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quinta-feira, 26 de março de 2026

Mágoa - Maria Antonieta Oliveira

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Já não tenho alegria, nem esperança
Nada ou algo que valha a pena
Vou sair desta vida infeliz
Vou renascer noutro local
Tentar ter outra família com amor
Que me dê carinho, beijos e ternura
Que sejam a minha salvação
Quero ter uma família.
Se errei, digam-me onde errei
E pedirei perdão
Explicarei porque o fiz
E decerto me compreenderão

Quanta mágoa vai neste coração
Quantas lágrimas derramadas em vão.

EM - MEMÓRIAS DE UMA LOUCURA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

domingo, 22 de março de 2026

A noite - Maria Antonieta Oliveira

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Conexões Atlânticas neste link
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A noite é a escuridão iluminada pela lua
É o encontro dos amantes
E o adormecer dos vagueantes
Divagando pelas ruas negras e sujas da cidade
O cheiro nauseabundo faz-nos desistir
Mas o amor é maior e ficamos
Queremos continuar a amar ao luar
A sentir o calor dos nossos beijos
Sem que alguém nos condene
Só a lua, o céu e as nuvens nos veem
Testemunhas do nosso amor vadio
No lago a água espreita curiosa
Os peixes saltitam salpicando o banco
Onde nos encontramos amando
Enroscados e escondidos passamos despercebidos
E amamo-nos e beijamo-nos como se não houvesse amanhã
A lua começa a dar lugar ao sol
Temos que partir antes que eles nos encontrem

A noite termina
Mas o amor continua.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

sábado, 21 de março de 2026

Loucura - Maria Antonieta Oliveira

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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A loucura
É uma pasta vazia
É uma pauta sem clave de sol
Uma praia sem areia
E um mar sem água
A loucura
É uma cabeça oca
Um pensamento sem nexo
Um som agudo
Ou grave tanto faz
A loucura
É louca
Inventa e cria ilusões
Acredita em mentiras e desilusões
É louca
A loucura
Porque é abstrata e pura.

EM - MEMÓRIAS DE UMA LOUCURA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

segunda-feira, 16 de março de 2026

Enganada - Maria Antonieta Oliveira

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Recebi o beijo que me deste
Vinha bem embrulhado
Num papel quase dourado
Sorri feliz e com alegria
Desembrulhei, devagar
Não que o beijo sem eu querer, fosse voar
O dourado do papel foi ficando
amarfanhado
E o beijo nele enrolado
Encolhido e envergonhado
Escondeu-se do meu olhar
Por mais voltas que desse
Naquele papel dourado
Jamais encontrei o beijo
Que me tinhas enviado.
Triste e chorando baixinho
Descobri que afinal
Aquele beijo embrulhado
Não passava de sonho imaginado.

EM - MEMÓRIAS DE UMA LOUCURA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

quarta-feira, 11 de março de 2026

Trocada - Maria Antonieta Oliveira

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Passaste agora à minha porta
Engalado, de fato e gravata
Ias-te casar no registo
A noiva aguardava ansiosa
E tu, traiçoeiro e matreiro
Lá foste todo galã
Enfeitiçado pelo amor
Que afinal não sentias
Seguiste o rumo que traçaste
E o verdadeiro amor para trás deixaste
Quando voltaste à minha porta passar
Já o meu coração batia num outro lugar
Junto a ele, num banco de jardim
Uma lágrima deslizando, caía

EM - MEMÓRIAS DE UMA LOUCURA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

sexta-feira, 6 de março de 2026

Chama-me de amor - Maria Antonieta Oliveira

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Chama-me de amor
E diz que me amas
Diz que sentes saudades dos meus
lábios nos teus
Das nossas línguas unidas num amor
infinito
Chama-me de amor
E ama-me com fervor
Preciso tanto de ti!
Nem imaginas o quanto!...

EM - MEMÓRIAS DE UMA LOUCURA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

domingo, 1 de março de 2026

A vida passou - Maria Antonieta Oliveira

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A vida passou
E eu, deixei-a passar
Não lhe pus um travão
Pensava que jamais acabava
As dores foram mais do coração
Do que do corpo
Mas,
As depressões quase que nasceram
no dia em que nasci
E acompanharam-me pela vida fora
E agora?
Agora, são 76 anos de acumulação
De segredos só meus
De degredos que vivi
De sonhos que não realizei
E agora?
Agora choro e rio sem vontade
Disfarço a vida
E a vida passa disfarçando…

EM - MEMÓRIAS DE UMA LOUCURA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Ela brilhava no olhar dele - Maria Antonieta Oliveira

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O sol escondia-se envergonhado
A nuvem passava devagar
Não queria que ele se apercebesse
Mas o sol esperto, continuava passando
com a nuvem
E naquele momento apenas ela brilhava
Ao olhar dele que a amava
Ela cansada, mas feliz
Deixava-se ficar na sombra do sol
Escondido por detrás da nuvem
passante.

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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Estou farta - Maria Antonieta Oliveira

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Não me peçam para ser boa
Estou farta de ser palhaço
Todos felizes, ou talvez, como eu, a fingir
Feliz?!
Felicidade?!
Não sei o que isso é!
Nunca fui feliz!
Abraços desabraçados
Beijos por beijar
Sorrisos falsos
Palavras elogiosas sem sentido
Tanta, mas tanta falsidade
Somos cinco, ou seis, depende
Apenas e mais ninguém
Tudo ou todos os outros são vermes
Serpentes venenosas que me seguem
Perseguem os meus sonhos
Aqueles que nunca tive nem terei

Estou cansada da vida!

EM - MEMÓRIAS DE UMA LOUCURA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Luzes divinas - Maria Antonieta Oliveira

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Há luzes que basta um clique e se acendem
Há luzes que se acendem apenas ao passar
E há aquelas que nos entram pelo espaço
onde estamos
Sem que nada façamos
Brilham como brilha o sol
E como o sol são luzes divinas
Nada nem ninguém as ofuscará
Nem a inveja, a maldade, a ganância,
a luxúria
Nada, nada mesmo
Pois são luzes enviadas pelo céu
E,
Luzes divinas, jamais serão destruídas!

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Morri - Maria Antonieta Oliveira

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Morri!
Morri sozinha
Ninguém chorou por mim
Ninguém rezou por mim
Ninguém sofreu por mim
Ninguém me levou flores
Porque quando eu morri
Já todos tinham morrido

Sem família
Sem ninguém
Morri sozinha!

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Morte - Maria Antonieta Oliveira

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Já nada me dói
De tanta dor sentida
Já não sou ninguém
De tanto que já fui
Nem a água me banha
Nem o mar me acalma
Nem o sol nem a lua me beija
Já nem as flores se abrem quando
chega a primavera
O verão já não me aquece
Nem o inverno me arrefece
Meu corpo sofrido partiu
O silêncio à minha volta é sepulcral
O cheiro das flores já mortas
Enoja-me entristece-me
Mataram as flores
Para as darem a quem já não as vê
Morta por morta
Antes eu que as rosas.

EM - MEMÓRIAS DE UMA LOUCURA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Não se compra - Maria Antonieta Oliveira

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Não quero prémios
Quero palavras de amor
Quero poesia com sinceridade
E os prémios
Que sejam a amizade
Quero abraços apertados
No calor de um encontro
Quero beijos nunca dados
Mas senti-los como ontem
Quero ser feliz, e não sou
Nunca fui, nunca serei

Não quero prémios comprados
Quero comprar felicidade!

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Ninguém sabe a minha idade - Maria Antonieta Oliveira

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Ninguém sabe a minha idade
Sou jovem, sim, sou jovem de espírito
Doenças, nem pensar, todos as temos
Desde miúda que me dói aqui e ali
Também sofro disto e mais aquilo
Não te preocupes, não tem nada a ver
com a idade
Tu és uma jovem, mexeste-te bem
Nunca te ouço queixar de dores, já eu…
Pois é, sempre assim foi
Ouço todos os males dos outros
Mas eu, eu nunca estou doente, felizmente
A mim ninguém ouve queixar, aliás, a mim
ninguém me ouve
Eu sou jovem, não tenho idade

Eu sou jovem, não tenho idade
Mas o tempo sabe bem a minha idade.
Os anos já são muitos e as mazelas
ainda mais
Mas… estás sempre com um sorriso
Sorriso disfarçado numa lágrima de dor.

Ninguém sabe a minha idade…

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

No fundo do mar - Maria Antonieta Oliveira

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Sinto o mar salgado batendo
Nos meus lábios outrora doces
Pétalas de rosa murchas
Invadem os meus cabelos
Grisalhos e desgrenhados
Algas silenciosas ondulam
Ao meu redor
Ouço-as sussurrando
As estrelas-do-mar gravitam
Numa conversa só delas
Sóis e luas acontecem
Dias e noites sucedem
No cimo dos cimos deste mar
Onde me afundei e vivo
Onde a minha boca perdeu
O doce sabor dos teus beijos
Já não sinto os meus lábios.

EM - MEMÓRIAS DE UMA LOUCURA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O meu fado - Maria Antonieta Oliveira

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Nasci num dia de sol, ou talvez não
Era noite estrelada, a lua brilhava
E eu, para chatear, chorava
Amanhecia e era quase verão
O sol aquecia no Alentejo profundo
A luz entrava no quarto e eu, mamava
A mãe, num misto de sofrimento e alegria,
sorria
Dois anos passaram entre verões escaldantes
E invernos demasiado frios, aquecidos
na lareira
Aquela casa onde nasci, passou a ser uma
miragem
O Alentejo de ar puro, ficou na outra
margem
E Lisboa de ruas largas e gentes
desconhecidas
Acolheu-me de braços abertos
O rio que me trouxe, ainda é o meu rio

Lisboa já não é a mesma
E o meu Alentejo, está num sonho
inacabado
O sonho eterno do meu fado.

EM - MEMÓRIAS DE UMA LOUCURA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA

domingo, 11 de janeiro de 2026

Palavras simples - Maria Antonieta Oliveira

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Não sei dizer palavras caras
Daquelas que nem todos entendem
Os meus pais eram pobres
Só me ensinaram humildade e respeito
Palavras simples, mas honestas
Tal como eles eram
Não tenho “canudos” de doutores
Esses ficaram para os médicos
Que tanto trabalho tiveram comigo
Nem canudos nos cabelos
Sempre foram lisos, escorreitos
As minhas palavras simples
As que todos entendem
Saem do coração
Ditadas pela alma sentida
Estas são verdadeiras
São as minhas
Simples e humildes
Como me ensinaram a ser.

EM - MEMÓRIAS DE UMA LOUCURA - MARIA ANTONIETA OLIVEIRA - IN-FINITA