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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Oficina irritada - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Eu quero compor um soneto duro
como poeta algum ousara escrever.
Eu quero pintar um soneto escuro,
seco, abafado, difícil de ler.

Quero que meu soneto, no futuro,
não desperte em ninguém nenhum prazer.
E que, no seu maligno ar imaturo,
ao mesmo tempo saiba ser, não ser.

Esse meu verbo antipático e impuro
há de pungir, há de fazer sofrer,
tendão de Vénus sob o pedicuro.

Ninguém o lembrará: tiro no muro,
cão mijando no caos, enquanto Arcturo,
claro enigma, se deixa surpreender.

EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - RELÓGIO D'ÁGUA

1 comentário:

  1. Este escritor brasileiro fez um soneto com certas intenções. Como diz o aforisma: "Quem muito espera, desespera" neste caso "exasperou-se".
    É o meu ponto de vista!

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