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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Capela - ALEXANDRE NAVE
Vão escuros nas lenhas onde acendem
os olhos mirrados na carne
voltejam do terror em ladaínha
enfermos nas bocas negras,
amam como cães, bentos pela água
calvos ao desgosto do pai,
mostram os buracos do corpo
ajoelham erectos nas chagas,
fazem na escuridão o ofício de deus,
apagam a luz dos postigos
cobrem as vísceras de incêndio,
pedem os dias a deus.
in... Vão cães acesos pela noite - ALEXANDRE NAVE - Quasi
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Inspecção - ALEXANDRE NAVE
Novilhos pela diferença da luz,
velam onde a pedra os vem abrir
assentam praça no alforge, levam desgraça
pelo peito, as pernas marcadas nas virilhas
e se descuidam quebram frágeis à cintura
os ombros expostos pelo vento, amaciam
e são velozes pelo flanco, sabem deles
noviços derramam os pulsos pela água,
as juras amparadas entre os ramos,
as veias acesas como luzes.
in... Vão cães acesos pela noite - ALEXANDRE NAVE - Quasi
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