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quarta-feira, 7 de julho de 2021

Devora-te a ti mesmo - ESTHER ALCÂNTARA

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Se fosse leve
não haveria engasgo
nem febre fibra flor
fruta além do caroço
tutano e osso
em carne viva

Se fosse doce
não haveria espanto
vidro trincado
nem de quebra
este gosto de língua
ao lamber o prato

Se fosse fácil
não haveria espasmo
rosto que empena
vida que empenha
o resto da vida
em não deixar resto

EM - MULHERIO DAS LETRAS NA LUA - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Habeas corpus - ESTHER ALCÂNTARA

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Quis sair
mas só havia
in-concreto
vias de
abscesso
Acessos de
sexta concepção
por um tris
no cérebro de
segunda
A vida desanda
convulsa
e grita sonâmbula
o direito a seu
corpus

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Luzia, pretérito imperfeito - ESTHER ALCÂNTARA

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Consumida e subtraída
de nós
foi nossa memória

luz ia, Luzia, luz ia
para todos
mas apagaram a golpe

nossa ascendência humana
jaz acesa
nas chamas do abandono

Luzia luzia, luzia Luzia
mas virou cinza
pó de nenhuma lucidez

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Ocaso - ESTHER ALCÂNTARA

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Doem-me entrelinhas
que nunca escrevi
espinhos do leitor
que não se advinha
goela apertada, sina
entre o humor falido
e o amor esquivo
me dando de quina
Não sou de rinhas
pelas esquinas
e me pensava nua
no caráter das linhas
Sigo a rua, paralela
e enquanto se inverte
a curva do meu sorriso
turvo sol me amarela

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS II - ANTOLOGIA - IN-FINITA

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Desacato - ESTHER ALCÂNTARA

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A vida vale mais
que um sorriso enquadrado
no porta-retratos
onde você pendura a chave
e se ancora
até ser um delicado
peso de porta

Vale virar a chave
soltar os cabelos
e as mãos

Porque precisamos
do ato
do desacato

E o maior desacato é viver
apesar de

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS II - ANTOLOGIA - IN-FINITA