segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Nunca no omnipresente - PAULA VALÉRIA ANDRADE

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falamos de realidades

mas somos cegos
(da íris ao ego)

a tudo
a todo
momento

rebento(s)

nunca presentes
no onipresente

visão ausente

(p.s. a morte atropela o futuro que planejamos ontem.)

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

domingo, 28 de novembro de 2021

Maldito inverno - Mª LEONOR COSTA (NONÔ)

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Maldito inverno
Trazes o frio e o desalento
Passar por ti, é um inferno
Nem sei como aguento.

Trazes a chuva, a neve,
E as temperaturas negativas
O sol espreita ao de leve
Mas de calor não há perspetivas.

Só se está bem ao lume
Com o corpo em frente à lareira.
Não gosto do teu perfume
A sua qualidade não é de primeira.

O que vale é que estás de passagem
E não tarda te vais embora
Desejo-te boa viagem
E se quiseres podes partir agora.

EM - Mª LEONOR COSTA (NONÔ) - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

A vida é poesia - PAULA COSTA

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A vida é poesia,
Um sorriso, alegria
Uma lágrima, tristeza
O canto de uma cotovia.
A alegria de uma criança
A esperança de uma vida
Um campo repleto de flores
Uma paleta de mil cores.
Entre muitos odores
Diversos sabores
Um coração, mil amores.
Um porto seguro
Onde te procuro
Por entre frases soltas
Palavras perdidas
A vida é poesia
Um namorado apaixonado
Doces palavras proclama
Uma só voz enamorada
Pela sua bela amada chama.
Não são meras palavras
Mas sim palavras de amor
Que um poeta escreveu
Para ti, meu amor.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

sábado, 27 de novembro de 2021

Riomar - RITA QUEIROZ

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Sigo a correnteza
Para desaguar em teu mar
No encontro do doce com o salgado
Somos calmaria
Ancorados no sonho de amar!

EM - RITA QUEIROZ - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Mente - PAULA ANIAS

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Na minha mente
ventos , sol e furações
fazem morada
mesmo em silêncio,
mesmo não dizendo nada,
pensamentos potentes
fazem barulho
uma mente que segue disparada.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Lago Mário - JACKMICHEL

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Se não houvesse um lago é certo
Que as ninfas haveriam de chorar...
Se não houvesse um Mário é claro
Que as artes haveriam de reclamar...
Então, que unidos fiquem
E unidos hão de ficar:
Lago Mário, Mário Lago –
Emblema de teledramaturgia secular!

EM - JACKMICHEL - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Viver - ZENILDA RIBEIRO

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Viver é como uma música
e a melodia é a vida.
Por vezes suave, alegre.
Por vezes em ritmo frenético
e de batidas fortes.
É preciso ouvir e sentir
cada som, cada nota, cada ritmo.
Entregar-se aos sons que nos tocam,
que embalam nossa alma.
Compreender e combinar as notas.
Estudar a escala.
E em cada acorde
buscar a harmonia possível.
E, a essa melodia,
ir acrescentando as letras,
compondo canções,
com a poesia das vivências,
das demandas e urgências,
das conquistas,
das perdas.
Criando a nossa playlist,
com as escolhas de cada dia.

EM - MULHERES A UMA SÓ VOZ - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Encanto - PATRÍCIA ANICETO

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a ave pousa suavemente
sobre o mourão fincado na areia

tudo é silêncio

penas em desalinho
desafiam o vento e o sereno
e a ave contempla o horizonte perdido
como quem fita solitário o vão destino
e esse tormento

no canto noturno
há um lamento
que embala o barco distante e perdido
lá no mar ou na imensidão do firmamento

nessa lamúria e infindável espera
o curiango triste anuncia o canto
como quem diz adeus na despedida
“amanhã eu vou”
“amanhã eu vou”
como se pudesse desafiar o lumiar do céu
e sua sina

por um descuido ignora as asas
e mantém os pés firmes
fincados na madeira inerte

surpreso e em devaneio
ouve atentamente o próprio eco
e como quem se alimenta de esperança
engana a si mesmo
acreditando ouvir o grito
que o encanta e o conforta
“amanhã eu volto”
“amanhã eu volto”

e todo silêncio se desfaz

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Meu jeito - YOLANDA GUILHERME

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Carrego um sonho e o meu jeito
Forjado em ferro, em brasa e muitos defeitos
Sou mineira, caipira
E gosto de angu com torresmo
Levo minha bandeira por esse mundo
Abrindo porteiras
Espiando tudo com respeito
Não tenho pressa na prosa
Aprendi comer pimenta
Tomar pinga e água na bica
Cantar prá lua e ouvir o escuro
Bato nas portas antes de entrar
Ajoelho no altar
Ofereço café à quem chegar
Não importa o tempo, o lugar
A bandeira eu carrego, e segue adiante
Com devoção e apreço
A cada dia que passa, mesmo com os tropeços
O lema escrito no peito
Tarefa difícil
Liberdade!
Livrai-nos da ingratidão
Nos fortaleça com amor e perdão
Ô trem bão!
A fé não costuma faiá...

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E Ele a chamou de Flor - NEGRA LUZ

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A Flor estava roxa
Era mais uma na estatística
Não era espécie rara
Era roxa por causa conhecida
Jamais seria esquecida
Uma flor humana
Estava em casa
Ao abrigo da paz que deveria ter
Mas Flor que acordara linda
Cansou de viver aquela vida
Pediu para viver
Ergueu as mãos
Pediu ajuda
E quando todos a veem
Parecem estarrecidos
Por ver a Flor tão roxa
O rosto irreconhecível
Atestando na vida
Que há flores que roxas ficam
Não por nascerem lindas,
Mas por quase morrer:
Por mãos que um dia disseram ser ela linda.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Manifesto da vida - VICTÓRIA MENDES

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Não estou economizando caneta
Para escrever a minha história
Me orgulho de cada fracasso
E não escondo nenhuma vitória

O lápis não faço questão de usar
Já que o tempo pode apagar
Caneta, minha querida caneta
Nenhum detalhe vou deixar passar

Minha vida é uma só
Com intensidade irei tudo viver
Antes que eu retorne ao pó

Todos temos o mesmo destino –
basta descobrir como vamos viver a jornada

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Frisson - NAUZA LUZA MARTINS

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Quando te vi pela primeira vez
Senti meus neurônios sensoriais
Em completa confusão. Mantive a altivez.

Nossos olhares se cruzaram por um instante
Levitei. Não senti os pés no chão
Meu corpo sem controle, oscilante.

Te vi correr em minha direção
Tua voz soou como uma música ao longe
Denotava interesse e preocupação.

Tentei me recompor ao sentir teu firme toque
Mãos suaves me envolveram inalei teu cheiro marcante
Estou bem – confirmei com expressão em choque.

Teu sorriso encantador lembrava o alvorecer
De um perfeito dia de sol. Encontro marcado
Frisson controlado. Desejo atiçado. Nada a perder.

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terça-feira, 23 de novembro de 2021

Sol de Inverno - Mª LEONOR COSTA (NONÔ)

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No céu o sol brilha
Mas não chega para aquecer
A sua aparição é uma maravilha
De energia nos consegue abastecer.

Após um longo período com chuva
E com muito frio para nos entristecer
O seu aparecimento caiu como uma luva
Que nos cinco dedos consegue caber.

É mais fraco que o sol de verão
Mas mais alegria consegue trazer
É com tamanha satisfação
Que os braços ergo para o receber.

EM - Mª LEONOR COSTA (NONÔ) - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Irene na corte de direitos humanos - VÂNIA PONTES

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Irene nordestina
Antígona do sertão
Irene de Santa Quitéria-CE.

Imagino Irene entrando na Corte Internacional
De Direitos Humano, condenando o Brasil:
– Licença, excelências!
E os juízes Iteramericanos:
– Entra, Irene, pois para fazer Justiça, não precisa pedir licença.

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Resisto - NADIA FARIAS DOS SANTOS

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Eu negra
De pele de azeviche
Que a lua encandeia
Existo, insisto, resisto.
Com meu cabelo crespo,
Com meus lábios grossos,
Com meus olhos negros
Brilhantes iguais estrelas,
Existo, insisto, resisto.
Existo!
Apesar das dores,
Dos desamores,
Da solidão,
Do peso da opressão.
Insisto!
Em gritar meu nome,
Em lutar contra a fome,
Morte, violência, desilusão.
Em fazer revolução.
Resisto!

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Laços etéreos - RITA QUEIROZ

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Você...
Do outro lado do tempo!
Nós...
Perfume suave da memória,
Fim esquecido,
Herança de um começo... Revisitado!

EM - RITA QUEIROZ - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Soltou um sorriso leve e natural - VALQUÉCIA COSTA

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Escondia a sua risada, ela não podia ser feliz
Precisava esconder cada tentativa de esboçar alegria
Se o abuso enxergasse sua ousada tentativa
Nos movimentos labiais leves
Era tapa, era fria.
No olhar do abuso ela podia
Escutar o grito: NÃO RIA!
Chegar em casa com certeza
Teria agressão física.
O riso ela escondia cada vez mais, mais a cada dia,
Com medo de ter mais uma briga.
Foi deixando de ser sorriso, alegria.
Na tentativa de evitar,
Por mais uma vez ser agredida.
Mas o tempo passou,
Quebrou o ciclo da violência.
Não vai aceitar mais ser ferida
Ela mesma gritou: SORRIA! SORRIA!
Ninguém vai te intimidar agora
Pode sorrir para vida, seja feliz.
Movimente os lábios, dê gargalhadas altas
Que há muito tempo deixou de ser sua marca,
Reconquiste a sua autonomia, sua autoestima,
Vai, não perca tempo:
SORRIA! SORRIA!

EM - MULHERES A UMA SÓ VOZ - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Como palavras - MICLEANE

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como palavra me sei muitas
inacabada com minhas partes

como palavra me percebo narrativas
livres, soltas, vivas
pulso

como palavra me sinto poesia
estilhaço e refaço
morro e renasço
encanto e ato

como palavra adentro mundos
mundo meu, mundo seu
logo nosso
universo

como palavra sou antes do que é código
entre
nascenças e morrenças
(sobre)vivências

tenho fome
como palavra
me alimento

como palavra posso eternidade
registrando histórias
criando memórias
fazendo laços

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domingo, 21 de novembro de 2021

Momo Pé Pé - JACKMICHEL

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Ao rei momo Nelson Nobre

O carnaval é de Momo,
De Momo Pé Pé.
Traz o som da zabumba,
Requebra, Zé Mané!

Pintados foliões fantasiados
Lançam esguichos de lança-perfume,
Jogam confetes, serpentinas,
Como se fossem vaga-lume!

A coroa caiu da cabeça
E, quando foi juntar, quebrou o pé.
Mesmo assim, o rei não perdeu a majestade:
Virou Momo Pé Pé!

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Desvario - MEIRE PEDROSO DA SILVA

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Eu bebi o rio
Rodopiei na correnteza.
Guardei no canto das águas
Meus mitos
Meus medos.
Na cabeceira,
Meus arquétipos.
Na foz,
Minha ânsia.
Eu remei o rio
Com meus braços de menina
E dele saía um som
E eu ia ia ia..
Longeeee!
Vadiar.

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sábado, 20 de novembro de 2021

Pássaro - SÍLVIA SILVA

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Sou um pássaro ferido...
Precisando do Teu amparo
Depenado e fraco
Querendo virar Fénix
Querendo virar cisne
Aprisionada, engaiolado
Em feras e metálicas grades;
Sou um pássaro ferido...
Requintado, mas sem própria estima
Voa no sonho...
Mundo privado e ansiado
E poesia, pública
(Desejado...
Reconhecimento!)

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Calientes emoções - MAURA LUZA FRAZÃO

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Aspiro um amor de verão
Recheado de emoções faiscantes
Uma linda praia
Mar azul
Um acariciante sol ardente
Cúmplice de uma paixão latente.

Descansando meus olhos
Naquele cadente quebrar de ondas
Admirando hipnotizada
Seu belo corpo... Gestos felinos
Ao retirar os cabelos dos olhos
Castanhos esverdeados
Pura adrenalina.

Na despedida o sol
Acariciando nossos corpos lânguidos
Estendidos entre as dunas
Branquinhas a perder de vista
Naqueles braços
Descanso feliz
Seremos pura satisfação.

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sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Não sou poeta - ROSA FLOR

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Não sou Poeta, mas amo poesia.
Há uma certa magia nos versos de quem escreve.
Exorcizam-se tormentos, desejos, abre-se a alma,
que por vezes em chama, nos desperta a imaginação.
Não me sinto Poeta, mas respiro o perfume da paixão e, num rasgo de emoção, digo com alma poesia.
Não me sinto Poeta, adoro versejar, de experimentar sensações, de as transmitir, celebrando o pôr do sol, descrevendo o anoitecer, e navegando em ilusões que ainda não vivi.
Não sou Poeta, sou a que sonha, amando os Lilases,
as Rosas e Jasmins, as aves que com simplicidade
me segredam, como a luz do sol se passeia e sorri
por entre vales e colinas, se apropria sem me dar conta
do meu corpo iluminado pela esperança, levando comigo na doçura das fantasias e loucuras que escondo,
os motivos que me entristecem e me fazem navegar
nos mares da incerteza, porque sou artesã de utopias
e porque não sou Poeta.
Ah! se soubesse escrever um poema!!

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Quem me dera um guarda-sol... - MARTA CORTEZÃO

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O crepúsculo mora no guarda-sol
Eu, no meu deslugar escolhido
É sempre bom ter um lugar para se guardar
Ainda que seja de pedra fria, invernal
Às vezes, a poesia guarda a lua
quando o sol escorrega e tchi-bum no horizonte
Muitas vezes escorrego e não tenho lugar que me guarde
O Atlântico é gigante
e se ampara entre abraços continentes
E o sol que é bem maior
cabe no céu do guarda-sol
Se a lua fosse minha
seria uma lugar para eu me guardar?
Tem muita coisa e gente que não tem canto que lhe caiba
Disso entendo bem, tenho doutorado
A lua por exemplo é de causar-me inveja
Sempre cabe em alguma poesia
O arroz quase queima e eu pensando no lugar do arco-íris
Tem que ter luz para luzir-se no horizonte
É exigente o danado!
Eu ainda que exija não tem luz que me luza
Meu deslugar me sufoca quando o sol se guarda
e a neve cai rindo de minhas taças de chás quentes
Preciso de um caso de amor torridamente poético, urgentemente
para fazer lugar neste coração luxento
Tipo o sol, a lua, o Atlântico, o arco-íris...

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quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Confissões de Artemísia - RITA QUEIROZ

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A palma da noite guarda as lágrimas
Da espera de tua chegada.
Me desfaço em luas e sóis
Reamanheço folha em branco.

No porto não há navios...
Rasgo-me em diários sem escrita.
Os retalhos se perdem no indizível canto
Em que fabriquei quimeras.

Os olhos insanos roçam o vento
À procura de tua miragem
Que jaz nos campos de girassóis!

Os pés sangram...
O coração se abre em pétalas
E submerge na confissão de Artemísia!

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Outono - Mª LEONOR COSTA (NONÔ)

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Vens depois do verão
Chegas em setembro
Trazes contigo o frio
E a queda das folhas das árvores
As temperaturas descem
Antecedes o inverno
E sem aviso prévio vais-te embora em dezembro.

Partes antes da chegada do Natal
Não chegas a receber presentes
Abençoas-nos com uma mudança de tempo
Amareleces as folhas das árvores
Fazes a transição entre o calor e o frio
Contigo os dias tornam-se mais curtos
E as roupas têm de ser mais quentes.

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A Soberania da Mulher - MARIA VANDI TEIXEIRA

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Mulher, a força que transforma
Essência que renova
Pelo seu poder criador.
É fiel até na dor
Na luta sempre altiva
A todos sempre cativa
Coração repleto de amor.
Quando na caminhada
Se espinhos encontrar
Não desiste e, sabiamente,
Acha a forma de superar
Colhe o que de bom lhe convém.
Enaltece sua beleza
Na luta do dia a dia,
Seja ela Ana, Lúcia, Maria...
Seja aqui, ali, acolá,
Se assemelha à flor.
Na sua meiguice brejeira
Mostra-se sempre altaneira
É soberana, guerreira
Bendito Deus que a criou.

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quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Visões de Dante - RITA QUEIROZ

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Os olhos do tempo
Atravessam meus labirintos
Desenhados nas pétalas
Das flores de Lótus
Ancoradas pelos lobos
Vestidos em peles de cordeiros!

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Mulher - MARIA SILVEIRA DOS MÁRTIRES

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Nesta roda que é vida onde a mulher
Desempenha papel nobre e importante
Sabe ser mãe e no seu seio os filhos acolher.
É corajosa e de presença em tudo constante.

Seja no trabalho ou mesmo só em sua casa
Seus sonhos e ideais não conhecem fronteiras.
Desempenha altos e únicos cargos e arrasa
Quando vai à luta fá-lo sempre de alma inteira.

Mulher mãe, esposa, companheira e amante
És amor-perfeito e rosa sempre a desabrochar;
És prata, cobre, ouro, esmeralda e belo diamante.

Não quer desavenças mas acredita na mudança
E quem não concordar com ela que saiba achar
Que no seu coração vive o amor e a esperança.

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terça-feira, 16 de novembro de 2021

Silêncio Mudo - RITA BENTES

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Silêncio mudo,
Que sentimos
Aqui...

Silêncio perdido em nós,
Tão nosso quanto meu...

Som mudo... tão solto
Quanto o sonho meu,
Diletante sorriso,
De arcadas nossas...

Silêncio... mudo que se ouve,
Som, tão perto aqui estou,
Sonho... solto no caminho,
Corrida contra o tempo!

E assim,
Ao som de uma guitarra,
Solto o sonho,
Que em mim se prende,
Sonhamos juntos aqui...
E sempre ao som do mudo silêncio!

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Carnavalesca - JACKMICHEL

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Róseo rosto de carmim,
Houve a voz do tamborim!
Ali estão teus lança-perfumes,
Que não admitem queixumes!

São três dias de folia
E muita alegria!
Corre, brinca, desliza,
Segura tua baliza!

Para só quando sentires
O peso de tuas asas lindas,
Na Quarta-feira de Cinzas!...

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Imaginação - MARIA RITA DOS SANTOS

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Conheço esse vinco no canto da boca
É quando irrompe seus devaneios
E as fantasias invadem sua mente arredia
A projeção escancara no olhar
Ousadia pura
Explode a melodia que, escorregadia,
suplica que a noite chegue pra se esconder.
Pensamentos subtendidos afloram
E subsidiam inquietantemente
Já é meia-noite
E insana você canta
Movimenta-se de um lado para o outro
Precedida pela releitura do despertar.

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segunda-feira, 15 de novembro de 2021

S.O.S - RILNETE MELO

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Estou agora a ver navios
No vasto mar de solidão
Inerme...
Sem tua atenção
Onde estás que não me salva?
Dessa tempestade
Essa abnegação?

Navego desalentada
No oceano de nostalgia
Tépida...
Sem teu calor
Sem alegria
Onde estás que não me aquece?
Desse frio
Sem a poesia?

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Caixa de Pandora - MARIA LEONOR COSTA (NONÔ)

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Caixa de Pandora
Grande jarro do mal
Apenas ficou a esperança
Por ser superficial.

Espalhados pelo mundo
Por um ato de curiosidade
Humanos castigados pelo fogo
Recebido com a sua vontade.

Mitologia grega
Protagonizada por uma mulher
A abertura da caixa
Deitou o mundo a perder.

Trouxe a guerra e o ódio
A discórdia e a inveja.
Vingança dos deuses
Sem que ninguém nos proteja.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

domingo, 14 de novembro de 2021

Noite dos poetas - RENATA QUIROGA

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Os não-dias de poesia padecem desaponteiros
do Relógio cego.

Com fuso é o giro que inverte os punhos
Aparta hemisférios e remarca horários.

Há clamor por trocas: que a partida seja jogo, que o
Time tenha reserva.
Dispensa-se os dias sem poeta.

O pesadelo vira sonho
Que troca a noite pelo dia.
Que se façam presentes crenças, medos e fantasias.

Seja-bem vinda a escuridão!
Entre a sombra das falhas
Iguala-se a epifania da cegueira.

Salve o breu
Que alumbra a noite rosiana
Dos poetas sem dia.

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Não Era Primavera - MARIA EUNICE SISTI

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As tuas mãos não traziam rosas
nem sementes a germinar...
Mas a noite cabia inteirinha nos teus olhos:
com estrelas, rios, campos e horizontes de
um amarelo exausto e adormecido
As tuas mãos não traziam flores; mas o cheiro
do trigo ceifado e do suor da terra arada
e os dedos com restos de ternura
E nem era primavera!
Era tempo de semear,
acariciar a luz e o ventre da terra,
despir-se de desejos e despertar o silêncio,
deixando o vento cantar nos campos
sob brisa nua; a espera que a semente germine
no seio quente e surdo onde o sol rompe
E não era primavera!
E não eram flores que as tuas mãos traziam.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

sábado, 13 de novembro de 2021

Caleidoscópica - REGINA MARINHO

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De salto ou rasteirinha
Urbana ou ribeirinha
Maquiada ou natural
Pudica, sensual

Na moda ou à moda
Generosa, mão na roda
De tanque ou tanquinho
Faz trejeitos e biquinho

Urbana ou camponesa
Gatinha ou tigresa
Cento e dez, duzentos e vinte
Faladeira ou boa ouvinte

Quando anda ela desfila
Pavio curto ou tranquila
Princesa ou rainha
Sereia ou bonequinha

Cabeça ou pé no chão
Razão ou coração
Sorriso ou sisuda
Azarada ou sortuda

Clássica e esportista
Romântica, realista
Discreta ou fatal
Serena, sentimental

Teimosa ou tolerante
Confiável, confiante
Criativa, avoada
Ousada, ponderada

Indecifrável, misteriosa
Enigmática, teimosa
Ninguém sabe, só deduz
Mulher... nem poema traduz

EM - MULHERES A UMA SÓ VOZ - COLECTÂNEA - IN-FINITA

A Abóbora - Mª LEONOR COSTA (NONÔ)

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Fruto saudável da terra
Laranja é a sua cor
Suculenta por natureza
É agradável o seu sabor

Símbolo do Halloween
Dia das Bruxas em Portugal
Transformada de diversas formas
Como uma máscara de Carnaval.

Presente na gastronomia
Nem todos apreciam o seu paladar
Rica em nutrientes
Tem uma casca dura e difícil de furar

Em outubro e novembro
Na sua mesa não deve faltar
Vai bem na sopa ou noutro prato qualquer
É nutritiva e doce para quem a apreciar

EM - Mª LEONOR COSTA (NONÔ) - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Fagulha - MARIA ELIZABETE NASCIMENTO OLIVEIRA

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Sou mulher que vive outras
em silêncios desiguais.
O mundo nos tornou mudas e,
nós mudas, germinamos.
Carregamos, desabitadas,
o fardo e o fado
da pegada solitária e ritmada.
Sons e súbitas centelhas
de alegrias reminiscentes
suspendem instantes.
Balbúrdias silenciosas,
asfixiadas nas arcas,
de esperanças feitas.
Memórias dolorosas
reverberam num presente
em nada diferente, nem igual.
E, ainda assim, em meus ombros,
pousam borboletas.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Negatividade - PETRUCIA CAMELO

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Vidas perdidas, amores banidos,
visões amarelecidas pelo tempo,
que não ama, só apronta e só promete,
é só miséria, roto espantalho, só espanto,
a pronunciar palavras toscas, ocas.

Finge que os dias nascem bem,
mas não sabe que a noite vem,
nem estrelas brilham, nem a lua aparece
se o dia nasce e o sol se põe
continua na promessa de tudo avessas.

Violas de sonho não tocam,
réstia de luzes não ilumina,
no telhado do escuro quarto,
vozes não mais ressoam,
não trocam juras de amor eternos.

Passeios na praia sem luz da lua,
na luz de estrelas pálidas, cálidas
cantos de sereias nas areias,
sem ritmos, cantos desafinados,
solfejam na luz das fantasias.

EM - MULHERES A UMA SÓ VOZ - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Como o vento - RITA QUEIROZ

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Passo...
Sem pecados, sem dores
Um deserto me atravessa
Passo...
Tudo frágil em meu peito
Distâncias a percorrer
Passo...
As nuvens em meu rosto
A chuva em meus olhos
Passo...
Me movo nas costas do destino
Flor que nasce no horizonte
Passo...
Minhas manhãs são silêncio
Vaga-lumes em voo divino
Passo...
Como o vento!

EM - RITA QUEIROZ - COLECÇÃO DISPERSOS - IN-FINITA

Escrevo neste livro - MARIA DOS SANTOS

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Escrevo neste livro aquilo que já esqueci
Digo a verdade sobre as mentiras escondidas
Apago as luzes que desnudam a intimidade
Ressurreição da vida que faltou viver
Não importa que o tempo voe
Desde que eu não voe com ele
O meu tempo não é o Tempo

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Nascida no vento - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

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Nascida na rua do vento
Soprada à lua cheia
Parida no quente da noite
Violeta esquecida
Flor renascida
Tombada no chão, caída
Salva pela emoção
Ao som daquela canção
Cantada pelo mar além
Na fraga da sereia sorrindo
E ela de novo surgindo
Na bênção do sol nascente.

EM - MULHERES A UMA SÓ VOZ - COLECTÂNEA - IN-FINITA