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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Vazios do tempo – Celso Cordeiro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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O tempo parou!

Não sei se o meu tempo parou 
ou se terei eu parado no tempo,
ou se apenas vivo a destempo 
num tempo que já não é meu,
não sei se passou o meu tempo 
e não dei por ter chegado o fim,
apesar de achar por vezes 
que me sobra tanto tempo.
 
O tempo já se torna escasso 
para guardar tantas memórias, 
mas já são muitas as memórias 
que se perderam no tempo, 
e nesta luta contra o tempo,
entre o ter vivido tempo demais
ou não saber que fazer ao tempo,
abundam na mente os vazios
e a vontade de parar o tempo.

Para que quero eu mais tempo? 

 EM - ENTRE PALAVRAS (AO ENCONTRO DA POESIA) - COLETÂNEA - IN-FINITA

segunda-feira, 9 de março de 2026

Gente com gente dentro - Celso Cordeiro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
Saibam mais do projecto Conexões Atlânticas neste link
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Há gente que, de repente,
nos lembra que também somos gente,
gente que sem ligação precedente
nos acolhe e se faz presente.

Gente que é abraço em cada gesto,
e mesmo até numa terra diferente,
é gente que acolhe e conforta,
e um forasteiro não é indiferente.

Há gente que de repente
se faz amiga, quase “família ausente”,
gente que em genuína simplicidade
mostra que há gente com gente dentro.

Ser-vos-ei sempre grato
apenas por saberem ser Gente!

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS X - COLETÂNEA - IN-FINITA

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Ouso sonhar - Celso Cordeiro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Ouso provar os teus lábios,
são pura acendalha em brasa
tom escarlate que incendeia,
como se clamassem por mim.

Ouso desembrulhar-te,
com a delicadeza de quem despe
em ritual de sensualidade e paixão
antes de te poder degustar.

Qual guloseima apetecível,
qual pedaço de mau caminho
de tão irresistível tentação.

Afinal apenas ouso sonhar...
deixa que te desembrulhe
e possa saborear...

EM - NO CAMINHO DO VERSO - CELSO CORDEIRO - IN-FINITA

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Sem tempo - Celso Cordeiro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Que nunca te falte o tempo
que o tempo te possa dar,
para que possas voar
a cada momento sem tempo
que consigas desfrutar.

Senti o tempo parar
a cada momento vivido
que contigo foi desfrutado,
breves momentos do tempo
que ao teu tempo roubaste.

O tempo deixa de contar
quando o momento acontece,
a tua boca perde-se na minha
e a minha em ti permanece,
sem tempo, onde te apetece.

Beijo-te sem tempo...

EM - NO CAMINHO DO VERSO - CELSO CORDEIRO - IN-FINITA

domingo, 17 de agosto de 2025

Silhueta - Celso Cordeiro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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É ténue a luz
que se vislumbra
ao fundo da sala,
e percebe-se a silhueta
definida pelas linhas
elegantes do teu corpo,

desse definido vulto
que devagar se aproxima
em direcção a mim,
percebe-se o vigor
felino, mas sensual,
de quem mira a presa,

o teu olhar domina,
já me definiste como alvo,
e eu incapaz de reagir
fico estático, rendido,
espero que me possuas
e dês teu néctar a provar.

Insinuas com um cálice de Porto
a degustação sublime que se adivinha
em ti...

EM - NO CAMINHO DO VERSO - CELSO CORDEIRO - IN-FINITA

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Nós, os eleitos - Celso Cordeiro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Já diz o povo em seu saber
que presunção e água benta
cada um toma a que quer.

Também se à chuva andarmos
e não nos soubermos proteger
certo será que nos molhamos.

Se nos acharmos donos da razão
não iremos sequer perceber
que o nosso mundo é ilusão.

Pior ainda se a vaidade
já nos acentua a miopia
e só enxergamos pela metade.

Já não conseguimos discernir
quanto temos todos de errado
e vivemos em ilusão a fluir.

Se deixarmos que a humildade
seja toldada pela presunção
achamo-nos donos da verdade.

Somos seres tão imperfeitos
quando o ego nos enche o peito,
e ainda nos julgamos os eleitos.

EM - NO CAMINHO DO VERSO - CELSO CORDEIRO - IN-FINITA

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Livros que não lês - Celso Cordeiro

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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É só uma cadeira vazia
e sobre ela um livro aberto,
senti no coração um aperto,
… fez-me voltar aquele dia
em que te roubavam à vida,
com toda uma vida por viver.

Lembro a surpresa que senti,
eras ainda quase uma criança,
quando te deslumbraste feliz
com um livro que te ofereci,
porque soube que online lias
os meus trabalhos de poesia.

Lembro tua vontade e empenho,
ainda no início da adolescência,
para poderes estar presente
e teres um exemplar assinado,
no lançamento que fiz a seguir
do livro de poesia seguinte.

Agora tu já não lês
nem esse nem qualquer livro,
não te vejo em qualquer cadeira
com o ar discreto e recatado,
tornaras-te um jovem adulto
mas foste à vida roubado.

Descansa em paz!

EM - NO CAMINHO DO VERSO - CELSO CORDEIRO - IN-FINITA

sábado, 2 de agosto de 2025

Já és só sabedoria - Celso Cordeiro

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Já foste criança pequena,
Já foste miúda adolescente,
Já foste vivaça e sorridente,
Já o sorriso não mora em ti,

Já foste Mulher casadoira,
Já até tentação de tanta gente,
Já te tornaste Mulher madura,
Já fizeste do sorriso armadura,

Já foste Mulher e mãe devota,
Já foste referência aos novos,
Já há quem te chame de cota,

Já passaste por tanta tropelia,
Já estás até da vida cansada,
Já és Mulher anciã, sabedoria.

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domingo, 27 de julho de 2025

Passada apertada - Celso Cordeiro

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O corpo já pesa,
pelo peso dos anos
e toda a vida vivida
sem parar a passada.

Os pés quase arrastam,
e a passada apertada
faz-se agora apoiada
em preciosa bengala,

a passos pausados,
e arrastando o passo
em curtas passadas
cansadas de andar.

Mas a vida continua,
mesmo mais demorada
esta subida da calçada
ainda é para continuar.

Já nada se faz a correr,
mas ainda há vida a viver.

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terça-feira, 22 de julho de 2025

Silêncio - Celso Cordeiro

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O Silêncio é verdade por descobrir,
tal a sua capacidade de encobrir
o mais profundo sentir
de quem cala a palavra.

Silêncio pode ser paz interior
que se quer seja intocável,
mas também enorme angústia
que se teima em calar,
pode ser lágrima contida
que corre para o coração.

Tanto que pode ser o silêncio
em tão diversos sentires,
e tanta palavra desfiada
sem o conseguir definir…
pode até ser o embuste
em que arriscamos cair.

Conseguiremos nós aprender
a escutar o Silêncio?

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quinta-feira, 17 de julho de 2025

Momentos - Celso Cordeiro

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A vida é feita de momentos,
pequeníssimos espaços de tempo...

... indeterminados e
tantas vezes imprevisíveis
ou até irrepetíveis!

Vive-os intensamente!

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sábado, 12 de julho de 2025

Respira fundo - Celso Cordeiro

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Quando a conjuntura da vida
te questiona por uma alternativa
e alternativas não vislumbras,
respira fundo para acalmar
e tenta a angústia afastar,
sabendo que o dia há de chegar
e queiras ou não tudo acaba
como tiver que acabar!

Se não puderes contornar
uma inevitabilidade a pairar,
autocomiseração é que não,
pois só te resta aceitar!

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segunda-feira, 7 de julho de 2025

Cinzentos serão... - Celso Cordeiro

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Cinzentos serão sempre os dias
que não seja o desejo saciado
tal a ânsia de sentir e desfrutar,
como cinzentas são as apatias
ou não desejar “porque é pecado”,
se o desejo é forma de amar.

Cinzentos serão sempre os dias
em que nos sentimos cerceados
e calamos a vontade de explodir,
circunstâncias definem fasquias
a que nos querem acorrentados
qualquer que seja o nosso sentir.

Cinzentos serão sempre os dias
se para infortúnio de amantes
não se possam os corpos unir
em comunhão de ousadias,
se as bocas ficarem distantes
sedentas de prazer por fruir.

Serão como dias sem sol
como se não houvera dia,
cinzentos serão sempre os dias...

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quarta-feira, 2 de julho de 2025

Se eu fosse... lua - Celso Cordeiro

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Se eu fosse... Lua,
teria um ego tamanho
que não caberia em mim,
adorava com tod’o empenho
essa beleza sem fim.

Se eu fosse... Lua,
seria um eterno viajante
e voltas e voltas daria,
e faria de cada instante
um crescente de euforia

Se eu fosse... Lua,
procurava-te nas estrelas
até um dia te encontrar
e pairava entre elas
só para te poder olhar.

Se eu fosse... Lua,
guardaria tantos segredos
do que se passa em cada rua,
e guardaria o segredo d’amor
duma história só minha e tua.

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sexta-feira, 27 de junho de 2025

Objectos sem vida - Celso Cordeiro

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Objectos inertes deixados
na mesa de trabalho abandonada
são sinal do silêncio que me habita,
da palavra que não é escrita
e da poesia feita letra morta.

São quase mera recordação,
na prostração a que me rendo
nesta espécie de calma apatia
em jeito de poética agonia
vivida agora a cada dia.

Objectos inanimados deixados
sem uso porque a mente não cria
quando até a palavra emudece,
e quando até a poesia fenece
resta a mente que padece.

... dessa forma o verso não cresce!

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domingo, 22 de junho de 2025

Quando a fúria me invade - Celso Cordeiro

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Se há coisa que me deixa eriçado
é sentir que estou a ser enganado
e a mentira me vendem como verdade,

ficam-me hirtos todos os pelos
dos braços, da barba e até os cabelos
pela desfaçatez de tanta maldade,

fico com ar de louco esgazeado
pelo esforço inútil e desmesurado
para controlar a fúria que me invade,

até os olhos ficam arregalados
enquanto os mentirosos descarados
não se decidem falar a verdade.

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terça-feira, 17 de junho de 2025

Profetas de falsas verdades - Celso Cordeiro

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Há quem se desfaça em sorrisos
e vista a arrogância de humildade
com a mais absoluta desfaçatez
do seu cinismo bem disfarçado,
e quase pareça ter solidariedade
com os males da humanidade.

Há os que se dizem ateus
mas seguem com fé o Alcorão,
outros dizem-se muçulmanos
com a Bíblia sempre à mão,
outros hão que sendo agnósticos
professam qualquer religião.

Há os que se dizem de esquerda
mas aproveitam-se da especulação
ou já se perderam na corrupção,
neste país de justiça adiada
para quem rouba à descarada
servindo o interesse da Nação.
Fico eriçado quando os oiço,
quase em estado de explosão!
Mas há sempre quem os tolere
e lhes perdoe todas as trapaças
até com alguma compreensão.
- São políticos, pois então!

São bem poucas as excepções
no meio de tantos charlatões.

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quinta-feira, 12 de junho de 2025

Paz podre que corrói - Celso Cordeiro

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Nesse areal deserto imenso
onde já apenas restam os dois
há o mais pleno silêncio, intenso,
um silêncio que dói, vivido a dois.

Dirá quem os veja, distante,
que estão apenas a repousar,
sem perceber quanto é exasperante
o silêncio que os faz distanciar.

Imensa e bela a dimensão do areal
como de ambos é imensa a distância,
mas enquanto uma é bela e real
outra é só ilusão em abundância.

Este silêncio que os separa
é mero fruto da sua inconstância,
num pára-arranca e arranca-para,
vivendo distantes com elegância.

Nesta paz podre que corrói,
vivem estes e muitos mais,
neste diálogo mudo que destrói
a vida vazia de tantos casais.

EM - NO CAMINHO DO VERSO - CELSO CORDEIRO - IN-FINITA

sábado, 7 de junho de 2025

Porque me apetece... - Celso Cordeiro

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Há quem diga que estamos em crise
eu diria que já vivemos na merda,
não há sacana que não nos pise
e não nos trate como gente lerda...

Eles veem das “Juv’s” às cores,
sejam de rosa, laranja ou pardas,
compram canudos e viram doutores
e para os “burros” deixam as albardas...

Vendem influência e cobram favores
fazem a sua escalada do poder
só os escroques são seus mentores
... e o povo a vê-los a enriquecer...

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segunda-feira, 2 de junho de 2025

Nós dentro de nós - Celso Cordeiro

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Há decisões que são tomadas,
até por aqueles que amamos,
que formam nós dentro de nós
e tantas vezes os silenciamos.

Devemos evitar ser injustos
ao querer julgar e até avaliar
o que não nos cabe decidir,
ainda que nos afete a decisão.

Há nós a viver dentro de nós,
por tempo até demasiado,
deveras difíceis de desatar
que até fingimos ignorar,
como em caridosa mentira
para a mágoa dos nós aliviar.

Podemos nós ser a vítima,
mas seremos também algoz,
desses nós dentro de nós.

EM - NO CAMINHO DO VERSO - CELSO CORDEIRO - IN-FINITA