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terça-feira, 17 de março de 2026

Eu queria ser… - Isabel Bastos Nunes

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Eu queria ser silêncio
Estar quieta
Calada
Deixar-me engolir pela noite
Mas a vontade absurda do meu corpo
É ficar acordada
Voltada certamente
Para os fragmentos das minhas memórias
Enquanto os outros dormem.

Submeto-me aos pensamentos
Aqueles que deixam cicatrizes
Que doem
Que ferem
Mas não matam.

Eu queria ser silêncio
Mas as minhas palavras
Permanecem indiferentes…

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

domingo, 9 de março de 2025

Sou imperfeição da vida - Isabel Bastos Nunes

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Sou louca
Nas minhas tempestades nocturnas
No meu sorriso
Nas minhas mãos
No fascínio antes da palavra
Quando o meu corpo se separa da poesia
Numa luta interior.

Deixo que os magos e gnomos da floresta
Invadam os meus sonhos
Violem o meu silêncio
E me deixem proscrita
No limiar de um poema.

Sou a inconsciência do nada ser
Sou a vida tatuada na alma
Sou o rosto das vozes silenciadas
Sou a imperfeição da vida
Sou restos de tudo
Porque não sei ser mais nada.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - COLETÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 3 de março de 2025

Na luxúria de um poema (excerto) - Isabel Bastos Nunes

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Humedeces os meus olhos
Quando em silêncio me acordas
Deste meu sono quieto
E com uma ternura incomensurável
Brandamente me abraças.

Adoçada pelo calor do teu corpo.
Falamos sobre as horas esquecidas
Nas sombras incompletas deste quarto
Quando unes a tua carne com a minha
Antes que o sol se levante
Com aquela mansidão própria
De uma manhã tardia.

Sinto que me perco do mundo
E vou-me abrigar no espaço livre da tua alma
Onde me acolhes com uma felicidade nua
Onde as palavras e os beijos se misturam
Num olhar complacente
De um movimento cheio de ternura
Que no reino mágico das brumas
Me atrai o desejo de ser tua.
...

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS IX - COLETÂNEA - IN-FINITA

sábado, 20 de julho de 2024

E assim foi Abril… (excerto) - Isabel Bastos Nunes

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Em horas tardias
Tudo era silêncio,
E o medo perdurava
Na vida e no tempo.

Almas gritando,
Remoendo o tormento
Jurando vingança
Pelos dias malditos
Vividos sem esperança.

Mas eis que no silêncio
De uma noite há muito esperada
Uma canção se ouviu
Pela madrugada.

Gritando bem alto
Deu-nos a liberdade
Para nós podermos
Falar à vontade.

Saí para a rua
Bandeira na mão,
Olhos brilhando
O Hino entoando
Tal era a emoção.

Colchas nas janelas,
Todos abraçando
VIVA A LIBERDADE
Em coro gritando.
...

EM - LIBERDADE - COLETÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

No vagar das palavras - Isabel Bastos Nunes

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O silêncio marca as palavras
Apenas as letras se agitam no pequeno papel
Com medo de não serem lidas.

São vagarosas
Procuram as rimas
E sentem-se sós.

Escrevo-as no verso das páginas
Dos livros guardados em estantes
Coladas nas paredes.

Um dia
Um poeta perdeu-se a olhar para elas
Quis juntá-las, dar-lhes vida
Cheirá-las como se fossem flores
Em canteiros de terra silvestre.

As palavras tiveram vida e floriram

Foram brancas, verdes e amarelas
Dançaram como se fossem bailarinas
Numa paleta de aguarelas…

Já cansadas guardaram-se dentro dos livros
E nunca esqueceram as memórias desse dia

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 26 de novembro de 2023

As palavras são chagas onde me perco - Isabel Bastos Nunes

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Nascem-me palavras
Palavras que desconheço
Que transformam o verso em poema.

Escrevo o que me vai na alma
E no meu pensamento

São palavras que interpreto

Que tenho de traduzir
Porque mal as entendo
Que nascem
Como se fossem árvores plantadas ao acaso
No meu coração
São chagas sentidas onde me perco
São elas que me obrigam a despir a alma
E procurar os silêncios
Que dominam a minha inquietação
E a minha entrega total ao que escrevo.

EM - PALAVRAS QUE FAZEM A DIFERENÇA - COLECTÂNEA GERÁBRIGA - IN-FINITA

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Amanhecer - ISABEL BASTOS NUNES

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Gravo na memória o teu olhar cúmplice
Quando nas carícias com que me envolves
Me cobres o corpo com beijos.

Deixo-me levar pelos afectos
Nessa ternura quase perfeita
Do nosso encontro entre o corpo e a alma
Entre o desejo e a paixão.

Amanhece
E o teu braço repousa sobre o meu corpo nu
Nessa comunhão perfeita
Onde a nossa história começa
E em cada gesto te deixo trazê-la até mim.

Não tenho os minutos contados
Nem horas para este sonho acabar
Deixo o meu corpo preso às memórias
Com que me vou alimentar.

Nas tuas mãos eu me envolvo
Deixando-me enfeitiçar
A ti me entrego ansiosa
No amanhecer que desponta
Na urgência de te amar.

EM - EROTISMO E SENSUALIDADE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 25 de junho de 2023

Intima de mim - ISABEL BASTOS NUNES

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Vi-me por aí
Íntima de mim feita de pedaços
Que por mim falam.

Desço pelo meu corpo
Misturo-me no meu sangue
Quase que me profano
Neste templo sagrado
Onde os gritos me sufocam
Num doer surdo.

Nada consegue dissipar
Este soluçar íntimo.

Cedo à minha vontade
Mergulhando neste vazio
Inibindo a minha alma e o meu pensamento

Não conseguindo libertar-me
Do que sou eu.

EM - EXPRESSÃO - COLETÂNEA - IN-FINITA

domingo, 27 de novembro de 2022

Horas da noite - ISABEL BASTOS NUNES

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Passeio pelas minhas memórias
Provo o amargo das noites de insónia
Entra-me nas entranhas
A sombra rápida das horas tardias
O silêncio das árvores
Enquanto a natureza se despede
De mais um dia.

É hora da noite
Dispo-me de todos os meus pecados
Inicio o mea culpa com o Acto de Contrição
Enquanto espero que os sonhos
Me levem ao mundo da fantasia
Enchendo-me de pensamentos
Que nem sequer conhecia.

Sou noiva vestida de branco
Ou viúva de negro vestida…

É hora da noite
Do desencanto ou do encantamento
Onde se constroem os assombros
Ou assombramentos
Onde a liberdade vive de revelações
Fruto talvez de uma memória
De sombras esquecidas pelas esquinas do tempo.

Sujeito-me ao destino desses sonhos
Como outono entrando levemente num jardim
Porta aberta para um quadro pintado de folhas mortas
Onde tudo é música e silêncio
Onde me despeço de mim.

É hora da noite
Das danças
Das bruxas
E dos segredos
Da espera das madrugadas
Dos amantes e das amadas
Das névoas iluminadas
Pela luz alva das noitadas.

A mim
Espera-me o nada sentir…

Olho-as com avidez
Por não lhes poder dar um rosto
Nem percorrer o corpo de ninguém.

Apenas a solidão que me rodeia
Lhes pode dar a palavra.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Trazias no corpo - ISABEL BASTOS NUNES

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Trazias no corpo
Laivos de esperança e amor
Vividos em sonhos
Que o vento parecia envolver
Nas folhagens do teu outono deserto.
Implacável destino
Mascarado com as tonalidades de um amor
Que sem tempo sem hora
Sem chegada nem partida
Te deixou o leve esgar
De um sorriso triste nos lábios.
Trazias no corpo
Palavras mudas de versos desfeitos
Escritos na dor das lágrimas dos teus olhos
Poemas que teimosamente escondias
Numa dor para além de ti.
Abraçavas então a solidão
Porque ela se tornara a tua companhia
Deixando-te apenas
As lembranças ainda doridas
Trazidas pelo vento
Em remoinhos de melodias
Dos sentimentos há muito perdidos
E que enterraras no fundo do mar.
Apenas precisas que o tempo
Te apague as cicatrizes
E te faça renascer
Os sorrisos e gargalhadas que tu davas
Enquanto a vida te negava
O teu refúgio de paz luz e cor.

EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Reencontros - ISABEL BASTOS NUNES

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Reencontrei-te na madrugada
Quando as nossas almas
Falavam em silêncio.

Reencontrei-te
Quando na procura
Do que já me era esquecido
O meu corpo ainda ávido de ti
Clamava-te em surdina
Na dor sentida dos meus abraços vazios.

Reencontrei-te
Porque na verdade nunca saíste de mim.

Nas minhas recordações
Nunca foste ausente
Apenas eu não te ouvia
Pelo meu desassossego constante
Porque é assim que eu sou.

Foste como íngreme rocha
Afogado na minha loucura
Quando em mar de desespero
Me perdia na areia escaldante
Na insensata procura de uma liberdade
Vivida em todos os instantes.

Reencontrei-te
E deixei-te partir novamente.

EM - TOCA A ESCREVER 2022 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Mas… - ISABEL BASTOS NUNES

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De ombros nus
Cabelos soltos ao vento
Sorriso franco
Andar gaiato
Sentou-se num dos cafés
Da rua mais estreita de montemartre
No seu rosto sentia-se presente
Um desejo anónimo de estar ausente.
Olhou em volta
Pediu um café.
A voz saiu-lhe rouca
Sensual
O olhar era quente
Quente como aquele dia de Agosto.
Pousou a mão e suavemente
Beberricou o café.
Tudo o que queria
Era ficar em paz
Olhando tranquila
O andar agitado naquele fim de tarde
Saboreando aquela estranha calmia
Pois o dia ali
Costumava ser agitado.
Vi-a mais tarde
Segui-a em silêncio
Ia bela e ferida
Dizia-me o rosto.
Mas…sem precisar de fingir
Era ave perdida
De sofrimento escondido
Num belo e airoso corpo
Que lhe doía por dentro.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA

domingo, 1 de maio de 2022

Falo-vos de mim… - ISABEL BASTOS NUNES

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Venho do outro lado
Daquele lado em que as coisas estranhas acontecem.

Venho saída das grutas de um mar severo
Onde fiquei anos adormecida.

Venho coberta com as algas de cor prateada
Aquecida pelas passagens luminosas do sol
Entre as grutas de águas azuis
Tendo apenas por companhia
As areias prateadas estendidas como lençol.

Falo-vos de mim
E trago-vos o cheiro da maresia.

O corpo molhado
E o olhar à procura de um farol
Que me possa guiar
Até ao melhor porto de abrigo
Onde eu me possa aportar.

À minha volta
Sempre tive o mar vitorioso
Vagas mansas que me adormeciam
Estrelas-do-mar que me acariciavam
Acabei por não querer mais nada
Tal era a serenidade em que me envolviam.

Um dia falei-lhes de ti
Contos amargos
Alegrias breves

Dores e abraços
Sonhos perdidos
Mágoas…

As águas estremeceram
Taparam-me e defenderam-me dessas lembranças

Vestiram-me de rendas amarelas de espuma
Decoraram-me com conchas madrepérola
E fizeram um festim só para mim.

Não me deixaram partir
Quiseram que eu enterrasse o passado
No lugar mais fundo do mar…

Não consegui.

Um dia
A maré subiu rápida
O mar encapelou pelos ventos frios da maré
E tornou-se em grandes vagas desesperado.

Tudo aconteceu depressa
O mundo redondo deu a volta.

Perdi-me do meu refúgio consagrado
E sem saber
Vim aportar onde os rios se cruzam
Quando correm em direcção ao mar…

Uma luz rasgava o céu
O vento acalmava o mar
O ar gritava ao sol
E o silêncio pesou
Parecendo embalar todas as dores do mundo.

Nessa altura…
Eu própria soube
Que nunca mais ia voltar.

EM - INTUIÇÃO - COLETÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 21 de março de 2022

Inquietação - ISABEL BASTOS NUNES

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Espreitei por de trás das janelas
A inquietação que eu sentia
Talvez se tenha escondido
Na esquina mais próxima
Do final da rua.

Afastei as cortinas
Não havia movimento
Nem sequer um ruído…

A cidade parecia vazia.

De onde vinha então essa inquietação
Que tanto me perturbara?

Olhei para o relógio da igreja
Mesmo de fronte da janela onde me encontrava.

Parado…
O silêncio total.

Talvez fosse o que mais me incomodava
Seria então essa a causa a minha inquietação?

Esperei mais um pouco…

Abri as janelas sem pressas
Olho o desfiar da minha curiosidade

Seria a saudade dos ruídos
Das pessoas correndo nas calçadas?

Ou o burburinho louco das conversas e risadas
Daqueles correm para a vida
Como gotas de água saídas de uma torneira
Mal fechada?

Senti-me um pouco desnorteada
Como se os meus pensamentos
Tivessem descarrilado num comboio feito de nada
Numa curva da minha imaginação

Talvez fosse isso...

Mas a inquietação continuava…

Ocorre-me então
Que todos esses ruídos se enchiam de palavras
Era isso que me faltava…

O barulho da vida
Nas ruas cheias de gente
Mesmo daqueles que vagueiam sem destino
À procura de um tudo ou de nada
Sem tempo nem hora
Para o encontrarem…

Nada mais me inquietava então
Senão esse vazio que o tempo gerou
Na minha desorientação…

As ruas desertas na minha cidade
E a saudade dos que vagueiam sem destino

Ou daqueles que correm apressados
Para mais um dia de trabalho?…

Ainda bem que não chove
Assim posso esperar por eles
Numa esquina qualquer sem ter de me molhar…

Afinal a minha inquietação
Era não saber esperar…

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Quando o brilho do olhar nos morre - ISABEL BASTOS NUNES

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Afronto-me a mim própria
E com um grito surdo
Parti em busca de mim.

Perdi-me nas brumas desta cidade
À procura de uma outra que inventei
Onde os meus sonhos se fizeram gente
Mas que eu sepultei
Nas memórias que esqueci.

Imersa nessas sombras como castigo
Agreste é o meu horizonte interminável.

O meu corpo enrola-se no que ainda é a minha essência
Mas o meu pensamento vagueia numa luz obscura
Quase macabra
O meu horizonte são as imagens vivas dessa cidade
Onde amadureci e onde o tempo secou minhas lágrimas.

Sinto-me amarrada a essas lembranças
Talvez me libertasse se não as escrevesse…

Sei-me desbotada nos anseios que ainda trago no peito
Mas alimento ainda o desejo de libertar-me
Dessa cidade que invento nas palavras
Quando o olhar me morre nos olhos.

Acho que a vida me fez merecer isto mesmo
E me quer silenciosa.

Sinto-me a vaguear por essas ruas imperfeitas
Enquanto espero encontrar esse olhar que anda perdido
E me faça escrever
O que as vozes do silêncio não me deixam.

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

domingo, 31 de outubro de 2021

O mar do meu eu poético - ISABEL BASTOS NUNES

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Deste meu mar calmo e tranquilo
Soltam-se por vezes vagas revoltas
Que envoltas em espuma
Espraiam-se no areal da praia.
Desassossegam o olhar…
E na leve brisa matinal
Ordenam o meu silêncio
Consciência e pensamentos.
Desço as escadas da minha escrita
Na enorme vastidão da dialéctica
Onde a minha poesia caminha
Ela própria, fazendo-se passar
Por um eu que não existe
Na tentativa de nunca deixar morrer
Aquelas bolas mágicas em cuja espuma
O verbo se transforma em palavras
Quando estas são o mistério de vida.
E na minha humildade
Procurei abster-me de doutrinas sofisticadas
Onde alguns atestam grandes dogmas
Teorias inexplicáveis da própria existência
Quando esta é feita de factos acontecidos
Ou imaginados
Ainda por acontecer.
Entre mim a poesia e o mar
Existe uma cumplicidade de outros tempos,
Porque sempre naveguei
No mar dos sonhos e da utopia
Num mercado de palavras e contratempos
Próprios da simbologia… (de outros tempos) …
--- É como se a água desse meu mar
Se transformasse no sentido final que eu procuro dar
[nas entrelinhas dos meus poemas]
Desço as escadas da minha poesia lentamente
Num fim de tarde ou de madrugada
Vou calcorreando caminhos de areias,
Porque só eles me levam ao meu mar
Esse mar onde procuro aquelas musas
Que tanto influenciaram os nossos poetas antigos
E onde anseio vislumbrar
Aquela chama que ardia nos seus espíritos
E que lhes deu força e inspiração.
Não para escrever epopeias.
Mas sim vislumbrar o saber de poder criar
Queria só
Que o mar do meu eu poético
Fosse um mar tranquilo, pintado em tons de azul,
Ou folha branca na qual as palavras se moldassem
Às quimeras do tempo,
Aos afectos,
Às palavras moldadas
Celebrando a partilha de tantos outros poetas
Que em vida celebraram o seu amor à poesia.
Eu queria só ser poeta,
Ter a dádiva da palavra
Mergulhar nos versos, nas rimas e nas silabas
Até à eternidade.

EM - MULHERES A UMA SÓ VOZ - COLECTÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Ávidos silêncios - ISABEL BASTOS NUNES

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Ávidos silêncios
Transgridem
Em nome da paixão.

Um corpo que dói
Uma ternura gasta
Um gesto transparente
Transforma a crisálida mulher
Num banquete divino
Servido no fogo virginal
De um abandono íntimo.

Lento território da carne
Amaciado por brandas carícias
Promessas de um infinito desconhecido
Beijos loucos
Pura fantasia.

Corpo ondeante de mulher
Noite parda
Lascívia rubra
Silêncios ávidos
Em nome da paixão.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - COLECTÃNEA - IN-FINITA

sábado, 11 de setembro de 2021

Uno os versos uns aos outros - ISABEL BASTOS NUNES

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Transformo os versos
Em almas e coração
Uno-os uns aos outros
Deles faço um poema
E canto-o nas águas azuis do céu
Deitando as palavras ao vento
Ao encontro de uma canção.

Uno os versos uns aos outros
Na sombra das vogais e consoantes dispersas
Não lhes dou nomes
São como aves poisadas nas noites
Sedentas dos nossos afectos.

Levados pela voragem do tempo
São gotas de água numa tarde de inverno
São poesia feita de palavras
São poemas de silêncio
Ou cantigas que desejamos.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VI - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Pedras - ISABEL BASTOS NUNES

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Apanhei as pedras
Dei-lhes um nome e guardei-as na alma
Havia neblina e orvalho
E o tempo de mim sobrava
Queria regressar
Coloca-las onde estavam
Mas era só um sonho
E eu não era mais nada.
E das pedras que tive na vida
Que se faça uma calçada

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Desamor - ISABEL BASTOS NUNES

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Esquecida das rugas
Que o tempo lapidara
Andava por lado nenhum

Todo o peso
Dos anos arrastava
E naquelas costas curvadas
O desamor habitava

Aos poucos
Nos olhos se via a alma
Quando esta regressava ao corpo
Onde já não havia amor.

EM - TOCA A ESCREVER 2021 - COLECTÂNEA - IN-FINITA