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segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Quando tive medo - ANDRÉ ARAÚJO

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Quando tive medo:
Entrei num bonde cheio de coragem,
criei castelos,
subi montanhas,
desenhei nuvens
e fui ao mais profundo
Mergulho em mim mesmo.

Quando tive medo:
entrei num bonde cheio de coragem,
criei abraços,
subi arranha-céus,
desenhei mares,
E fui ao mais profundo
De mim mesmo.

Quando tive medo:
entrei num bonde cheio de coragem,
criei desejos
subi muros
desenhei sertões
E fui ao mais profundo
De mim mesmo.

Quando tive medo:
entrei num bonde cheio de coragem,
criei certezas,
subi telhados,
desenhei razões,
e fui ao mais profundo
De mim mesmo.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 10 de janeiro de 2021

Quando li sua carta - ANDRÉ ARAÚJO

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Quando li sua carta, pensei em rasgar,
Mas sabia que iria mandar outra em resposta,
preferi deixa-la inteira, intacta,
Mas também imóvel: parada.
Eu olhava,
fitava;
diante dela era um cacto, espinhos,
feria, mas poderia aflorar.
Quando li sua carta, pensei em nunca mais viver;
não havia sentido, no entanto,
resolvi: viver é preciso.
Tinha medo, angustia, solidão,
e o insólito vento batia na porta.
Quando li sua carta, pensei em trazer
Você de volta de longe...
Muito longe.
Tinha um sertão de coisas para tentar,
mas tinha inverno, uma travessia sem fim.
Quando li sua carta, pensei em nada.
Queria caminhar sem fim.
Teria um mundo para caminhar,
Tinha uma estrada e curvas.
Mas Eu temia a lua a me olhar
Num julgamento confesso.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA