, sem destino.

EM - CANTARES DA MINHA TERRA - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

O poeta - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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O poeta, por mais rude
e agreste que ele seja,
possui sempre a virtude
de uma alma benfazeja.

EM - CANTARES DA MINHA TERRA - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

sábado, 22 de setembro de 2018

Chacinenses - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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Heróicos chacinenses, como vós
Eu semeei, seguei, acarrejei,
Malhei e lavourei. Executei
As tradições deixadas dos avós.

Em memória dos doutos bisavós
Bradem hinos em prol da nossa grei.
Por minha vez, também os cantarei
Com todo o meu ardor, de viva voz.

A todos quantos sois, velhos e novos
Que buscam o sustento noutros Povos
Assim os residentes, louvo e canto.

A mesma Etérea Essência nos criou
Na verdadeira fé e nos moldou
Neste lugar edénico de encanto.

EM - CANTARES DA MINHA TERRA - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

As castanhas - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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As castanhas, cozidas ou assadas
Comidas em bilhós, com vinho tinto
São um manjar. Eu sei e não vos minto
Sou homem íntegro às palavras dadas.

Eu também as comia cozinhadas
Apesar da distância, ainda sinto
Aquele cheiro morno, quão distinto.
Comi-as mesmo cruas e piladas.

No mês de Outubro havia as sementeiras
Tardegas, pelas terras mais soalheiras
Um tempo de trabalho divertido.

Pelos soutos faziam-se magustos
Assavam-se as castanhas com arbustos
E brincava-se aos jogos de Cupido.

EM - CANTARES DA MINHA TERRA - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

domingo, 2 de setembro de 2018

Gete - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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Sou pobre, mas sou feliz
contigo de braço dado.
O destino assim o quis
passar a vida a teu lado.

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terça-feira, 28 de agosto de 2018

Metrópole/Vita - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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A Metrópole/Vita é um largo mar
de águas vivas e claras - transparentes.
Como o mar tem baixios e correntes
bonanças e tormentas, a pairar.

As Dependências, rios a inundar
encostas, vales, várzeas e vertentes,
provindos de fontelas, de nascentes
num movimento e lesto serpentear.

As Agências, do norte até ao sul
desde jardim florido - Portugal
são límpidas, jorrantes, frescas fontes.

A Sede, a Nau, que sob o céu azul
navega com mar chão ou temporal
sempre em busca de novos horizontes.

EM - CANTARES DA MINHA TERRA - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

sábado, 18 de agosto de 2018

O Douro - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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Maravilhoso, sim, maravilhoso
Este Douro encantado de mil cores
Ladeado de vinhedos multicores
Que inveja o Paraíso, de formoso.

Perante o Douro, o mais é duvidoso
Na beleza, na alma, nos valores.
Em tudo quanto existe de primores
O Douro se levanta, caprichoso.

Embevecido na grandeza infinda
Que se depara, nunca vista ainda
Desafio os subidos horizontes.

Se o Éden existiu, segundo reza
A Bíblia sagrada, de certeza
Fora no Douro, para Trás-os-Montes.

EM - CANTARES DA MINHA TERRA - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

O Charlie - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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O meu gatinho e eu, (quem nos diria!)
Muito embora estes tempos desordeiros
Vivemos ambos, somos companheiros
Nas horas de tristeza e de alegria.

Andemos sós, quem dantes mais havia
Ascendera a lugares altaneiros
Sítios dos certos e dos não certeiros
Quando, de todos, é chegado o dia.

O meu Charlie é negro e luzidio.
Não é o negro que lhe tira o brio
Mas sim a massa branca, que não tem.

O que deveras muito me contenta
É na cabeça ter massa cinzenta
Que muita gente fina não contém.

EM - CANTARES DA MINHA TERRA - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O lavrador - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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O lavrador o ano inteiro andou
A lavourar a leiva (e toda a gente
Do rústico lugar) alegremente.
Fetais, restolho, urzedo desbravou.

No inverno, frio e chuva suportou
E no verão, calor, o sol ardente.
E num ou noutro, resignadamente,
Cansaços e reveses enfrentou.

Feitas as respectivas sementeiras,
Confiante, espera agora boas colheitas,
Que lhe tragam o pão, a recompensa.

Mas estas, como sempre traiçoeiras,
Mostram ao lavrador, depois de feitas,
Que apenas resta uma labuta imensa.

EM - O DESPERTAR DA ALMA PORTUGUESA IN SONETOS - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

domingo, 13 de agosto de 2017

Deixa cantar-te - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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Mulher, deixa cantar-te ousadamente
Ao som das águas claras da ribeira.
O rouxinol, aqui desta freixeira,
A sua amada canta docemente.

Enquanto harpejo canto convincente,
Esbelta e sedutora feiticeira,
Inclina o busto ebúrneo de maneira
Que o veja reflectido na corrente.

Mas não fites assim com tanto ardor,
Excelsa dama, um rude trovador
Enamorado, que por ti se perde.

De ver-nos neste enleio, prenda minha,
Ondulando, parece que caminha
Em direcção a nós a seara verde.

EM - O DESPERTAR DA ALMA PORTUGUESA IN SONETOS - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Malta - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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Malta, sacro refúgio dos Templários
Audazes e distintos cavaleiros,
Na luta aos infiéis sempre os primeiros,
Na defensão do templo solidários.

Dos Templários e dos Hospitalários,
Ordens comuns e sempre presenteiros,
Na crença a Jesus Cristo verdadeiros,
E como Cristo mortos por calvários.

Cavaleiros da Fé do Redentor,
Que morrera por nós, Deus e Senhor,
Numa Cruz de madeira cravejado.

Malta de Cristo, Malta imaculada,
Malta de gente simples, mas honrada,
Morada de Jesus Crucificado.

EM - O DESPERTAR DA ALMA PORTUGUESA IN SONETOS - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Acorda povo - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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Acorda do torpor, acorda, ó Povo pária,
Levanta-te daí, andar, toca a fugir,
Nem sempre a hora é boa e convida a dormir,
A matilha chegou, alastra em toda a área.

Maldita seja a seita hedionda e partidária,
Que come do melhor e bebe até cair,
E mais a descendência, mais a que há-de vir
E sempre à nossa custa, a torpe salafrária.

E seja ele quem for, mendigo e sem abrigo,
Rouba sem compaixão, assim como vos digo,
O precário salário, a mísera pensão.

Para levar por diante a eterna roubalheira,
Exibe a mesma farsa antiga e costumeira
- O ambíguo documento, o alvará na mão.

EM - O DESPERTAR DA ALMA PORTUGUESA IN SONETOS- CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

terça-feira, 11 de julho de 2017

Os partidos - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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Partidos com assento na Assembleia
Não servem o País, servem-se a eles
À grande e à portuguesa, gente reles,
Cuja massa cinzenta lhes escasseia.

A uns quantos acusam-se que à ceia
Comem crianças e vendem as peles
para curtir. Assim se fala deles.
Os demais trazem já barriga cheia.

Fujamos dessas pragas, se nos pegam,
Estamos feitos, logo nos entregam
Às máfias dos partidos, com certeza.

Por isso eu digo: vis politiqueiros,
Partidos não os quero, antes inteiros,
São neoliberais à portuguesa.

EM - O DESPERTAR DA ALMA PORTUGUESA IN SONETOS - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA 

sábado, 1 de julho de 2017

Vinde a mim - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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Venho de longe, dos confins do etéreo,
De uma outra vida já por mim vivida
E daqui parto para uma outra vida,
Vida que poucos tomam bem a sério.

O fim de tudo está no cemitério,
Bradam os ímpios, de alma corrompida,
Receosos que lhes seja, enfim, punida
A vida dissoluta, o vitupério.

Também sou pecador... igual a eles
Tenho no cerne o gérmen do pecado,
Se descendo de Adão, de Eva e Caim.

Mas, ao contrário destes e daqueles,
Jesus, Teu nome invoco e, assaz confiado,
A Vós anseio e espero. Vinde a mim.

EM - O DESPERTAR DA ALMA PORTUGUESA IN SONETOS - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

domingo, 25 de junho de 2017

Braga - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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Tu és a Roma deste Portugal,
Nobre e antigo como a tua Sé.
E como tu, também, vai pela fé,
Dos nossos bisavós o mesmo ideal.

Deidade do esplendor, vate imortal,
Eu canto e cantarei tua mercê
Enquanto o permitir a Musa, que é
Dever de um trovador cantar quem vale.

Atónito perscruto o infinito
Fitando ao longe a linha do horizonte,
Descortinando para lá dos céus.

Por vezes me interrogo e a sós medito,
Se é Deus Quem irradia a tua fronte,
Se a tua fronte é que irradia Deus.

EM - O DESPERTAR DA ALMA PORTUGUESA IN SONETOS - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Guerra Junqueiro - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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Ó poeta genial e panfletário,
Foste monárquico e republicano,
Profanaste o altar, foste profano,
Apedrejaste Cristo no Calvário.

Manchaste a pedra de ara no Sacrário,
Na Cruz cuspiste... Para maior dano
Andaste com calvinos, mano-a-mano,
Da mesma propaganda solidário.

Da política já desiludido,
Voltaste à crença antiga de Jesus
No término da vida, arrependido,

Em poemas de oração ao pão, à luz...
Para o justificar, fazer sentido,
Ouviu-te em confissão o padre Cruz.

EM - O DESPERTAR DA ALMA PORTUGUESA IN SONETOS - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

segunda-feira, 5 de junho de 2017

General Ramanho Eanes - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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Duas vezes votei e três eu votaria
Se tu fosses reeleito, intrépido estadista.
A Pátria necessita, assim, de quem persista
Na defensão do Povo e da democracia.

Na tua integridade este País confia,
Os mortos que tombaram de pé na conquista
Do amor, da liberdade, da terra benquista
Assaz vilipendiada pela tirania.

Perante a ditadura, ameaçadora e bruta,
Tu não podes quebrar, muito menos torcer,
Seja da cor que for e venha de onde vier.

Se o Povo te elegeu é justo que te imputa
Responsabilidade e requeira justiça,
Há gente que tem fome, outra que desperdiça.

EM - O DESPERTAR DA ALMA PORTUGUESA IN SONETOS - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Camões - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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Vaz de Camões, ó vate genial,
Sem princípio nem fim, és o mistério,
Cuja fama atravessa o hemisfério
E vai além do sonho intemporal.

Não fora por acaso, ó imortal,
Que vieste, nasceste em sacro Império.
Antes da Criação, no Reino Etéreo,
Foste predestinado a Portugal.

Para cantar um Povo que foi Povo
E que há-de, no porvir, voltar de novo,
Quando tombar por terra a podridão.

Nada acontece e nasce de imprevisto,
Vieste como Pedro e como Cristo,
No cumprimento heróico de missão.

EM - O DESPERTAR DA ALMA PORTUGUESA IN SONETOS - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Dom Dinis - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO

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Grande no ser, nas obras e nos feitos,
O sábio Dom Dinis nasceu fadado
Para excelente rei, incontestado,
Muito embora, quiçá, os seus defeitos.

Por desígnios do Reino dos eleitos,
Do pai herdara o país consumado
- o Algarve até ao mar já conquistado,
À lei de Cristo os povos já sujeitos.

Confirmadas e firmes as fronteiras,
Incrementa o comércio, cria as feiras,
Culmina, triunfante, na Cultura.

Não fora a rebeldia de seu filho,
Causando-lhe e ao país, grave sarilho
E seria um reinado à sua altura.

EM - O DESPERTAR DA ALMA PORTUGUESA IN SONETOS - CLÁUDIO AMÍLCAR CARNEIRO - CHIADO EDITORA