sábado, 9 de dezembro de 2023

Princípio do fim - António Soares Ferreira

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E o céu desabou sobre as nossas cabeças
Os sinais eram evidentes
O mal estava feito
Ia começar.
O pior cego é aquele que não quer ver, no entanto
os factos não mentem.
E a prepotência da potência origina o descalabro.
Forças que querem impor contra forças que se opõem.
E quando não há interesse no diálogo muda-se para monólogo.
Potencia que oprime a impotência oprimida.
Mas qual David e Golias, a revolta muda o rumo.
E quando o “clic” acontece pode ser tarde para voltar atrás.
E então surgem os “anjos da guarda” que não guardam 
nada, pois estiveram sempre a dormir, a querer então 
salvar a face mas esquecem-se da “selha com água”
e a face já não pode ser mudada.
Já se começa a ver ao longe os cavaleiros do Apocalipse 
que devastam tudo à sua passagem, deixando um rasto
de destruição em cada canto na sua viagem.
É o princípio do fim e ninguém sabe como termina.

EM - APENAS PALAVRAS E OUTROS CANTOS - ANTÓNIO SOARES FERREIRA - IN-FINITA

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Pesam-me os ombros - Ana Acto

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Pesam-me os ombros, cansados
Acomodo-me resignada
“Tão jovem”, dizem-me
Não sabem...
Que carrego o fardo
De meus ancestrais
A maldição e perseguição da raça
A caça às bruxas

Olho o céu, imenso, à escuta
Me revela os astros, constelações, mundos
Ouço as marés, sábias
Trazendo histórias de superação
De dor, de salvação
Boas novas...

Me embrenho na floresta antiga
E me torno Deva
A mãe me chama a despertar
A voltar de novo a ela
Mas já me perdi neste mundo

Pesam-me os ombros cansados
“Tão jovem”..., dizem-me...
Perdoo-lhes
Não sabem...

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Gratidão - Andreia Sofia Vale

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Eu quero estar em paz!
Eu preciso de tranquilidade!
Eu mereço e sou capaz!
De atingir a dita felicidade!
Vejo a vida como uma dádiva,
Que eu mereço vir a viver,
Mesmo que por vezes não viva,
Vim cá também para aprender,
A saber resolver as dificuldades
Aquelas pedras do caminho
Para vencer sem vaidades,
Seja com abraço e beijinho
Tudo podemos fazer para sorrir,
mesmo que por dentro haja revolta,
Sorrir na vida para regressar a volta,
Da alegria e prazer,
Da ternura e cumplicidade,
Do amor e a felicidade,
Com saúde tudo podemos ter!!

EM - SENTIMENTOS DE POESIA - ANDREIA SOFIA VALE - IN-FINITA

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Mãe d’Água - Alexandra Ferreira

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Sentei-me aos pés do mar,
Contei-lhe a minha aflição.
Mãe d’Água tomou-me nos braços,
Embalou-me com muito carinho.
Dos olhos nascentes brotaram,
A voz embargada calou,
A lua empalideceu o céu,
A noite estrelada brilhou.
Também as Sereias vieram
Entrançar os meus fios de lágrimas.
Com conchas, búzios e pérolas,
Meu pranto fizeram secar.
No peito a ansiedade acalmou,
As forças enterrei na areia,
Aninhei-me nos braços da Mãe,
Cobri-me de espuma alvacenta.
Sonhei com cavalos-marinhos,
Corais negros, estrelas-do-mar,
Dragões-azuis, cenouras-do-mar,
Um mundo de uma vida ímpar.
O tempo passou e eu voltei,
Trazendo uma rosa branca.
Oferendei a Rainha das Ondas
Por me trazer paz e esperança.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

O coração é passagem - Marilena de Castro

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o coração é passagem
reflexos de imagem
semelhança na luz
código enviado em linhas verticais
resquícios do paraíso
deixados para trás

EM - ESTÓRIAS RASGADAS - MARILENA DE CASTRO - IN-FINITA

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Caligrafia - Beatriz H. Ramos Amaral

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a leitura
da porção de fogo
a que chamas tocha

mesmo de manhã,
na claridade das
surpresas da aurora,
é certa

a salamandra
invade o dia
com um manto
verde

e são duas as
incandescências
de teu chão:
sol e fogo

como sinônimos de luz
que embarcam
nos vãos ilegíveis
do tempo

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Que bom é viver - Joaquina Raimundo

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Que bom é viver feliz como eu!
Ter para a vida a inspiração,
Ver todos os dias a terra e o céu
E reunir num poema a imensidão.

Que bom é acordar e ter sempre pão,
Ter sempre na poesia a verdade,
Ver das coisas a clara claridade
E estar na cultura sem ser em vão.

Que bom é ter a poesia como eleita
Para ser a companheira escolhida
E nunca estar comigo satisfeita.

Que bom é ajudar quem precisa, no fundo,
Lutar pela razão sem ser vencida
E na luta pela paz e amor ser o mundo.

EM - PALAVRAS QUE FAZEM A DIFERENÇA - COLECTÂNEA GERÁBRIGA - IN-FINITA

O perfume de um cravo - Joaquina Raimundo

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Nesse dia de enorme felicidade
Em que, amor, a saudade ainda trago
Recebi a alegria de verdade
Nas pétalas perfumadas de um cravo!

E porque o coração dessa flor bela
Ainda por mim, amoroso, palpita
Conserva a sua cor morena, bonita,
Para me enfeitiçar deveras por ela!

E com o tempo que por nós passou
Vejo que a paixão desabrochou
Com o mesmo perfume de outrora!

Pois as flores belas, para alegrar,
Deixam o seu perfume sempre no ar
Perfumando com amor em cada hora!

EM - PARA AMAR NÃO HÁ LIMITES - JOAQUINA RAIMUNDO - IN-FINITA

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Se eu pudesse me amar como amo os meus... - Bárbara Abreu

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Às vezes eu me pego pensando, como eu seria feliz...
Se eu cuidasse de mim, como cuido dos que amo!

Se eu me escutasse, como escuto os seus lamentos...
Se pensasse em mim...como os tenho em pensamento!

Se eu me olhasse, como olho nos seus olhos...
E me embalasse com o imenso amor que os devoto!

Se eu me abraçasse com um abraço de gigante...
Se em silêncio me acalmasse a todo instante!

Se eu seguisse os meus conselhos com atenção...
E pudesse tocar lá no fundo do meu próprio coração!

Se eu me admirasse com o respeito que ofereço...
E seguisse feliz e extremamente satisfeito!

Se eu me presenteasse com as joias que os dou...
Porque eu também sou carente de amor!

Se eu me guiasse pelos caminhos que indico...
Pra encontrar a luz que eu mesmo reivindico!

Se eu expusesse toda essa dedicação...
Que é tão pura que não exige aprovação!

Se eu conseguisse eu me doaria sem ser discreto...
Porque eu também mereço esse amor por completo!

Seria tudo diferente...
Se eu pudesse me amar como amo os meus!

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Haste nua - Alexandra Conduto

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Um dia me desfolhei.
As minhas pétalas ficaram
Espalhadas pela calçada
Fria, suja, molhada.
Os passos apressados
pela correria da vida
As foram pisando, esmagando
Sem dó nem piedade.
O vento arrastou-as para cantos dispersos.
A minha haste nua,
Vergou-se, esquecida
Entorpecida.
Não foi o peso das folhas
Que me vergou
Mas a ausência delas
Que me derrubou.

EM - ENTRE VIDAS - ALEXANDRA CONDUTO - IN-FINITA

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Vida infinita - Aparecida das Graças Cotrim Amaral

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Quem dera eu
Possuir na palma da mão
O poder de transpor
Voar
Alcançar outros sois
Visitar o planeta dos boabas
E da rosa guardada
Numa redoma de vidro
Melhor ela lá ficar
O ar aqui está poluído
Será a rosa detentora do segredo
Da Vida Infinita?
Toda flor é passagem
Para chegar na semente
O infinito renascer
E lá se vai o dia
Pode ser oito, dezoito...
Ou então vinte oito...
Num mês não cabe
Mais nenhum oito
É difícil entender?
Não...
O Tempo pertence
Ao poder do Infinito
A raça humana pertence
Ao terceiro Planeta
Gaia... Mãe-Terra
Mas a humanidade
Guarda curiosa caixa
Simples segredos?
Sérios brinquedos mágicos
Tanta ilusão... tanta paixão
Milhares de fantasias
Pois que me seja dado
O poder de bater palmas
Um aplauso para outro
Simples espetáculo
O amanhecer

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

INVERNO DA VIDA - Manuel A. Rodrigues + João Dordio

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Etapa vivida,
Cansada de dor sentida,
Céu nublado e cinzento,
A marcar o tempo,
Estrada esburacada,
Com pedras na caminhada,
Olhos pesados,
Sorrisos negados,
Frio gelado,
Carinho que não é notado,
Os dias tornaram-se pequenos,
Para a vontade de viver
Luta de enredos,
Ânsia de a vida aquecer,
Etapa sofrida
Herança cruel benzida
Meteorologia em depressão
Chuva, frio, furacão,
Caminhos sem qualidade
Poucas estradas em quantidade
A alegria já terminou
A paixão também acabou
O Inverno da vida é tudo o que já não é meu,
O Inverno da vida é tudo o que já (me) morreu!

EM - DUELOS POÈTICOS - COLECTÂNEA JOÃO DORDIO - IN-FINITA

Loucura - António Soares Ferreira

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Um louco que vagueia pela rua
Aquela mulher à janela e está nua
Despida de qualquer preconceito
Fazendo o que acha que tem direito.

Vai abrindo e fechando a cortina
De vez em quando põe uma blusa fina
Para logo de seguida a tirar outra vez
Prá qual fica a olhar de viés.

E recomeça a abrir a cortina
Depois veste a blusa fina
Naquela janela a mulher que está nua
E o louco vagueia pela rua.

Passam horas e horas a fio
E sem demonstrar qualquer brio
Vai fazendo o que acha que tem direito
Despida de qualquer preconceito.

E ao fim do dia corre a cortina
E veste a blusa fina
E o louco vagueia pela rua
E àquela janela a mulher não está nua.

Então o louco vendo a janela fechada
Fica parado, imóvel na calçada
À espera que a mulher à janela surja nua
Pra recomeçar a vaguear pela rua.

EM - APENAS PALAVRAS E OUTROS CANTOS - ANTÓNIO SOARES FERREIRA - IN-FINITA

domingo, 3 de dezembro de 2023

A Sepulcral Solidão além-mar - Anthony Juszczak Porte

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O calhorda espreita novos mundos pós-guerra dúbia.
Ventando canções de amor nos ouvidos da discórdia.
Opções invalidas nas cartas do taro da covardia.
Nada se pode fazer com aquele que não sentia.
A rapidez que se esquece um amor no final d´um dia.
Tal qual o espelho refletindo a esquizofrenia.
Nas palavras sacanas de um palhaço que nunca mentia.
Sentimentos são nossa nova utopia.
Misturadas as louças e a azia,
Faróis e o gato que mia,
Amalgamas do mundo e a casa vazia.
Histórias de amor sincronizadas e com sinfonia.
Novos atalhos para velhas iguarias.
O sabor dos lábios e das estrias.
Como um louco procurando a alegria,
Na solidão em demasia,
Detém os amargos e os saboreia,
Sem saber que estamos em uma fronteira sem energia,
Sem nossos olhos, sem nossa voz e sem sabedoria.
No canto da sala a fraca luz da luminária,
no peito o coração em disritmia,
Na mente a dislexia,
a alma como um pária deixado à morte na rodovia.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Voar - Andreia Sofia Vale

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Lá vai ainda a medo
Arriscando ainda bem devagar,
Sabendo que a vida é um segredo
Que cada dia é um desvendar.
Numa janela poder passar,
Querendo espreitar mais além,
Com receio vai avançar
Descobrindo para lá, alguém!
Qualquer coisa para aprender,
Cada dia tem sempre mais a ver,
Ver com olhos de curioso
Sem ficar nada receoso
O que para além da janela vai aparecer.
Lá vai ele sem olhar para trás,
Conquistar o que é capaz,
E tudo o que possa merecer,
Com a ajuda do que já conquistou,
Sentindo-se confiante,
Sem lamentar o que arriscou,
Sabendo que há mais, lá adiante!

EM - SENTIMENTOS DE POESIA - ANDREIA SOFIA VALE - IN-FINITA

sábado, 2 de dezembro de 2023

Cabedal - André Galvão

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Eis que o amor fabrica
O gosto que na alma fica
Quando uma memória rica
No tecido da mente se estica

Agridoce resvalar de aroma
Quando esse delírio te toma
E a ele sofreguidão se soma
Pois que amor não se doma

Assim é fácil alimentar ilusão
De que em posse do coração
O amor, em sua presunção
Vai se redimir da devastação

Mas no caminho ou no final
Há de se entender bem ou mal
Que não há maior desvario real
Que o amor em sua ilusão letal.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

A saída do sol... - Marilena de Castro

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a saída do sol da terra
derrubou montanhas
matou vidas e formas de vidas
a deixar memórias impressas nas pedras e nos ossos
enquanto a lua soltava os espíritos
e paixões presas no chão
os abismos foram cobertos pela água salgada

EM - ESTÓRIAS RASGADAS - MARILENA DE CASTRO - IN-FINITA

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Sabor saudade - Alan Dornales

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A saudade canta
Dueto com o sabiá
Voou nas asas do vento
De Minas Gerais até o Pará
O tucupi está pronto
Revencie os tupinambás
O carimbó está fervendo,
Roda pra lá, roda pra cá
Açaí maduro
O peixe assado será o nosso jantar
Puxa um tamborete
E vamos apreciar
A amizade
A boa prosa
E o verso rimar
A sobremesa pra mim e tu
Vai ser mouse de cupuaçu
Não precisa ser no Ver-o-Peso
Mas tem que ser na borda do mar
Lancei a rede
Panela aberta
Arrojei tempero
O vapor inundou
Era pato no tucupi
Que deliciou meu paladar
Chega correndo o tacacá
Delícia de vida
Maravilha de lugar
É a minha amada terra Pará.

EM - CONEXÕES ATLÂNTICAS VIII - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Fresco da saudade - Kim Marques

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Eu quero que o vento me traga a bravura
Dos tempos passados de chama escaldante
Guardada na alma selvagem e pura
À luz do delírio e do sonho constante

Não quero os caminhos feitos de ravinas
Que tolham destinos andados sem mim
Nem sombras escuras a dobrar esquinas
Que tenham princípio e não tenham um fim

Ó tempo cruel eu não sou saudosista
Mas tempo de outrora não me sai de vista
E quero guardá-lo para eternidade

Tempo desaurido devolve-me o sonho
Das cores garridas que ainda disponho
Pintadas no fresco da minha saudade

EM - PALAVRAS QUE FAZEM A DIFERENÇA - COLECTÂNEA GERÁBRIGA - IN-FINITA

Foi por ti - Joaquina Raimundo

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Foi por ti que, ao teu coração que me encanta,
Entreguei o grande amor que tinha em mim
E a minha riqueza de alma que era tanta
Foi contigo que apaixonada a reparti!

Foi por ti, meu lindo amor, que em mim criei
Tantos sentimentos fortes e emoções
E todas as minhas mais crentes orações
Foi por te amar que tantas vezes as rezei!

Foi por ti, amor de ilusão e realidade,
Que os meus sonhos de felicidade
Partilhei sempre contigo até aqui!

E foi por ti que entreguei o coração
E sonhei uma vida de amor e paixão,
O sonho que não posso perder de mim!

EM - PARA AMAR NÃO HÁ LIMITES - JOAQUINA RAIMUNDO - IN-FINITA