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sexta-feira, 28 de junho de 2019

Maria - JOÃO BARNABE

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Andam aí energias infiéis
Que a escolheram devido à genética ideal
E um pai com atraso renal

Maria de nome
Engana testes químicos
Controla expressões génicas
E poem uma mãe estudante
A dormir e apanhada em flagrante
Maria de nome infiel
Maria de alma cruel
Por brincadeira ou desespero
Sentida até no maior convento
A purga que a enche de vontades
De entrar na vida bem crente

Um Dia Maria virá
E ninguém se pode livrar
Da sua ira degradante
De ir com a mãe errante
Atrás de um pai passível de não existir
E fará um dia a terra tremer
Como não se julga saber.

EM - A VERDADE DE UMA MENTE DORMENTE - JOÃO BARNABE - IN-FINITA

sábado, 22 de junho de 2019

Criações - JOÃO BARNABE

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Entre a união de fogos antagónicos
E a paixão da água ardente
Nasceu no meio de um grito pequeno
Onde a pacificidade outrora foi miragem
Entre paredes nas terras sentadas

Chega de leve com receio do povo
Entrega-se com doçura e dança formosura
Capaz de entender até o outro problema
Estende a fronteira e quebra o dilema
Como seu fado foi feito na forma de simpatia

As armas renegadas às entregas na dissipação
E a repetição de palavras
Porque por vezes não há palavras para descrever
Certas coisas como a bondade humana
Que de tão rara se faz
Que por ser rara é fruto do além
E sem saber porque é assim
A serra de Sintra a fez enfim.

EM - A VERDADE DE UMA MENTE DORMENTE - JOÃO BARNABE - IN-FINITA

terça-feira, 18 de junho de 2019

O mal de muitos - JOÃO BARNABE

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Assim como muitos a falta de visão
Por uma limitação em que o mundo se impõe
Então os muros e palas interpolam as regras
E a falta de confiança

Sente-se incapaz de assistir a um mundo decadente
Onde pensa ser ordinário
E a ponte o refúgio formoso
Então as serosas lágrimas num chão de madeira
Acidificam o padrão, mas harmonizado
E leva-se a loucura petrificada

Entre partidas longínquas
E viagens familiares
Entrega-se agora mais adiante
Numa evolução tamanha
Sente a alma a rir na garganta
E a força capaz para falar
Agora já fala já canta além do Atlântico
E deixa fluir o que antes
Eram enormes pedras estanques.

EM - A VERDADE DE UMA MENTE DORMENTE - JOÃO BARNABE - IN-FINITA

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Exemplos - JOÃO BARNABE

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De certo que serve de muito
O exemplo a seguir
Que pode trazer problemas emocionais
Ou dificuldades que são atrozes
À humanidade a um ser de confianças públicas

Sente-se com a falta de regalia humana
Ao ser uma escrava da terra deserta
Enfrenta sozinha todo um desapego
Todo um confronto de crentes físicas
E setas repentinas
Acorda suspirando no desespero
E espera que o vento a leve
Para outros mundos
Onde o vento não exista para lhe cansar
As faltas de conversas

Onde está o braço esticado
Onde está o pedido de ajuda aceite
Não está, foi lhe negado
Talvez um dia aceite
Todo o amor que lhe possam dar
De um adjunto final
Sem mal nem nada de péssimo.

EM - A VERDADE DE UMA MENTE DORMENTE - JOÃO BARNABE - IN-FINITA

sábado, 8 de junho de 2019

Dividindo - JOÃO BARNABE

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Subia pela tapada embriagada
Pelos seus próprios segredos
Onde sendo mutilada pela sua própria vontade
Incendiava em seus pensamentos
As árvores que pareciam não ter fim

De noite saía de fugida
À procura da sua intimidade
Emergia os segredos obscuros
E a saudade de ser ouvida na ceita
Era ouvido nos seus sonhos
Pelos que se desfolhavam por ela
Não enganava a sede que tinha
E limitava-se a matar a saciar

De noite e de dia
Entre as terras escalabitanas
Espera que o uivo da noite se cale
E deixa-se dormir
Pecando a falta de pecado
E viverá sentida sem que a noite lhe falte
Despe a vergonha rubra da face
E perfuma-se em terras de alface.

EM - A VERDADE DE UMA MENTE DORMENTE - JOÃO BARNABE - IN-FINITA

domingo, 2 de junho de 2019

Banal - JOÃO BARNABE

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Banal num circo de comédia
Entre as multidões das famílias bem-ensinadas
Sente numa consciência em que tudo faz sentido
As árvores que existem
Estão no lugar certo
A corrupção do mal assim está mal por ser
Sentir o mundo de uma forma banal
Simples castiça

Castas de árvores degoladas
Entre incêndios provocativos, sempre com banalidade
Tudo dentro de uma normalidade
Que há de correto nisto
Talvez no errado esteja a verdade
Normas que se esmeram a cumprir
E durante a noite no álcool fugir
Entre o Brasil e a terra
Tu sabes quem és
E ao leres estas palavras
Encontras-te
Uma parte de ti
Que aprende a não ser banal
A ser mais terra mais fora do normal
E serás feliz por não ser tão comum.

EM - A VERDADE DE UMA MENTE DORMENTE - JOÃO BARNABE - IN-FINITA

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Infância de alguns - JOÃO BARNABE

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Pode sempre ser melhor
Podia ser pior
Na discordância de que uma criança cresceu
O Pobre rapaz de cascais junto do mar
Rejeitou-se num ser que impregna a fama
E deixou o escorrer de uma família
Adormecer a casa gelada
Sente os óculos fixando imóveis

E treme ao sentir que o aperto noturno
É a falta de amor de um paterno
Onde está a infância
Daquele jovem inchado e sentado de lágrimas
Realmente podia ser pior
Podia não ter calor numa tarde de verão
Podia não ter pulmão que enchesse a garganta seca
Podia ter perdido o enterro da pátria
Podia tudo e podia mais ainda
Assim se fez amargurado
Assim se fez encavalitado
Nas costas de um destino
Onde nunca viverá sozinho.

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domingo, 26 de maio de 2019

Interpretando-os - JOÃO BARNABE

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Interpretando os que falam sobre a terra
E os que plantam a inveja de um olhar
Cada olho que germina
Abre a folhagem e o sol interrompe
Ele não quer iluminar esses olhos
Que da terra nasceram
Mas que foram plantados por alguém
O sol recusa-se a pecar
A fornecer vitalidade para quem desesperadamente
Quer envenenar uma vida tão luminosa

Os astros flamejantes entram em colapso existencial
E as luas, cometas e pedregulhos
Que viajam pelo universo que existe em todos nós
E a vida fugaz luta
Treme de frio e rubra a pele
A escamação dilatante e a sede em frente
Vão todos atrás da confusão universal

Certa certeza de que o universo criado
Foi atrás de um criador que jaz
E vai semeando uma dor um filho aqui
Outro acolá
Então os dois vão-se recusando a regar
Fecundar o mar de olhos verdejantes
E os mundos acabam enfim por terminar.

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terça-feira, 21 de maio de 2019

Entre a realidade - JOÃO BARNABE

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Memórias inviáveis entre a realidade
Incapazes de se fixarem entre o mundo dos mortais
Onde perduram tais assombrações
Que difundem se entre ondas de multidões

Muitas dentro dos meus olhos
Onde pela cegueira não se vê
Vieram doutras vidas doutros mundos
Não as fiz nesta vida sólida
E não sei de onde vêm agora

Memórias que são minhas sem as fazer
Mas as saudades e realidade de as ter
Fazem crer que as vidas se misturam
E entre o presente e o futuro
Fica um espaço vazio
Que é preenchido por memórias lúcidas
Que nos deixam perdidos por temer a demência
E vai a vida atenta, inexplicável até pela ciência.

EM - A VERDADE DE UMA MENTE DORMENTE - JOÃO BARNABE - IN-FINITA

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Cada partícula da vida - JOÃO BARNABE

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Amo cada célula do meu corpo
Cada divisão de um ser ínfimo
O núcleo mais interno de uma derradeira perfeição
Os cálculos feitos pelas moléculas
E os erros soberbos das linhagens
São as forças inteiras da desgraça

Cada reação mais repentina
Cada calor perdido ou asa quebrada
Cada braço perna ou reta
Seja qual for o órgão
Esteja vivo ou enterrado
Esteja certo ou errado
Está no equilíbrio da natureza
E não ofende a grande certeza
De não se ser mais do que somos
E a realização de cada domínio
Está ofegante por nascer
Não é científico tal disparate
Não foi de fé que a dormência da semente
Fez crescer o fungo dormente
Que assombra cada amor
Do nosso ser
Da nossa criação
Passa-se o mistério
E tudo bate certo
Cada célula sabe o que faz
Sabe quando correr
E também sabe quando tem de morrer.

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sábado, 11 de maio de 2019

Sem conseguir lidar - JOÃO BARNABE

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Há uma coisa com que nunca conseguirei lidar
Com o vazio, o terror mais voraz
O salteador de almas mais capaz
Onde em casa nos arrasta para uma cela fechada
Onde as grades são cerradas
E de uma grossura tal que não se vê o breu

Encerramos num largo vazio sem aves
Onde catapultam as enormes rochas desfeitas
E a sedente forma de ser alguém preenchido
Encolhe no tamanho e volta a ser pequenino
A terra vibra ao fugir do vazio
E um elemento fascinado por fechar-lho
Dorme na solidão esquecendo que foi ele
Que criou uma multidão de fanáticos
E segue buscando a doutrina

O vazio existe em cada um de nós
Existe mesmo numa horda de praga
No mais pulsante coração
Na água cristalina de um ribeiro
Comem-se os peixes
Mordem se as varas
E trememos de medo
Por sermos esquecidos por nós
Por perdemos a nossa voz.

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segunda-feira, 6 de maio de 2019

Zonas inacessíveis - JOÃO BARNABE

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Aceder a zonas da consciência
Quem de tão fechadas estão
E queimam ao tocar
Num pavio em convocação
Rompem-se as cordas que seguram
O real do físico terreno
E erguem-se as catacumbas
E o elevo vira fino

Erguem-se as comadres do formoso
Do sensível imaginável
E entra-se num profundo magma
Em que a epifania é real
E a dor marginal
A pigmentação da ferida arde
E a Ébola entra no olhar

A fadiga do acesso cessa
Entra-se num mundo novo
Que não tem novidade
Pois sempre padeceu
Sempre nasceu em cada ser
E só não se acede
Porque vontades misteriosas
Bloqueiam as asas majestosas.

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domingo, 28 de abril de 2019

Pavor ao medo - JOÃO BARNABE

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Que medo da escrita
Que pode profanar uma santa terra
Ou engolir desmedidamente a sanidade
De quem a sente ou a mente
De alguém que diz que é verdade
Ou outros que dizem ser barbaridade

Que medo eterno padeço
Que saudade das terras pestilentas
Que se encontram na fazenda dos terrores
E em que os dinheiros vivem aos penhores
Em que se emprestam a alma
Em troca de prostituições
Que medo de profanar as estrelas
O ar que leva o som dos deuses
A sede que enche o rio dos amargos
A cova do defunto que choca o germe
A árvore que consome e renova a matéria
O fungo que desfaz o tumulto

E assim o medo da escrita
Está no medo da sobrevivência
Estabelecem-se conexões que assombram o terror
O pavor de descobrir mais além
De aceder a zonas de marés profundas
E dormir sobre as ramas
Partidas quebradas e soldadas
Pelo fogo de uma humanidade
Que tem muita saudade.

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terça-feira, 23 de abril de 2019

Nada controlo - JOÃO BARNABE

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Não sei o que estou escrevendo aqui
Nem saberia outrora se estaria ali
Vou ao vento descontrolo
Vou só dizendo vibrações sem significado
Sem intenções para aqueles que não estão sintonizados

É o mesmo que dizer que nada controlo
E é simplesmente uma vista diferente da outra
Abertura da mente ao sol que vira lua
Achando esta inteligência a mais curta simplicidade
Mas intrepidamente ignorando que sendo falso somos alguém

Não faço mínima ideia
Do que me lembro ao escrever
Mas se ao dizer que não
Eles me castigam em vão

Sim vocês que me atacam
Ou melhor, que, todavia, não, mas que eu preciso
Uma sociedade desmedida
Que pensa que tem na vida
Esse controlo da sina

Nem o escândalo que é mais horrível
Ou então banal
Eu farei por ti
Por ti mundo anormal.

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quinta-feira, 18 de abril de 2019

Quantas vezes queria - JOÃO BARNABE

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Quantas vezes queria não ter vindo à terra
Onde se semeiam as linhas da vida
E os cravos sardentos rezam às nuvens
Onde a gota seca cai do negro pranto

Saudar o embriagado erro de não querer
E aceitar o sinal dos divinos crentes
E crer que no nascer está sempre a razão
Que por avisar ao ser se absurda e senil
Mas tem tanto que fazer, tanto que tremer
A terra grita e gira pelas almas que não vieram
E outros tremem de frio ao saber que enxergam o quente
A trovoada insipiente e acética gera a imundice
E as lagartas das folhas encerram o vazio
Não querer viver é tolerável
É aceitável é compreensível
Mas de longe se pode negar
Que quem veio ao mundo para amar
Terá sempre um lugar cheio
Numa casta vazia onde fermentam
E onde a lucidez se perde
Onde a sensação é lunática
E a tristeza brota
Para te dizer
Que vale a pena nascer.

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sábado, 13 de abril de 2019

Se tivesse sido assim - JOÃO BARNABE

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Se tivesse nascido noutro país
Numa noite quente e escura
Ou num livro marcado de lágrimas

E suores do cansaço
Se tivesse criado outro nome
Que não fosse português
Se emergisse do clima ameno
Ou de um terror quente e virtuoso
Onde os castigos enervados
Pelas ramas do desespero
Encéfalo dominado pelo livro onde foi escrito
Toda a verdade do universo
Todos os segredos mais insipientes
Que influenciam as máquinas
Os que pensam que são poderosos
Os todos doutores com canudos
Que por terem canudos são sabidos
Da razão e do saber
Já da humildade padecem
Falta lhes a sede para um ego maior

E então se tivessem nascido noutro país
Num país de guerra onde a dor da fome
A extravagância da falta e da carência
A veracidade com um corpo se desfaz
Será que os corpos desses doutores
Padrinhos ricos e chefes do aquém
Seriam devorados pelas larvas
Essas sim, doutoras de um além.

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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Sem literatura - JOÃO BARNABE

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Não há palavras nem literatura
Que definam o incomensurável universo
Nem superioridade capaz
De inferiorizar a sabedoria
Onde as escalas não existem
Onde o tempo desfaz o controlo banal
E o engenho de criar surge numa mente
Ir mais além duma realidade
De uma teoria tola que pode ser real
Estímulos magnéticos do misterioso
Encontrável a razão da existência
E a vida nos dada
Foi uma ponte quebrada
Onde a partilha se encontra

Encontramos a verdadeira essência do destino
Estar mais além do que um cérebro possa realizar
Aceitar a natureza como a morte certa
Onde a vida não se difere entre as fases existentes
Incógnitas letras e demência
No fim ninguém repara na combinação
Harmoniosa e filarmónica
Homogénea e padece de resmas de raios
Eletricidade fonética somente
Que descodifica o íntimo sentir
E encerra de noite a dormir.

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quarta-feira, 3 de abril de 2019

Toda a inveja - JOÃO BARNABE

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Toda a inveja que sobeja em mim
Em comunhão com os outros
Roubado dos céus as estrelas em astros
A beleza ou o fel tudo o que são dos outros
Dá-nos por entre os ermos
E os infinitos caminhos da inveja
Os anjos se envergonham ao fugir do negro pântano
Onde aqueles que caçam a vaidade
Caçam no mais feio homem
Na mais bonita senhora
E os crocodilos que escorrem de espuma
Criada pela inveja do meu coração
Alimenta os mosquitos e fermenta corrupção

As ofensas que me fazem com um sorriso
Uma cabeçada enterrada em costas inimigas
Uma franca amizade
E uma soberba leviandade
Então não seja inveja do material

Invejas de vida, invejas do amor do corpo natural
Entre o passado que é puro
O fogo que é longínquo e tem calor do além
Que as asas que ventilam as gaiolas dos maiores
E os outros ficam-se com raivas menores
E sentem toda a falta
Que sobeja dos outros
Assim como eu sinto a falta de mim
Por querer sentir-me menos assim.

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quarta-feira, 27 de março de 2019

Cega sociedade - JOÃO BARNABE

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Tudo o que é sociedade galã
Destabiliza-me o núcleo central
Sobrecarregam-se magoadas chuvadas
E em dilúvios fluem os males

As regras caprichosas sem nexo
Toda a psicologia criada
Para separar-nos, para destruir-nos
Ela somente existe para nos marcar
Somos padrões de “Freudes”
Matriculados ensopados de sabedoria
Encapsulados sem sal nem magia

Dizem que estão formatados
Fulminados de traças orientadas
Onde julgam ver a luz
Encontram na verdade o erro o mau
Mas a luz da sociedade ofusca
Está tempestuosa e a cintilante luminosidade
Cegou multidões, eu cego estou, perdido

Nascido cego, nascido no deambulo
Sem regras sem orientação sem julgamento
Tudo é macabro nesta sociedade
Onde nos guiam friamente
Por caminhos onde a sede
Nos embala tão docemente.

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sexta-feira, 22 de março de 2019

A simulação - JOÃO BARNABE

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Olhando em cada rosto
Vê-se uma sombra de quem caminha
Sobre a estrada por alguém criada
Quanta ilusão e realidade existem nestes olhos
Tudo parece tão real tanto como infiel

Entre o sonho e a vida
Já não há barreira que se oponha
Está tudo tão desfocado e perturbado
Que até as cores monocromáticas
Dissipam-se em negrura e ténues negra

Fantasia embruxada pelas mentes nossas
Troncos de árvores celebram a simulação
Onde como a raiz captura a realidade
Entre tudo o que é sólido e fixo
Somos nós que passamos e andamos
Deambulando sobre a incerteza de simular
A nossa própria vida

Então desesperamos por não saber
Se o desespero que sentimos é ou
Será outrora criado por fixações
Fixações matemáticas e nada mais.

EM - A VERDADE DE UMA MENTE DORMENTE - JOÃO BARNABE - IN-FINITA