Deixa-me chorar-te e rasgar, lentamente, a pele
com gemidos agudos de frio e de saudade
voltarei a chorar-te sempre e enquanto houver
olhos e dor e peito. E vontade.
Deixa-me chorar-te, obrigando-me a viver
com a mágoa da perda, do fracasso
do elo que criei, nunca o querendo perder
que desagua num rio que é o meu regaço.
Deixa-me chorar-te e uivar até morrer
e depois olhar-te ao longe, sabendo que não voltas.
Deixa-me rever-te no passado, nas paredes
que me acolheram lágrimas, filhos e revoltas.
EM - ANTES DE SERMOS DIA - SOFIA BARROS - LUA DE MARFIM
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quinta-feira, 29 de outubro de 2015
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Procura-me - SOFIA BARROS
Procura-me nas marés da vida
na busca poética de quem quer
atrever-se numa emoção incontida
descobrindo que há muito para viver.
Encontra-me no silêncio da canção
que ecoa, num sorriso convertida,
no vento que sopra, na inquietação
em que navegas, numa rota proibida.
Abraça-me nessa onda suave e lenta,
de quem a toda a hora se reinventa
pela paixão de velejar em águas quentes.
Que, quando me abraças, o abandono
a que me dou é deleitoso, qual sono
dos amantes saciados, sorridentes.
EM - ANTES DE SERMOS DIA - SOFIA BARROS - LUA DE MARFIM
na busca poética de quem quer
atrever-se numa emoção incontida
descobrindo que há muito para viver.
Encontra-me no silêncio da canção
que ecoa, num sorriso convertida,
no vento que sopra, na inquietação
em que navegas, numa rota proibida.
Abraça-me nessa onda suave e lenta,
de quem a toda a hora se reinventa
pela paixão de velejar em águas quentes.
Que, quando me abraças, o abandono
a que me dou é deleitoso, qual sono
dos amantes saciados, sorridentes.
EM - ANTES DE SERMOS DIA - SOFIA BARROS - LUA DE MARFIM
sexta-feira, 15 de novembro de 2013
Bolero - SOFIA BARROS
Sinto-te na cadência ardente dum bolero,
turbilhão que me invade no interior da pele.
Olhas-me pressentindo o quanto te quero,
regas-me num brinde ao som de Ravel.
Sinto-te em ondas fortes de desejo,
amor consumado em altar ao relento,
consagrado na paixão ébria dum beijo
que redescobrimos a cada momento.
Sinto-te em vagas salgadas e quentes
e, juntos, navegamos nessa ondulação
que une amantes em ritmos ferventes
de rituais mútuos de adoração.
EM - ANTES DE SERMOS DIA - SOFIA BARROS - LUA DE MARFIM
turbilhão que me invade no interior da pele.
Olhas-me pressentindo o quanto te quero,
regas-me num brinde ao som de Ravel.
Sinto-te em ondas fortes de desejo,
amor consumado em altar ao relento,
consagrado na paixão ébria dum beijo
que redescobrimos a cada momento.
Sinto-te em vagas salgadas e quentes
e, juntos, navegamos nessa ondulação
que une amantes em ritmos ferventes
de rituais mútuos de adoração.
EM - ANTES DE SERMOS DIA - SOFIA BARROS - LUA DE MARFIM
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Encontro - SOFIA BARROS
Estarei à tua espera, não te atrases.
Vem ter comigo junto à clareira;
Ali, onde fizemos as pazes,
o rumor do rio mesmo à nossa beira.
Vem à hora que hoje combinámos.
Sabes, não consigo ficar mais sozinha
junto a esta lareira onde nos deitámos
após a dança inventada na cozinha.
Fica comigo nos poemas de amor,
na luta que termina sempre em empate;
Deixa-me mostrar-te que do teu calor
não há força alguma que me resgate.
EM - ANTES DE SERMOS DIA - SOFIA BARROS - LUA DE MARFIM
Vem ter comigo junto à clareira;
Ali, onde fizemos as pazes,
o rumor do rio mesmo à nossa beira.
Vem à hora que hoje combinámos.
Sabes, não consigo ficar mais sozinha
junto a esta lareira onde nos deitámos
após a dança inventada na cozinha.
Fica comigo nos poemas de amor,
na luta que termina sempre em empate;
Deixa-me mostrar-te que do teu calor
não há força alguma que me resgate.
EM - ANTES DE SERMOS DIA - SOFIA BARROS - LUA DE MARFIM
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Outono avançado - SOFIA BARROS
Quando dizes que me queres,
sou vulcão. Intrépido, voraz, ardente,
que explode em jorro constante de lava
e te percorre inteiro, amante sobrevivente.
Quando dizes que me esperas,
sou Outono avançado, amarelo exangue
que te deita num leito de folhas e terra
em que nos vindimamos, mosto e sangue.
Quando dizes que me adoras,
sou tesouro naufragado, no fundo do mar,
que te aguarda ansioso, numa valsa lenta
e te ensina o amor assim, a dançar...
IN - ANTES DE SERMOS DIA - SOFIA BARROS - LUA DE MARFIM
sou vulcão. Intrépido, voraz, ardente,
que explode em jorro constante de lava
e te percorre inteiro, amante sobrevivente.
Quando dizes que me esperas,
sou Outono avançado, amarelo exangue
que te deita num leito de folhas e terra
em que nos vindimamos, mosto e sangue.
Quando dizes que me adoras,
sou tesouro naufragado, no fundo do mar,
que te aguarda ansioso, numa valsa lenta
e te ensina o amor assim, a dançar...
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