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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Zaria - Adélio Amaro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Deixa-me remansear na tua saudade,
Nascente de água límpida, cristalina.
Segura-me as mãos, pura princesa alcalina,
Lava-me o cansaço, arranca-me a crueldade.

No crepúsculo, mata os traumas de guerreiro
Que me escurecem a janela da manhã
E me vendam os olhos. Espreita, amanhã,
A espada que me corta o sorriso romeiro.

Cura-me esta vida de joelhos curvados,
Estende-me o teu vestido branco, rosa alva.
Vamos dançar no perfume do teu cabelo

Frisado de flores e raios coroados?
Dizes-me não. A doente estátua estará salva
Ou padece, só, no rendilhado flagelo?

EM - DIVA MITOLÓGICA 73 SONETOS - ADÉLIO AMARO - IN-FINITA 

sábado, 23 de agosto de 2025

Vitória - Adélio Amaro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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No rumo de uma arqueia de dor padecida,
A neblina queixume roubou-te de mim.
Lancei âncora, com esperança carmim,
E remei lágrimas na barcaça sofrida.

Só… naufraguei, renasci e na espuma da história,
Pelejando-me, entreguei-te meu coração
No temporal embebido na tua mão,
Como general glorificando a vitória.

Aferrarei o peito na farpa do desejo.
Saberei ladrilhar essa face molhada,
Gélida como lâmina antes do trespasso?

Não apartes o limo sedento… já te vejo.
Arvora-me da eterna lança derrubada.
Não há derrota maior que a falta de um abraço…

EM - DIVA MITOLÓGICA 73 SONETOS - ADÉLIO AMARO - IN-FINITA 

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Vesna - Adélio Amaro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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De poesia solta, voava a andorinha
Em redor do teu cabelo primaveril,
Na tarde radiante, florida de abril,
Em que te conheci descalça, ali sozinha.

Descalço estava meu coração, debelado
Pelo tempo que apagou o vibrante terreiro
Onde sonhei despontar meu peito guerreiro.
Conquistei tesouros. Amor? Só mendigado…

Florimos o submundo, coramos a lua
E até o sol lacrimou uma lágrima ardente
Que nos aqueceu a nativa renovação.

Partiste. Ficou-me a tua lembrança, nua.
A terra cerrou. Mas, o teu sorriso, ausente,
Ficará rasgado na minha solidão.

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quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Vénus - Adélio Amaro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Nas tuas vítreas águas me deitei e segui…
Na falda do teu oceano, onde me deleito,
Ainda recordo a concha rosada, teu leito,
E todas as lágrimas que verti por ti…

Não quero palácio, júbilo, epitáfio ou ouro,
Apenas perder-me no teu acordar, sem medo,
Acoitar as esfinges do nosso segredo
E transformar o meu mundo no teu tesouro.

Apenas sonhei, sonho, com o amor celeste
E nele deixo meu coração repousar.
Mas tu, pelos cisnes alados repelada,

Como sangue sem veia, como clivo agreste
Na areia afagada pelo criador mar,
Genetriz, pelo Cupido foste abraçada.

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sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Uza - Adélio Amaro

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Bétel é teu corpo ascendido pelo meu,
Tentado pela tua nascente de estrela
Que me hidrata a vida e a pedra da alma esfarela.
Nas garras do sagrado leão estremeceu

A uberdade do deserto que me aguou a mente
E secou a garganta com a chuva do eterno.
Guardo tuas lágrimas das tardes de inverno,
Enxugadas na sombra da glória premente.

Vigio as curvas da ribeira solitária
Onde, tanta vez, submergi no teu sudário
De feridas lambidas pelo tempo vago.

Carrego a meiga fantasia imaginária
Que o basalto dos teus cabelos, meu fadário,
Aportou na vãs saudade que de ti trago.

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domingo, 3 de agosto de 2025

Sól - Adélio Amaro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Acordei cedo, vedado pelos teus braços.
Apartei a manta da tua sã claridade...
Levantei rápido, plangente de saudade,
E debandai na crina da glória-dos-elfos.

Na vereda deparei com a Lua uivada
Vigiando as sombras dos fragosos penedos.
Mas, a saudade, amante de todos os medos,
Ordenou o regresso da escura caminhada.

Regressei com Arvak e Alsvid para teu leito.
Troteando vales, marcando pó lameiro,
Rapidamente ao teu resguardo cheguei.

Padeci. De rasgo profundo no meu peito,
Vencido às garras do lobo carniceiro,
Velei o calor da candura que mais amei.

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segunda-feira, 28 de julho de 2025

Perséfone - Adélio Amaro

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Não consigo silenciar as tuas lágrimas
que o vento semeou no jardim da aparência
perante a raiz da minha plangente inocência.
Hades no mundo pequeno, que mui estimas,

É abraçado pelo teu corpo trigueiro,
Caiado pelas noites de abandono, amado…
Ainda sou o teu abrigo embaído, derrubado
por um facho de fumo escravo, fagueiro…

Foi no teu trono frio, aroma de romã,
que imergiu o adorno das flores tocadas
por acúleos de silêncio. Meu coração

Quer acordar no teu mel a cada manhã,
Quer o cheio a terra das colheitas molhadas,
Quer orvalhar teus olhos verdes de traição…

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quarta-feira, 23 de julho de 2025

Morana - Adélio Amaro

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O inverno que mais me arrefece o coração
É sentir-te sentada no meu peito frígido.
Cabelo de cristal sujo, toque afligido…
Porção de carícia fresca a estender-me a mão…

Pela manhã, abraços gélidos, malignos,
Cegam-me os atalhos gelados do teu olhar,
Foiçam-me os recantos do corpo, por amar,
Farrapam-me a mortalha em teares indignos.

Pesadelo… leva-me a velhice ao céu,
Esconde, longe, a morte no choro do vento
Retorcido, decapitado de saudade.

Não me farpes o corpo, deita-me o teu véu,
Faz de mim noite soalheira, novo alento.
Faz de mim criança, apaga-me a luz da idade...

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sexta-feira, 18 de julho de 2025

Minerva - Adélio Amaro

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Cursado pelo pálido linho a brotar,
Com a face imersa pela maré de prantos
E o olhar inundado pelos nossos encantos,
Senti as mãos a tecerem o rosto tear.

Tive-te afeição, lamuriei e afrontei o condor…
Lembro-me do tronco limo onde me sentei
e com riscos de carvão, nua, te tracei
Na aurora em que saboreei a lira do teu amor…

Na folha do tempo, nervoso como o vento,
Recebi engenho, escudo, lança, elmo e armadura.
Queria o éter da Poesia… ninguém

Me contemplou com tal magia nem alento.
Na noite da coruja, penas de loucura,
Vi Capitolino, monte da deusa mãe…

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domingo, 13 de julho de 2025

Juno - Adélio Amaro

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Júpiter repartiu afeição verdadeira.
Por ti, Euristeu entregou aventuras perigosas
A Hércules. Doze lidas, regras duvidosas.
De nada valeu Íris, serva mensageira…

Não te satisfez seres rainha dos deuses?
Eu sei, Calisto era de beleza ofegante
e te causava inveja no esconso de amante.
E tu? Habitavas nos doze encantos dos meses…

Outras amantes tinha, sem as refutar.
E tu? Olhos esmorecidos, aos milhões,
Pousavas o brilho nas penas de pavão.

Júpiter moveu a constelação, por amar,
e a Mercúrio pediu o uso de seus bastões
Para trucidar, sem devoção, o olhar vilão.

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terça-feira, 8 de julho de 2025

Ísis - Adélio Amaro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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O vime com que prendes as lágrimas, nuas,
É o mesmo que ata Osíris ressuscitado.
É o que lacera o destino amortalhado
Aos esteiros dos mares das minhas ruas.

Tu, mãe divina, que controlas teu destino
No oceano onde o mundo se afoga, no olhar
Grafado na magia da barca solar
Que repousa nas ilhas Filas do divino,

Pedes para contigo me perder nas moitas
De papiro com que governas o submundo…
Mas sei, sempre percebi, que com tuas asas

De milhafre pardo, de almas mortas, afoitas,
E na escritura dos ritos, sono profundo,
Cravas as raízes das cornucópias rasas.

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quinta-feira, 3 de julho de 2025

Iemanjá - Adélio Amaro

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Não existe maior céu que o grito do teu olhar.
A chuva azul que inunda o teu corpo de água
Gela a pedra que flutua na minha mágoa
E acolhe as lágrimas do teu rosto de mar.

Não sinto o respirar das colinas. E tu?
Lembras-te do nó de sol que nos apertou?
Lembras-te? Foi o rio Ogum que nos libertou.
Ainda amparo o nosso segredo – somos um.

Já não suporto esta dor esquecida. Vens?
Vem comigo. Vem pelas minhas margens, nuas.
Vem banhar-te em mim, em nós. Esquece esse mar,

Vil, que te anoitece no alvorecer das nuvens.
Vem. Dou-te a imensidão das estrelas, das luas…
Vem beijar as marés do meu peito, abraçar…

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sábado, 28 de junho de 2025

Hera - Adélio Amaro

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Tu apenas querias os segredos de Zeus.
Com cabelo ornado e deleito de romã,
A tua pureza na juvenil manhã
Tatuou teus braços alvos sem conselhos meus.

Na coberta de Eco, com lençol de luar,
Vingavas a tua dor, áspera e vagante,
Flagelando a ninfa de Zeus, faúlha e amante…
Tens em ti Io, unida ao degolado olhar

De Argo que Hermes te entregou. Com olhos urdidos
Adornaste o nosso sagrado pavão. Aceito…
Com teu cetro brada-me o peito, magoado

Pelos ciúmes que nos deixaram feridos.
Sangra-me a fertilidade onde me deleito
e regaça-me em teu leito, sempre a teu lado.

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segunda-feira, 23 de junho de 2025

Gaia - Adélio Amaro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Não fui Úrano. Não fui manto azular.
Não te concebi ciclopes de olhar aberto.
Não estendi o lar eterno no luar incerto
No imo onde Ponto afundou o anciano do mar.

Não possuo cem mãos, nem cinquenta cabeças.
Não sei prever as dores do teu germinar
Nem expelir do teu peito o aço. Ao deitar
meu olhar anoitece na espera que amanheças.

Não aceitei a imortalidade dos teus gigantes,
Não icei a luz das folhas para os alimentar
E dormi nos véus de Nix. Na estrela negada

Pereceu o meu desejo de sermos amantes.
Trepei o céu, apinhei serras na escuma do mar
E cerrei a Terra no alvorar da madrugada…

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quarta-feira, 18 de junho de 2025

Freia - Adélio Amaro

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Tua felina carruagem, dia trágico,
Vestiu-te de runas. Festim outonal
Fez-me ferreiro no belo bosque formal.
Nele fundi a chama para o teu colar mágico.

Desejei combater no manto dos guerreiros,
Embrulhado nas sardas de aroma a jacinto.
Fugiste de Asgard no teu javali faminto…
Valquírias arquearam nove feiticeiros…

Não esqueço a tua aura brilhante e malfeitora,
A tua luxúria no lençol infernal
E a luta, sem anão ver, para te abraçar.

Deixa... Sai de mim excitada sedutora.
Deixa-me na melodia irracional,
Faz-me o trovador do infinito ao luar.

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sexta-feira, 13 de junho de 2025

Fortuna - Adélio Amaro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Na roda que me tece o abismo, encontro a sorte
Torcida, portada na cornucópia nua.
Esta Fortuna cega, sem que o timão anua,
Aporta, vela-me num sudário de morte.

Mas tu, deitada na concha, esfera despida,
Deixaste-me preado, só, ao ermo leme,
Na folha de luz que me guia e nada teme,
No naco que inuma a minha vida perdida.

Não me importa Júpiter, teu pai. Imploro-te
A presença. Não anseio ódio ou perversão.
Angustia-me a tua ausência, neste mar

Desnudo, embebido na espuma. Quero-te
Nas faldas do meu acaso. Segura-me a mão,
Neste chão amarrotado, ímpio por te amar.

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domingo, 8 de junho de 2025

Eos - Adélio Amaro

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Ancorei-te na diligência, erma, ofegante,
Com teus róseos dedos enlaçados nos meus.
Como sofria quando diziam adeus
Pela aurora que enrugava rasto de amante.

No rocio beijei o teu orvalho derramado.
Restam-me as folhas plangentes que pranteiam
Ao meu lado. As saudades que me enleiam
São pedras estendidas no musgo deitado.

Foram Lampo e Faetonte, caminho alado,
com arreios ermados, que aconchegaram
Os teus amores nesses cabelos marfim…

Tenho ciúmes de Ares, teu primeiro amado.
Esquece os braços de Mémnon. Derramaram
O sangue que banhou Lídia... afoga-te em mim.

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terça-feira, 3 de junho de 2025

Diana - Adélio Amaro

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Não me faças teu cervo, nem cebo de cão,
Na súplica noite que na verdade vi,
No lago Nemi, onde nua te conheci.
Não me harmonizes na tua interpelação…

Leva-me, deixa-me ir na aljafra do teu traço.
Não me importo de ser seta na tua aljava
E assestado pelo teu arco de fibra cava.
Serei raiz baluarte nas veias do abraço…

No leito com que meus olhos te desejam
Serei escabelo de pedra, irei adorar-te.
Dos teus animais bravios serei mendigo…

As lajes onde nossas lágrimas beijam
Serão templo rústico, forte. Irei amar-te
Na sombra das sebes e caçarei contigo…

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quarta-feira, 28 de maio de 2025

Deméter - Adélio Amaro

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Nos confins báratros enfrentaste o perigo.
A vereda toldada o archote iluminou.
Aos infernos tua filha se plasmou
E Triptólemo cultivou a espiga de trigo.

Das ânsias térreas, desejavas ser amada
No decesso fecundo do teu coração…
Ao Homem deste o fruto da seara, o pão,
E a luz doirada de uma terra cultivada.

Perséfone será sempre a tua ciência…
Hades? Esquece-o. Ele o melhor bem te usurpou.
Ergue-me, não me deixes entre a vida e a morte,

Faz de nós a vegetação de toda a essência,
Vem selar a dor que o tempo fortificou...
Alça-me as asas anis e altiva-me a sorte.

EM - DIVA MITOLÓGICA 73 SONETOS - ADÉLIO AMARO - IN-FINITA 

sexta-feira, 23 de maio de 2025

Cibele - Adélio Amaro

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Quando te senti caminhar pelo meu peito
E a brisa noturna sussurrava segredos,
O teu crepúsculo dissipou os nossos medos
E a flor etérea desabrochou no teu leito.

Dançámos na branca espuma dos oceanos
E muralhámos tempestades. No fulgor
Olhar coroámos o nosso verde amor
E florescemos nas auroras onde amámos.

Teus régios abraços moldaram minha sorte
E o afável rio, torso, que nos amarrou,
Fez de nós o murmúrio milenar da noite.

Fomos margens, saudades, correntes de morte
E arvoredos de um sonho que alguém desenhou.
Fomos verso e poesia. Fomos açoite…

EM - DIVA MITOLÓGICA 73 SONETOS - ADÉLIO AMARO - IN-FINITA