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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Sem título - PINTO DO MONTEIRO

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Os homens do meu Nordeste
Estão desaparecidos
Nas estradas de São Paulo
Os caminhões entupidos
Conduzindo os enganados
Trazendo os arrependidos

(Pinto cantando sobre o êxodo rural do Nordeste fez essa bela sextilha)


EM - ECOS DO NORDESTE - ANTOLOGIA - IN-FINITA

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Cantando - PINTO DO MONTEIRO

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Cantando com Pinto em “oito pés de quadrão’, Lourival lançou:

“Cantar comigo é um risco / quebra pedra, espalha cisco; / vem trovão, e vem corisco; / vem corisco e vem trovão; / desce água em borbotão; / as águas formando tromba / teu açude, agora, arromba / nos oito pés de quadrão!”

A resposta de Pinto foi fulminante:
“Meu açude não arromba
nem a sua parede tomba
porque dois pés de pitomba
sustentam seu paredão
Haja pitomba no chão,
n’água rasa e n’água funda;
leve pitomba na bunda
nos oito pés de quadrão

Numa cantoria Furiba provoca:
"Pinto velho do Monteiro/Além de doido está cego".
O gênio não deixa por menos e responde:

Ainda lhe vejo cego
Sem ganhar nenhum vintém
Pedindo esmola num beco
Onde não passe ninguém
Se passar, seja outro cego
Pedindo esmola também


EM - ECOS DO NORDESTE - ANTOLOGIA - IN-FINITA

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Sem título - PINTO DO MONTEIRO

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No dia que eu tenho raiva
o vento sente um cansaço
o dia perde a beleza
a lua perde o espaço
o sol transforma-se em gelo
cai de pedaço em pedaço

Esta palavra saudade
conheço desde criança
saudade de amor ausente
não é saudade (é lembrança)
saudade só é saudade
quando morre a esperança

Eu comparo esta vida
à curva da letra S:
tem uma ponta que sobe
tem outra ponta que desce
e a volta que dá no meio
nem todo mundo conhece

Aonde eu chego, não vi
Mal que não desapareça
Raposa que não se esconda
Bravo que não me obedeça
Letrado que não me escute
Cantor que não endoideça

Cantar com quem canta pouco
é viajar numa pista
com um carro faltando freios
o chofer faltando a vista
e um doido gritando dentro
-Atola o pé motorista


EM - ECOS DO NORDESTE - ANTOLOGIA - IN-FINITA