por que me trancas
o rosto e o riso
e assim me arrancas
do paraíso?
Por que não queres,
deixando o alarme
(ai, Deus: mulheres!)
acarinhar-me?
Por que cultivas
as sem-perfume
e agressivas
flores do ciúme?
Acaso ignoras
que te amo tanto,
todas as horas,
já nem sei quanto?
Visto que em suma
é todo teu,
de mais nenhuma,
o peito meu?
Anjo sem fé
nas minhas juras,
porque é que é
que me angusturas?
Minh'alma chove
frio, tristinho.
Não te comove
este versinho?
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - RELÓGIO D'ÁGUA
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Ar livre - CECÍLIA MEIRELES
A menina translúcida passa.
Vê-se a luz do sol dentro dos seus dedos.
Brilha em sua narina o coral do dia.
Leva o arco-íris em cada fio do cabelo.
Em sua pele, madrepérolas hesitantes
pintam leves alvoradas de neblina.
Evaporam-se-lhe os vestidos, na paisagem.
É apenas o vento que vai levando seu corpo pelas alamedas.
A cada passo, uma flor, a cada movimento, um pássaro.
E quando pára na ponte, as águas todas vão correndo,
em verdes lágrimas para dentro dos seus olhos.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CECÍLIA MEIRELES - RELÓGIO D'ÁGUA
Vê-se a luz do sol dentro dos seus dedos.
Brilha em sua narina o coral do dia.
Leva o arco-íris em cada fio do cabelo.
Em sua pele, madrepérolas hesitantes
pintam leves alvoradas de neblina.
Evaporam-se-lhe os vestidos, na paisagem.
É apenas o vento que vai levando seu corpo pelas alamedas.
A cada passo, uma flor, a cada movimento, um pássaro.
E quando pára na ponte, as águas todas vão correndo,
em verdes lágrimas para dentro dos seus olhos.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CECÍLIA MEIRELES - RELÓGIO D'ÁGUA
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Outono do amor...* - GASTÃO CRUZ
Outono do amor que folhas moves
na direcção dos corpos separados
e molhas desses prantos ignorados
de quem da primavera conheceu o
movimento das aves
e desse movimento estas esperas
agora só conhece já e ouve
a própria descida com as folhas
a voz própria cansada
quando a vida
e a voz lhas está a dor tirando
Outono do amor outono de aves
e de vozes caladas e de folhas
molhadas de temor e surdo pranto
EM - POEMAS DE AMOR - ANTOLOGIA - DOM QUIXOTE
na direcção dos corpos separados
e molhas desses prantos ignorados
de quem da primavera conheceu o
movimento das aves
e desse movimento estas esperas
agora só conhece já e ouve
a própria descida com as folhas
a voz própria cansada
quando a vida
e a voz lhas está a dor tirando
Outono do amor outono de aves
e de vozes caladas e de folhas
molhadas de temor e surdo pranto
EM - POEMAS DE AMOR - ANTOLOGIA - DOM QUIXOTE
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Bicho da terra - PEDRO MEXIA
Bicho da terra, mas basta
uma pazada brutal
ou umas quantas para fertilizar
o mundo que tanto fiz promessas.
Terra, que designas solo e planeta,
inimai os nossos pecados,
os remorsos de cadáver, a pequena
condição do vaso. Vaso oco,
vaso putrefacto, honorífico,
digno de coisa alguma, coisa
ele mesmo. Mas se assim
me sei e me aceito como
foi que num entardecer confiada-
mente te entreguei a órbita
e a minha órbita para sempre?
EM - MENOS POR MENOS - PEDRO MEXIA - DOM QUIXOTE
uma pazada brutal
ou umas quantas para fertilizar
o mundo que tanto fiz promessas.
Terra, que designas solo e planeta,
inimai os nossos pecados,
os remorsos de cadáver, a pequena
condição do vaso. Vaso oco,
vaso putrefacto, honorífico,
digno de coisa alguma, coisa
ele mesmo. Mas se assim
me sei e me aceito como
foi que num entardecer confiada-
mente te entreguei a órbita
e a minha órbita para sempre?
EM - MENOS POR MENOS - PEDRO MEXIA - DOM QUIXOTE
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Paixão - MARIA TERESA HORTA
limito-me a sentir-te
simplesmente
a beber o teu cheiro
cheia de sede
A tomar-te nos meus braços
neste incêndio
deixando-me afundar
por tanto querer-te
EM - AS PALAVRAS DO CORPO - MARIA TERESA HORTA - DOM QUIXOTE
simplesmente
a beber o teu cheiro
cheia de sede
A tomar-te nos meus braços
neste incêndio
deixando-me afundar
por tanto querer-te
EM - AS PALAVRAS DO CORPO - MARIA TERESA HORTA - DOM QUIXOTE
domingo, 4 de novembro de 2012
Repouso - MIGUEL TORGA
Paz das alturas, evasão furtiva
Da inquietação rasteira.
Aprazível clareira
Na floresta do tempo penitente.
Branca serenidade passageira
Onde tudo é sereno eternamente.
Um pequeno descanso refractário
De ser homem.
Pousei o meu carrego.
A cavalo na terra, olho-a de cima,
Fugido à força de atracção que anima
O seu desassossego.
EM - POESIA COMPLETA VOL. II - MIGUEL TORGA - DOM QUIXOTE
Da inquietação rasteira.
Aprazível clareira
Na floresta do tempo penitente.
Branca serenidade passageira
Onde tudo é sereno eternamente.
Um pequeno descanso refractário
De ser homem.
Pousei o meu carrego.
A cavalo na terra, olho-a de cima,
Fugido à força de atracção que anima
O seu desassossego.
EM - POESIA COMPLETA VOL. II - MIGUEL TORGA - DOM QUIXOTE
sábado, 3 de novembro de 2012
A água chia...* - ALBERTO CAEIRO
A água chia no púcaro que elevo à boca.
«É um som fresco» diz-me quem me dá a bebê-la.
Sorrio. O som é só um som de chiar.
Bebo a água sem ouvir nada na minha garganta.
EM - POESIA - ALBERTO CAEIRO - ASSÍRIO & ALVIM
«É um som fresco» diz-me quem me dá a bebê-la.
Sorrio. O som é só um som de chiar.
Bebo a água sem ouvir nada na minha garganta.
EM - POESIA - ALBERTO CAEIRO - ASSÍRIO & ALVIM
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Sigam o vosso caminho - LUÍS FERREIRA
Rebanho de desgraçados,
Eu... sigo o meu, mesmo que sozinho,
Servirei a Deus... não às tentações do Diabo
Nesta maneira louca... sã de agir.
Crio os meus próprios laços...
Desenho a minha vida no livro que se abre
Sou o que sou e nada devo a ninguém,
Por isso, meus amigos...
Grito... grito e gritarei
Ao mundo e a ninguém
Sigam os vossos passos...
Não vale a pena... chamarem por mim
Vou à minha vida...
À procura da Felicidade!!!
EM - ROSAS & ESPINHOS - LUÍS FERREIRA - TEMAS ORIGINAIS
Eu... sigo o meu, mesmo que sozinho,
Servirei a Deus... não às tentações do Diabo
Nesta maneira louca... sã de agir.
Crio os meus próprios laços...
Desenho a minha vida no livro que se abre
Sou o que sou e nada devo a ninguém,
Por isso, meus amigos...
Grito... grito e gritarei
Ao mundo e a ninguém
Sigam os vossos passos...
Não vale a pena... chamarem por mim
Vou à minha vida...
À procura da Felicidade!!!
EM - ROSAS & ESPINHOS - LUÍS FERREIRA - TEMAS ORIGINAIS
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Endechas ou Canção da diferença - MANUEL ALEGRE
De Bárbara outro poema outra palavra
Senhora nossa que não tem senhor
De Bárbara a diferença que faltava
E nunca mais na língua uma só cor
De Bárbara o ser só ela sendo a outra
Senhora nossa santa pretidão
Antes de Bárbara Europa era tão pouca
Cativos somos nós Bárbara não
EM - POESIA II - MANUEL ALEGRE - DOM QUIXOTE
Senhora nossa que não tem senhor
De Bárbara a diferença que faltava
E nunca mais na língua uma só cor
De Bárbara o ser só ela sendo a outra
Senhora nossa santa pretidão
Antes de Bárbara Europa era tão pouca
Cativos somos nós Bárbara não
EM - POESIA II - MANUEL ALEGRE - DOM QUIXOTE
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Poema de uma quarta-feira de cinzas - MANUEL BANDEIRA
Entre a turba grosseira e fútil
um Pierrot doloroso passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
Feira de sonho e de desgraça...
O seu delírio manso agrupa
Atrás dele os maus e os basbaques.
Este o indigita, este outro o apupa...
Indiferente a tais ataques,
Nublada a vista em pranto inútil,
Dolorosamente ele passa.
Veste-o uma túnica inconsútil,
Feita de sonhos e de desgraça...
EM - ANTOLOGIA - MANUEL BANDEIRA - RELÓGIO D'ÁGUA
um Pierrot doloroso passa.
Veste-o uma túnica inconsútil
Feira de sonho e de desgraça...
O seu delírio manso agrupa
Atrás dele os maus e os basbaques.
Este o indigita, este outro o apupa...
Indiferente a tais ataques,
Nublada a vista em pranto inútil,
Dolorosamente ele passa.
Veste-o uma túnica inconsútil,
Feita de sonhos e de desgraça...
EM - ANTOLOGIA - MANUEL BANDEIRA - RELÓGIO D'ÁGUA
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Paisagem - VINICIUS DE MORAES
Subi a alta colina
Para encontrar a tarde
Entre os rios cativos
A sombra sepultava o silêncio.
Assim entrei no pensamento
Da morte minha amiga
Ao pé de grande montanha
Do outro lado do poente.
Como tudo nesse momento
Me pareceu plácido e sem memória
Foi quando de repente uma menina
De vermelho surgiu no vale correndo, correndo...
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - VINICIUS DE MORAES - DOM QUIXOTE
Para encontrar a tarde
Entre os rios cativos
A sombra sepultava o silêncio.
Assim entrei no pensamento
Da morte minha amiga
Ao pé de grande montanha
Do outro lado do poente.
Como tudo nesse momento
Me pareceu plácido e sem memória
Foi quando de repente uma menina
De vermelho surgiu no vale correndo, correndo...
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - VINICIUS DE MORAES - DOM QUIXOTE
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
no meio do caminho - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - RELÓGIO D'ÁGUA
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - RELÓGIO D'ÁGUA
domingo, 28 de outubro de 2012
Leveza - CECÍLIA MEIRELES
Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.
E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.
E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.
E o desejo rápido
desse antigo instante,
mais leve.
E a fuga invisível
do amargo passante
mais leve.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CECÍLIA MEIRELES - RELÓGIO D'ÁGUA
e a sua sombra voante,
mais leve.
E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.
E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.
E o desejo rápido
desse antigo instante,
mais leve.
E a fuga invisível
do amargo passante
mais leve.
EM - ANTOLOGIA POÉTICA - CECÍLIA MEIRELES - RELÓGIO D'ÁGUA
sábado, 27 de outubro de 2012
Dá-me a tua mão * - JOSÉ GOMES FERREIRA
Dá-me a tua mão.
Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
- para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançar na lua.
Dá-me a tua mão, companheira,
até ao Abismo da Ternura Derradeira.
EM - POEMAS DE AMOR - ANTOLOGIA - DOM QUIXOTE
Deixa que a minha solidão
prolongue mais a tua
- para aqui os dois de mãos dadas
nas noites estreladas,
a ver os fantasmas a dançar na lua.
Dá-me a tua mão, companheira,
até ao Abismo da Ternura Derradeira.
EM - POEMAS DE AMOR - ANTOLOGIA - DOM QUIXOTE
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Salvo erro - PEDRO MEXIA
Uma evocação pontuada por um
«salvo erro»,
função correctiva da linguagem,
desculpabilizadora,
mas tudo o que lembramos
é «salvo erro»
porque recordar já é quase
um erro uma vez
que nada, nem em filme,
acontece de novo
e só sabendo isso dos erros
nos podem salvar.
EM - MENOS POR MENOS - PEDRO MEXIA - DOM QUIXOTE
«salvo erro»,
função correctiva da linguagem,
desculpabilizadora,
mas tudo o que lembramos
é «salvo erro»
porque recordar já é quase
um erro uma vez
que nada, nem em filme,
acontece de novo
e só sabendo isso dos erros
nos podem salvar.
EM - MENOS POR MENOS - PEDRO MEXIA - DOM QUIXOTE
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Noite - MARIA TERESA HORTA
De noite só quero vestido
e tecido dos teus dedos
e sobre os ombros a franja
do final dos cabelos
Sobre os seios quero a marca
do sinal dos teus dentes
e a vergasta dos teus lábios
a doer-me sobre o ventre
Nas pernas e no pescoço
quero a pressão mais ardente
e da saliva o chicote
da tua língua dormente
EM - AS PALAVRAS DO CORPO - MARIA TERESA HORTA - DOM QUIXOTE
e tecido dos teus dedos
e sobre os ombros a franja
do final dos cabelos
Sobre os seios quero a marca
do sinal dos teus dentes
e a vergasta dos teus lábios
a doer-me sobre o ventre
Nas pernas e no pescoço
quero a pressão mais ardente
e da saliva o chicote
da tua língua dormente
EM - AS PALAVRAS DO CORPO - MARIA TERESA HORTA - DOM QUIXOTE
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Breve sonata em sol[um] (menor, claro) - RUY BELO
A solidão da árvore sozinha
no campo do verão alentejano
é só mais solitária do que a minha
e teima ali na terra todo o ano
quando nem a chuva ou vento já lhe fazem companhia
e o calor é tão triste como o é somente a alegria
Eu passo e passo muito mais que o próprio dia
EM - TODOS OS POEMAS II - RUY BELO - ASSÍRIO & ALVIM
no campo do verão alentejano
é só mais solitária do que a minha
e teima ali na terra todo o ano
quando nem a chuva ou vento já lhe fazem companhia
e o calor é tão triste como o é somente a alegria
Eu passo e passo muito mais que o próprio dia
EM - TODOS OS POEMAS II - RUY BELO - ASSÍRIO & ALVIM
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Última estrela...* - ALBERTO CAEIRO
Última estrela a desaparecer antes do dia,
Pouso no teu trémulo azular branco os meus olhos calmos,
E vejo-te independentemente de mim,
Alegre pela vitória que tenho em poder ver-te
Sem «estado de alma» nenhum, salvo ver-te.
A tua beleza para mim está em existires.
A tua grandeza está em existires inteiramente fora de mim.
EM - POESIA - ALBERTO CAEIRO - ASSÍRIO & ALVIM
Pouso no teu trémulo azular branco os meus olhos calmos,
E vejo-te independentemente de mim,
Alegre pela vitória que tenho em poder ver-te
Sem «estado de alma» nenhum, salvo ver-te.
A tua beleza para mim está em existires.
A tua grandeza está em existires inteiramente fora de mim.
EM - POESIA - ALBERTO CAEIRO - ASSÍRIO & ALVIM
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Torpor - MIGUEL TORGA
Voga,
À tona do mar,
A tarde calma.
Sem alma,
Um corpo
Alonga-se na areia...
O sol, cadente, enleia
A luz cansada
À placidez das ondas...
Musa, se eu te chamar,
Deixa o som perpassar,
Não me respondas!
EM - POESIA COMPLETA VOL. II - MIGUEL TORGA - DOM QUIXOTE
À tona do mar,
A tarde calma.
Sem alma,
Um corpo
Alonga-se na areia...
O sol, cadente, enleia
A luz cansada
À placidez das ondas...
Musa, se eu te chamar,
Deixa o som perpassar,
Não me respondas!
EM - POESIA COMPLETA VOL. II - MIGUEL TORGA - DOM QUIXOTE
domingo, 21 de outubro de 2012
Toante - MANUEL BANDEIRA
Molha em teu pranto de aurora as minhas mãos pálidas.
Molha-as. Assim eu as quero à boca,
Em espírito de humildade, como um cálice
De penitência em que a minhalma se faz boa...
Foi assim que Teresa de Jesus amou...
Molha em teu pranto de aurora as minhas mãos pálidas.
O espasmo é como um êxtase religioso...
E o teu amor tem o sabor das tuas lágrimas...
EM - ANTOLOGIA - MANUEL BANDEIRA - RELÓGIO D'ÁGUA
Molha-as. Assim eu as quero à boca,
Em espírito de humildade, como um cálice
De penitência em que a minhalma se faz boa...
Foi assim que Teresa de Jesus amou...
Molha em teu pranto de aurora as minhas mãos pálidas.
O espasmo é como um êxtase religioso...
E o teu amor tem o sabor das tuas lágrimas...
EM - ANTOLOGIA - MANUEL BANDEIRA - RELÓGIO D'ÁGUA
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