segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Com que versos eu me visto? - PIETRO COSTA

LIVRO GENTILMENTE CEDIDO POR IN-FINITA
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Nasceu de um parto bastante tenso
Que resultou no maxilar fraturado,
Em uma paralisia facial do lado direito
E na criação de apelidos debochados

Sua adolescência não foi nada amigável
Mas superou o fato e não ficou estagnado
No amor e na música, molejo admirável

Em conversas de botequim
Com o violão e o bandolim
Fez odes à insônia e à boemia
Em notáveis letras e melodias

A vida noturna do Rio de Janeiro
Exaltada no seu estilo mais brejeiro
O filósofo do Samba que não vacila
O inenarrável e brioso bamba da Vila
Expôs mudanças culturais e políticas

Por um mundo melhor,
ressoa o devaneio lúdico, que grita
No pormenor de cada cifra,
o desassossego perante toda tirania

Mazelas sociais, crimes, incompetência
Tudo cantado com humor e irreverência

Diante de tudo isso, amigos,
O que me cabe, afinal, é indagar:
Com que versos eu me visto,
Para este saudosismo compensar?

EM - ECOS BRASIL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Meu querido Bem-te-vi - CARMEN LÚCIA DE QUEIROZ PIRES

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Bem-te-vi, meu Bem-te-vi
assim que te vi
corri para te fotografar

atrás dos coqueiros
na espreita,
procurei de ti me aproximar

escondido entre as palhas
dos coqueiros, gorjeavas
como se quisesse me sinalizar

aqui, ali, acolá
sumias cada vez que eu tentava
de ti me aproximar

de repente aparecesse
formoso para mim
a se exibir e cantar

eis aí meu lindo pássaro
finalmente conseguimos
felizes nos encontrar

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Coscuvilheiros e maldizentes - MANUEL MACHADO

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Gente em cada esquina plantada
rodam cabeças com olhos esféricos
esgravatam vidas corpos e almas
ignoram alpargatas que as sustentam
testemunho único de caminhares
alegrias dores horrores assistidos
nestes guetos ignorados e míseros
de povos amorfos desrespeitosos
aos semelhantes que os rodeiam

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Árvore dos Meus Corações - MANUEL A. RODRIGUES

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Plantei uma árvore,
Colhi corações,
Alegria em mim não cabe,
Do sentir tantas emoções,

Um coração em cada ramo,
No pescoço serve de pendente,
O amor de cada pessoa que amo,
Consideração de amada gente,

Os corações são de pedra,
Mas não de pedra fria,
O amor em mim não se encerra,
De calor humano aquece e irradia,

O brilho é do verniz,
A pintura é aleatória,
O desenho não fui eu que fiz,
Saiu do coração, inspiração da memória,

A árvore, não têm raízes,
Não é preciso regar,
Guarda momentos felizes,
Cresce, com as emoções do coração a palpitar…

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Sentinela do amanhã – PIETRO COSTA

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Em um único querer é constituído, preparado e vocacionado
Interceder a favor do indivíduo, sociedade e regime democrático
Formado por integrantes éticos, literatos, prudentes, obstinados
Autônomo e permanente, a nenhum dos 3 poderes subordinado
 
Cultor exímio da ciência jurídica,
como instância resolutória de conflitos
Lê, relê, avalia e elucida
os pressupostos filosóficos do positivismo jurídico
Aportes na hermenêutica e teoria decisional,
contra duvidosos subjetivismos
Na práxis interpretativa, político-jurídica,
aplica o giro ontológico-linguístico
Postura metodológica que fortemente recusa
discricionariedades e ativismos
 
Meio ambiente, consumidor, patrimônio histórico, turístico e paisagístico
Defesa da ordem pública, dos direitos sociais, tutela de interesses coletivos
As crianças e adolescentes, minorias étnico-sociais e comunidades indígenas
Nessa instituição de vanguarda, a observância acurada de direitos e garantias
 
Tais linhas desenham o perfil do Ministério Público em que acredito
De membros e servidores sérios, diligentes ao seu dever precípuo
Escudar a sociedade contra investidas abusivas do Poder instituído
Salvaguardar o Estado Democrático de Direito dos agravos indevidos
 
Sentinela do amanhã, que não se deslumbra com os louros obtidos
Concede voz, amparo e dignidade a cidadãos e setores desvalidos
De versátil e complexa atuação, como fiscal da lei e dono do litígio
Não se curva à intimidação por gritos, vigarices, dividendos políticos


EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA

Destino - CARLA DE JESUS

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Cidade Itapé interior da Bahia, nasce José Felizardo
da Silva Guimarães Filho. Sua maior inspiração, seu pai, 
feirante na cidade vizinha, Itabuna, tinha um olhar sobre 
cada situação. Vendia a melhor e mais procurada carne
do sol daquela região.

Família simples, sua mãe era dona de casa, cuidava
dos filhos: Manoel, Augusto e José, enquanto seu pai 
buscava o sustento numa luta diária. Seu irmão mais 
velho, Manoel, vos deixou muito cedo, e na vida precisou 
aprender, para que nesse mundo pudesse sobreviver.

Resolveu tentar a sorte, e aos 18 anos segue rumo a cidade 
grande. Chegando em Salvador, lugar não tinha para ficar 
e, num pensionato põe-se logo a se instalar.

Em busca de emprego sai a batalhar, numa sorveteira 
no bairro do Curuzu, começa a trabalhar. Algum tempo 
depois deixa a sorveteria e no bairro da Baixa dos 
Sapateiros em uma padaria passa a criar.

Felizardo é um guerreiro, a todos mesmo com dificuldade 
vivia a ajudar. Homem íntegro e de um coração solidário. 
Ele tinha um objetivo, sua família poder reencontrar e, 
assim se firmar.

Quase dez anos da sua chegada a Salvador, outra empresa 
segue a ingressar. Empresas Móveis Salvador LTDA,
e por lá fica até se aposentar.

Nordestino arretado ama trabalhar. Em meios
a essa caminhada encontra Dona Marisa outra retada. 
Desse amor arrebatador passa a trabalhar além
da Móveis Salvador, começa a rodar de táxi à noite,
e seu apartamento consegue comprar e pode-se casar.

Seu destino sempre a lhe guiar. Voltando para Itapé
seus pais foi buscar e uma vida nova enfim poder sonhar...

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Depois da tempestade - OLGA VALESKA

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Quando a calma voltar,
quem ousará catar as conchas vazias?
Quem recolherá os escombros e enterrará os corpos
abandonados
às margens da vida?

Quantas ânforas bastarão
para recolher todas as lágrimas esquecidas?
E os soluços? onde ficarão gravados?

Em que telas? Em qual carne-viva?
Ficarão engastados os risos,
os afetos
e as saudades escancaradas
dos viúvos

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sábado, 19 de fevereiro de 2022

Era o tempo - JOSÉ CARLOS MOUTINHO

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Era o tempo em que as ilusões
tinham perfume de pétalas de rosa
e todas as cores eram infinito dos sentimentos
e a praia ponto de encontro

Era o tempo que a brisa afagava os rostos imberbes
e a maresia embalava os sonhos
o sol era sorriso da paixão

Era o tempo que o futuro era o hoje
o amanhã...
o amanhã, logo se veria
e se o vento soprasse violento
seria ignorado

Era o tempo de alegrias e/ou tristezas
das conquistas e frustrações
dos abraços efémeros e beijos roubados

Era o tempo que partiu
cedendo o lugar a outro tempo
tão rapidamente
que tudo apagou, como se um vendaval voasse sobre ele

Era o tempo...
que deixou inexorável a saudade

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Olhos de ver – PAULO GALHETO MIGUEL

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Hábeis feixes dizentes
Senhores de tudo aquilo, que me dá que pensar
Alavancas da minha própria mente
Sedução pura, cor dos teus pontos cardeais
Adestrados filósofos, maduros no dizer
Qual tino sagaz, que responde pronto, a tudo e aos momentos por resplandecer
 
Mesmo separados de tudo
Graça das certezas, apelo de todas as vontades
São os meus anjos a acudirem por mim, de pé
Como uma pedra que sobrou da água
Como um eco agoniante, excedente de fé
 
Sonham escarlate, mesmo à revelia do tempo
Exalam o Outono, em cada lágrima que na face, brilha
Como tudo o mais que da vida humana, advém
Têm o carisma, que multiplica as sensações
Jamais serão meras ilusões
Por isso senti uma onda fugaz, neste enredo de ascender ao crepúsculo
 
Nestes meus olhos, que são de VER!...

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Carvãotinga - CARLA CHASTINET

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Na Caatinga quando há chuva
Tudo é verde, tudo é bom
Mas quando a seca chega
O verde vai embora
E o povo pula fora

Mas já se sabe
não é preciso ir embora
Para tudo dá-se um jeito
E na Caatinga
Há plantas boas pra carvão
Se derrubar um pouquinho aqui e outro acolá
E depois replantar
Árvore não irá faltar
E assim na seca ou na chuva
O povo vai ficar.

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Quando o brilho do olhar nos morre - ISABEL BASTOS NUNES

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Afronto-me a mim própria
E com um grito surdo
Parti em busca de mim.

Perdi-me nas brumas desta cidade
À procura de uma outra que inventei
Onde os meus sonhos se fizeram gente
Mas que eu sepultei
Nas memórias que esqueci.

Imersa nessas sombras como castigo
Agreste é o meu horizonte interminável.

O meu corpo enrola-se no que ainda é a minha essência
Mas o meu pensamento vagueia numa luz obscura
Quase macabra
O meu horizonte são as imagens vivas dessa cidade
Onde amadureci e onde o tempo secou minhas lágrimas.

Sinto-me amarrada a essas lembranças
Talvez me libertasse se não as escrevesse…

Sei-me desbotada nos anseios que ainda trago no peito
Mas alimento ainda o desejo de libertar-me
Dessa cidade que invento nas palavras
Quando o olhar me morre nos olhos.

Acho que a vida me fez merecer isto mesmo
E me quer silenciosa.

Sinto-me a vaguear por essas ruas imperfeitas
Enquanto espero encontrar esse olhar que anda perdido
E me faça escrever
O que as vozes do silêncio não me deixam.

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Ficas comigo? - MARIA EUNICE SISTI

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Vens de longe,
neste romper do escuro ...
Certamente doutros dias
Doutros lugares,
onde deixaste o teu riso e a tua melodia...
Ficas comigo mais uma vez e o resto dos teus dias!
Sei o quanto nos consumimos quando fracassamos frente
às imensas coisas da vida, e então,
com a saudade cumprindo o seu papel, te guardarei na
minha quietude.
Ficas comigo!
Talvez a gente possa se encontrar de novo.

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Abaeté - CARLA CHASTINET

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Abaeté de pé em pé
de mão em mão
giramos na roda
para sua proteção

Abaeté de pé em pé
de mão em mão
Nossa ciranda
com devoção

Na ciranda do Abaeté
Giramos no sentido horário
caminhando com as horas
atentos na defesa da lagoa

Giramos ao contrário
Seu antepassado nos conta
Lagoa escura
areia clara
Era assim, Abaeté

Voltamos o giro
De pé em pé
de mão em mão
Queremos Abaeté
de volta como era
Areia clara
Lagoa escura

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Carregadas de pedras - INEZ ANDRADE PAES

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carregadas de pedras
as enigmáticas serras
lascam como pétalas
soltam-se agora
do penhasco mais alto

apanho uma

e a serra
golpeia-me o dedo
num golpe simples

sem sangue

lascas maiores desfazem-se
quando caem no fundo do terreno duro
as pequenas intactas
e outras firmemente erguidas
como lanças apontadas

as enigmáticas serras
lascam como pétalas

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Aparenta – PAULA LIMA

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Lá vem ela
Com sua alegria fraudulenta
 
Vem e chega barulhenta
É tanto que traz
Que até me afugenta
 
O prazer contido em cada dose
Suas posses numa pose
Uma apoteose, como pode?
 
Com tanto descuido
A sua essência se acinzenta
Recordo-me de quando era magenta
 
A sua paz esquizofrênica
É o que nos apresenta
 
Enquanto a realidade lhe adoenta
Ilusão é a única parte
Que ela aguenta.

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Ciranda de pedra - CRISTIANO CONSTANTINO

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pela fresta da janela
avista ao longe um passarinho
tão pequeno mas esbelto
a voar alto, destemido
desviando do que é concreto
sem distrair pelo caminho
talvez em busca de algum verde
que lhe sirva como abrigo

EM - CAUSOS DE QUARENTENA (OR QUARANTINE POEMS) - CRISTIANO CONSTANTINO - IN-FINITA

Nasci no nordeste, sou nordestino! - BETINHO DE SAUBARA

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Existem vários motivos para engrandecer-me!
Sabes? Historicamente, aqui nasceu o Brasil!
Jamais poderão esconder ou negar!

Existem vários motivos para engrandecer-me!
Sabes? Aqui tem muitas riquezas naturais:
Praias, rios, cachoeiras, campos e florestas!

Existem vários motivos para engrandecer-me!
Sabes? Aqui tem muitas riquezas culturais:
Marujadas, cheganças, embaixadas e sambas!

Existem vários motivos para engrandecer-me!
Sabes? Aqui é o berço de pessoas inteligentes:
Poetas, escritores, cantores e romancistas!

Existem vários motivos para engrandecer-me!
Sabes? Aqui tem povo um trabalhador e festeiro,
Que se alegra nas festividades exuberantes!

Existem vários motivos para engrandecer-me!
Sabes? Aqui tem muitas belezas humanas:
Mulheres negras, indígenas e brancas!

EM - ECOS DO NORDESTE - COLECTÂNEA - IN-FINITA

Estilhaços - MARIA ELIZABETE NASCIMENTO OLIVEIRA

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Restaram os estilhaços,
ruínas de corpos e sentimentos,
trevas em dias de sol.
Passado e presente
na batalha insana
de um expatriado,
armas de insônia
e farpas de saudades.
MELUSINA.
Fragmentos disformes,
bandoleiro, como o amor,
maquiam a vida em luz e escuridão.
Noite em claro,
campo de concentração.
Hiato entre o abandono e o verso,
névoa de cacos do próprio exílio.

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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Lembra-me de viver - FLAVIANE BORGES

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A vida é um sopro
um breve suspiro
por vezes não consigo respirar

Essa falta de viver rouba-me o ar
esse sopro de vida, escapa-me entre os pulmões.

Se um breve suspiro resta ainda desse fôlego a latejar
é do sopro do vento que me convida a viver...
Sem saber de onde vem, nem para onde vai
apenas sopra e refresca a vida.

Frescos versos em toque suave
beijos de leve brisa, no rosado rosto à beira-mar.

Fugindo devagar a palidez, no breve suspiro sinto…
voltar a respirar.
Como um sopro de vida!
em toques suaves e frescos, brisa passageira
para uma vida de instantes…
Lembrança de um viver.

EM - ECOS PORTUGAL - COLECTÂNEA - IN-FINITA 

Embala-me nesta noite escura – PAULA JORGE

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Ensinaste-me a ser,
A ouvir o fragor, acautelar, parar.
Vi o teu exemplo de força, 
Aprendi a tua resiliência, 
Observei como escutavas o outro.
Foste homem de labor,
De fé,
De caráter,
De amor.
Cresci, orgulhosa de ti,
Do aconchego do teu abraço,
Da ternura das tuas palavras,
Da suavidade do teu regaço.
Cresci, pensando ter-te sempre por perto,
Sabia que estaria protegida
Dos maiores dissabores,
Das maiores tormentas,
Das maiores dores.
Partiste…
Mas não nos deixaste sós,
Temo-nos, protegemo-nos,
Porque tu assim mostraste,
Porque tu assim quiseste.
Centramo-nos à tua volta,
Por seres tudo para nós,
Fecho os olhos e sinto o teu cheiro,
Recordo a pureza do teu coração,
Escuto até a tua voz.
Revivo a tua sensatez…
Embala-me nesta noite escura, Pai,
Fica comigo,
Não partas outra vez.

EM - VERSO & PROSA - COLECTÃNEA - IN-FINITA