domingo, 21 de julho de 2019

Recife e suas palafitas - CARMEN LÚCIA DE QUEIROZ PIRES

LIVRO GENTILMENTE OFERECIDO POR IN-FINITA
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Como um quadro famoso
Uma pintura a óleo
Recife teus espigões
Se sobressaem
Como emergindo do rio Capibaribe!

O Sol espelhado nas águas
Um rio de cores cintilantes
Enaltecido em rimas, trovas e versos
Na história e geografia

Também!
O leito que corre para o mar
Pontes centenárias,
Palafitas que te margeiam
Onde convivem misturados
Ratos e gente

Assim!

Queria ser alguém para nesse rio,
Onde sobrevivem vidas e sonhos,
Não permitir a dor e o mal
Que trazem essas palafitas

Assim! Também!

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

A calma da minha terra - ELÍDIO ROSA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Agradeço ao meu destino
por me ter feito quem sou.
Agradeço pela sorte
com que Deus me abençoou.

Quis a sina que eu nascesse
em terras de verde e ouro
onde o forte sol de agosto
transforma o trigo em tesouro.

A calma da minha terra
é suave como um beijo.
Não posso viver sem ti
ó, meu querido Alentejo.

Sinto em mim desde criança
uma grande inquietação,
uma dolência na voz
e o fado no coração.

Canto, desde que me lembro,
a alma de um povo triste,
“Cantes” que curam a dor
que dentro da gente existe.

A calma da minha terra
É suave como um beijo.
Não posso viver sem ti
Ó meu querido Alentejo.

EM - POESIA COM HISTÓRIAS - ELÍDIO ROSA - IN-FINITA

sábado, 20 de julho de 2019

Amigos - MANUELA DINIZ

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Amigos...
São como pedrinhas coloridas
que enfeitam a nossa vida.

Com formatos
e cores diferentes,
mas sempre presentes.

São como joias valiosas
de valor incalculável!

Ter um amigo
é ser rico...
rico de afetos!

É rir e chorar!
É dividir e apoiar!

Amigos são pedrinhas coloridas
que fazem mais linda a nossa vida.

EM - ESSÊNCIA DE MIM - MANUELA DINIZ - IN-FINITA

Alegria - VIEIRINHA VIEIRA

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O meu peito transborda e na borda sobra
O amor de uma primavera
Livre, fresca e solta.

Sabendo que só meu teu porto,
Prende, solta e viaja...

Nele seu amor é teu amor
Dois corpos num só peito!

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Invisibilidade - ADRIANA MAYRINCK

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR ADRIANA MAYRINCK

Olho através de reflexos
Invisibilidade
A luminosidade escaldante queima a retina
Não faço parte desse mundo incandescente
- Busco refrigério no vento
Aquele que leva para longe
- O pensamento
Busco um novo tempo
- De luz
Onde os caminhos são floridos e a melodia sentida
De perfumes suaves e sensações infindáveis
De abraço e sorriso
Onde o olhar se funde no outro
E os beijos embriagam a alma
Me sinto assim - em seus braços
Mas a vida consome as horas
E arrancam-me do abrigo
Jogo-me no asfalto e sigo pelo ar abafado
De olhares perdidos e mal-entendidos
A ilusão é a embriaguez de um tempo que não existe
Sigo arrastando correntes
O mar me seduz e me convida - hipnotiza
O que não faz sentido me proíbe
Estou aqui
No ar frio, entre quatro paredes e uma porta aberta
Que me aprisiona em grades invisíveis
É necessário esquecer a poesia
- Fincar os pés na materialidade da existência
Mas ainda posso sonhar
Fecho os olhos retornando ao lugar de instantes
Sedenta... caminho por labirintos
Encontro-me em sua boca

EM - LIVRO ABERTO 2019 - COLECTÂNEA - EDIÇÃO DE AUTOR

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Varreduras (excerto) - MANUEL MACHADO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Acordo a pensar na faxina diária, rotineira.
Calcorreio ruas cobertas de folhas outonais,
Soltas de galhos secos anunciando invernias,
Amontoadas por ventos em noites frias.

Dobro esquinas com caixotes atulhados
Esventrados por mãos rudes e ávidas,
Famintas às côdeas desprezadas por saciados
Sequiosas por gotas deixadas em vasilhames.

Entro em pátios com cheiros de violência
Onde a gritaria denuncia intolerâncias vis
Sinto a pairar no ar insultos e sarcasmos
Das gentes cansadas das misérias da vida.

Desemboco na praça, hoje cheia e ensolarada.
Há velhos quedos a armazenar aquecimentos
Olhares fixos em águas paradas do lago existente
Apenas mecânicos à inspiração de agradáveis fumos.

Crianças que ondulam em baloiços multicolores
Mães zelosas de sorriso largo às infantis diabruras
Melros saltitantes, periquitos de galho em galho
Sons e gritarias abafam o raspar da minha vassoura.

Nesta quotidiana faxina vou construindo varreduras,
Casculhos misturados às beatas desprezadas,
Papéis alvos ou escritos rasgados ou amarfanhados,
Restos e lixos do dia-a-dia na vida das gentes.

Finda a jorna há carreiros de montículos formados,
Folhados antes viçosos agora secos e mortos,
Pressinto corjas de segredos, gemidos e queixumes,
Limpo e dou esperança à renovação do amanhã!

EM - DAR VOZ A... - MANUEL MACHADO - IN-FINITA

Herta M. - VALESKA BRINKMANN

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Herta M. escreveu que o ditador
tinha um topete
eu odeio ditador ainda mais com topete
esse topete olhava o país todo todos os dias
ela falou da poeira das ruas e de blocos residenciais
e eu estava ali também
nos prédios de chapa ondulada
onde acordei sonâmbula
na noite que se rasgou
o presidente atual tem cabelo liso ensebado e pele
seca esturricada e uma boca caverna onde saem palavras imundas
Herta M. escreveu que o medo é uma lagarta
se fingindo de morta.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Dependência - GONÇALO MIRANDA

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Circe que me conheces
Vinde com tua magia
Atrai-me para teu covil
O que nenhum homem veria.

Guia-me em pensamento
Como Neptuno guia o mar
Segue meu movimento
Deixa-me entrar
Colmatar
Falhas de nada
Em corpo de tudo.
Far-me-ei à estrada
Sede minha vigia
Minha alvorada
Que me conforta
Que me guia.

Abro-te o coração
Sede meu sorriso
Minha lamentação
Minha fraqueza
Minha coragem
Minha aventura
Minha doença
Minha cura.
Mantém-me descansado
Tenho medo
Mantém-me enfeitiçado.

EM - BRINCADEIRAS A SÉRIO - GONÇALO MIRANDA - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Primeira folha dum diário esquecido - ALICE VIEIRA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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hoje
prometi amar
como se a minha ternura bastasse para justificar
as cruzes
             as tempestades
                                  o cansaço

e aquele menino a soluçar perdidamente
             no meu silêncio

EM - DE ESTARMOS VIVOS - ALICE VASSALO PEREIRA (ALICE VIEIRA) - IN-FINITA

Bromelia - VALÉRIA VICTORINO VALLE

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Eu sei dos dias infelizes
nos bares de uma esquina qualquer.
Eu sei dos goles enfileirados nos copos
em busca de uma fuga qualquer.
Eu sei dos seus ninhos
nos braços de uma outra qualquer.
Eu sei dos seus encontros escondidos
nos quartos de um prazer qualquer.
Mas também sei,
de uma pequena flor colorida,
aparecida, mas ainda não acontecida,
gravada na memória enrijecida,
proibida a quem a quer...
Uma doce ilusão que
exala um perfume estonteante
que ninguém pode sentir.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

XXX - MARIA TERESA DIAS FURTADO

Depois de ver o filme de acção com os amigos no
Cinema o poeta pensou que lhe tinham fugido todas as
Imagens, as que são carne e sangue dos seus poemas,

As que vão para lá do horizonte, a caminho do mar.
Mas lembrou-se dos chocalhos das ovelhas cuja pele
Pode servir para os pergaminhos

E foi para o teclado tentar tocar cravo nas palavras.
Conseguiu a breve trecho. Também quis comemorar
Uma notícia muito grata que teve antes do filme: a
Alegria tão desejada de uma família dera-se por fim

E os corações transformaram-se em Hinos.
O poeta adormeceu feliz por ter insuflado nos versos
A sua própria respiração.

EM - ONDE O POETA MORA - MARIA TERESA DIAS FURTADO - POÉTICA EDIÇÕES

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Se eu pudesse - CRISTINA MOITA

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Enquanto alguns se proclamam como heróis
Verdadeiros heróis, desidratam sem afeto
Que mundo é este onde existem tantos sóis
E de clareza só um sol nos faz de teto.

Serei eu gente no meu canto tão calada
Poça poética, água salgada, rezando nada!
Nesta desgraça não me contem de fachada
Pois apenas quero a felicidade e a gargalhada.

Se eu pudesse dava ao mundo tanta caneta
Para ver o céu analfabeto em poesia,
Onde os erros são apenas um cometa.

E não os enganos onde o humano se procria.
Se existem estrelas é lá no céu que ninguém viu
Onde outras estrelas irão brilhar sem desafio.

EM - ESTRELAS DE AFETO - CRISTINA MOITA - IN-FINITA

Entrega-te por inteiro - TITA LEAL

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Entrega-te a mim por inteiro
Não me contento só com pedaços de ti
Passeia no perfume do meu corpo
Regressa à imaginação que paira em mim
Prenda-me com a fartura dos carinhos
Que outrora senti
Entrega-te por inteiro
A esta saudade em devaneio
Que tenho de ti
Mostra-me as estrelas
E o teu paraíso secreto
Prende-te ao meu beijar em candura
Abre-te às emoções de um amor completo
Que este meu corpo em desejo
No teu procura
E em ternura
Espraio-me no teu saber
E deixo acontecer
Entrega-te por inteiro

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Quando o amor e o silêncio são versos - ISABEL BASTOS NUNES

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Instantes que não se cruzam
Bocas que não se beijam
Inconstâncias cheias de lasciva
Olhos que não se fixam.

Versos que não se escrevem
Sentidos perdidos no corpo...

Sonhos que se passam para a escrita
Enigmas que valem mais que uma palavra
Desertos que não se ultrapassam
Sede que nos rodeia por todo o lado.

A morfologia da vida que aprendi
Dilacero-a como quero, como tecido esquartejado
Em pedaços, cosidos à mão de qualquer forma
Não havendo sequer algum esquema, fórmula ou dimensão
Nem régua nem esquadro, tão simplesmente
Como versos escritos à mão.

E o silêncio impera, porque o amor se faz e o desejo
antecipa
Qualquer pensamento.

Quando o amor e o silêncio são versos
A humanidade se modifica.

EM - ENTRE OS POEMAS... AS PALAVRAS - ISABEL BASTOS NUNES - IN-FINITA

terça-feira, 16 de julho de 2019

A ti - ELÍDIO ROSA

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Estando só neste mar gelado
liberto a dor em lágrimas quentes,
indo de norte a sul ao sabor da maré.
Divago, à deriva, sonhando acordado
iludindo meus sonhos conscientes
orando, ainda que não tenha fé.

Bendigo o lugar em que te vi,
onde pela primeira vez te abracei.
Nunca senti na vida tal calor!
Foi ali que de amores me perdi,
e eterna paixão te dediquei.
Mais do que paixão, foi amor.

Dói-me agora tanto a tua ausência,
O estar longe de ti, fisicamente...
Só posso pensar, amor: é penitência
que me vai matando lentamente.

São muitas milhas a separar...
Aguardo ansioso o teu sorriso.
Nada me dará mais prazer!
Ter-te nos braços para te amar,
olvidar o castigo no paraíso,
sonhar em teu corpo, desfalecer.

Rogo a Deus que nunca se acabe
O doce mel que em mim derramas
Suco da paixão morno e suave
Assim provando o quanto me amas.

EM - POESIA COM HISTÓRIAS - ELÍDIO ROSA - IN-FINITA

Alma rasgada - ALEXANDRE GERARDO

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Dor constante... dor sinto pesar
Dói pensar
O passado massacra, tortura, destrói
O corpo e a alma corrói
Para sempre até ao fim
Com o tempo se esquece
O bom desaparece, o mau permanece
Lentamente, vagarosamente, desvanece...

EM - AS DORES DE UM POETA - ALEXANDRE GERARDO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Liberdade, canto e dança - TEREZINHA MALAQUIAS

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Liberdade, canto e dança.
corpo que caminha,
voz que fala,
que canta.
Corpo livre
que se libertou das algemas
que amarram e limitam o ser.
Liberdade, canto e dança
é soltar-se no ar,
bailar no ar,
no azul transparente
do palco iluminado
que ilumina a vida
e dá liberdade ao ser.
Liberdade, canto e dança.
Mulheres e homens negros
que encenam, cantam e dançam
a sua vida passada,
presente e futura.
Liberdade, amor,
canto, sublimação,
dança, corpo-prazer.
Toques do ser,
movimentos, gestos do ser
num reencontro com suas vidas,
seus antepassados, suas raízes.
Liberdade, canto e dança
é a busca constante da vida,
é o renascimento da vida,
é o parto que cada um faz
em si mesmo e renasce
livremente com as próprias mãos.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA

Passatempo - JOSÉ LUIZ MELO

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO PELO AUTOR

Se tem que ser Finito, seja breve,
apenas, mais um entretenimento,
passe tão leve como um ultraleve,
ou uma pena alçada pelo vento.

Se tem que ser Finito, seja leve,
não deixe marca de ressentimento,
seja discreto, como faz a neve,
que desmancha e não mancha o calçamento.

Se tem que ser Finito, não perdure
com a preocupação que o tempo dure
um milésimo a mais que dura o tempo.

Se tem que ser Finito, prove agora,
que o sabor mudará em outra hora.
Se tem que ser Finito - é Passatempo.

EM - SEGUNDO LIVRO DOS SONETOS - JOSÉ LUIZ MELO - NOVOESTILO

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Olha para mim - CAROLINA MANGANA MONTEIRO

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Olha para mim
Ou então para as estrelas,
Fiquemos os dois, ignorantes,
Calados, a vê-las.
O nosso fado pode estar partido,
E o passado pode ser mentira,
Desde que fiques para sempre
Na voz da minha lira.
E eu não peço mais
Além de que te lembres de mim.

E, se deixar de ser tua,
Lembra-me assim:

A contemplar a lua.

EM - HÁ QUEM NÃO ESCREVA POESIA - CAROLINA MANGANA MONTEIRO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

Luas - TÂNIA DINIZ

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na lua nova
de recurvo brilho
a paixão renovas

no meu céu
de cio crescente
a chama alteia

e serpente e sereia
me encontro vindo:
lua cheia

E quando, bacante,
mesmo minguante,
me prendes a cintura
na quadratura de cada mês,
a cada vez,
desvendas com arte
a sanguínea face
de minha lua escarlate.

EM - MULHERIO DAS LETRAS PORTUGAL (POESIA) - ANTOLOGIA - IN-FINITA