quarta-feira, 31 de julho de 2024

Não… - Maria Cabana

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Não voltes atrás Abril
Por teres sido maltratado
Abril são águas mil
Rega o campo semeado!
Não voltes a ser silêncio
Nem tão pouco submissão
Vem agitar o teu lenço
Como forma de união!
Não voltes atrás Abril
Ergue o punho com vigor
És generoso, fértil e viril
E trazes contigo amor!
Não voltes atrás Abril
Volta a ser madrugada
Não caías em nenhum ardil
Espera-te uma emboscada!
Não voltes atrás Abril
Só tu és democracia!
Fazem de ti um senil,
Mas, sem ti, o que de nós seria?

EM - LIBERDADE - COLETÂNEA - IN-FINITA

terça-feira, 30 de julho de 2024

Tocar teu corpo - António Soares Ferreira

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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E estavas nua, e sob a lua
à minha frente.
Toquei-te a pele, com tom de mel
suavemente.
E o teu corpo, sob o meu corpo
estremeceu.
E ao luar, depois de amar
adormeceu.

EM - PALAVRAS QUE VOS TRAGO - ANTÓNIO SOARES FERREIRA - IN-FINITA

Cantar abril - Manuela Vaz de Carvalho

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Que saudade ouvir cantar Abril
Como outrora, no campo na cidade
Com vigor e força, vozes mil
A saudar em festa, a liberdade!

Eram canções de protesto, afirmação
De raiva, amor e liberdade
Que brotavam das celas, da escuridão
Das vozes silenciadas e em luta,
pela verdade!

Oh! Abril da esperança
Punho erguido
Cravos rubros depostos sobre as armas
Pelas mãos ingénuas das crianças...!
Ficaste para sempre em nosso canto
Lacraste para sempre
em nossa mente
a Esperança.

Quem Abril não cantou
Quem Abril não brindou
Quem Abril não cumpriu
Há-de sentir um dia
O travo amargo da traição
Ao esquecer para sempre
A melodia da Revolução
Entoada com euforia

Grândola, Vila Morena...

EM - LIBERDADE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Os beijos teus - Clotilde Sampaio

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Para Aoud Id

Aquele beijo teu,
Querido,
(Que puseste em meu rosto
Receoso a tremer
Ansioso e comovido)
Não olvidei jamais
E, se tenho desgosto,
Lembro-me do teu beijo
E o resto é esquecido.

O outro beijo ardente
(Que em meus lábios deixaste)
Guardo-o discretamente
Como sei que o guardaste.
E, se a vida me rouba
Afagos e ternuras,
Forçando-me a sorver
As taças de amarguras,
Não me ponho a clamar
Em ânsias de desejos.
Recordo-me de ti
E esqueço as desventuras
Relembrando a doçura
Dos teus beijos.

EM - A INFINITA CLÔ - CLOTILDE SAMPAIO - IN-FINITA

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Moro na esperança - Fernando Silva

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Já não sou mais a criança
Que teu olhar viu nascer
Hoje moro na esperança
Com nome na lembrança
De teu olhar poder ter

Lá longe onde o sol aquece
Há luzes em minha fantasia
Rezam meus olhos uma prece
Sempre que teu olhar aparece
Para minha companhia

Como era lindo o ser criança
Recordar os passeios a teu lado
Ter o teu amor e ser bonança
Nesses passos de confiança
Minha mãe muito obrigado

Pelos carinhos pelas lições
Pelos conselhos e confiança
Juntam-se os nossos corações
Na gratidão nas nossas orações
Serás eterna minha mãe eu a criança

EM - SUBLIME OLHAR DE MÃE - FERNANDO SILVA - IN-FINITA

Deixei fugir a liberdade (empatia com recluso) - Manuel A. Rodrigues

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Por crer nos vícios da sociedade,
Fechei os ouvidos à verdade,
Perdi a minha liberdade,
Das regras, adulterei os papeis,
Rasguei todas as leis,
Esqueci da vida os pergaminhos,
Caminhei em errados caminhos,
Quis viver em intensidade,
Fruto da adrenalina da idade,
A vida não era só minha,
Dependência dos “amigos“ em companhia,
Não me soube libertar,
Ignorando o meu afundar,
Quis prevalecer a minha ideia,
De viver a vida à minha maneira,
Em cada vivência, um somar de uma asneira,
Nunca pensando, em expiar as culpas na cadeia,
É certo que errei…!
Dos bons comportamentos me desviei,
Da reclusão, não importa os dias ou anos,
Dos meus erros, consciente estou,
À sociedade vou reparar os danos,
Em liberdade, um novo homem, ser eu vou.

EM - LIBERDADE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Eu vou para a escola - Elizabete Dente

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Eu vou para a escola, 
Gosto de lá andar, 
Há lá tantos livros, 
Que contam histórias 
E guardam memórias, 
De ouvir e pasmar. 

Quando for crescido, 
Eu hei-de voltar 
À minha escola, 
Para recordar 
Tantos momentos, 
Tantas condições, 
Reler os tais livros 
Relembrar lições…

EM - JANELA DA MINHA ESCOLA - ELIZABETE DENTE - IN-FINITA

domingo, 28 de julho de 2024

Doem-me passados que não são meus - Ana Acto

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Doem-me passados que não são meus
Martirizam e crucificam minhas esperanças

Doem-me deles
As recusas e futuros negados
Quando me deveriam ser salvação
Mas me condenam a paz
Quando tos sinto ainda presentes
Em memórias recentes, saudosas

Conseguisse eu me libertar delas
Conseguisse eu acreditar que delas te libertaste
E talvez descansasse meu coração

Pois acreditaria ser Escolha
E não apenas Solução... 

EM - MALDITA - ANA ACTO - IN-FINITA

Canteiros de abril - Mabel Cavalcanti

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Eu quero morar nesse canteiro
E ter o mundo por inteiro
Andando seguro e livre
Quero ser cidadão do mundo
E ter respeito profundo
Por todos e toda cor
Quero um abril colorido
Onde a justiça faça sentido
Nesse canteiro em flor.

Eu quero que o meu canto
Em muitas línguas cantado
Possa reunir as gentes
Unindo cores e mentes
Samba, forró e fado.
E que os cravos de abril
Possam vencer o fuzil
Nesse canteiro sagrado.

Eu quero um mundo que canta
Numa pátria que se agiganta
Onde cabem todo o mundo
Quero o dia luminoso
Cravos na mão do povo
Sem engasgar a garganta.

E que essa terra seja
Um canteiro de esperança.

EM - LIBERDADE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Que te dirão - Tito Lívio Lisboa

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Que te dirão as árvores guardadas
Ao silêncio voraz das madrugadas
Sobre o destino de tender ao outono
Ser amiúde o ciclo do abandono?

Que te dirão os pássaros ornados
Pelas saudades tétricas dos prados
Em voos de liberdades ressentidas
Ao néctar de estrelas ressequidas?

Que te dirá a pedra que esquecida
Perdura além do tempo nas estradas
Na curva que atassalha a própria vida

Que te dirá teu coração às dores
Aos guizos da agonia e das espadas
Se tudo evidencia desamores?

EM - 7 JANELAS PARA O TRANSITÓRIO - TITO LÍVIO LISBOA - IN-FINITA

sábado, 27 de julho de 2024

Metamorfose - Renata Lima

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Disforme.
Dorme.
Amassada
No casulo
Cansada.
Paciência.
Toda ferida, sara.
Calma...
Olha a estrada.

EM - QUE SEJA MAIS - RENATA LIMA - IN-FINITA

Liberdad(e)quação - Jorge Gaspar

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“Que o poema seja microfone e fale/
uma noite destas de repente às três e tal/
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal”.
(Manuel Alegre)

Caminhos tapados. Vidas inquietas.
Máscaras. Desespero. Raiva.
Abis (sis) mo. Olhos calcinados.
O que (como) somos? Para onde vamos?
A causa da Re (Con) sistência.

Que palavras desbaratamos. Enquanto.
Na escrita do poema. Pessoas dentro.

Madrugada. Magnificência.
Liber (Responsabili) dade.
O que se espera da verdade.
Condição humana. Igualdade.
Eu. Nós. Aprendizagem.

Desmistificação da utopia. Decifrar acordes.
Huma (Frater) nidade. Plantar e cumprir.

Mergulhar na urgência de pensar. Abnegação.
Na pele a sensibilidade. Exprimir. Consumir.
Extensa a esperança. Longa a jornada.
O vinco do Sentir. O que (Como) fala o Poeta?
Continuar a leitura do poema. Vingar a Madrugada.

EM - LIBERDADE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Apanhadora de reparo - Elizabete Nascimento

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Abandonada na fenda 
entre silêncios e vazios, 
vejo um barco solitário e sua âncora, 
num mar sem ondas, banhado pelos raios do sol. 
No avesso, 
o mar se veste 
com o brilho da lua, salpicado de estrelas 
a iluminar a escuridão. 
Adentro sem rumo numa viagem sem remo, 
que brinca com a falta de desejo 
com os barulhos que brotam da solidão. 
Companhia só das respostas urgentes, 
das perguntas que não fiz, 
dos amores que deixei partir, 
das vidas que não vivi... 
Eu apanho imagens e palavras, 
na busca por gritos p'ra reparo de insensatez, 
da vida em descompasso que pulsa 
dos berais deste barco parado, à deriva,
ouço apenas tua voz a matar minha sede de água doce. 
Flechas apontam em cima e abaixo da minha cabeça, 
nas respostas que vagam 
feito líquido em correnteza. 
A loucura se ancora na minha lucidez. 
Acordo! Miro o vazio, caída no ineditismo da solidão. 
O livro aberto está ali rindo, 
da ignorância da procura, 
abandonado na minha mão.

EM - GRANADA - ELIZABETE NASCIMENTO - IN-FINITA

sexta-feira, 26 de julho de 2024

A ternura das sombras - Pedro Miguel Santos

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Melancolia pelos amores do antigamente!
Num tempo inocente,
quando não havia limites…
Dou-me agora ao prazer das memórias,
de um tempo que deixou de o ser.
De momentos congelados na minha alma,
recordações inertes, que me avivam a chama!
Os prazeres quase pueris,
beijos intoxicados de paixão,
hormonas extintas na sua intenção,
da ternura das sombras!

EM - APÓS A ATLÂNTIDA - PEDRO MIGUEL SANTOS - IN-FINITA

Na Herdade - JackMichel

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Eram onze horas da noite quando 
prorrompeu na herdade um galope
de cavalos em correria desenfreada;
a donzela desatou a trança que prendia 
seus longos cabelos, e, no peitoril
da janela encostou os cotovelos.

EM - PETIT - JACKMICHEL - IN-FINITA

quinta-feira, 25 de julho de 2024

O teu corpo - António Soares Ferreira

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Olho o teu corpo 
Sinto desejo de ti 
O teu corpo é arte 
Foi por ele que me perdi 
A sensualidade que nele mora 
Leva-me ao êxtase meu amor 
Queria morar nele a toda a hora 
E ver dele brotar uma flor 
A maciez da tua pele 
Os contornos em perfeição 
Até o teu cabelo me impele 
E alimenta esta paixão 
Paixão por ti meu amor 
Pelo teu corpo, por ti, por tudo 
E em ti me entrego meu amor 
No momento em que o teu corpo eu desnudo

EM - PALAVRAS QUE VOS TRAGO - ANTÓNIO SOARES FERREIRA - IN-FINITA

Meu Portugal, de abril, liberdade… - Joaquina Raimundo

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Gosto, no país dos meus sonhos, de viver,
No meu Portugal de abril, liberdade…
Onde lindos cravos vermelhos vi nascer
E onde semeio e colho amor de verdade!

Gosto do meu país que me encanta
E onde a paz e o clima convidam a morar,
Este cantinho da Europa, de graça tanta,
Para onde todos queremos regressar!

Gosto do meu país feito de aventura,
Pelo qual, com querer, tudo enfrentámos
Defendendo a nossa pátria com bravura!

E gosto do nosso orgulho e grande querer
E sei que os ideais por que tanto lutámos
Nunca mais os iremos, meu irmão, perder!

EM - LIBERDADE - COLETÂNEA - IN-FINITA

Frustração - Clotilde Sampaio

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Para Aoud Id

Tanto eu fiz para esperá-lo ansiosamente.
Maquiei-me e perfumei os meus cabelos.
Preparei-me o mais que pude tão contente,
Na esperança novamente de revê-lo.

Mas infeliz que sou! Que tão má sorte!
Quando, ao passar na esquina, onde devia
Estar, vejo-a vazia, não o encontro.

Penso: talvez ele atrasou-se no transporte.
Quem sabe se ainda tarde ele viria,
Quem sabe se me aguarda em outro ponto?

Mas qual!
Depois de angustiante espera,
Só pude ver os meus anseios fenecidos.
E percebendo a frustração nos meus sentidos,
Voltei mais triste e só, para Itaquera.

EM - A INFINITA CLÔ - CLOTILDE SAMPAIO - IN-FINITA