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quarta-feira, 25 de maio de 2022

Saberes da vida - SAMUEL DE MONTEIRO

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Para Mariana Paiva

Ah! Querida por que tu nos deixaste?
Nosso exemplo de amor e alegria
Que esta dor no meu peito, não devaste
Os saberes que em ti, sempre trazia

Ah! Querida por que tu não ficaste?
Mais um pouco! Só um pouco, eu pediria
Mas talvez, este pouco nem me baste
Pois amor pede amor e contagia

Se partiste, um pouco fui contigo
Outro tanto de ti, ficou comigo
E seguimos felizes! De verdade!

O teu colo, tantas vezes foi abrigo
Tu estás nas palavras que hoje digo
Nos saberes da ancestralidade”

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 24 de maio de 2022

Prato fundo - SAMUEL DE MONTEIRO

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Para Marcos Siscar

Quantas vezes negaram uma guarida
Para aquele que pede o que precisa
Como a dor quando chega e nem avisa
No penar desta estrada tão cumprida
Tem aquele que nega até comida
E escreve tratados que nem sabe
Uma gente que implora que acabe
As distâncias existentes neste mundo
“É difícil lamber num prato fundo
O restinho da sopa que nos cabe”

Tem aquele que arrota caviar
Mas carece de amor e mais leveza
Desconhece o quão triste é a pobreza
Insensível, se nega em ajudar
Tem aquele ligeiro em criticar
Entre estes, não há quem não se gabe
Mas quem sabe, o orgulho até desabe?
E reflitam ao menos um segundo
“É difícil lamber num prato fundo
O restinho da sopa que nos cabe”

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Eu me sinto no Sertão - SAMUEL DE MONTEIRO

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Eu me sinto no Sertão
Ao ler poema rimado
Ouvindo um som forrozado
Pés descalços neste chão
Eu fico sem condição
Comendo cuscuz com leite
Ao ver de chita, o enfeite
Manteiga e queijo de coalho
Colorau, dente de alho
Baião de dois, um deleite.

Eu me sinto no Sertão
Ouvindo o nosso sotaque
Comprando algum badulaque
Ouvindo o Rei do Baião
Me acelera o coração
O som do bendito “oxente”
Que sai da boca da gente
Numa voz bela e sonora
O sol no romper da aurora
Deixando o dia mais quente

Eu me sinto no Sertão
No gosto da rapadura
Ao lembrar da vida dura
De um tempo de provação
Das festas de São João
Dos parquinhos da cidade
Daquela simplicidade
Da nossa gente matuta
Que mesmo com muita luta
Encontra a felicidade

Eu me sinto no Sertão
Quando me deito na rede
Quando vejo na parede
Um quadro com oração
As festas de louvação
Casa antiga com terreiro
A sombra do abacateiro
O som do galo avisando
Que outro dia está raiando
No mesmo horário, certeiro.

Eu me sinto no Sertão
Na velha Casa do Norte
A saudade bate forte
Quando escuto uma canção
Dois poetas em ação
Na inspirada cantoria
Rimas trazendo alegria
Sentados em tamboretes
De retalho, dois tapetes
Numa noite de poesia

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sábado, 16 de março de 2019

Na minha gaveta - SAMUEL DE MONTEIRO

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Na minha gaveta
Eu encontrei
minhas meias palavras

Uma peça antiga de um poema
Em pedaços

Na minha gaveta
Eu encontrei
Sonhos esquecidos
Amores empoeirados
Paixões com cheiro de naftalina

Na minha gaveta
Havia um pouco de tudo

E por pouco não me perdi
Naquela gaveta!


EM - ECOS DO NORDESTE - ANTOLOGIA - IN-FINITA

sexta-feira, 15 de março de 2019

Amor de beijo - SAMUEL DE MONTEIRO

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Lentamente minha boca encontra a tua
Vou sentindo o calor do beijo ardente
Fico fora de mim e de repente
Minh’alma está entregue e toda nua

Esse beijo intenso continua
Eu viajo por caminho diferente
Esse beijo nos transforma totalmente
E a paixão, como atriz, agora atua

Minha boca em tua boca tão macia
Minha língua a tua acaricia
Nossos corpos tão cheios de desejo

Percorrer o teu corpo é só magia
E você, minha alma contagia
Nós vivemos os dois, um amor de beijo!


EM - ECOS DO NORDESTE - ANTOLOGIA - IN-FINITA