Para lá dos campos e vales
que descem em violento declive
na direcção do mar e do horizonte
a que chamo bainha de Deus
(ou somente linha azul e violeta
a separar o mar do céu)
sigo o sentido que o teu braço indica
e fito as nuvens flamejantes,
rasgadas por relâmpagos.
Começas de novo a falar.
O estrondo da cascata
a trovejar aqui ao lado
torna as tuas palavras inaudíveis.
No entanto consigo compreender-te.
EM - SANTO ASINHA E OUTROS POEMAS - FREDERICO LOURENÇO - CAMINHO
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sexta-feira, 19 de abril de 2013
sábado, 31 de julho de 2010
Canção do Salgueiro - FREDERICO LOURENÇO
Peço-te que sobre o meu leito deponhas
a veste branca com que serei enterrado.
Ouves um lamento? É o vento.
Seguimos agora em direcção a Faro;
entramos já de noite na Via do Infante.
Atravessámos o Alentejo debaixo de chuva,
como debaixo de chuva atravessáramos o Ribatejo.
Peço-te que sobre o meu leito deponhas
a veste branca com que serei enterrado.
Ouves um lamento? É o vento.
É um mundo fechado, este; um mundo
só teu e meu. Não nos olhámos nos olhos
durante a viagem, mas consigo
ver-te na paisagem nocturna à minha frente
como se olhasses para mim.
Peço-te que sobre o meu leito deponhas
a veste branca com que serei enterrado.
Ouves um lamento? É o vento.
in... Santo Asinha e outros poemas - FREDERICO LOURENÇO - Caminho
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